Na expectativa

20 dias se passaram e Matias continua na minha barriga. Um pouco maior, se mexe quase o tempo todo, mas agora com movimentos mais vagarosos. Tenho falsas contrações a maior parte do tempo, mas elas não evoluem, e às vezes não causam desconforto, mas na maioria das vezes fazem meu coração disparar. Uma diferença é que antes eu não sentia Matias durante uma contração, mas agora, como elas aparecem do nada, com freqüência e vêm seriadas, ele continua se mexendo… é bem estranho sentir a barriga empedrar enquanto o pézinho dele vai devagarinho do meio da barriga até o canto das minhas costas.

Muitas grávidas têm problemas para dormir no finalzinho da gravidez. Dou graças à Deus porque esse problema eu não tenho. Matias me deixa dormir sem problemas, desde que eu esteja virada para o lado esquerdo. Vou ao banheiro muitas vezes, mas dificilmente acordo de verdade. Cambaleio meio sonâmbula.

Antes era difícil subir e descer morro por causa do peso da barriga, agora andar numa rua plana é complicado. Mas eu não páro. Sempre estou passeando pela cidade, dando um jeitinho na casa etc. E falando em cidade…

Não fui só à Dinamarca desde o último post. Fui também à Stavanger, cidade onde Morten trabalha. Voltamos ontem.

Na Dinamarca foi tudo bem. Participamos de um congresso na cidade de Odense. Como não posso mais pegar avião, pegamos uma barca e trem. Total de 8 horas de viagem. Na bagagem tinhamos uma lista com todas as maternidades no caminho, e eu cruzei as pernas pra não parir na barca. Na volta, como era a última barca do dia, num sábado e a quantidade de norueguêses bêbados e descontrolados viajando era grande, a tripulação nos deu cadeiras na primeira classe do barco. Viajamos junto com um monte de famílias com crianças pequenas e naquele deck o consumo de álcool é proibido. A cadeira caiu como uma luva, e ainda tinha TV para cada passageiro. Foi uma viagem super tranqüíla.

Estive em Stavanger uma vez durante nossa viagem de casamento em 2007. Daquela vez eu me apaixonei pelas ruas e vielas cheias de casas brancas. Dessa vez não foi diferente. A sensação foi a mesma. Me sinto em casa em Stavanger. Não sei bem porquê, mas gostaria de morar lá. Deus sabe como eu desejo que Morten consiga uma posição fixa lá. Mas pode ser que a gente se mude pra outro lugar, Oslo, Bergen… não sei. Mas tenho uma certa afinidade com Stavanger, apesar de ser uma cidade controlada pelo partido de direita norueguês. É uma cidade rica e cosmopolita. Cheia de imigrantes, mas imigrantes que produzem, são pequenos e grandes empresários. Se ouve muito inglês pelas ruas da cidade por causa das empresas de petróleo. O inglês é a língua de trabalho do óleo, e Stavanger é rica em óleo. Mas é uma cidade com uma atmosfera liberal e progressista (diferente até das próprias políticas de direita, mas o dinheiro do óleo parece mandar no poder político em todo lugar). É uma cidade que me atrai muito.

A variedade de lojas, cafés e cores me seduzem. Achei um barato tomar café da manhã quase 100% ecológico no hotel. A-DO-REI ter encontrado GUARANÁ ANTARCTICA num supermercado qualquer. Foi ótimo encontrar o presente de casamento perfeito pra Morten numa das ruas do centro – 30 minutos de massagem tailandesa -. Descobri um lugar onde posso fazer uma “depilação brasileira”. Fiquei com um sorrisinho satisfeito no rosto depois de comprar dois mil-folhas e um eclair num café francês. Fiquei encantada com a quantidade de lojinhas que vendem roupas infantis exclusivas. Exclusivas não porque são caras, mas porque são feitas a partir de um ideal – vestir crianças com roupas ecologicamente corretas que fazem bem pra pele dos bacuris. Achei interessante ser servida por garçons e garçonetes que só falam inglês. De quebra, pra comemorar nossas Bodas de Madeira, jantamos num restaurante indiano e eu, que geralmente não ligo muito pra comida indiana, lambi os beiços. A comida estava uma delícia. Ainda fomos visitar um casal de amigos de Morten. Eles já estiveram aqui em casa e têm um filho lindo. Eles moram 20 minutos de trem do centro de Stavanger, num lugar muito legal, super tranqüílo e com uma floresta atrás.

Stavanger só tem um problema: é cara! Ô cidade cara!!! Uma casa em Stavanger não sai por menos de 4 milhões de coroas (Mais de 1 milhão de reais). Estadia em hotel durante a semana é ridiculamente cara, não interessa se o hotel é caidinho e sujo, se fica no centro de Stavanger, custa os olhos da cara e mais aquele outro que é cego. Durante as negociações para aumento de salário desse ano, os professores de Stavanger exigiam um aumento maior que o do resto do país porque eles têm um custo de vida maior que o do resto do país. Tudo por causa do óleo.

De qualquer forma, gostaria muito de morar lá. Mas, vamos ver o que o futuro nos reserva. Por enquanto estou fazendo uma malinha pra voltar lá no domingo. Morten vai trabalhar segunda e terça, e como ele está com medo que Matias nasça enquanto ele não está aqui, nós vamos com ele. Dessa vez vou fazer a malinha de Matias também, pro caso de ele resolver fazer como o pai e nascer em Stavanger. Essa semana, a cada contração me perguntava: como vou fazer pra vestir Matias se ele nascer aqui? Na próxima visita já vou preparada. O hospital de Stavanger também é mais “hard core” quanto ao parto natural. Quer dizer, se eu estiver em Stavanger e quiser parir na água, tenho maior chance de conseguir porque eles têm mais banheiras disponíveis. Mas eles proibiram o uso de gás por causa das parteiras – se uma delas estiver grávida no primeiro trimestre, ela pode sofrer um aborto. Mas eles oferecem mais opções de alívio da dor. Bom, isso tudo só pra dizer que se for parir em Stavanger, não há problema. E minha mãe vai na mala, claro!

Mas vamos ver quando e onde Matias vai decidir nascer. Já estamos a 38 semanas e 4 dias. Minha mãe chega amanhã, aí ele pode vir ao mundo tranqüílo. Mas a estatística prediz que ele vai nascer depois do dia 10. Vai rolar bolão? Uma dica, ele não passa do dia 21 de outubro.

E vamos às fotos da semana passada.

3 pensamentos sobre “Na expectativa

  1. Garota, vê se vc sossega, hein! Matias vai acabar nascendo no meio de uma viagem… kkk. Seu médico não briga não, é? rs
    Bom… eu já estou apostando, o Matias vai nascer no dia 13 de outubro, nem no dia das crianças, 12, e nem no dia do meu marido, 14. Assim como Brenda, vai nascer um dia antes de vc, pra não haver disputas de festa…. hehehe.

    Ah! E já estou profetizando sua casa em Stavanger, achei o lugar a sua cara só em falar….rs.

    Bjus…. e um carinho no Matias.

  2. 😀 Aposto no dia 12…

    Tua barriga tá gigante. Deve estar se sentindo melhor com a mamãe aí perto, né?! Vê se não prende ela aí mto tempo q preciso dela aqui. 😉

    No aguardo por mais novidades sobre o Matias… 🙂

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