12 semanas – update

Ontem Matias completou 12 semanas, e dia 10 de janeiro ele completa 3 meses.

O resguardo

As primeiras seis semanas de resguardo foram cansativas e às vezes entediantes. Não podia sair muito, carregar peso, arrumar a casa, enfim, o resguardo normal para uma brasileira. Digo “para uma brasileira” porque o resguardo não é tão parado para as norueguêsas. Elas pegam leve, mas não deixam de fazer as coisas. Pra mim, sendo brasileira, filha da minha mãe e neta de D. Filhinha rezadeira, o resguardo é importante e deve ser respeitado. O único dia em que saí um pouco do resguardo, paguei caro. Meu corpo parecia que ia se desfazer, meus ossos se esfarelar. Depois disso fiquei pianinha.

A amamentação

Não tive grandes problemas. No começo fiquei dolorida e com um dos mamilos rachados, mas graças à Deus por Lansinoh! Passei num dia, no outro o mamilo já estava completamente restaurado. Tive episódios de “vazamento”, e às vezes ainda acontece se não observar qual seio ofereço. Mas os mamilos estão muito mais resistentes e há muito que não sinto dor ou ardência no início da amamentação. De quebra arrumei seios enormes e lindos! Enormes pra mim que sou/era A-cup.

O corpo

Bom, como escrevi num dos últimos posts antes do parto, arrumei umas estrias em torno do umbigo. E elas ainda estão por aqui. Minha barriga já voltou pro lugar e está firme, mas ainda resta um pouco de “pele” próximo ao umbigo que está demorando um pouquinho pra “assentar”. O resto do corpo não mudou muito durante a gravidez e está como antes. No início eu fiquei meio triste e com um pouco de vergonha das estrias, mas hoje me olho no espelho e vejo o corpo de uma mulher, não mais o de uma menina. Acho que o fato de os seios estarem maiores ajuda bastante nessa nova forma de me ver. Às vezes consigo sentir orgulho das estrias e do significado delas. Graças à Deus Morten não se importa e Matias está aqui pra me lembrar, a cada segundo, que cada estria valeu a pena!

Fraldas

Matias usou fraldas descartáveis nos dois dias em que estivemos no hospital depois do parto, mas assim que viemos pra casa passamos para as fraldas de pano. Ele era tão pequeno que tudo parecia engoli-lo. Hoje mantemos as fraldas de pano e agora estou tentando achar uma que sirva para uso noturno. Por agora troco a fralda dele antes da mamada da meia-noite e antes da mamada das 6 da manhã – às vezes antes se necessário. Uso as de bambu que são mais absorventes. Durante o dia uso as fraldas de antigamente, e às vezes umas costuradas que ganhamos. Essa semana tenho esquentado meu crânio com uma assadura que Matias arrumou. Não sei ao certo se é assadura, eczema ou dermatite seborréica. Amanhã vou saber com a enfermeira. De qualquer forma, já comprei o arsenal de pomadas e cremes. Já comecei a usar uma contra assadura/eczema. A assadura melhorou um pouco, mas ainda está lá. Vamos ver o que a enfermeira recomenda.

Carrinho

Desde o dia primeiro de dezembro tem nevado bastante e dei graças à Deus pelo carrinho com rodas de aro 16. Não fiquei presa na neve em nenhum momento, mesmo quando fui deixada num ponto de ônibus onde a neve não tinha sido retirada. Yes!

