“Como tirar o bebê da cama dos pais” – 30 semanas

Antes de entrar no assunto do título, preciso atualizá-los sobre o canal cervical. No post anterior falei do episódio do encurtamento cervical brusco que sofri na semana 27. Quando voltei ao hospital para o controle do dia 13, depois de dias de molho na cama, constatamos que o canal cervical tinha AUMENTADO! Estava em 2,9 cm. Pudemos relaxar. E essa consulta com ultrassonografia contou com a presença de Matias. Pela primeira vez pudemos tê-lo na sala durante o controle. Acho que foi bom pra ele. Ele está mais consciente de que há dois bebês na barriga, e que um é Alexander e outro é Cecilie. Fiquei bastante contente por ele ter visto os irmãozinhos.

Bom, mas esse controle foi dia 13. Dois dias depois da mudança. É, a mudança. No dia 11 nós nos mudamos. Finalmente saímos do apErtamento estudantil e viemos para uma casa de verdade, com ar e forma de lar. Foi bastante complicado não fazer nada enquanto Morten, sozinho, empacotava tudo o que podia. Tivemos muita ajuda dos irmãos e dos pais dele. E eu, que definitivamente não nasci pra ser rainha, tive que lidar com a frustração de não poder ajudar ou fazer as coisas do meu jeito. É complicado entrar na casa nova, com as suas coisas encaixotadas e ensacadas e não conseguir achar sequer a faca de pão. Ao mesmo tempo, a gravidez me limitava a ficar sentada na poltrona que foi montada na noite anterior à mudança e me locomover até o banheiro, no andar de cima. Também dava para apontar e dizer pra onde as coisas iriam. Mas foi bastante frustrante. Mas preciso dizer que tenho um marido e tanto. Se desdobrou ao longo da mudança entre empacotar, trabalhar, fazer a mudança, colocar as coisas no lugar e olhar Matias enquanto eu ficava sentada na poltrona me lamuriando. Sou bastante sortuda!

E nessa de mudar, Matias ganhou o quarto dele. Então, vamos ao assunto do título. Título este retirado daqui. Já vou avisando: eu não li o artigo. Li algumas linhas só pra ter certeza de que diz aquilo que imagino que diga, mas como não concordo com o conteúdo e não apenas “tirei Matias da nossa cama”, e minha intenção é contar nossa experiência particular, não me interessa muito o que ele diz. Só peguei o título porque ele é “catchy” mesmo. [Mas se entrou aqui buscando um passo-a-passo para tirar seu filho da sua cama, clique no link do artigo, depois volte aqui, acabe de ler o post e decida qual está mais de acordo com suas necessidades].

O sono de Matias

Co-sleepingBom, se você acompanha o blog, já leu diversas vezes que fazemos a criação com apego, baseada na Teoria do Vínculo. Matias, desde o nascimento mostrou uma preferência por dormir com a gente. Já no hospital ele não gostava de dormir no bercinho. Eu lembro de olhar em volta e ver todos os outros bebês satisfeitos dormindo o sono dos justos nos bercinhos na cantina, pelos corredores… mas Matias, não. Ele queria colo, contato, presença. Logo na primeira noite, dormi sentada na cadeira de amamentação porque ele não aceitava voltar pro berço depois de mamar. Na manhã seguinte, perguntei à uma das enfermeiras se isso era normal, e como eu poderia lidar com isso da melhor maneira possível. Eu queria dormir na cama. A resposta dela foi simples e clara: “Não se pode mimar demais um bebê! Se ele quer dormir com você, que durma. Imagine se ele vai querer dormir sozinho numa cama fria, de plástico, depois de ter passado 9 meses dentro de você?” A partir da noite seguinte Matias dormiu entre Morten e eu, ainda na maternidade.

Em casa, no apErtamento, nós tínhamos comprado um bercinho pra ele, preparado tudo para ele dormir ao lado da nossa cama. Aqui a recomendação é que o bebê durma no quarto dos pais até completar pelo menos 1 ano. Acho que já a partir da primeira noite em casa mantivemos Matias na cama com a gente. Ele mamava bem, eu não precisava levantar, era tudo muito mais cômodo. E Matias quase não chorava. Logo ele aprendeu a achar o peito sozinho e mamava durante a noite sem me acordar.

