“Como tirar o bebê da cama dos pais” – 30 semanas

Antes de entrar no assunto do título, preciso atualizá-los sobre o canal cervical. No post anterior falei do episódio do encurtamento cervical brusco que sofri na semana 27. Quando voltei ao hospital para o controle do dia 13, depois de dias de molho na cama, constatamos que o canal cervical tinha AUMENTADO! Estava em 2,9 cm. Pudemos relaxar. E essa consulta com ultrassonografia contou com a presença de Matias. Pela primeira vez pudemos tê-lo na sala durante o controle. Acho que foi bom pra ele. Ele está mais consciente de que há dois bebês na barriga, e que um é Alexander e outro é Cecilie. Fiquei bastante contente por ele ter visto os irmãozinhos.

Bom, mas esse controle foi dia 13. Dois dias depois da mudança. É, a mudança. No dia 11 nós nos mudamos. Finalmente saímos do apErtamento estudantil e viemos para uma casa de verdade, com ar e forma de lar. Foi bastante complicado não fazer nada enquanto Morten, sozinho, empacotava tudo o que podia. Tivemos muita ajuda dos irmãos e dos pais dele. E eu, que definitivamente não nasci pra ser rainha, tive que lidar com a frustração de não poder ajudar ou fazer as coisas do meu jeito. É complicado entrar na casa nova, com as suas coisas encaixotadas e ensacadas e não conseguir achar sequer a faca de pão. Ao mesmo tempo, a gravidez me limitava a ficar sentada na poltrona que foi montada na noite anterior à mudança e me locomover até o banheiro, no andar de cima. Também dava para apontar e dizer pra onde as coisas iriam. Mas foi bastante frustrante. Mas preciso dizer que tenho um marido e tanto. Se desdobrou ao longo da mudança entre empacotar, trabalhar, fazer a mudança, colocar as coisas no lugar e olhar Matias enquanto eu ficava sentada na poltrona me lamuriando. Sou bastante sortuda!

E nessa de mudar, Matias ganhou o quarto dele. Então, vamos ao assunto do título. Título este retirado daqui. Já vou avisando: eu não li o artigo. Li algumas linhas só pra ter certeza de que diz aquilo que imagino que diga, mas como não concordo com o conteúdo e não apenas “tirei Matias da nossa cama”, e minha intenção é contar nossa experiência particular, não me interessa muito o que ele diz. Só peguei o título porque ele é “catchy” mesmo. [Mas se entrou aqui buscando um passo-a-passo para tirar seu filho da sua cama, clique no link do artigo, depois volte aqui, acabe de ler o post e decida qual está mais de acordo com suas necessidades].

O sono de Matias

Co-sleepingBom, se você acompanha o blog, já leu diversas vezes que fazemos a criação com apego, baseada na Teoria do Vínculo. Matias, desde o nascimento mostrou uma preferência por dormir com a gente. Já no hospital ele não gostava de dormir no bercinho. Eu lembro de olhar em volta e ver todos os outros bebês satisfeitos dormindo o sono dos justos nos bercinhos na cantina, pelos corredores… mas Matias, não. Ele queria colo, contato, presença. Logo na primeira noite, dormi sentada na cadeira de amamentação porque ele não aceitava voltar pro berço depois de mamar. Na manhã seguinte, perguntei à uma das enfermeiras se isso era normal, e como eu poderia lidar com isso da melhor maneira possível. Eu queria dormir na cama. A resposta dela foi simples e clara: “Não se pode mimar demais um bebê! Se ele quer dormir com você, que durma. Imagine se ele vai querer dormir sozinho numa cama fria, de plástico, depois de ter passado 9 meses dentro de você?” A partir da noite seguinte Matias dormiu entre Morten e eu, ainda na maternidade.

Em casa, no apErtamento, nós tínhamos comprado um bercinho pra ele, preparado tudo para ele dormir ao lado da nossa cama. Aqui a recomendação é que o bebê durma no quarto dos pais até completar pelo menos 1 ano. Acho que já a partir da primeira noite em casa mantivemos Matias na cama com a gente. Ele mamava bem, eu não precisava levantar, era tudo muito mais cômodo. E Matias quase não chorava. Logo ele aprendeu a achar o peito sozinho e mamava durante a noite sem me acordar.

Lá pelo quarto ou quinto mês entrei numa dessas nóias de “treinar o bebê”. Depois de duas ou três semanas de muito choro, meu e dele, muita insegurança, inconsistência – porque aquilo que estava fazendo ia contra todo meu instinto materno -, jogamos a toalha e resolvemos fazer aquilo que funcionava melhor pra nós. O berço virou depósito e Matias voltou a dormir com a gente, na nossa cama. Essa história você encontra melhor contada neste post e neste post.

E assim foi… até que engravidei dos gêmeos. Depois de 12 semanas, quando o risco de aborto diminuiu consideravelmente, comecei a pensar no desafio logístico de ter três crianças naquele apErtamento e mais a minha mãe de visita – ou qualquer visita. Teríamos que passar Matias para o quarto que então era o escritório de Morten. E minha mãe dormiria… hum… na minúscula sala? Minha cabeça deu um nó. Morten logo se mostrou resistente a abrir mão do escritório dele, e não estava satisfeito com a idéia de tirar Matias da nossa cama. Fui amadurecendo a idéia. Ouvindo comentários da minha mãe e recebendo anúncios de imóveis da minha sogra… até que resolvi que visitaríamos potenciais imóveis para alugar.

Não tínhamos nenhum problema em ter Matias na nossa cama. Ele dormia bem. Estava sempre seguro e contente na nossa cama. O berço dele foi doado antes de ele completar 1 ano, e no lugar pusemos uma cama de solteiro que fazia com que nossa cama fosse de parede à parede, sem risco de queda ou acidentes.

Ah, e não, ter Matias na nossa cama não atrapalhou nossa vida sexual – veja você que estou grávida de novo! Ter os filhos na cama dos pais só é um problema para a vida sexual do casal se eles SÓ fazem sexo na cama. Nós somos jovens, o apErtamento, apesar das proporções inadequadas, tinha vários cantos para encontros furtivos. E também há que se considerar que a libido de uma mulher que deu a luz há pouco e amamenta não é bem a de um animal selvagem no cio. A atividade diminui um pouco, e de acordo com Laura Gutman, o puerpério não dura somente 6 semanas, mas vai pelo menos até os dois anos do bebê – e a julgar por minha experiência, concordo com ela. Só me senti “eu” novamente por volta dos dois anos de Matias. E aí minha libido voltou melhor do que nunca… e não demorou muito até que engravidasse de novo! Tolinha, eu!

E assim tivemos Matias em nossa cama com sucesso por mais de 2 anos. Quando decidimos que nos mudaríamos mesmo, começamos a conversar com ele sobre ter o próprio quarto, a própria cama. Eu mostrava as caminhas da IKEA e ele adorava ver. Por algumas semanas, até a mudança, ele só falava no quarto dele. Estava ansioso. Eu ainda estava ansiosa, claro. Nunca se sabe. A idéia de ter o próprio quarto pode ser mais amigável do que a realidade de ter o próprio quarto. Pra mim era importante que o quarto dele estivesse pronto para uso a partir da primeira noite na casa nova. A transição seria geral. Nova casa, quarto novo.

A razão da minha ansiedade não era tanto por ele de repente não aceitar dormir sozinho, mas de que isso o assustasse ou o fizesse sentir inseguro. Muitas coisas mudaram para ele esse ano. Aliás, ele está passando por uma enxurrada de mudanças que são inevitáveis e eu fico apreensiva sobre o quanto ele vai tolerar. Tive que fazer o desmame noturno de repente, logo o leite mudou do gosto por conta da gravidez, e por volta do quarto mês o leite secou. De repente ele não é mais o centro das nossas conversas, mas mais outras duas crianças, eu parei de carregá-lo no canguru, parei de levantá-lo, colo só no sofá e ele tem que subir sozinho etc. Ele viajou com o pai para experimentar dormir sem mim… são muitas perdas, tantas que não receberia mal a situação se ele não aceitasse o quarto dele tão rápido.

Mas para minha surpresa, Matias está radiante com o quarto dele. Mostra para todas as visitas. Tem a cama, o armário, a estante com os livros dele e um banquinho onde eu sento e espero que ele adormeça. Claro que isso não é conto de fadas! Ele não apagou lá e surgiu no dia seguinte, todo serelepe. Ele voltou a acordar e me chamar, pelo menos 1 vez depois de meia-noite. Às vezes diz que quer dormir com a gente, mas sempre muda de idéia antes de subir na nossa cama. Pra nós foi muito importante deixar claro para ele que ele poderia vir pra nossa cama quando quisesse. Ele disse pra Morten, num dos primeiros dias, que dormiria no quarto dele, mas que teria que chorar por dez noites antes de se acostumar. Ele não acorda chorando a menos que esteja tendo um sonho ruim. De modo geral, quando acorda e me chama, só precisa me ver para voltar a dormir. Acho que, desde a mudança, houveram apenas duas noites em que ele veio pra nossa cama por volta das duas da manhã. Da primeira vez eu o trouxe sem que ele pedisse porque eu estava muito cansada, ele estava muito acordado e eu não queria ficar sentada no banquinho muito tempo. Na segunda vez, que foi ontem, ele estava acordado mesmo e não conseguia adormecer de novo. Eu não aguentava mais esperar e o trouxe para nossa cama.