O difícil

As pessoas. Como as pessoas são difíceis! Um dos conselhos que ouvi das parteiras durante toda a gravidez foi: limite as visitas logo após o parto! E como cordeiro eu segui o conselho, e não me arrependo nem por um segundo! Foi o melhor que fiz. Proibi visitas da família e disse aos amigos que avisaria quando estivesse pronta pra receber visitas. Estamos a 12 semanas e poucos vieram de visita. Encontro muitos pela cidade, por acaso. Mas a família não ficou nenhum pouco feliz com a proibição, e em alguns momentos forçou uma ou outra visita surpresa (>:-/) e eu fui certamente percebida como um monstrinho que queria Matias só pra si. Repito: Não me arrependo! As poucas vezes que recebemos visitas entronas (que vieram sem ser convidadas) meu humor virou 180 graus, e as poucas vezes que topamos ir jantar na casa de familiares, Matias virou 180 graus! Nas duas situações eu sofri! Não queria visitas porque no começo eu andava de pijamas o dia inteiro, com os seios de fora, tomava banho quando dava, comia se Matias deixasse etc. A última coisa que precisava era visitas! Relutei (e ainda reluto) em ir jantar na casa de familiares porque Matias não dormia. Não dormia durante a visita – poque todo mundo queria vê-lo acordado -, e não dormia quando chegávamos em casa – porque ficava exausto e não conseguia achar paz pra dormir. Dizer que Matias não dormia é o mesmo que dizer que EU não dormia! E ainda não durmo se ele não dorme.

Enquanto eu estava grávida, eu estava saudável, não precisava de muito cuidado, e todo mundo me tratava como um vaso de porcelana. Mas depois do parto eu fiquei extremamente vulnerável, e ao mesmo tempo todo mundo me esqueceu e só via Matias. (In)Felizmente Matias depende de mim para comer, então tudo tem que ser ajustado à ele e à mim. A última coisa com que me preocupo é a necessidade que as pessoas têm de vê-lo, de colocá-lo no colo. Se isso vai atrapalhar a noite de sono dele por exemplo, negativo! As pessoas que chupem essa manga!

Matias com 6 semanas: “Ah, mas ele precisa me conhecer!” – Nos primeiros três meses a criança não se interessa por mais ninguém além dos pais.

Ah, mas eu quero conhecê-lo!” – Tudo o que Matias fazia era dormir e mamar. Se estivesse acordado e não estivesse mamando, estava chorando atrás de peito. Dá pra conhecer alguém assim? É, os três primeiros meses são entediantes! Mas é um tempo para a pequena família se ajustar e se conhecer. E só! O resto que se contente com a espera até que estejamos prontos pra socializar.

Difícil também ouvir “conselhos” e “dicas” do arco da velha e sentir que as pessoas esperam que você faça exatamente como elas dizem, afinal elas viveram mais e já tiveram 2, 3, 6, 10 filhos.

Você não tem que correr pra dar de mamar. Deixa ele chorar um pouco. Não faz mal!” – Por quê deixar meu filho chorar se sei o que ele quer? E chorar sem necessidade faz mal, sim! Chorar aumenta a pressão arterial e os níveis de hormônios de estresse da criança. Conte-me, como você se sente quando está estressado?

Fralda de pano? Tá maluca?!” – Tem gente que quer o melhor pra si, outros o melhor pro filho, ainda outros o melhor pro planeta, e ainda outros duas das três, ou as três coisas!

Todo mundo tem o reflexo natural de “chacoalhar” a criança assim que a coloca no colo. Eu, não! Matias dorme na cama, no carrinho parado, no sofá e eu nunca fico “balançando” ele – dormindo ou acordado. Até caminho com ele no colo, o que o acalma em alguns momentos, mas o embalo de andar não é o mesmo do “chacoalhar” dos braços. Imagine: um dia passando de colo em colo, sendo chacoalhado com e sem motivo. De repente vem pra casa e a mamãe vai ter que continuar chacoalhando a criança pra ela se acalmar – essa mãe SOU EU, né?! Negativo!

Não descarto todos os conselhos e dicas que ouço, mas também não os engulo sem antes pensar criticamente sobre eles. Faço o possível pra não ser grosseira, mas quando algo passa do meu limite, não hesito em dizê-lo claramente.

Minhas expectativas

Quando estava na faculdade decidi que teria pelo menos 1 filho com ou sem marido (essas coisas que uma mulher pode fazer mesmo sem um homem). Isso foi antes de conhecer Morten. Decidimos que teríamos filhos antes de nos casar.