Lá pelo quarto ou quinto mês entrei numa dessas nóias de “treinar o bebê”. Depois de duas ou três semanas de muito choro, meu e dele, muita insegurança, inconsistência – porque aquilo que estava fazendo ia contra todo meu instinto materno -, jogamos a toalha e resolvemos fazer aquilo que funcionava melhor pra nós. O berço virou depósito e Matias voltou a dormir com a gente, na nossa cama. Essa história você encontra melhor contada neste post e neste post.

E assim foi… até que engravidei dos gêmeos. Depois de 12 semanas, quando o risco de aborto diminuiu consideravelmente, comecei a pensar no desafio logístico de ter três crianças naquele apErtamento e mais a minha mãe de visita – ou qualquer visita. Teríamos que passar Matias para o quarto que então era o escritório de Morten. E minha mãe dormiria… hum… na minúscula sala? Minha cabeça deu um nó. Morten logo se mostrou resistente a abrir mão do escritório dele, e não estava satisfeito com a idéia de tirar Matias da nossa cama. Fui amadurecendo a idéia. Ouvindo comentários da minha mãe e recebendo anúncios de imóveis da minha sogra… até que resolvi que visitaríamos potenciais imóveis para alugar.

Não tínhamos nenhum problema em ter Matias na nossa cama. Ele dormia bem. Estava sempre seguro e contente na nossa cama. O berço dele foi doado antes de ele completar 1 ano, e no lugar pusemos uma cama de solteiro que fazia com que nossa cama fosse de parede à parede, sem risco de queda ou acidentes.

Ah, e não, ter Matias na nossa cama não atrapalhou nossa vida sexual – veja você que estou grávida de novo! Ter os filhos na cama dos pais só é um problema para a vida sexual do casal se eles SÓ fazem sexo na cama. Nós somos jovens, o apErtamento, apesar das proporções inadequadas, tinha vários cantos para encontros furtivos. E também há que se considerar que a libido de uma mulher que deu a luz há pouco e amamenta não é bem a de um animal selvagem no cio. A atividade diminui um pouco, e de acordo com Laura Gutman, o puerpério não dura somente 6 semanas, mas vai pelo menos até os dois anos do bebê – e a julgar por minha experiência, concordo com ela. Só me senti “eu” novamente por volta dos dois anos de Matias. E aí minha libido voltou melhor do que nunca… e não demorou muito até que engravidasse de novo! Tolinha, eu!

E assim tivemos Matias em nossa cama com sucesso por mais de 2 anos. Quando decidimos que nos mudaríamos mesmo, começamos a conversar com ele sobre ter o próprio quarto, a própria cama. Eu mostrava as caminhas da IKEA e ele adorava ver. Por algumas semanas, até a mudança, ele só falava no quarto dele. Estava ansioso. Eu ainda estava ansiosa, claro. Nunca se sabe. A idéia de ter o próprio quarto pode ser mais amigável do que a realidade de ter o próprio quarto. Pra mim era importante que o quarto dele estivesse pronto para uso a partir da primeira noite na casa nova. A transição seria geral. Nova casa, quarto novo.

A razão da minha ansiedade não era tanto por ele de repente não aceitar dormir sozinho, mas de que isso o assustasse ou o fizesse sentir inseguro. Muitas coisas mudaram para ele esse ano. Aliás, ele está passando por uma enxurrada de mudanças que são inevitáveis e eu fico apreensiva sobre o quanto ele vai tolerar. Tive que fazer o desmame noturno de repente, logo o leite mudou do gosto por conta da gravidez, e por volta do quarto mês o leite secou. De repente ele não é mais o centro das nossas conversas, mas mais outras duas crianças, eu parei de carregá-lo no canguru, parei de levantá-lo, colo só no sofá e ele tem que subir sozinho etc. Ele viajou com o pai para experimentar dormir sem mim… são muitas perdas, tantas que não receberia mal a situação se ele não aceitasse o quarto dele tão rápido.

