Encurtamento do canal cervical – 27 semanas

Estamos a 27 semanas e essa semana experienciei algo um tanto assustador: o encurtamento do canal cervical.

Não sei bem o que causou o encurtamento, mas tenho algumas hipóteses. Na quarta-feira passei o dia fora, passeando com minha sogra. Andei bastante e terminamos o dia na casa de praia. O dia foi longo. Também, não me lembro se na quarta ou quinta, resolvi lavar os bicos dos seios que estavam bastante feios, já que desde o início da gravidez eles têm estado tão sensíveis que não aguento nem mexer. Lembro que durante o banho, o toque me causou uma série de contrações.

Mas na quinta-feira, por volta do meio dia, as contrações eram tantas que não aguentava ficar sentada ou de pé. Fui pra cama e dormi entre as 14h e 18 horas. Quando acordei, as contrações tinham diminuído bastante. Ontem, sexta-feira, o mesmo voltou a acontecer. Contrações ritmadas com 1 minuto de duração e 8 – 10 minutos de intervalo. Resolvi ligar pro hospital para saber “qual era o limite para eu entrar em contato e de repente ir até lá”. A parteira enviou um táxi de imediato e disse que, em casos de gêmeos, não há limite. Qualquer atividade ritmada deve ser observada de perto para saber se está afetando o canal cervical.

E neste caso afetou. Logo que cheguei fui atendida pela ginecologista de plantão, e ela chamou a chefe para confirmar as observações dela. O canal cervical, que tinha 4 cm na semana 24, agora tem 2,8 cm. Além disso, a placenta de Alexander tinha descido até o canal cervical, e parecia um bico de passarinho. A questão então era saber se as contrações ainda estavam influenciando o canal cervical. Fui internada imediatamente. Achei que fosse esperar algumas horas, checar de novo e ser mandada pra casa. Eu, inocente, não sabia de nada!

Me deram uma cama na área de parto, depois me transferiram para um quarto na unidade pré-natal da maternidade e lá fiquei. E fiquei. Uma enfermeira checou minha pressão, fez exame de urina, ouviu os bebês com o doppler. E só. Me deram lanche, janta, ceia. E me deixaram lá. Ouvindo os recém-nascidos chorar por suas mães, enquanto eu pedia à Deus pra que os meus ficassem mais umas 10 semanas na minha barriga.

Se o canal cervical continuasse diminuindo, e atingisse 2,5 cm, me dariam corticóide para amadurecer os pulmões de Alexander e Cecilie e me dariam outros remédios para parar o trabalho de parto. Mas para decidir isso, eu precisava de mais um exame. O dia acabou.

Antes de dormir tive mais uma hora de contrações ritmadas que cessaram depois que tomei 6 copos d’água de uma vez e me deitei do lado esquerdo. Adormeci pouco depois de 2h da manhã.

Acordei pouco antes das 7h da manhã e pensei, um médico deve aparecer logo. Antes ou logo depois do café. Levantei, tomei banho, esperei a hora do café. Nenhum médico apareceu antes do café. Perguntei a uma das enfermeiras quando um médico apareceria. “Lá pelas 9h, mas se tiver muita coisa na unidade de parto, pode demorar um pouco mais”. Ok. Tomei meu café e voltei pro quarto. Fiquei lendo. Não demorou muito e uma enfermeira dinamarquesa muito simpática veio ouvir os bebês. Tudo certo com eles. Perguntei pelo médico. Ainda não tinha vindo pra unidade pré-natal. Mas eu era a única na unidade esperando pelo médico, então, logo que ele chegasse eu seria atendida.

Continuei no quarto, esperando. Às vezes andava pelo corredor, ou ia assistir um pouco de TV na outra sala. Às 10h30min a enfermeira simpática voltou. Disse que tinha falado com a médica para saber qual seria o procedimento comigo. Eu voltaria para a unidade de parto para fazer uma nova ultrassonografia e, a depender do que víssemos, decidiríamos um plano de ação. “Daqui a pouco eu venho te buscar”, disse a enfermeira simpática.

Eu, prontamente, juntei meus paninhos de bunda e me preparei pra nova ultrassonografia e pra receber alta. Afinal, nenhuma das contrações que tinha sentido me pareciam com “contrações verdadeiras”, apesar de terem afetado o canal cervical. Não tinha dor, não tinha sangramento, a bolsa não se rompeu. Nada. Eram só essas contrações comuns de treinamento que acontecem durante toda a gravidez. Só que, de vez em quando, ritmadas demais pro meu gosto.