Nunca passou pela minha cabeça que ter filhos seria fácil. “Ah, sempre que precisar, deixo el@ com a minha mãe.”, Hoje é sábado, quero ir pro Dutão. Vou deixar el@ com a minha mãe.” Não! Se for ter filhos, a responsabilidade é minha. Filho é trabalho 24/7. E desse trabalho não me esquivo de jeito nenhum, nem que me paguem! Esse eu escolhi com o coração.

Me parece que por aqui as pessoas já tem filhos pensando nas possibilidades de se livrar deles. Eles planejam ter filhos até a data limite pra poder mandar a criança pra creche com 1 ano (sempre que ouvia isso achava que era piada. Mas é verdade! Por isso a maternidade estava vazia quando Matias nasceu. Já tinha passado a data limite da creche. A enfermeira responsável por Matias contou que quando trabalhava em Oslo, tinham grávidas que, quando recebiam uma data prevista de parto posterior à data da creche, entravam com processos pra fazer cesária pra garantir a vaga no primeiro ano). Muita gente se muda pra mesma cidade que os avós da criança pra garantir babá grátis (não me entenda mal. Nunca ouvi: nós vamos nos mudar pros avós acompanharem o crescimento do net@. Sempre ouço: lá a gente tem babá!).

Tudo isso pra dizer que meus sogros devem estar frustrados comigo. Primeiro neto homem e já avisei que é improvável que a gente peça que eles olhem Matias antes dos 6 meses. Enquanto ele só mamar no peito, não o deixo. Mais uma vez me transformei no monstrinho que quer Matias só pra si!

Isso também significa que mesmo depois dos 6 meses eu serei muito mais seletiva em relação a babá. Eu decidi ser mãe, e ser mãe inclui ser babá! Esse é meu posicionamento fundamentalista de hoje. Pode mudar. Mas ainda não mudou.

Estou pronta a ficar em casa numa sexta-feira à noite para manter a rotina dele em vez de mandá-lo pra casa dos avós ou quem quer que seja para poder “me divertir” como nos tempos antes dele. Ter filhos é uma nova fase, um novo tempo na minha vida. Já curti todas as sextas-feiras que quis e as que não quis. Agora é tempo de dar-me e doar-me um pouco ao pedacinho de gente que é metade eu, metade Morten. E crianças dormem! Acredite! É fácil arrumar tempo pro marido enquanto a criança está no sétimo sono, de dia ou de noite. Matias não é uma ameaça ao nosso relacionamento a menos que escolhamos e deixemos que ele seja.

Na minha cabeça, avós não são babás. Babás fazem o que a gente manda. Avós são para estragar as crianças, sem minar a autoridade dos pais, claro – o que muitas vezes acontece. Avós dão um doce a mais, o presente que os pais não puderam ou não quiseram dar, e não devem se preocupar com a educação do bacuri. Isto cabe aos pais. Uma babá tem que seguir as regras determinadas pelos pais e não podem dar um doce a mais à pena de perder o cliente. Não misturo as coisas. Se misturar, a babá acaba virando avó e indo consequentemente contra as regras dos pais.

Enfim, meu problema tem sido as pessoas que insistem em colocar suas necessidades antes das do meu filho – e muitas vezes das minhas – em situações em que claramente não deveriam. – Anos de terapia pra mim, porque as pessoas são assim.

Daqui pra frente

Meu pai e Daniel chegam dia 16 pra nos visitar e curtir Matias. Vai ser um tempo bom, tanto pra eles quanto pra nós! Quando se mora tão longe, visitas de convívio intensivo se tornam necessárias. A próxima possibilidade é em 2014, então é melhor aproveitar a visita do avô e do tio pequeno.

Vou continuar escrevendo no blog, afinal muita coisa acontece nas nossas vidas com o desenvolvimento do milagrinho! O próximo post vai ser só sobre Matias, nosso anjinho.

Os 2 (3) descansando depois de brincar.

Os 2 (3) descansando depois de brincar.

Batendo papo com o papai.

Batendo papo com o papai.

9 pensamentos sobre “12 semanas – update

  1. Muito legal ver o quanto vc consegue ser franca quando fala das “fraquezas”. Isso é mto raro… A meu ver, é sinal de liberdade.