O fato de eu estar grávida, e com a barriga tão grande, tem dificultado bastante minha perseverança. Eu até quero esperar, mas isso significa ter dores durante todo o dia seguinte. Morten tem assumido a maior parte da rotina noturna dele. Escovar os dentes, trocar a fralda, ler um ou dois livros e só então eu venho pro quarto dele, para sentar no banquinho e esperar que ele adormeça. O que tem levado de 5 a 15 minutos – antes podia levar até 2 horas. De modo geral, Matias não pede pra vir pra nossa cama no meio da noite. Ele prefere adormecer de novo na cama dele, sozinho.

O único problema que estamos tendo… desde a mudança, Matias começou a acordar às 6 da manhã!!! Credo! Ele vai pra cama mais cedo, e até ordena o pai a dar a ceia pra ele antes de ir dormir quando nota que já é hora de ir dormir, mas começou a acordar super cedo! Antes, quando dormia com a gente, ele ia pra cama um pouquinho mais tarde, mas dormia às vezes até 9h30 da manhã. Me parece que ele agora associou nossa cama à brincadeira, e a dele ao sono. Quando eu o trago pra nossa cama, depois das 6 da manhã, na esperança de que ele durma mais, ele fica quieto por uns 15 minutos, antes de começar a gargalhar e tentar acordar o pai para vir pra sala brincar. Mas posso dizer que, desde o dia 11 de julho, Matias dorme no quarto dele, sem estresse. Acho que eu sofri mais com a mudança. Dormi mal nas primeiras duas noites. Ficava pensando “e se…”

Talvez a pergunta correta fosse: quando tirar o bebê da cama dos pais? E a resposta: quando vocês estiverem prontos.

Resumindo, acredito que, desde que a criança se sinta segura em relação aos pais, ela não vai “exigir” dormir com os pais. De modo geral, a criança que o faz pode ser insegura do vínculo, pode ter sido privada do contato muito cedo e depois passa muito tempo tentando recuperar o tempo perdido, ou simplesmente gosta de estar perto das pessoas que mais ama nesse mundo. Outras simplesmente se resignam. No fim das contas são os pais que decidem. Decida pelo que é melhor para você e pro seu bebê, mas cuide para que as necessidades de contato estejam sendo supridas.

A gente costuma achar um absurdo que as crianças queiram e exijam contato com os pais o tempo todo, mas como adultos, a gente passa o resto da vida buscando um outro par de pés pra nos esquentar nas noites frias… O ser humano tem como necessidade básica o vínculo, e quando bebês esse vínculo é melhor expresso através do contato físico. O contato físico libera ocitocina, o hormônio do amor. E não só por seu bebê, mas também por seu parceiro – muito abraço, beijo, mãos dadas ajudam a manter o sentimento bem nutrido -. Não tenha medo de trazer seu bebê para sua cama. Ocupe-se de fazê-lo de forma segura, mas deleite-se no seu bebê e da presença dele. Pense que, quando ele pede colo, contato, pra dormir junto, ele está declarando que é em você que ele confia para protege-lo num momento tão vulnerável. Que você é a pessoa favorita dele nesse mundão de Deus. Curta essas noites de muito aconchego. Esse tempo passa muito rápido.

Amanhã vou publicar uma “guideline” no menu do blog para se fazer cama compartilhada com segurança.

E aqui vão as fotos [não editadas] da barriga da semana 30. Mas hoje já estamos na semana 31. Caminhando lentamente para as 37 semanas.

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Um abraço!

Encurtamento do canal cervical – 27 semanas

Estamos a 27 semanas e essa semana experienciei algo um tanto assustador: o encurtamento do canal cervical.

Não sei bem o que causou o encurtamento, mas tenho algumas hipóteses. Na quarta-feira passei o dia fora, passeando com minha sogra. Andei bastante e terminamos o dia na casa de praia. O dia foi longo. Também, não me lembro se na quarta ou quinta, resolvi lavar os bicos dos seios que estavam bastante feios, já que desde o início da gravidez eles têm estado tão sensíveis que não aguento nem mexer. Lembro que durante o banho, o toque me causou uma série de contrações.

Mas na quinta-feira, por volta do meio dia, as contrações eram tantas que não aguentava ficar sentada ou de pé. Fui pra cama e dormi entre as 14h e 18 horas. Quando acordei, as contrações tinham diminuído bastante. Ontem, sexta-feira, o mesmo voltou a acontecer. Contrações ritmadas com 1 minuto de duração e 8 – 10 minutos de intervalo. Resolvi ligar pro hospital para saber “qual era o limite para eu entrar em contato e de repente ir até lá”. A parteira enviou um táxi de imediato e disse que, em casos de gêmeos, não há limite. Qualquer atividade ritmada deve ser observada de perto para saber se está afetando o canal cervical.

E neste caso afetou. Logo que cheguei fui atendida pela ginecologista de plantão, e ela chamou a chefe para confirmar as observações dela. O canal cervical, que tinha 4 cm na semana 24, agora tem 2,8 cm. Além disso, a placenta de Alexander tinha descido até o canal cervical, e parecia um bico de passarinho. A questão então era saber se as contrações ainda estavam influenciando o canal cervical. Fui internada imediatamente. Achei que fosse esperar algumas horas, checar de novo e ser mandada pra casa. Eu, inocente, não sabia de nada!

Me deram uma cama na área de parto, depois me transferiram para um quarto na unidade pré-natal da maternidade e lá fiquei. E fiquei. Uma enfermeira checou minha pressão, fez exame de urina, ouviu os bebês com o doppler. E só. Me deram lanche, janta, ceia. E me deixaram lá. Ouvindo os recém-nascidos chorar por suas mães, enquanto eu pedia à Deus pra que os meus ficassem mais umas 10 semanas na minha barriga.

Se o canal cervical continuasse diminuindo, e atingisse 2,5 cm, me dariam corticóide para amadurecer os pulmões de Alexander e Cecilie e me dariam outros remédios para parar o trabalho de parto. Mas para decidir isso, eu precisava de mais um exame. O dia acabou.

Antes de dormir tive mais uma hora de contrações ritmadas que cessaram depois que tomei 6 copos d’água de uma vez e me deitei do lado esquerdo. Adormeci pouco depois de 2h da manhã.

Acordei pouco antes das 7h da manhã e pensei, um médico deve aparecer logo. Antes ou logo depois do café. Levantei, tomei banho, esperei a hora do café. Nenhum médico apareceu antes do café. Perguntei a uma das enfermeiras quando um médico apareceria. “Lá pelas 9h, mas se tiver muita coisa na unidade de parto, pode demorar um pouco mais”. Ok. Tomei meu café e voltei pro quarto. Fiquei lendo. Não demorou muito e uma enfermeira dinamarquesa muito simpática veio ouvir os bebês. Tudo certo com eles. Perguntei pelo médico. Ainda não tinha vindo pra unidade pré-natal. Mas eu era a única na unidade esperando pelo médico, então, logo que ele chegasse eu seria atendida.

Continuei no quarto, esperando. Às vezes andava pelo corredor, ou ia assistir um pouco de TV na outra sala. Às 10h30min a enfermeira simpática voltou. Disse que tinha falado com a médica para saber qual seria o procedimento comigo. Eu voltaria para a unidade de parto para fazer uma nova ultrassonografia e, a depender do que víssemos, decidiríamos um plano de ação. “Daqui a pouco eu venho te buscar”, disse a enfermeira simpática.

Eu, prontamente, juntei meus paninhos de bunda e me preparei pra nova ultrassonografia e pra receber alta. Afinal, nenhuma das contrações que tinha sentido me pareciam com “contrações verdadeiras”, apesar de terem afetado o canal cervical. Não tinha dor, não tinha sangramento, a bolsa não se rompeu. Nada. Eram só essas contrações comuns de treinamento que acontecem durante toda a gravidez. Só que, de vez em quando, ritmadas demais pro meu gosto.

Foram 15 minutos, meia-hora, 45 minutos, 1 hora e nada da enfermeira simpática vir me buscar. Sentei no corredor. Não via nem ouvia nada além dos bebês chorando e seus pais desajeitados com vergonha de pedir ajuda às enfermeiras. Depois de 1h e meia, voltei pro quarto e toquei o alarme. A enfermeira simpática veio e dessa vez disse que ia ligar pessoalmente para a médica, e que, se preciso fosse, ia busca-la.

