É ele!

Como previsto e esperado por muitos, nosso primeiro milagrinho é Matias. O menininho mais lindo do pedaço!

Fizemos a ultra no último dia 15. Não tive nem tempo de me preparar para ouvir qual o sexo do milagrinho. Mal a parteira colocou o aparelho sobre a minha barriga e olhou pra tela, já soltou um “é um menino”. Foi tudo tão rápido que eu fiquei meio espantada e pedi pra “ver melhor”.  Eu sou meio Tomé pra algumas ou muitas coisas. Só acredito vendo. A parteira não poupou esforços, entrou por baixo do milagrinho e ainda bateu uma foto pra comprovar. Melhor que narrar o inenarrável é colocar aqui o vídeo que fizemos.

Meus olhos sempre ficam marejados quando vejo ele cheio de vida, fugindo do ultrassom, se mexendo o tempo todo. Vejo e revejo o vídeo, não preciso de mais nada pra ficar com cara de abobalhada, com um sorrisinho leve na boca. Estamos a 20 semanas e 1 dia agora, no meio do caminho, e a cada dia minha curiosidade aumenta. A cada movimento na minha barriga, cada chute, cada soco, cada cabeçada, cada bundada. Tudo isso me acalma, mas me deixa mais curiosa, com mais vontade de colocar ele no colo. Ver que traços ele tem. Segundo a parteira, os lábios e o nariz são provavelmente meus. Herdei os lábios do meu pai, e o nariz da minha mãe. Um pouquinho de cada um… Já disse pra Morten que Matias pode herdar as pernas dele porque são lindas!

Durante a ultra, Morten observou que ele fazia um movimento com os braços que eu faço desde que me lembro. Talvez essa seja minha primeira lembrança: deitada na cama, tomando Neston na mamadeira, com um dos braços pro alto, segurando meu “paninho” e me ninando… faço isso até hoje quando penso que Morten não está vendo – mas pelo jeito Morten vê tudo. Espero que Matias tenha mais coisas do pai, afinal, a mãe todo mundo sabe quem é… rs.

E o nome, bom, Matias Laurits da Silva-Tønnessen. Tanto eu quanto Morten gostamos do nome Matias (não só a gente, Matias é o terceiro nome mais usado na Noruega atualmente) e gostei mais ainda quando vi o significado “presente de Deus”. O nome soa bem tanto em português quanto norueguês. Optamos por não usar “h” – “Mathias” é mais comum aqui. Laurits vem na verdade de uma história um tanto curiosa.

Morten era muito próximo do avô materno, Jens Laurits Seip, e escreveu a biografia dele. O avô nunca usou o nome Laurits, somente L., exceto em uma ocasião: enquanto esteve preso em Sachsenhausen durante a segunda guerra mundial. Ele escrevia cartas para a esposa, avó de Morten, mas muita coisa era censurada pelos alemães. Para contar como andava a saúde dele sem ser censurado, eles inventaram um sobrinho que se chamava Laurits, e se referiam à ele como “pequeno Laurits”. Assim, ele perguntava como andava a saúde do pequeno Laurits, ela respondia, e ele confirmava, ou corrigia a informação sobre a saúde dele. Essas cartas não foram censuradas e Morten as guarda num arquivo. Uma ironia quanto ao “pequeno Laurits” é que o avô de Morten tinha 1,96cm de altura, e de pequeno não tinha nada.

Bom, o avô de Morten faleceu poucos dias depois que nos conhecemos, e Morten não teve a chance de contar à ele sobre mim. A biografia foi publicada pouco depois da morte dele e eu ouvi essa história algumas vezes. Em norueguês, pequeno Laurits é “lille Laurits” e eu sempre gostei da sonoridade do conjunto. Depois que definimos o nome, descobrimos que o avô do pai de Morten também se chamava Laurits, mas ele morreu quando o pai de Morten tinha 1 ano de idade. Acho que ele era padre, ou coisa assim. O sobrenome será o meu. Uma combinação do sobrenome mais comum no Brasil com o sobrenome mais comum do sul da Noruega. Tem sempre mais um Tønnessen na minha turma da faculdade.

Segundo a minha mãe, o melhor é escolher o nome depois de olhar a criança, mas no nosso caso fica complicado. Imagine que escolhemos o nome de menina antes mesmo de casar, e começamos a discutir o de menino quando engravidei. Aqui na Noruega o governo dá um nome pra criança que ainda não tiver sido nomeada pelos pais até os 6 meses de idade. Deus me livre ter essa pressão: 6 meses pra entrar num acordo com Morten, ou ver meu filho receber um nome qualquer dado pelo estado. Já decidimos! hehehehehe

Também na semana passada fomos à primeira “conversa” no centro de família. Começou estranho, ficou interessante e depois extremamente desconfortável – pra mim pelo menos. Naquele dia decidi que não voltaria mais lá, mas hoje já não tenho certeza… a próxima “conversa” ficou marcada para o dia 1 de junho. Estou pensando, ponderando… relutante, mas ao mesmo tempo tentando me abrir pra me permitir ser comida viva. Se é por uma boa causa… se é pelos homens da minha vida… Vamos ver.

Amanhã temos mais uma consulta com a nossa parteira e no dia 25, consulta com minha médica. São tantas consultas que eu até esqueço, e às vezes marco coisas que coincidem… Topei trabalhar amanhã, mas consegui que minha chefe-interina me deixasse sair mais cedo pra ir ver a parteira. Na quarta minha fisioterapia já foi pro brejo. Vou trabalhar também.

Enfim, Matias se desenvolve e cresce, e a vida segue. Então, vamos às fotos!

3 pensamentos sobre “É ele!

  1. Nossa,Helena!
    Estou mt feliz por vc…Um menino,que alegria!Olha,parando para pensar vc sempre foi mt moleca,tem cara de mãe de menino mesmo,hehehe…
    Adoro histórias de família e essa do avô do Morten é linda.Achei mt fofa a ideia de vcs!Agora,preciso perguntar isso pq já me dá aflição em pensar.Essa história de ser comida viva é a placenta?
    Bjs querida!

    • Oi, Thame!
      Eu confesso que teria que me reinventar pra ser mãe de uma menina… rs. Morten quer ter uma menina mais tarde pra me provar que eu serei uma ótima mãe de menina.
      A família de Morten, especialmente a parte da mãe, é cheia de histórias.
      Kkkkkkkk A história de ser comida viva não tem nada a ver com a placenta… rs. A “conversa” foi um tipo de “terapia informal” onde a estrela principal sou eu, por isso fui comida viva. Hehehehe Comer placenta não é comigo…

      Morten está mandando um abraço pra vocês.
      Um beijo!

  2. Nossa amiga,Eu viajei mt com a história da placenta,kkkkkkkkkkkk…levei a coisa ao pé da letra!Confesso que me assustei,mas me sinto aliviada em saber que vc é “normal”,hahahaha….Confio na teoria do Morten,minha irmã não se imaginava mãe de menino e hoje adora,diz que não se imagina tendo uma menina.E essa experiência aconteceu com várias amigas minhas.
    Sobre o lance da terapia acho válido.Vc pode se surpreender e acabar gostando!Mande bj para o Morten e espero te ver por aqui mês que vem!
    Bjs

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