Rinite vasomotora

Quase não vejo grávidas falando sobre as dificuldades em estar grávida… Tudo é lindo, maravilhoso, uma bênção. Mas também dói, fede, descontrola, dá vontade de chorar, irrita etc. Estamos a dois dias de completar a sétima semana, e isso não é surto de negatividade, mas de realidade.

Não senti muita coisa essa semana, mas parecia que tinha sido atropelada por um caminhão! No sábado, depois de um jantar em família, tive o que acreditava ser um resfriado. E um resfriado daqueles. Deus sabe de todas as coisas e sabe que se tem uma coisa da qual eu não reclamo é minha saúde. Morten está sempre resfriado, com dor de cabeça e coisas do gênero. Da última vez ele pegou micoplasma. Ficou mal umas três semanas. Um horror! Quando ele passou o troço pra mim, tive febre umas duas horas e melhorei. Pronta pra outra. Dificilmente fico mal. Acontece, mas muito raramente. Se preciso deixar de trabalhar, é um dia só e logo já estou de volta à ativa. Nunca tiro os três dias de direito. Dou graças à Deus pela saúde que tenho, apesar do corpinho que parece frágil.

Enfim, acreditei que fosse um resfriado. Não consegui ir à faculdade e achei que fosse estar melhor para os quatro plantões seguidos que ia pegar no trabalho a partir da quinta-feira. Negativo. Na quarta-feira piorei. Resolvi pesquisar na quinta-feira, depois de ter cancelado meus plantões. Estava há cinco dias totalmente entupida. Nada na garganta, sem tosse, sem febre, nada. Mas totalmente entupida. Tinha tomado paracetamol duas vezes sem efeito algum. Deitada pra dormir, não podia mexer a cabeça, se mexesse parava de respirar imediatamente. O nariz escorria o tempo inteiro. Só dormindo me livrava de assoar o nariz e conseguia respirar, devagar e sempre.

Bom, comecei a me perguntar se aquilo não seria sinusite, já que não tinha nenhum sinal de resfriado. Mas nunca tive sinusite antes e os sintomas também não batiam. Daí pensei: poderia isto ser rinite?

Rinite é minha velha companheira, mas que faz visitas curtas e grossas. Só preciso de um anti-alérgico e ela junta seus paninhos de bunda e me deixa em paz. Nunca tinha vindo pra ficar, e nunca tinha entrado de sola como dessa vez.

Navegando pelos mares do Google, descobri que a rinite é uma senhora que também a-do-ra passar temporadas com grávidas! Se ela já gostava de me visitar antes, agora já achou que ia poder montar a tenda e se instalar por aqui. Ela assume a identidade de rinite vasomotora. Os vasos sanguíneos estão descontrolados e causam uma superprodução de muco. [Desculpe, mas este é um blog sobre gravidez, e toda rosa tem seus espinhos. Se ficar nojento demais, pule para o próximo parágrafo!] Logo, vasos sanguíneos dilatados mais a superprodução de muco tornam a passagem de ar inviável. O muco veio pronto para o carnaval de cores transparente, verde e amarelo!

Eureka! Rinite! Mas como espantá-la sem meus usuais aliados? Grávidas não devem fazer uso de anti-histmínicos de segunda geração. É, pensei que esses termos só servissem em tecnologia. Mas a farmacologia também é uma tecnologia. E qual a diferença? Simples: os de primeira geração são os de efeito sedativo. Aqueles que te nocauteiam sem dó, tipo o Polaramine. E os de segunda geração são amigáveis à nossa vida cotidiana. Dá pra tomar e ir trabalhar sem medo de babar sobre aqueles documentos que seu chefe precisava assinados ontem! A Loratadina é um bom exemplo. A diferença crucial entre eles para as grávidas é que os de primeira têm vasta gama de pesquisas e testes em humanos, e os de segunda não o têm. Aqui vale a regra da hierarquia: é de segunda, não presta!

Por sorte tinha trazido na minha malinha do Brasil uma cartelinha tímida de Polaramine. Dificilmente uso. Aqui despeço a rinite com Loratadina ou Cetirizin. Aqui Polaramine só com receita médica, então não dava pra dar um pulo na farmácia e comprar sem antes falar com minha médica e pedir a receita. Como não dava para esperar até hoje pra me livrar de meu sofrimento, tomei. Tomei um polaramine por volta das 16h. Para a minha felicidade, em menos de meia-hora já podia respirar e pude abandonar os rolos de papel higiênico que tinham  me acompanhado ao longo dos dias anteriores. Ô dilíça! Dormi… dormi bem. [Acho que só vou dormir maravilhosamente bem de novo depois que essa criança nascer e puder desfrutar de sua noite de sono e em seu quarto. Ou seja, daqui alguns anos].

Hoje, liguei pra minha médica para saber como expulsar a rinite da minha porta durante a gravidez. E aí ela me confirmou que fiz bem em tomar o polaramine, e que não devo tomar outra coisa, mas devo ir buscar a receita com ela e usar um spray de soro fisiológico para manter a cavidade nasal limpa e seca. E ela vai voltar!

Mas não foi só isso. Ela também quis falar sobre o exame de sangue que fiz da última vez que estive lá. Como eu já esperava, se confirmou uma anemia leve. Contra essa eu tenho lutado por muito tempo, e não ganho. Como o único problema é a percentagem sanguínea, ela suspeita que meu problema seja genético. Todos os outros valore estão sempre no lugar. Não tenho deficiência de mais nada, só ferro! Então, vamos fazer um teste. Vou tomar 200mg de ferro por dia durante seis semanas, e voltar para mais um exame de sangue. Se o valor continuar abaixo do normal, vou precisar fazer testes e exames para confirmar o problema genético. Segundo ela, não é nada que complique a minha vida ou a do nosso milagrinho, mas é bom saber pra tomar as medidas certas.

Ia postar uma foto da barriga hoje, mas demorei a tirar a foto, e foto tirada depois de comer não vale. Amanhã…

3 pensamentos sobre “Rinite vasomotora

  1. Pingback: Kjære Cecilie/Cecilia/Lauritz/Matias, | pappaaablogg

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