A essa altura, eu já tinha dito que ia fugir do hospital. Já é frustrante estar em casa de licença, no hospital é ainda pior!

Uns 15 minutos depois ela finalmente veio me buscar pra fazer a nova ultrassonografia. A ginecologista de plantão explicou então que, se o canal cervical não tivesse se alterado, eu Receberia alta. Mas… se tivesse diminuído, eu ficaria internada e um plano seria traçado com o chefe de plantão. Ela explicou também que a razão da demora era que nesses casos, eles costumam fazer um exame do líquido aminiótico, e esse exame só pode ser repetido 24 horas depois. No meu caso, como ainda não estava em 2,5 cm, eles decidiram não fazer esse exame, mas observar o desenvolvimento do canal por um período de 24 horas.

Ela começou a ultrassonografia, e eu curiosa, já fui perguntando se o canal tinha diminuído ou não. Ela disse que, a julgar pelo que ela estava vendo, o canal continuava em 2,8 cm, bem fechado e a placenta de Alexander tinha voltado a posição normal. Não tinha mais bico nenhum. [Yeyyy!!!] Chamou o chefe e ele veio quase que por teletransporte. Um médico alto, mas de fala mansa.

Sentou pertinho de mim e, depois de se apresentar, e observar a imagem do ultrassom, começou a conversar baixinho comigo: “Em gravidez gemelar, 4 coisas são importantes: 1) se os bebês dividem ou não a placenta; 2) como o canal cervical está; 3) se os bebês estão crescendo normalmente; e mais importante 4) como você está. Você está bem em 3 dos 4 itens. Nós, homens ginecologistas obstetras, gostamos e achamos importante explicar porquê observar o canal cervical é tão importante.” Nessa hora eu ri por dentro. “Nós, homens ginecologistas obstetras”. Ele discorreu sobre a importância de eu ligar nesses casos, disse que eu não devo ter medo de ligar e o quão feliz ele estava por ver que eu liguei. Bom, eu bem sei que em gravidez de gêmeos a diferença entre ligar ou não pode se traduzir num parto prematuro desnecessário. Liguei mesmo, apesar de não achar que fosse parir naquele momento – só não achei que fosse ficar de molho e sem informação por tanto tempo. “Não pense que nós não nos importamos. Você é importante pra mim” (Como assim, Bial?). Depois que ele saiu, a enfermeira disse: “Todo mundo adora participar quando são gêmeos ou mais. Até os chefes. Eles largam tudo e vem mesmo!” Bom pra nós.

Então ele confirmou o que a outra médica viu, e querem manter controles mais rígidos do meu canal cervical. Dia 13 eu volto e vamos ver como as coisas estão. Contei que vou me mudar daqui uma semana. “É, você vai se mudar, mas não vai mudar nada! Não vai carregar nada, não vai mover nada! A menos que você queira que esse bebês nasçam antes da hora.”

Assim, a principal “prescrição” que recebi foi: Sossegue o facho!

E no meio disso tudo, Morten e Matias estão na Dinamarca. Voltam hoje à noite. Imagine eu parir prematuros antes de eles voltarem, sozinha? Durante essas quase 24 horas internada, sem internet, sem bateria no celular, num quarto estéril, eu comecei a planejar como seriam os dias com duas crianças prematuras na UTI-neonatal, sem previsão imediata de vinda pra casa. Encontrar uma bomba hospitalar para alugar, bombear leite pelo menos 10 vezes ao dia, visitar os bebês, cuidar de Matias…

Cheguei à conclusão de que o melhor é mesmo sossegar o facho!

E vamos às fotos!

Alexander e Cecilie - 27 semanas

Amamentação e BLW – uma dose de objetividade, outra de realidade e duas de sonho

Eu pareço meio hippie às vezes. Natureba, zen, instintiva. E minha caminhada até aqui em relação à alimentação de Matias só corrobora essa impressão.

A teoria do apego tem permeado todas as nossas decisões, e aquelas relativas à amamentação não fogem à regra. Amamentei exclusivamente até os seis meses, fizemos um BLW intuitivo – acompanhando o desenvolvimento de Matias, sem saber que fazíamos BLW – e agora tenho pensado sobre o resultado disso e em como será com dois bebês ao mesmo tempo.


O que é BLW

Diz-se que o chamado “Baby led weaning” é uma “nova moda” em introdução alimentar. Mas isso não é verdade. Historicamente falando, “o baby led weaning”, ou a introdução alimentar controlada pelo bebê, foi praticada em todas as culturas pré-industrialização na década de 1920. Os bebês comiam da comida da família. Amassadas em algumas ocasiões, mas não necessariamente pastosas. Não haviam processadores de comida, nem papas industrializadas oferecidas às famílias. A criança comia o que estava a disposição da família.

A maioria dos bebês está pronta para se alimentar e demonstra interesse por outros alimentos a partir do sexto mês de vida. Alguns um pouco antes, outros depois. Mas basicamente, esse tipo de introdução alimentar permite que o bebê explore os alimentos. As diferentes texturas, cheiros, cores e sabores. Os pais não precisam fazer comida separada para o bebê e não o alimentam com a colher por exemplo.

Quando damos papas a um bebê com a colher, ele não está aprendendo a mastigar, porcionar e manejar o alimento na boca, mas está aprendendo a engolir. Quando servimos alimentos cortados, cozidos o suficiente para que possam mastigar sem que vire um purê entre os dedos, ele vai sentir a textura nos dedos, desenvolver o movimento manual de pinça, mastigar, porcionar e manejar o alimento antes de engoli-lo. No começo, muito pouco é engolido. Toda a experiência de provar um novo alimento com as mãos e a boca já é suficiente para o aprendizado, e cuspir tudo é a via de regra. Engolir não é a primeira coisa que aprendem. 

Muitos pais temem os engasgos. Engasgos são perigosos e todos nós devemos aprender a manobra para retirar alimentos da garganta do bebê de modo seguro. Entretanto, a maioria dos engasgos acontece com crianças alimentadas com colher, não com as que se alimentam com as mãos. A maçã é um grande vilão nesse quesito. Mas de modo geral, as crianças que se alimentam com as mãos, manejam a mastigação da maçã mais rápido e têm melhor controle do que está na boca. Então lembre-se, engasgos acontecem, mas em sua maioria entre crianças que só aprenderam a engolir. Antes do engasgo acontecer, o bebê vai experienciar a tosse e depois as chamadas “gags”, ou a tentava de vômito. Tanto a tosse quanto as “gags” são reflexos protetores para expelir o alimento ou objeto antes que ele cause um real engasgo e feche as vias respiratórias.

Uma outra preocupação dos pais é quanto ao volume de comida que a criança ingere. O BLW deve ser feito como complemento ao aleitamento materno, o que significa que durante o período de adaptação e introdução alimentar, os nutrientes são garantidos pelo seio e não pela comida. Nessa fase, os bebês estarão experimentando, não se alimentando da comida do prato. O medo da má alimentação faz com que muitos pais alimentem seus bebês com a colher, e por conseguinte fazem com que o bebê coma mais do que precisa, dificultando o desenvolvimento e reconhecimento da saciedade no bebê. Ficam ansiosos e demandam que o bebê “limpe o prato”. Assim iniciam ou mantém o caminho em direção à obesidade. Há também que se considerar que, a depender da qualidade da papa oferecida, a quantidade de açúcar escondido nessas misturas causa a alta da insulina no sangue, que por sua vez, bloqueia a mensagem de saciedade enviada ao cérebro. Esse é um ciclo vicioso. A criança continua comendo não porque está com fome, mas porque não sabe que já comeu o suficiente.

E um detalhe que para muitos pode ser irritante: a sujeira. Sim, se optar pelo BLW, prepare-se. O chão ao redor da cadeira do seu bebê vai parecer zona de guerra depois de cada refeição. Tudo vai para o chão, para a parede, fica na mesa etc. Tudo isso faz parte das descobertas. Sugere-se que não se use pratos ou talheres, para evitar utensílios causando acidentes durante as refeições e evitando a distração. A criança deve se ocupar da comida, não dos utensílios. Também é importante que a criança coma junto à família, sem TV, celulares, etc. A criança precisa de tempo e concentração para aprender o que significa alimentar-se, e toda a fisiologia envolvida no processo.

Esteja também preparado para os comentários dos desavisados que não entenderão patavinas quando seu filho simplesmente sair da mesa e voltar a brincar, enquanto a maior parte da comida ficou no prato. Ele estará conhecendo seus limites de saciedade e você deve relaxar. O estresse em torno das refeições não é um bom aliado a uma introdução alimentar saudável e a uma vida adulta com um bom relacionamento com os alimentos.

Para mais informações sobre BLW, visite: http://tanahoradopapa.com (em português) ou http://www.babyledweaning.com (em inglês).