Foram 15 minutos, meia-hora, 45 minutos, 1 hora e nada da enfermeira simpática vir me buscar. Sentei no corredor. Não via nem ouvia nada além dos bebês chorando e seus pais desajeitados com vergonha de pedir ajuda às enfermeiras. Depois de 1h e meia, voltei pro quarto e toquei o alarme. A enfermeira simpática veio e dessa vez disse que ia ligar pessoalmente para a médica, e que, se preciso fosse, ia busca-la.

A essa altura, eu já tinha dito que ia fugir do hospital. Já é frustrante estar em casa de licença, no hospital é ainda pior!

Uns 15 minutos depois ela finalmente veio me buscar pra fazer a nova ultrassonografia. A ginecologista de plantão explicou então que, se o canal cervical não tivesse se alterado, eu Receberia alta. Mas… se tivesse diminuído, eu ficaria internada e um plano seria traçado com o chefe de plantão. Ela explicou também que a razão da demora era que nesses casos, eles costumam fazer um exame do líquido aminiótico, e esse exame só pode ser repetido 24 horas depois. No meu caso, como ainda não estava em 2,5 cm, eles decidiram não fazer esse exame, mas observar o desenvolvimento do canal por um período de 24 horas.

Ela começou a ultrassonografia, e eu curiosa, já fui perguntando se o canal tinha diminuído ou não. Ela disse que, a julgar pelo que ela estava vendo, o canal continuava em 2,8 cm, bem fechado e a placenta de Alexander tinha voltado a posição normal. Não tinha mais bico nenhum. [Yeyyy!!!] Chamou o chefe e ele veio quase que por teletransporte. Um médico alto, mas de fala mansa.

Sentou pertinho de mim e, depois de se apresentar, e observar a imagem do ultrassom, começou a conversar baixinho comigo: “Em gravidez gemelar, 4 coisas são importantes: 1) se os bebês dividem ou não a placenta; 2) como o canal cervical está; 3) se os bebês estão crescendo normalmente; e mais importante 4) como você está. Você está bem em 3 dos 4 itens. Nós, homens ginecologistas obstetras, gostamos e achamos importante explicar porquê observar o canal cervical é tão importante.” Nessa hora eu ri por dentro. “Nós, homens ginecologistas obstetras”. Ele discorreu sobre a importância de eu ligar nesses casos, disse que eu não devo ter medo de ligar e o quão feliz ele estava por ver que eu liguei. Bom, eu bem sei que em gravidez de gêmeos a diferença entre ligar ou não pode se traduzir num parto prematuro desnecessário. Liguei mesmo, apesar de não achar que fosse parir naquele momento – só não achei que fosse ficar de molho e sem informação por tanto tempo. “Não pense que nós não nos importamos. Você é importante pra mim” (Como assim, Bial?). Depois que ele saiu, a enfermeira disse: “Todo mundo adora participar quando são gêmeos ou mais. Até os chefes. Eles largam tudo e vem mesmo!” Bom pra nós.

Então ele confirmou o que a outra médica viu, e querem manter controles mais rígidos do meu canal cervical. Dia 13 eu volto e vamos ver como as coisas estão. Contei que vou me mudar daqui uma semana. “É, você vai se mudar, mas não vai mudar nada! Não vai carregar nada, não vai mover nada! A menos que você queira que esse bebês nasçam antes da hora.”

Assim, a principal “prescrição” que recebi foi: Sossegue o facho!

E no meio disso tudo, Morten e Matias estão na Dinamarca. Voltam hoje à noite. Imagine eu parir prematuros antes de eles voltarem, sozinha? Durante essas quase 24 horas internada, sem internet, sem bateria no celular, num quarto estéril, eu comecei a planejar como seriam os dias com duas crianças prematuras na UTI-neonatal, sem previsão imediata de vinda pra casa. Encontrar uma bomba hospitalar para alugar, bombear leite pelo menos 10 vezes ao dia, visitar os bebês, cuidar de Matias…

Cheguei à conclusão de que o melhor é mesmo sossegar o facho!

E vamos às fotos!

Alexander e Cecilie - 27 semanas

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