Matias e o sono – 5 meses

:::::: Esse post foi escrito há 4 meses, no meio de uma turbulência. Meu posicionamento sobre tudo o que está escrito aqui mudou radicalmente. Por favor, leia o próximo post pra saber do resultado!!! ::::::

Matias completou 5 meses ontem. Uhuuuu!!!

Muita água já passou por baixo da ponte. Vou falar do que tem acontecido ultimamente.

Um dos erros que cometi, mas não me arrependo, foi o de deixá-lo adormecer enquanto mamava. No começo foi super simples fazer Matias dormir: era só pendurá-lo no peito e deixar que ele adormecesse depois de ter mamado o suficiente. Durante a noite fazia a mesma coisa. Ele acordava chorando, eu rapidamente o pegava do berço, dava de mamar e o deixava dormir em meus braços. Aí era só colocá-lo de volta no berço. Esse é o erro mais gostoso de se cometer com um bebê. E não me arrependo exatamente porque curti muito esse tempo. Eu sei, você deve estar se perguntando: mas errado por quê?

Porque a criança fica dependente do seio pra dormir – assim como da chupeta. Eu só descobri isso há duas semanas. Quando o gostoso virou um problemão.

Por conta dos altos índices de morte súbita do recém-nascido, a Noruega recomenda que o bebê durma no quarto dos pais até que ele complete 1 ano – além de dormir de barriga pra cima. Matias dorme no berço dele, ao lado da nossa cama. Matias dormiu na nossa cama até completar 1 mês e meio de vida. Desde que nasceu ele não aceitava dormir sozinho. As enfermeiras disseram: “Ah, isso é normal! Essa cama é fria. É claro que ele prefere dormir com você. Mas não se preocupe! É impossível mimar demais um recém-nascido!” – confesso que adorei ouvir isso. “Nunca vou poder mimar demais o meu bebê!” (Enquanto ele for recém-nascido!!!)

Era muito mais fácil pra mim deixar Matias dormir com a gente. Eu estava de resguardo, então nada de ação no quarto enquanto ele dormia; era muito mais simples amamentar sem ter que levantar no meio da noite, e muitas vezes eu nem precisava acordar. Matias acordava, virava, mamava e voltava a dormir. O inconveniente é que a gente desenvolve uma espécie de “radar”. A gente sabe exatamente onde e como o bebê está dormindo, o que significa que por muitas noites eu dormi na mesma posição por 3 horas, sem me mexer. E Matias gostava de dormir sempre encostado em mim de alguma forma. Foi um tempo mais delicioso que doloroso, posso dizer. Mas ainda assim, doloroso. Dividir a cama com ele se tornou complicado com o fim do resguardo.

Morten viajou a trabalho e eu decidi que usaria aquelas noites pra passar Matias pro bercinho dele. E assim o fiz. Na primeira noite fiquei sentada na cama, ao lado do berço até que ele dormisse. Matias chorou por 10 minutos antes de adormecer no berço. Na segunda noite, chorou por 5 minutos. E na terceira noite não deu um pio. Continuou dormindo depois de mamar. Quando Morten voltou, Matias já tinha aceito o berço como cama dele.

Matias não seguia uma regra pra tirar sonecas durante o dia. Ele dormia quando dava, ou quando estivesse cansado o suficiente. Mas eu pensava: dormir é natural. Se ele estiver cansado, vai dormir de qualquer forma. No carrinho, no colo, no sofá, no berço. E ele tirava uma e algumas poucas vezes duas sonecas durante o dia. Ele podia tirar um cochilo de 2 ou 3 horas no carrinho enquanto estávamos na cidade. Depois de um tempo percebi que Matias sempre estava resmungando depois de 17:30h. Ele ficava choramingando, e a gente ficava segurando ele feito uma batata quente. Aí decidi que às 17h ele tomaria banho e às 18h já podia estar na cama pra dormir. Às vezes ele começava a chorar enquanto tomava banho, exausto.

Eu não queria uma rotina muito fixa porque a gente sempre sai, vai jantar na casa dos pais de Morten e tal. Mas não deu. Tive que terminar o dia às 17h pra evitar que Matias ficasse exausto e não conseguisse dormir. A estratégia funcionou até certo ponto. E a família vivia inventando moda e formas de fazer com que a gente ficasse mais um pouquinho. Tempo suficiente pra deixar Matias exausto e eu maluca porque não conseguia fazê-lo dormir.

Morten ficou uma semana fora, Matias teve gases, e logo depois meu pai e meu irmão chegaram de visita. Alí as coisas já tinham desandando e eu nem tinha percebido. Toda noite era uma luta colocar Matias pra dormir. Ainda mais com visita. Matias estava constantemente exausto! Nós não percebemos. Ele acordava com frequência e era difícil colocá-lo pra dormir de novo. Enfim… as visitas foram embora e nós não conseguimos voltar à “rotina” de antes. Uns dias depois Matias acordou nada mais nada menos que cinco vezes durante a noite. Na noite seguinte, acordou OITO vezes! Aí eu joguei a toalha.

Como já contei por aqui, sou bipolar. Noites mal-dormidas dá pra solucionar com sonecas durante o dia, mas noites não-dormidas não se recuperam nem com um dia inteiro na cama. Dava vontade de chorar, de fugir. Não de Matias, mas das noites em claro. Queria piscar os olhos e me ver num mundo perfeito, onde Matias adormeceria sem ajuda e dormiria a noite inteira. Sonho! Pra um bipolar as noites em claro e a falta de rotina são os ingredientes necessários para o desastre! Minha psiquiatra pegou isso no ar. Me aconselhou a exigir menos de mim e a considerar parar os estudos de novo. Não parei os estudos, mas parei de ir as aulas. Estudo em casa e vou fazer as provas.