Todas nós que temos filhos e escolhemos amamentar, sabemos quão árdua é essa tarefa. Não tanto pela díade mamãe-bebê, mas mais pelas interferências externas. Se decidimos por “seguir o fluxo” e fazer tudo como a cartilha da Nestlé manda, tudo flui de maneira mais descomplicada. A partir do momento em que questionamos um item do passo-a-passo da Nestlé, entramos numa batalha contra tudo e todos. Contra o censo comum e contra o conhecimento compartilhado arraigado nas entranhas culturais de todo um país. É nadar contra a maré – e tomar muito caldo de gente que está se afogando.

Bom, essa batalha é mais dura no Brasil – creio eu -, onde toda a classe pediátrica é formada e informada pela Nestlé. É ela quem “recicla” os pediatras, e as mães brasileiras já saem da maternidade com a cartilha da Nestlé decorada e “ordem médica” de manter a complementação iniciada já na maternidade.

Aos poucos venho descobrindo que essa cartilha não foi só entregue aos países subdesenvolvidos como manobra mercantilista para favorecer conglomerados econômicos que pouco se importam com a saúde dos nossos bebês, mas estão de olho no pouco ou muito dinheiro que temos no bolso. Essa cartilha foi e é distribuída ao redor do mundo capitalista, com maior ou menor penetração a depender do acesso à informação de qualidade. Porque no final das contas, o objetivo do capitalismo é servir ao capital, não às pessoas.

E assim, ouço muita batatada mesmo aqui, na Noruega. Puericulturistas que afirmam seguir as recomendações da OMS, mas incentivam o desmame, direta ou indiretamente, a partir dos 6 meses.

A OMS é um órgão internacional, responsável por filtrar toda a produção acadêmica da área de saúde, e fazer recomendações de saúde baseadas no conhecimento científico mais atual. Eles avaliam se uma pesquisa acadêmica tem qualidade suficiente para ser considerada. As recomendações são embasadas na observação das pesquisas relevantes, e essas pesquisas precisam preencher requisitos qualitativos rígidos. Se você quer saber o que a ciência diz sobre o consumo de açúcar por exemplo, mas não sabe separar o joio do trigo entre as pesquisas encontradas no Google por exemplo – algumas são alarmistas, mas apresentam problemas de metodologia, fizeram poucos testes, ou em um grupo muito pequeno de pessoas, não sendo representativas -, o site da OMS é o melhor lugar para encontrar recomendações que são benéficas à sua saúde. Não à saúde econômica das empresas. Por enquanto, não me parece que tenham cedido ao mercantilismo. A maioria das recomendações vão contra toda a propaganda que nos bombardeia desde as maternidades até as nossas casas.

Clique na imagem abaixo para ler as recomendações sobre amamentação da OMS.

Quando iniciei minha jornada materna, não era tão consciente desses aspectos, nem era tão “hardcore” quanto a minhas escolhas para minha família. Mas a qualidade e quantidade de resistência que encontrei ao fato de “querer fazer o melhor por meus filhos, e agir instintivamente” em minha maternagem, foi me calejando. Essa resistência agregada ao conhecimento da situação no Brasil e a comparação com a situação aqui na Noruega foi me fazendo cada vez mais interessada em entender a fisiologia por trás das minhas intuições e ações instintivas. E eu comecei a ler, e continuo lendo. Me informando. Mantendo um pensamento crítico das coisas que ouço, venham de onde vierem. Não sei mais engolir informações sem antes mastiga-las, saborea-las, rumina-las até. E se não me servem, as ponho pra fora.

Da amamentação para o BLW

Sendo assim, muitas coisas aconteceram instintivamente. Matias mamou exclusivamente até se tornar impossível negar comida à ele, pouco antes de completar 6 meses. Ele não aceitou papas, mingaus, comida amassada… ele queria a comida do nosso prato. De modo instintivo, respeitamos o modo e o tempo dele. Abolimos as papinhas e passamos a oferecer nossa comida. Ele brincou, experimentou, fez (e ainda faz) sujeira e assim foi descobrindo novas texturas, novos sabores, novas cores. Mas o leite materno foi a principal fonte de nutrientes dele até os 2 anos de idade. A comida era a complementação do aleitamento materno, e não o contrário. Não o forçamos a comer tudo o que está no prato. Dificilmente damos comida na boca dele, a menos que ele peça, coisa que ele faz se a comida estiver quente e a gente precisar soprar. Deixamos que ele descubra por si só a sensação de saciedade. Tudo no tempo dele. Sem estresse. Procuro oferecer coisas saudáveis e evito os processados. Para a sobremesa, sempre dou preferência às frutas.

Mas nem tudo são flores. Vivemos num mundo desinformado, obeso, diabético e cheio de venenos oferecidos às crianças como demonstração de amor e consolo. Matias não nega sorvete – servido sempre na casa dos avós -, batata chips e biscoitos salgadinhos – que são acompanhamento certo entre o jantar e a sobremesa por aqui, e nas festas, claro -, doces diversos – que transbordam do bolso do pai -, e toda sorte de porcaria processada que se possa encontrar disponível onde quer que ele vá. Essa é uma batalha que é minha, pelo bem dos meus filhos. A assumi quando resolvi ser mãe. E dela não fujo, nem jogo a toalha. Acredito que esse efeito dominó mundial de obesidade, diabetes e doenças cardíacas logo ganhará mais e mais adversários se esforçando para manter mais e mais peças de pé.

Diz-se que a geração de Matias, na Noruega, vai viver 100 anos. Deus me livre de ve-lo “sobreviver” por 100 anos, cheio de mazelas  causadas pela minha omissão em tenra idade. Esses primeiros 3 anos são a “blueprint”, ou a planta, do caminho que ele deve trilhar pelos próximos 97. Que ele viva 100 anos, e aos 100 anos tenha saúde para pedalar, passear, e ver um mundo melhor do que esse que eu vejo hoje. De que adiantaria “sobreviver” por 100 anos a base de remédios para mantê-lo vivo? Já vemos isso nos dias de hoje, e não há nada mais triste do que ver um idoso se negando a comer porque deseja morrer. Mas o mesmo sistema de saúde que pavimentou a destruição da saúde através de recomendações mercantilistas, agora se reserva o direito de mantê-lo vivo – e em parte fecha o ciclo de sustentação econômica com as empresas farmacológicas – servindo coquetéis de medicamentos para todos os tipos de males.

Esse ciclo começa com a complementação parcial, e logo a substituição total, do aleitamento materno. Já na maternidade aumentamos o risco de obesidade, diabetes e doenças cardio-vasculares de nossos filhos. E o mais trágico nisso, é que esse ciclo é estabelecido e perpetuado por aqueles em que depositamos nossa confiança, aqueles a quem confiamos nossas vidas. “Se o médico falou, quem sou eu pra duvidar?” E ele tem o poder de definir ali mesmo, na maternidade, se, por quanto tempo e como viveremos. A menos que estejamos informados e seguros o suficiente para tomar as rédeas e reclamar um direito que é nosso. O direito de decidir sobre nossas vidas e as vidas de nossos filhos. Os altos índices mundiais de doenças causadas pelo “estilo de vida” já nos provam por A + B que as informações recebidas desde a maternidade não nos têm servido.

Todas essas questões me revisitam hoje, com o pensamento nos bebês que, dentro de mim, estão mais do que menos protegidos. Mas a todas essas questões se agregam a batalha diária que é continuar cuidando da saúde de Matias, iniciar o cuidado com a saúde de mais duas crianças  e ao mesmo tempo me manter firme diante dos ataques à minha confiança como mãe, à confiança como mulher capaz de conceber, gerar, parir e alimentar dois bebês ao seio, sem intrusões desnecessárias.

Objetivamente falando: meu corpo é capaz de produzir leite suficiente para dois bebês. Realisticamente falando: Não faço idéia de como esse trabalho duplo vai influenciar minha bipolaridade. E sonhando: quero poder oferecer à esses dois a mesma dedicação que pude oferecer à Matias até hoje.

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Se você lê bem inglês, sugiro a leitura deste artigo canadense que avalia a obesidade infantil já deflagrada pela complementação – que implica em altas doses calóricas – e seus efeitos ao longo da vida. O artigo argumenta que o número de células gordurosas adquiridas durante o período de complementação não diminui nunca. Sendo assim, um bebê obeso significa geralmente uma criança, um adolescente e um adulto obeso. É muito mais difícil combater a obesidade em adolescentes ou adultos que foram bebês obesos. O artigo sugere a prevenção à obesidade desde a infância, evitando a complementação, a menos que esta seja necessária. Eles também recomendam a conscientização dos pais, afinal, são eles os responsáveis pela alimentação dos bebês.

 

Como estamos? – Fotos

Não falo diretamente da gravidez e dos gêmeos desde o dia 8 de maio. Então aqui vai um update com fotos da barriga e da ultra na semana 24 .

