[unPUBLISHED] Conversando comigo mesma – 34 semanas

::Esse post foi escrito a 34 semanas de gravidez, em 19 de agosto de 2015, e hoje talvez faça mais sentido do que fez no momento em que foi escrito. Reflexões tão minhas, e tão verdadeiras.:: 

Quando essa montanha-russa saiu da plataforma eu estava bastante ambivalente, insegura, contrariada e receosa do futuro que se delineava diante dos meus olhos. Essas sensações alternavam com outras mais positivas. Surpresa, curiosidade, ansiedade, sensação de poder tudo, invencibilidade e força.

Ao longo da gravidez, todas essas sensações, tanto as positivas quanto as negativas, foram se tornando menos graves e mais moderadas. Dando espaço para outros tipos de considerações. Me conheço bem, e sei que estou longe de ser “perfeita”. Sei que o objetivo de atingir a perfeição é ilusório e vazio. Em se tratando de filhos, ser bom o suficiente basta. Eu erro todos os dias, mas preciso buscar fazer o melhor que posso em cada pequena situação que se apresenta no dia-a-dia.

Hoje fico tentando imaginar minha vida com três crianças. De repente três. Simples assim. Procuro não pensar muito sobre a espiritualidade e subjetividade por trás dessas decisões da natureza. Pelo menos por agora. Noto que uma certa calmaria tem me tomado. Seria “o silêncio que antecede o esporro”? Não sei. Mas meu espírito está calmo. De todos os cenários que pinto hoje, nenhum é desesperador ou completamente descontrolado.

Na verdade tenho toda a possibilidade de conseguir, junto com Morten, viver bem esse tempo que ainda está por vir. Ele faz a parte dele como pai, e me permite mergulhar na imensidão do puerpério. É, do puerpério, porque a gravidez e o parto são só os umbrais de entrada do puerpério.

E o puerpério… ah, esse, sim, nos põe à prova. É nele que minha sombra faz morada. E eu tenho, na verdade, a oportunidade de mergulhar nessa imensidão negra durante o tempo que for necessário e descobrir mais de mim enquanto descubro outros dois seres. Não planejo mais nada além de viver esse tempo.

Meu norte nessa caminhada é dormir sempre que possível e amamentar sempre que solicitada. Não me deixar ser sugada para fora do mundo sensível para satisfazer as exigências sociais. Eu preciso desse tempo. Tempo de ser mãe e mais nada. E esse tempo inclui Matias, e Morten. Nossa pequena família. É tempo de andar com os seios de fora, de rejeitar visitas, tempo de dar-se mais do que dar, e receber daqueles que escolhi ter bem perto.

Mas estou calma. Chegamos a 34 semanas. Em algum momento entre hoje e 5 semanas chegam Alexander e Cecilie. Meu sentimento hoje é de placidez. De espera paciente e resignada. A partir do momento que entrar em trabalho de parto posso entregar o volante à natureza humana. Ela se encarregará de tudo, desde que eu assim permita.

Mas os ajustes serão necessários. Vamos precisar aprender a ser cinco. A nos dividir e multiplicar. A nos conhecer mais uma vez. A nos amar de formas diferentes, e descobrir outras formas de amar.

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