Mas para minha surpresa, Matias está radiante com o quarto dele. Mostra para todas as visitas. Tem a cama, o armário, a estante com os livros dele e um banquinho onde eu sento e espero que ele adormeça. Claro que isso não é conto de fadas! Ele não apagou lá e surgiu no dia seguinte, todo serelepe. Ele voltou a acordar e me chamar, pelo menos 1 vez depois de meia-noite. Às vezes diz que quer dormir com a gente, mas sempre muda de idéia antes de subir na nossa cama. Pra nós foi muito importante deixar claro para ele que ele poderia vir pra nossa cama quando quisesse. Ele disse pra Morten, num dos primeiros dias, que dormiria no quarto dele, mas que teria que chorar por dez noites antes de se acostumar. Ele não acorda chorando a menos que esteja tendo um sonho ruim. De modo geral, quando acorda e me chama, só precisa me ver para voltar a dormir. Acho que, desde a mudança, houveram apenas duas noites em que ele veio pra nossa cama por volta das duas da manhã. Da primeira vez eu o trouxe sem que ele pedisse porque eu estava muito cansada, ele estava muito acordado e eu não queria ficar sentada no banquinho muito tempo. Na segunda vez, que foi ontem, ele estava acordado mesmo e não conseguia adormecer de novo. Eu não aguentava mais esperar e o trouxe para nossa cama.

O fato de eu estar grávida, e com a barriga tão grande, tem dificultado bastante minha perseverança. Eu até quero esperar, mas isso significa ter dores durante todo o dia seguinte. Morten tem assumido a maior parte da rotina noturna dele. Escovar os dentes, trocar a fralda, ler um ou dois livros e só então eu venho pro quarto dele, para sentar no banquinho e esperar que ele adormeça. O que tem levado de 5 a 15 minutos – antes podia levar até 2 horas. De modo geral, Matias não pede pra vir pra nossa cama no meio da noite. Ele prefere adormecer de novo na cama dele, sozinho.

O único problema que estamos tendo… desde a mudança, Matias começou a acordar às 6 da manhã!!! Credo! Ele vai pra cama mais cedo, e até ordena o pai a dar a ceia pra ele antes de ir dormir quando nota que já é hora de ir dormir, mas começou a acordar super cedo! Antes, quando dormia com a gente, ele ia pra cama um pouquinho mais tarde, mas dormia às vezes até 9h30 da manhã. Me parece que ele agora associou nossa cama à brincadeira, e a dele ao sono. Quando eu o trago pra nossa cama, depois das 6 da manhã, na esperança de que ele durma mais, ele fica quieto por uns 15 minutos, antes de começar a gargalhar e tentar acordar o pai para vir pra sala brincar. Mas posso dizer que, desde o dia 11 de julho, Matias dorme no quarto dele, sem estresse. Acho que eu sofri mais com a mudança. Dormi mal nas primeiras duas noites. Ficava pensando “e se…”

Talvez a pergunta correta fosse: quando tirar o bebê da cama dos pais? E a resposta: quando vocês estiverem prontos.

Resumindo, acredito que, desde que a criança se sinta segura em relação aos pais, ela não vai “exigir” dormir com os pais. De modo geral, a criança que o faz pode ser insegura do vínculo, pode ter sido privada do contato muito cedo e depois passa muito tempo tentando recuperar o tempo perdido, ou simplesmente gosta de estar perto das pessoas que mais ama nesse mundo. Outras simplesmente se resignam. No fim das contas são os pais que decidem. Decida pelo que é melhor para você e pro seu bebê, mas cuide para que as necessidades de contato estejam sendo supridas.

A gente costuma achar um absurdo que as crianças queiram e exijam contato com os pais o tempo todo, mas como adultos, a gente passa o resto da vida buscando um outro par de pés pra nos esquentar nas noites frias… O ser humano tem como necessidade básica o vínculo, e quando bebês esse vínculo é melhor expresso através do contato físico. O contato físico libera ocitocina, o hormônio do amor. E não só por seu bebê, mas também por seu parceiro – muito abraço, beijo, mãos dadas ajudam a manter o sentimento bem nutrido -. Não tenha medo de trazer seu bebê para sua cama. Ocupe-se de fazê-lo de forma segura, mas deleite-se no seu bebê e da presença dele. Pense que, quando ele pede colo, contato, pra dormir junto, ele está declarando que é em você que ele confia para protege-lo num momento tão vulnerável. Que você é a pessoa favorita dele nesse mundão de Deus. Curta essas noites de muito aconchego. Esse tempo passa muito rápido.

Amanhã vou publicar uma “guideline” no menu do blog para se fazer cama compartilhada com segurança.

E aqui vão as fotos [não editadas] da barriga da semana 30. Mas hoje já estamos na semana 31. Caminhando lentamente para as 37 semanas.

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Um abraço!

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