Estamos a 26 semanas, e minha barriga parece que vai explodir. Meu umbigo já está liso, imagine! Na gravidez de Matias isso só aconteceu próximo as 40 semanas. Às vezes me pergunto quão elástica minha pele é para aguentar mais 11-12 semanas de crescimento da barriga, e daqui pra frente em alta velocidade.

O músculo abdominal luta bastante. E eu sofro com a tensão do músculo abdominal contra a tensão do útero que só cresce. É bastante desconfortável. Há dias que preciso voltar pra cama pra esperar a batalha terminar. Mas perco muito dos meus dias nesse negócio.

As noites de sono têm sido curtas. Cecílie não dorme antes de 1h da manhã e não acorda antes do meio dia, mas Matias tem levantado entre 6h30 e 7h30 da manhã. Se Morten estiver viajando, eu tenho que estar disponível pro ritmo dos 3. Não adianta muito tentar ir pra cama cedo com Matias, Cecílie e Alexander não me deixam dormir. É muita atividade! Alexander fica mais tranquilo enquanto Cecilie dorme no começo da manhã, mas soca minha bexiga o tempo inteiro. Ele chuta a cabeça dela, e ela não pára. É uma delícia sentir os dois, mas ao mesmo tempo avassalador. E é uma sensação única.

Matias e nosso bbhugme

Matias e nosso bbhugme

[PROPAGANDA GRATUITA] Meu tempo na cama tem sido salvo por um travesseiro tipo linguiça que comprei. O Bbhugme. Ele foi desenvolvido por quiropráticas que têm trabalhado com grávidas por muitos anos. Quando eu estava grávida de Matias, tive que fazer fisioterapia por causa das dores na bacia, que estava mole por causa da enxurrada de hormônios. Me parece que esse tipo de dor é mais comum em países frios. Dessa vez, resolvi me prevenir e comprei esse travesseirão. Até agora não tive essas dores, e durmo muito bem agarrada nele. É claro que há noites em que ele é tomado de mim.

Amarrado

Amarrado para a amamentação

Matias diz que o travesseiro é dele, e aí eu perco a vez em algumas noites. Durante o dia, quando Morten está sozinho na cama, o travesseiro é dele. Mas esse travesseiro é muito gostoso. Se estende desde meu calcanhar, passa por baixo da minha barriga, entre meus braços até chegar embaixo da minha cabeça, formando um longo travesseiro. E eu ainda posso decidir se quero mais longo ou mais curto, dependendo do que vou fazer com ele. Ele é macio, mas firme. Dá até pra dormir de barriga pra baixo com ele. E depois que Alexander e Cecilie nascerem, vou usa-lo para amamentar os dois ao mesmo tempo. E ele já vai comigo pra maternidade. Infelizmente me parece que ele só está disponível pra compra na Noruega 😦 Quem sabe num futuro próximo ele não fica disponível em outros países? Esse eu recomendo. [FIM DA PROPAGANDA GRATUITA]

Nesse período em que só postei sobre outras coisas que não nós, algumas coisas aconteceram. Desde de 12 semanas, quando comecei a pensar nas praticalidades de de repente ter 3 crianças em um apErtamento, me preocupo com o espaço. Minha mãe vem pro nascimento dos bebês e íamos transferir Matias pro outro quarto, o que causaria um efeito dominó. O outro quarto tem sido usado como escritório por Morten e como quarto de hóspedes quando temos visitas. Morten não queria transferir Matias pra lá porque ia perder o escritório e nós perderíamos o quarto de hóspedes. Esse apartamento é de pouco mais de 40 m2 mal planejados, então tudo tem estado bem apertado. Esse é um apartamento para estudantes, não para uma família.

Eu já estava com a cabeça fervendo sobre a possibilidade de se mudar, minha mãe veio com umas conversas sobre isso, e a pressão da sogra era tão sutil quanto mandar anúncios de imóveis pra gente alugar ou comprar. Bom, comprar está fora de cogitação porque não sabemos se Morten vai conseguir trabalho aqui ou em outra cidade – e, pra dizer a verdade, nenhum de nós sonha ficar em Kristiansand -, ao mesmo tempo que não temos salário fixo pra garantir um empréstimo decente. Nosso sonho mesmo é comprar um terreno grande, ou uma fazenda desativada e construir uma casa passiva. Mas isso exige que tanto eu quanto ele tenhamos empregos fixos com 100% do salário para garantir um empréstimo que seja alto o suficiente. Ainda não estamos nesse patamar. Estamos construindo nosso castelo tijolo por tijolo.

Então estamos alugando outro lugar. Nos mudamos no mês que vem para uma casa que é três vezes maior que esse apartamento, e tem três quartos. Assim, mantemos o escritório/quarto de hóspedes, damos um quarto pra Matias – que está super contente com a idéia de ter o quarto dele – e temos o nosso, com espaço suficiente para nós e os gêmeos. Sim, vamos fazer cama compartilhada de novo. Essa vai ser a primeira vez que vamos morar em uma casa aqui. Desde que nos casamos, moramos em apartamentos em todos os lugares, exceto no Brasil. A experiência de dividir as paredes com outros tem sido um tanto traumática para mim. Vai ser ótimo não ouvir os vizinhos! E nem me preocupar que eles ouçam crianças gritando, cantando, chorando, enfim, sendo crianças e “atrapalhando” a paz dos outros.

Também nessa de pensar nas praticalidades, pensei nos três primeiros dias na maternidade. Matias não pode dormir no hospital com a gente. Então comecei a me preocupar com essas noites sem a mamãe. Não queria que ele tivesse que, de repente, dormir sozinho porque eu estaria ocupada com os outros dois. Seria o mesmo que o abandonar pra cuidar dos bebês. E Matias dorme comigo desde o nascimento. Então pensei que precisamos acostuma-lo a dormir com o pai, sem mim. Assim, durante esses dias na maternidade, ele pode vir pra casa dormir com o pai, e voltar pro hospital durante o dia se quiserem. Os avós já se ofereceram para ficar com ele nesses primeiros dias. Mas Matias não dorme nem com o pai sem chorar, vai dormir bem com os avós que acham que chorar é super normal e não faz mal? Não preciso dizer que tenho sérias reservas quanto a isso. Mas isso é papo pra outro post.

Por isso, no último domingo, Matias foi dormir sozinho com o pai num hotel. Ele acordou uma vez, chorou, disse que queria vir embora, mas adormeceu no colo do pai outra vez. Pela primeira vez em 3 anos, 6 meses e 21 dias Matias dormiu longe de mim. Claro que eu sofri mais. Não consegui dormir antes de 3h da manhã. Ele estava bem no dia seguinte, e foi direto pra creche. Não o notei mais agarrado em mim depois disso, mas está mais ressabiado e ocupado em saber que eu estou por perto. Na próxima semana ele vai pra Dinamarca com o pai, e ficam 5 noites. Essa vai ser a maior prova, pros três.

Também nesse tempo, fizemos mais uma ultra no hospital, na semana 24. E dessa vez ganhamos fotos em 3D e 4D. Foi muito legal vê-los fazendo a maior bagunça na minha barriga. Tudo vai bem com eles. Estão crescendo normalmente, dentro da normalidade para gestações únicas. A parteira fez até piada de que eles poderiam nascer em torno de 3Kg cada um. Aff! Vimos todos os órgãos outra vez. Os dois estavam em posição cefálica, por isso Alexander chuta a cabeça de Cecílie, que fez cara feia na foto depois de uma pezada dessas. Bom, eu gosto de escrever, mas vamos às fotos!

Montagem 24 semanas

Foto comparativa – semana 24

Observe o umbigo liso!

ultra 24

Ultra semana 24 – 2D e 4D

Só eu acho Alexander parecido com Matias nessa ultra 4D? Essa ultra me deixou ainda mais curiosa sobre a aparência dessas crianças. Tudo é possível nessa mistura.

Um abraço e até a próxima!

Como engravidar de gêmeos

Desde que descobrimos que esperávamos gêmeos e passamos a contar para as pessoas, ouvi muitas pessoas, entre homens e mulheres, dizerem que adorariam ter gêmeos, ou que sempre sonharam em ter gêmeos.

No início, quando eu ainda me sentia ambivalente em relação à gravidez e ao fato de serem gêmeos, eu não entendia porquê alguém sonharia com isso. Como alguém poderia desejar o trabalho duplo, a gravidez de risco, as incertezas, a insegurança e a completa sensação de impotência que acompanham uma gravidez múltipla. Tudo me parecia completamente absurdo. Coisa de quem não sabe do está falando.