    Que bom q opto pelo 16, então. Ficou livre de um perrengue e tanto. Eu peguei “respeito” (medodokct) pela neve depois daquele evento na madrugada na montanha.

    Acho q vc está certa na forma como lida com as pessoas. Tendo o Matias pra cuidar, não vá gastar energia cuidando do bem estar dos outros. Principalmente se isso for custar o bem estar de vcs. Vc está sendo mto senhora de si. Com ctz está fazendo um ótimo trabalho. A intuição ouvida pro próximo passo sempre tem que ser a de vcs.

    Dia 16 estamos chegando aí. Vamos ter é tempo para papear… Um beijo grande!!!

  2. Essa é exatamente você….rs… em todos os detalhes.
    O Matias está lindo demais, estou apaixonada e com inveja de Tito e Daniel, que vão conhecê-lo e pegá-lo no colo antes de mim…. rs. Mas já viu né Daniel, nada de chocalhar o Matias.. kkkk. E beijar mto, vc deixa? Ou acha q vai dar bolinha no rosto? Tem mãe que não gosta q beije o rosto do filho…rs.
    Essa coisa de deixar com os outros é complicado msmo… acredita que só agora, Brenda com 3 anos (foi um pouco antes de fazer 3) que saí sozinha sem ela, pra ir ao cinema com umas amigas…rs. Me senti até estranha, olhando pro lado e procurando ela, pois até pro cinema eu levava…rs. Mas faz bem tb pra mãe tirar um dia de laser com as amigas, bater papo… Mas confesso que curto muito mais ir com ela… brincar com ela nos brinquedos, comer coisas gostosas com ela…rs. É bom demais! Esse fds msmo já marquei com ela de ir ao shopping gastar o rico dinheirinho do cofrinho dela….rs.

    Bom, quero saber agora os planos de visita no Brasil, já estou me preparando.

    Bjus pra vcs e um cheiro no Matias…… saudades!

    • Kkkkkkkkkkkk
      Aqui ninguém fica beijando o filho dos outros porque as criancas geralmente não tomam banho e andam meio sujinhas rs. Mas Matias é uma delícia e por enquanto só a gente beija ele. Longe da boca pra não dar sapinho. O padrinho deu um beijinho na cabeca dele da última vez que o visitamos. Morten não gosta muito da idéia de outros beijarem Matias rs…
      Num momento de necessidade, ele até pode ficar com os avós ou uma babá. Mas a regra é ficar com ele e andar com ele pra cima e pra baixo!

  3. Oi, quanto a assadura, passe polvilho, bem não sei se ai tem! Achei show a sua dedicação, lembro-me de dna Arli quando brigou feio comigo por nunca deixar as crianças com ela. Eu sempre fiquei com meus filhos, adorava sentar no chão ver desenho e brincar até mesmo com você e seus irmãos. Sair e deixar o filho com alguém, é preocupante ainda mas nos dias de hoje. Matias esta lindo parabens cuide dele, mamãe uma vez me disse “-Sair de casa pra trabalhar e deixar os filhos com alguém, você ganha muita coisa, mais perde muito mais.” E eu digo a você ela tinha razão.
    Dê um beijo no Morten, outro em você e milhões no Matias

  4. Oi Helena, já ri e já chorei de rir com o seu depoimento. Parabéns a você e Morten pelo lindo filho. Com certeza as duas famílias devem estar orgulhosas e felizes. Honestamente, não tive tanta sorte como você, pois quando meu primogênito nasceu passei mais de um mês recebendo visitas todos os dias, no final meu sorriso já estava plastificado no rosto Rsrsrsrsrsrs. Não vou te dar conselhos sobre como ser mãe, afinal de contas já deve ter muitas mães te dando conselhos, mas digo somente uma coisa: aproveite cada segundo dessa fase, pois passa muito rápido! E depois você nunca mais vai ver esse bebê bonitão, só através das fotos. Mais uma vez parabéns pelo Matias, felicidades para vocês, um bom ano de 2013 e lembre-se que filho quando nasce é igual a um livro em branco onde cada dia que passa escrevemos uma página. Um grande abraço para vocês três.

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