Semana 17

Essa semana me vi numa situação que evito há mais de 15 anos. Pra relembrar aos primos que presenciaram o acontecido: durante uma discussão com um garoto na rua, eu dei na cara dele. Trocando em miúdos para os que não estiveram presentes: durante a discussão ele xingou a minha mãe, coisa que pra mim é imperdoável. Meu problema é que dou um boi pra não entrar numa briga, mas pago uma boiada pra não sair. E isso de pagar uma boiada é exatamente o que eu tenho evitado há anos.

O que eu senti, percebi e aprendi daquela situação é que eu não sou o tipo de pessoa que grita, usa palavrões, ou sai no braço. Eu sou o tipo que humilha o outro. Nada que eu pudesse dizer naquele dia ia ferí-lo mais profundamente que um tapa bem dado no rosto. No Brasil é aquilo: “em rostinho que mamãe beijou, ninguém bate”. Aquilo foi tão sério, tanto para mim quanto para o garoto, que no dia seguinte eu acordei ouvindo ele, transtornado, gritar meu nome do portão e dizendo que ia me matar. Meu pai o acalmou e, por via das dúvidas, não me deixou sair. Mais de dez anos depois nos reencontramos. Poucas palavras cordiais foram trocadas, envoltas em comentários dos presentes do tipo: “cuidado, agora ele é um homem e maior que você. Vai que ele resolve te dar o troco”. Com a graça de Deus, tanto ele quanto eu, ignoramos os comentários. Mas imagino que tanto para mim quanto para ele a situação foi desconfortável.

De modo geral, quando duas pessoas que saíram no braço quando crianças se reencontram, o episódio é lembrado com bom humor, e sempre fica claro que aquelas diferenças foram esquecidas. No nosso caso, ou pelo menos para mim, o mal-estar foi criado pelo fato de eu tê-lo humilhado na frente dos amigos dele. Foi mais que uma briguinha de criança. Desde então eu evito discutir no calor da situação porque sei que tudo o que eu disser, em baixo tom, vai doer muito mais do que um soco na cara.

Esse meu lado “humilhador” é feio e dolorido. Não me entenda mal, eu não faço isso porque gosto. Não tenho nenhum prazer em humilhar os outros, mas as pessoas reagem de maneiras diferentes à violência, seja ela verbal ou física. Minha reação não faz bem pra mim nem para os outros. Por isso, evito qualquer tipo de atrito que possa me jogar nesse buraco de novo. Não tenho nenhum interesse em “cultivar” inimigos eternos.

Mas, o quê me fez voltar à essa lama, você deve estar se perguntando. Mais uma vez, o desrespeito à minha família. Meu marido tem amigos interessantes, de um drogado “pacifista” violento à um padre que já se ofereceu para ser babá do milagrinho. Mas no meio desse bolo há um por quem eu não tenho muito “apreço”, vamos dizer assim. Mas como não tenho interesse em ter inimigos e ele é amigo do meu marido, eu o tolero. Mas ele é dessas pessoas que sem muito esforço, pode me arrastar de volta pra lama.

E dessa vez ele chegou perto. Eu tenho que agradecer muito à Deus, porque Ele só pode ter acampado um exército de anjos entre eu e a sala para não me deixar sair do quarto, e no momento em que eu saí, este dito “amigo” calou a boca, me deu tchau e foi embora.

Agora que estou grávida, meu senso familiar tem estado um tanto aguçado, e acredito que os hormônios possam estar me descontrolando um pouco. Durante o episódio, este “amigo”, estando dentro da minha casa, sentado no meu sofá, levantou a voz para o meu marido, reclamou de coisas absurdas – umas que nem mesmo competem à ele -, e foi extremamente grosso e desagradável – desagradável ele sempre é, isto não é novidade. O que me ocorreu na hora foi a idéia de ter uma criança do lado do pai, tendo que ouvir à todos aqueles absurdos de uma pessoa que não se respeita e não respeita os outros. Chamei Morten duas vezes no quarto e pedi que ele mandasse o tal “amigo” embora. Eles continuaram discutindo. Enquanto eu imaginava aquela cena, meu sangue ferveu, mas eu demorei a decidir levantar. E quando o fiz ele “colocou a viola no saco” e foi embora. Depois que ele foi embora “soltei os bichos” em Morten por permitir tamanho desrespeito dentro da sua própria casa. E deixei bem claro que se algo do gênero acontecer outra vez, eu mesma o colocarei daqui pra fora, mas que de qualquer forma, não quero vê-lo nem pintado de ouro na minha frente.

Essa foi a gota d’água, mas ele tem sido extremamente desrespeitoso com a gente desde que o conheci. E sinceramente tenho dificuldade em entender que alguém queira um “amigo” desses por perto. Aliás, tenho minhas teorias sobre o verdadeiro interesse desse fulano nessa “amizade de araque”. Mas respeito o fato de que Morten o tenha como amigo.

Mais tarde, ponderamos um pouco sobre as razões que poderiam se esconder por detrás daquele comportamento “além da conta”. Brigou com a esposa? Está frustrado com a situação atual dele? Culpa a gente por alguma coisa que a gente nem sabe? Não sabemos. Mas de qualquer forma ele desrespeitou o meu lar.

Minha casa é território seguro para mim e minha família. Meu filho não deve se sentir desrespeitado e ameaçado dentro da sua própria casa.

Me livrei de voltar ao passado, mas já percebi que novos desafios surgirão em meu caminho, e eu preciso de muita paz e paciência para contorná-los sem pisar em ninguém e dar um bom exemplo pro nosso milagrinho. Mas ao final de tudo, só sei que nada sei.

E aqui vão as fotos da semana.

2 pensamentos sobre “Semana 17

  1. Pingback: Kjære kona mi (II), « pappaaablogg

  2. “Mas ele é dessas pessoas que sem muito esforço, pode me arrastar de volta pra lama. E dessa vez ele chegou perto. Eu tenho que agradecer muito à Deus, porque Ele só pode ter acampado um exército de anjos entre eu e a sala para não me deixar sair do quarto, e no momento em que eu saí, este dito “amigo” calou a boca, me deu tchau e foi embora.” imaginei a cena toda…. e fiquei pensando: realmente, Deus colocou um exército, sim! Pois só Ele pra te acalmar…rs. Tinha esquecido desse acontecimento, pude me recordar de como você realmente paga uma boiada pra não sair de uma briga… sem desaforos pra casa…. jamais! rs

    Mas é isso aí….. numa hora dessas, respire fundo, ore a Deus e pense no milagrinho…. nada de stresses, prima!

    Fica com Deus

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