E ainda me parece. Entendo o desejo de tê-los já na primeira gestação. Pouco se sabe sobre a vida com filhos e os desafios que enfrentamos todos os dias para cria-los. Mas ouvia esse comentário também de pessoas que já tinham filhos, que conhecem bem o caminho das pedras. Esse desejo ainda me parece absurdo. Mas simplesmente porque não o compreendo, e porque a idéia de ter gêmeos me passou pela cabeça uma vez – acabei de descobrir aqui – quando estava grávida de Matias, em tom de piada. Mas a idéia passou como um relâmpago e não deixou marcas em mim. Mas parece que ecoou nos quatro cantos do universo.

Ok, agora muita gente vai pensar que “eu não mereço ter gêmeos” já que nunca os desejei. Devagar com o andor! Filhos são graças recebidas, e não por merecimento ou desejo.

Bom, ter gêmeos é sempre uma surpresa. Mesmo para aqueles que sonharam a vida inteira em tê-los. A surpresa não é maior para os que nunca imaginaram passar por isso. Ela é menor para aqueles que, de alguma forma, manipularam a ovulação e sabiam do risco aumentado de ter gêmeos. Mas uma gravidez gemelar sempre é uma surpresa. Nós nunca estamos prevenidos quando ela acontece. Essa é a natureza gemelar. Uma surpresa.

Algumas pessoas sabem que precisamos de ajuda para ter Matias, e logo assumem que fizemos o mesmo para engravidar dessa vez. Surpreendem-se ao ouvir que, dessa vez, tudo aconteceu naturalmente.

Mas afinal, quais as chances de se ter gêmeos? É possível “fazer alguma coisa” para engravidar de gêmeos? Alguma simpatia? Mandinga? Chá da vovó? Posição específica de coito? Remédio? Comida?

A resposta honesta e científica é “não”.

Mas, então, como isso acontece?

Primeiro temos que entender que a ciência ainda não desvendou todos os mistérios sobre os gêmeos. Por hoje, usam-se gêmeos em pesquisas comparativas majoritariamente direcionadas ao restante da sociedade.

Sabemos que há dois tipos de gêmeos: os univitelinos – também chamados de idênticos -, e os bivitelinos.

Os univitelinos

Fonte: http://www.learnlearn.net

Placentas, membranas – dias da divisão

As gestações gemelares univitelinas acontecem em todo o mundo em igual proporção. São gestações que acontecem de modo natural e perfazem 1 em cada 3 gestações gemelares. São raras as vezes em que resultam de reprodução assistida.
Elas são o resultado do encontro entre 1 espermatozóide e um óvulo que se divide em dois até o 13dia após a fecundação. Gêmeos univitelinos têm a mesma herança genética, o mesmo sexo e se parecem muito, sendo chamados de idênticos, mas têm arcada dentária e digitais diferentes.
O dia da divisão do óvulo determina quantas membranas serão compartilhadas pelos bebês e quantas placentas se desenvolverão. Isso define um maior ou menor risco durante a gestação. Quando a divisão acontece depois do 13dia, dá se o fenômeno dos chamados gêmeos siameses.
Apesar de terem a mesma herança genética, os gêmeos univitelinos podem apresentar algumas diferenças que ocorrem após a divisão do óvulo. Quanto mais cedo a divisão acontece, maiores são as diferenças entre os bebês, e vive-versa. Por isso há pares de gêmeos em que um apresenta uma marca de nascença que o outro não tem.
Univitelinos podem ser “cópia” ou “espelho” um do outro. 80% são cópia, e 20% são espelho. Os gêmeos espelho são aqueles em que um é destro e o outro canhoto. Em casos extremos, os órgãos podem apresentar-se espelhados. Um tem o coração do lado centro-esquerdo e o outro o tem do lado centro-direito.

Os bivitelinos

Fonte: ib.usp.br

Bivitelinos

As gestações gemelares bivitelinas são hereditárias, decorrentes da idade, ou da reprodução assistida. Pelo método natural, a mulher precisa liberar dois óvulos num mesmo ciclo, e ter ambos fecundados por dois espermatozóides diferentes.
Os bebês são tão diferentes quanto dois irmãos nascidos em tempos diferentes, isto é, compartilham de 50% da herança genética. São dois filhos que por acaso são gerados simultaneamente.
Eles podem ser do mesmo sexo ou sexos diferentes.
Duas em cada três gestações gemelares são bivitelinas, e metade é de sexos diferentes enquanto a outra metade têm o mesmo sexo.
A maioria das concepções gemelares atingidas por reprodução assistida é bivitelina. Isso acontece porque os métodos de reprodução assistida envolvem o estímulo da ovulação, e/ou a introdução de dois óvulos fecundados no útero da mulher.
Bivitelinos podem ter pais diferentes.
A gravidez gemelar bivitelina apresenta o menor risco de complicação uma vez que os bebês não dividem membranas nem placenta.

Quais as suas chances?

Uma em cada 8 gestações inicia-se como gemelar, mas somente cada terceira dessas termina com parto gemelar porque um ou os dois bebês morrem antes de 12 semanas. Hoje, com o advento da ultrassonografia, as gestações gemelares podem ser descobertas logo no início, para, mais tarde, tornarem-se gestações únicas. Esse fenômeno é chamado de ” síndrome do gêmeo desaparecido”. A maioria de nós nunca descobre uma gravidez gemelar que passa por essa síndrome. Especula-se que as pessoas canhotas são “gêmeas-espelho”, mas seu gêmeo oposto “desapareceu” no início da gestação.

As chances de conceber univitelinos é quase igual para todas, por isso o número de gestações univitelinas tem se mantido constante através do tempo. Essa gestação não é afetada pela hereditariedade, idade, peso ou outro fator externo. É uma obra do acaso, ou “Jesuiscidência”, se assim preferir. Algumas pesquisas mostram que você pode ter maior chance de ter univitelinos se você for univitelina, mas como univitelina, suas chances de ter bivitelinos são as mesmas que as das demais mulheres – a menos que se enquadre nos grupos de risco aumentado para bivitelinos.

As chances de conceber bivitelinos depende da hereditariedade, idade, grupo étnico, número de gestações anteriores ou gestações gemelares anteriores e eventual reprodução assistida. De modo geral, podemos dizer que quanto mais velha a mulher é, maiores as chances de uma gravidez gemelar. Entre os 35 e os 40 anos, a ovulação é perturbada pelas alterações hormonais da menopausa, causando ovulações duplas. As mulheres em uma família que tem histórico de bivitelinos, têm maiores chances de ter gestações bivitelinas. Se você é bivitelina ou tem bivitelinos na família, tem 5% de chance de ter bivitelinos. Se você já teve bivitelinos na gestação anterior, na próxima tem 10% de chance de ter bivitelinos outra vez.

Tanto homens quanto mulheres podem carregar os genes da dupla ovulação, mas a gemelaridade bivitelina só se concretiza através das mulheres, ou seja, seu marido pode passar o gene para sua filha, mas ele não pode fazer com que você tenha gêmeos bivitelinos por ter bivitelinos na família dele. Nesses casos, diz-se que a gemelaridade pulou uma geração. O gene passado adiante é o da dupla ovulação. Também há casos de famílias que têm gêmeos por gerações seguidas, assim como há casos em que apenas um par de bivitelinos nasce na família, e, sendo assim, não se pode dizer que a família tenha predisposição a gemelaridade. As chances de ter bivitelinos também pode ser influenciada pela altura e peso da mulher. Estudos recentes têm mostrado que quanto mais alta e corpulenta a mulher, maiores as chances de ter bivitelinos. Mas nenhuma dessas mulheres estava acima do peso, já que a obesidade diminui as chances de concepção, seja de 1 ou múltiplos.

As chances de conceber univitelinos não é afetada pela etnicidade, mas as chances de conceber bivitelinos, sim. Mulheres afrodescendentes têm maior chance de ter bivitelinos, asiáticas têm menor chance e as européias estão num meio termo. Na Nigeria, cada 22parto é de gêmeos; Na Noruega, cada 80parto é de gêmeos; no Japão, cada 150parto é de gêmeos; e na China apenas cada 300parto é de gêmeos.

Quanto as nigerianas, diz-se que a ingestão regular de inhame causou a alteração da genética, dando início às duplas ovulações em massa. Lembre-se que a maior parte dos escravos que desembarcaram no Brasil são de origem iorubá, originários da Nigéria. Se você é brasileira e afrodescendente, pode estar carregando o gene da dupla ovulação sem saber. Mas isso não significa que você, necessariamente, terá gêmeos.

Esses números e estatísticas mostram também que não basta ter dupla ovulação ou se encaixar em todos os requisitos para que se concebam gêmeos. O fato de termos 1 gêmeo para cada oitava pessoa que encontramos na rua, mas seus pares nunca terem “vingado”, nos mostra que há algo para além da probabilidade. Um estudo recente diz que as mães de gêmeos concebidos naturalmente têm saúde acima da média, mais robusta, mantém a fertilidade por mais tempo  e vivem mais, sendo chamadas de “super-mães” (artigo em inglês disponível aqui). Tenho minhas reservas pessoais a esse estudo. Eu, por exemplo, estou e sempre estive abaixo do peso por deficiência proteico-calórica, apesar de quase não ficar doente e não me faltarem nutrientes. Difícil argumentar que tenha uma saúde mais robusta que a de muitas outras mulheres. E no entanto estou gestando gêmeos.