A noite seguinte àquela em que Matias acordou oito vezes, eu iniciei uma campanha pra fazer Matias dormir mais horas e a só acordar pra mamar. Depois de algumas leituras na net, e outras leituras e releituras de Matias descobri que ele tinha me feito de chupeta!

Depois dos três meses a criança começa a dormir como um adulto, e como um adulto, acorda um monte de vezes durante a noite. A diferença é que a gente volta a dormir e nem lembra que acordou. Os bebês sortudos aprendem rápido a voltar a dormir sozinhos e com apenas algumas semanas já são capazes de dormir a noite inteira (mais de 5 horas), mas a grande maioria, Matias incluído, precisa aprender a voltar a dormir sozinho. Aí estava o meu problema. Matias tinha associado o peito ao sono. Assim, toda vez que acordava, me chamava pra “colocar a chupeta de volta na boca dele”, isto é, meu peito. Por isso acordava tantas vezes.

Li uma penca de artigos e fóruns na net enquanto colocava Matias pra dormir. Não queria deixá-lo dormir chorando, por isso nas primeiras noites eu fiquei com ele até ele adormecer depois de muito chorar. Mas aqui abro um parêntesis enorme:

(Acho que já comentei o episódio em que ficamos de babá dos filhos de um casal de amigos, e eles nos disseram para deixar a filha mais nova chorar até dormir. Ficamos horrorizados e com dor no coração por deixá-la chorar. Jurei pra mim mesma que jamais faria aquilo com meu filho. A dor era muito grande, e nem era minha filha.
Hoje tenho um respeito enorme por pais exaustos que decidem deixar seus tesouros chorar até dormir. Não concordo, acho uma maldade, mas entendo completamente e já deixei Matias chorar até dormir! Aceitei que o choro é a única forma de protesto que os bebês conhecem. E, claro, eles vão protestar se de repente a rotina for modificada. Sou contra sair do quarto e deixar a criança chorando sozinha. Faço um meio termo. Uso o método “leave and check” – sair e checar. Eu faço a rotina pra dormir, o coloco no berço, ouvimos uma música e eu saio do quarto. Volto a cada 15 minutos até que ele durma. Tentei voltar a cada cinco e a cada 10 minutos, mas a cada cinco ele não tem tempo pra adormecer, a cada 10 eu entrava quando ele começava a dormir e aí acordava de novo. 15 minutos acabou sendo o ideal pra nós. Isso não significa que ele não chore. Ele chora por um período de tempo mais curto e aprende a adormecer sozinho. Usei o método algumas poucas vezes, depois que dava vontade de chorar junto com ele enquanto ficava sentada ao lado dele.)

Enfim, encontrei um livro chamado “The sleep sense program” (Programa de sono sensato) e resolvi usá-lo como base pra minha estratégia a partir da noite seguinte. Esses livros não só falam de métodos pra fazer seu filho dormir a noite inteira, mas destacam a importância da soneca.

Descobri que Matias estava constantemente exausto porque dormia pouco. Ele deveria dormir entre 14 e 15 horas por dia. Acho que ele estava se virando com as poucas horas de sono que conseguia. Algo entre 9 e 12 horas diárias de sono. Ontem estava olhando fotos dele e observei que em muitas ele está com cara de cansado, tadinho. De repente tudo fez sentido. A gente tende a achar que quanto mais tempo a criança fica acordada, mais fácil pra dormir à noite. Mas a verdade é que o contrário é verdadeiro. Quanto mais tempo acordado, mais difícil dormir. Um bebê entre 3 e 6 meses, como Matias, aguenta ficar acordado até 2 horas por vez. Ou seja, ele precisa cochilar a cada 2 horas. E deve dormir no mínimo 1 hora pra perfazer um ciclo de sono e recarregar as energias.

Estamos no regime há quase duas semanas e toda vez que passamos da hora com ele é tiro e queda, Matias não consegue dormir, fica irritado, choraminga, grita descontroladamente, o corpinho fica eletrizado e a gente fica doido! É um sistema muito louco esse. Quanto mais cansado, mais cortisol é liberado no sangue. O cortisol é o hormônio do estresse que também é liberado em situações de perigo ou quando o bebê chora. Ou seja, a pressão do sono libera cortisol, que por sua vez o impede de dormir porque ativa o estado de alerta do corpo, a irritação o faz chorar, o que faz com que mais cortisol seja liberado. É um ciclo vicioso, cortisol que libera mais cortisol e impede que o sono se instale. Por isso a criança chora até dormir de exaustão. O corpinho simplesmente desliga!

Esses livros ensinam a descobrir a “janela do sono” do bebê. Não tem nada mais lindo do que ver Matias adormecendo quando a janela chega. Ele vai ficando quieto, os olhos começam a se fechar devagarinho até que ele é levado pro mundinho dos sonhos dele. É muito legal. Mas por enquanto isso funciona bem pras sonecas dele e no meio da noite, mas fica complicado no início da noite. Ele geralmente não quer dormir, mas está cansado. E aí ou sento com ele no quarto de duas à quatro horas até que ele durma, ou faço o “leave and check” e ele dorme em menos de uma hora depois de chorar um pouco.

Minha inconsistência já fez com que ele voltasse a acordar um monte de vezes durante a noite e agora voltamos ao “leave and check” e pretendo continuar no método até que Matias aprenda a adormecer sem lutar tanto contra o sono e ser levado pelo cortisol. De qualquer modo, ele já dorme até 4 horas sem me acordar, e só me acorda pra mamar.

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2 pensamentos sobre “Matias e o sono – 5 meses

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