Mas há que se entender que a ciência sozinha não abarca o milagre da vida e da morte. Em nós há, sim, um componente que a ciência ainda não conseguiu duplicar. Duplicamos tecidos, mas como duplicar a nossa essência? Aquilo que faz de você, você?

Se você buscar no google “dicas para engravidar de gêmeos”, vai encontrar muita coisa. Mas a maioria está relacionada a hereditariedade. E a única gestação gemelar passível de manipulação é a bivitelina. Se você não tem problemas para engravidar, não se aventure na reprodução assistida com o intuito de ter uma gravidez gemelar. Se seu corpo não o fizer por si só, melhor respeita-lo. Acredito que a concepção e gestação de filhos seja algo com que não devamos brincar. Uma coisa é pedir ajuda para conceber, outra bem diferente é “escolher” o tipo de concepção. Nessa parte, ainda tão alheia à nós e a nossa ciência, melhor deixar as coisas nas mãos de Deus, da natureza, ou do acaso, a depender de sua crença.

Fonte: Grønning, Joan Tønder (2008) Boken om tvillinger 0-10 år – Myter og virkelighet om graviditet, fødsel og tvillingforholdet. 1.utg. Danmark: Forlaget TekstXpressen.

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Não esqueci do post anterior. Ainda estou me aprofundando no Círculo da Segurança, por isso não quero escrever qualquer coisa sobre isso.

No meio dessa semana volto para publicar fotos comparativas da semana 24 e fotos da última ultra que fizemos. Tenham paciência comigo!

Um abraço!

Criação com Apego, Círculo da Segurança e Disciplina Positiva – I

No post anterior falei da minha reflexão pessoal sobre minha infância e a infância das crianças norueguesas – Matias incluído. Mencionei a Disciplina Positiva en passant, e agora resolvi escrever esse post com as principais características da DP, antes de retomar os posts sobre a gravidez e os gêmeos.

Sei que o post anterior foi bastante lido – ou pelo menos visitado -, mas sei também que ele pode causar um certo questionamento e desconforto no leitor. Diante da aprovação da Lei da Palmada brasileira ano passado e das discussões que tenho visto no meu facebook sobre isso, pensei que seria interessante falar um pouco das alternativas à palmada difundidas na Noruega desde 1981, quando a Lei da Palmada foi aprovada aqui.

Nós estivemos no Centro de Família conversando com nosso psicólogo sobre Matias, sobre a fase em que ele está agora, e a dinâmica familiar com a chegada de Alexander e Cecilie. Depois de pouco mais de uma hora de conversa e explicações cientificas, pudemos confirmar que estamos no caminho certo, apesar de muitas vezes parecer que estamos perdidos na selva. Também vou compartilhar aqui no blog algumas das informações e dicas dadas pelo psicólogo.

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O que vem antes da Disciplina Positiva
Nos preocupamos com a “disciplina” quando as crianças demonstram a falta dela

A Disciplina Positiva pode ser posta em prática em qualquer tempo, para crianças de qualquer idade, por pais, professores e educadores. Mas antes de entrarmos na Disciplina Positiva per se, já que este é um blog sobre filhos, preciso falar daquilo que precede a Disciplina Positiva. Preciso falar da “Criação com Apego”, ou “Attachment Parenting” no inglês. Falei brevemente sobre isso aqui.

A Criação com Apego nada mais é do que uma forma de lidar com as crianças caracterizada pela disponibilização dos pais. Não há regras fixas. A única linha de regra é ter disponibilidade para atender as necessidades da criança. Em se tratando de um bebê por exemplo, significa não esperar que ele chore para lhe dar de mamar, mas aprender a ler os sinais que o bebê emite antes do choro (chupa os dedos, abre a boca, procura o seio etc.). O choro é o último recurso dos bebês para comunicar uma necessidade – e isto significa que ele já está tendo uma enxurrada desnecessária de cortisol no sangue. De modo geral, o contato físico é valorizado. O contato pele-a-pele estimula a amamentação, a sensação de segurança e o desenvolvimento do bebê, além de fortalecer os instintos materno e paterno. A Cama Compartilhada, seja ela com todos na mesma cama ou com o bebê num berço no quarto dos pais, auxilia e estimula a amamentação, aguça a “antena” materna e permite melhores noites de sono para a mãe. A amamentação em livre demanda, isto é, dia e noite e sem controle de horário, é recomendada a fim de estabelecer a produção adequada de leite materno. É durante a noite que produzimos mais leite, e é durante a noite que o cérebro recalibra a produção. Estudos comprovam que a mãe que não amamenta durante a noite não fica mais descansada do que aquela que amamenta.

É importante não confundir “necessidades” com “desejos”. Um bebê tem necessidades, uma criança de 2 anos tem necessidades e desejos (“needs” e “wants”, no inglês). As necessidades devem ser sanadas, sempre, para que a criança se sinta segura e conectada ao cuidador.

Algumas palavras sobre amamentação
O aleitamento materno é, talvez, a principal necessidade básica do bebê. Por isso escrevo essas palavras especificamente.

Toda mulher produz leite materno. A menos que a mulher tenha feito uma cirurgia de redução das mamas à moda antiga, isto é, retirando parte dos dutos de leite, toda mulher é, em princípio, capaz de amamentar seu bebê – ou bebês. As que fizeram este tipo de cirurgia podem, ainda assim, amamentar e complementar se os dutos restantes não forem suficientes para produzir a quantidade necessária de leite. Há mulheres que, por questões de saúde, não devem amamentar. Elas fazem uso de remédios não compatíveis com a amamentação, fazem tratamentos incompatíveis, ou precisam ser separadas de seus bebês por diversos motivos. Mas fisiologicamente falando, somos todas capazes de amamentar. De tempos em tempos, o bebê vai exigir mais peito que o normal, por exemplo. Isso significa que ele está passando por um “estirão de crescimento”, não que seu leite seja fraco ou em pouca quantidade. O leite materno é produzido de acordo com a demanda. Quanto mais o bebê mama, mais a mãe produz leite. O bebê vai precisar de mais e mais leite ao longo do seu desenvolvimento, e esses estirões fazem com que as mamas se adequem as necessidades futuras do bebê. Não há maneira de medir quanto leite é produzido pelas mamas. A maior parte da produção acontece durante a mamada. O seio é fábrica de leite, não depósito.

Após o parto normal, o leite materno pode levar de 3 a 5 dias para “descer”. Após uma cesária, comum no Brasil, o leite materno pode demorar um pouco mais para “descer”. O bebê nasce letárgico e tem menos força para sugar. A mãe pode ter passado por anestesia geral e estar impossibilitada de colocar o bebê no seio – nesses casos, é bom que o pai o coloque sobre o peito nu. Via de regra, quanto mais cedo o bebê é posto ao seio, mais rápido a produção se inicia. Quando o bebê, de fralda, é posto sobre o seio nu da mãe,a temperatura corporal da mãe aumenta para acalmar e confortar o bebê ao passo que as quantidades de cortisol da mãe e e do bebê diminuem, e o cérebro envia ordem para que a produção de leite se inicie. A cesária não impede a amamentação. Os benefícios da amamentação no pós-parto são os mesmos para mulheres que passaram por parto normal e cesária. A amamentação faz com que o útero se contraia mais rapidamente, diminuindo os riscos de hemorragia pós-parto, por exemplo. Enquanto o leite não desce, o bebê deve ser posto ao seio para estimular a produção e treinar a postura correta de pega. Inicialmente descem gotas de colostro. Se o bebê é posto ao seio sempre que solicita, a mãe não chega a ver o colostro. O colostro prepara o aparelho digestivo para receber o leite materno. Em caso de prematuros que precisam ficar no hospital, a mãe deve começar a bombear leite assim que possível, de 8 a 12 vezes ao dia, para que a produção se inicie e se estabeleça até que os bebês tenham desenvolvido força mandibular suficiente para mamar diretamente no seio. O leite bombeado pode ser oferecido ao bebê enquanto ele está no hospital. E o colostro deve ser o primeiro a ser oferecido. Esse vídeo do youtube mostra um pouco do que digo aqui (em norueguês, mas as imagens são educativas em si), inclusive a “pegada” correta do seio.

Logo após a saída do hospital, o bebê apresenta perda de peso. De acordo com as orientações norueguesas, durante a primeira semana o bebê deve perder até 10% do peso, e voltar ao peso da data do nascimento em torno do 14o dia de vida. Há bebês que perdem mais. Bebês nascidos por cesária, filhos de mamães de primeira viagem, bebês grandes ou nascidos com baixo Apgar podem demorar mais para recuperar o peso do nascimento.  É importante saber que os bebês nascem com uma reserva de gordura para aguentar os dias que precedem a descida do leite materno.

O bebê amamentado ao seio não tem prisão de ventre, tem menor risco de desenvolver problemas respiratórios, tem um bom desenvolvimento facial, bucal e auditivo, não é comum ter otite, fica menos doente, e quando fica, apresenta melhora rápida não apresentando muita perda de peso durante esses períodos etc. O leite materno contém um antibiótico natural composto especificamente para seu bebê. “Quando as mães beijam as mãozinhas dos seus bebês, elas estão tirando uma amostra das bactérias presentes na pele do bebê, e o leite materno se adequa a essa necessidade específica de combate às doenças a que a criança foi exposta”. [Não preciso dizer mais para que se comprove que sou adepta do aleitamento materno]

Os 7 B’s da Criação com Apego
Não são regras, mas formas de disponibilização dos pais

Conexão Natal, ou “Birth Bonding”: através do parto normal não medicado a conexão pode ser feita imediatamente após o nascimento. Se seu parto foi medicado, ou por cesária, não se preocupe. A conexão é feita através de vários passos e pode ser feita a qualquer momento. E ela será refeita muitas e muitas vezes ao longo das suas vidas.

Amamentação, ou “Breastfeeding”: É o melhor alimento pro seu bebê. Se você leu até aqui, já sabe alguns dos benefícios da amamentação para uma criação apegada.

Colo, ou “Babywearing”: carregar o filho no colo é uma prática comum em todo o mundo. Carregar seu bebê num sling ou canguru o ajuda a se adaptar a vida fora do ventre, ao passo que o acalma e dá segurança. Se seu bebê é prematuro, os slings e wraps são ótimas opções.

Cama Compartilhada, ou “Bedding close to baby”: a Cama Compartilhada promove a conexão, estimula a amamentação, melhora a qualidade do sono da mãe e do bebê, diminui a ansiedade de separação, e o bebê aprende, através da segurança, a adormecer e permanecer dormindo [no tempo dele]. Lembre-se que Cama Compartilhada significa dividir o mesmo quarto, não necessariamente a mesma cama. Para dividir a mesma cama, medidas de segurança devem ser tomadas.

O valor comunicativo do choro, ou “Belief in the language value of your baby’s cry”: os bebês choram como medida de sobrevivência. Eles não têm outra forma de comunicar o que sentem, pensam ou precisam. Responder ao choro do seu filho transmite segurança. Logo a gente diferencia o choro de fome do de sono, por exemplo.

Cuidado com os treinadores de bebês, ou “Beware of baby trainers”: deixar seu bebê “chorar para aprender” é desnecessário. Cada criança tem seu tempo. O filho da vizinha pode já dormir a noite toda, enquanto seu filho ainda acorda a cada 3 horas. Ter um bebê que dorme a noite toda não é prova de competência parental. [Importante: a regra é não dormir a noite toda, a exceção é dormir a noite toda.]

Equilíbrio, ou “Balance”: não negligencie o resto da família. É fácil ser consumida pelas necessidades do bebê, mas como pais, ainda precisamos atender ao restante da família. A esposa ao marido, o marido a esposa e aos demais filhos. Compartilhando a cama e carregando o bebê num sling pode facilitar que se atendam as necessidades de toda a família.

Você precisa seguir todos esses B’s para criar seu filho com apego? Claro que não! Criar filhos não é ciência, mas experiência. Um conjunto de experiências adquiridas ao longo de muitos, muitos dias bons, e alguns maus. Faça uso daquilo que funciona na sua realidade visando a harmonia familiar e o desenvolvimento do seu bebê!

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No próximo post eu vou falar do “Círculo da Segurança”, e se o post não ficar muito longo, entro na Disciplina Positiva.

Para saber mais sobre a Criação com Apego, visite:

http://www.attachmentparenting.org/portuguese

http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2012/08/criacao-com-apego-verdades-mentiras.html

http://indiretasmaternas.com.br/gente-que-esclarece/gente-toma-iniciativa-paternidade-ativa/

http://www.attachmentparenting.org [em inglês]

Até a próxima!

“Terrible twos” – sendo posta à prova

Nunca imaginei minha vida adulta sem filhos. Pensava que, mesmo solteira, teria pelo menos um filho. A falta da presença e do apoio de um marido não me impediriam de experienciar a maternidade. Eu seria mãe. Ponto.

Depois de casada e com tudo no lugar, descobri que ser mãe não seria tão simples como “ter uma noite apenas” e engravidar, como aconteceu com muitas das meninas que conhecia. Nosso caminho seria longo. Matias é chamado de “milagrinho” por mim aqui no blog. Na Noruega ele é o que chamam “ønskebarn”, ou “criança do desejo”. Ønskebarna são todas as crianças não concebidas naturalmente, mas com algum tipo de ajuda. Ønskebarna são concebidas através de estímulo hormonal, fertilização in vitro, adoção ou barriga de aluguel. Nós não fomos tão longe, mas o processo entre o natural e o estímulo hormonal se arrastou por quatro anos. Eu tinha acabado de completar 30 anos quando engravidei, e já estava meio no Brasil, meio na Europa desde os vinte e cinco anos. Posso dizer que fui ter filhos “com a cabeça sobre os ombros”, tendo ponderado e amadurecido a idéia.

Quando vim para a Noruega, lembro de observar avidamente a criação e o comportamento das minhas sobrinhas norueguesas. Minha idéia sempre foi aprender o máximo possível e conjugar o melhor da Noruega ao melhor do Brasil. Lembro que o comportamento das crianças e as atitudes da minha cunhada me causavam estranhamento. As crianças gritavam, jogavam as coisas, e os pais me pareciam apáticos. Muito distantes dos padrões brasileiros aos quais eu estava acostumada. Eu já sabia que aqui a Lei da Palmada está em vigor desde 1981. Outras formas de criação são aplicadas. O que não significa que não hajam famílias norueguesas que usem a violência como método – mas estes costumam ter problemas de natureza psicológica e, mais tarde, legais, perdendo a guarda dos filhos.

Tudo o que lembrava sobre criação envolvia a violência e o medo perpetrados pela palmada, o cinto, a vara, o chinelo, o grito, a ameaça e os abusos verbal e psicológico. Claro que até aquele momento, nada disso tinha esses nomes quase criminosos. Tudo fazia parte da criação licenciada pela Bíblia, o lugar comum, a prática corrente.

Lembro também que, mesmo quando criança, eu me questionava sobre esses métodos. Incomodavam-me os abusos que as outras crianças sofriam, entre si e partindo de adultos. Não gostava [e não gosto] de ver adultos fazendo crianças chorar por diversão. E eu era uma criança. Acho que fazia o que podia para me proteger desse tipo de situação, e certamente não consegui fugir de todos. Mas o sofrimento dos outros me marcaram mais do que os meus, dos quais não me lembro.

Diferente de muitos dos lares da vizinhança, em que o pai trabalhava fora e era “o general” no fim do dia, no meu minha mãe era “a general”. Era ela quem chegava em casa no fim do dia, encontrava os vizinhos fazendo fila para derramar suas reclamações do dia, e nos corrigia quando julgava necessário. Meu pai sempre foi contra o uso da violência na nossa criação, e era ele quem passava a maior parte do tempo com a gente durante o dia – e me defendia quando achava que a punição era desnecessária.

Durante os anos de desenvolvimento, apanhei com e sem motivo, o que fez com que eu logo entendesse que nem sempre a razão da “correção” estava em mim, mas nas frustrações pessoais do adulto, que eram derramadas sobre mim. Ainda hoje lembro, como cenas de cinema em 3D, alguns exemplos disso. Me marcaram mais as violências indevidas sofridas e presenciadas dentro de casa, do que aquelas sofridas na rua.

Já adulta, sabia bem que criaria filhos seguindo o exemplo do meu pai. Sem violência. E na Noruega essa é a lei. Todo e qualquer tipo de violência contra a criança é proibido. Depois que nascem, elas têm tanto direito à proteção do estado quanto um cidadão adulto. Da mesma forma que o governo me protege de mim mesma impondo impostos absurdos sobre o álcool e o tabaco, o governo também protege meu filho de mim se eu representar perigo à ele. Simples assim. As crianças também têm cidadania. Um resultado do individualismo ocidental.

Com o passar dos anos e meu mergulho na sociedade norueguesa, as tentativas de reflexão acerca de mim, da minha cultura e mentalidade contraposta aos valores noruegueses, foram fundamentando minhas próprias idéias e entendimento do que melhor funciona em nossa pequena família multicultural. O fato de aqui as crianças não serem amedrontadas e reprimidas através da violência e da busca por cidadãos críticos desde o berço me fizeram desejar ainda mais um outro mundo, mais pacífico, menos traumatizado e menos violento dentro do meu lar.

E aí Matias entrou na fase do chamado “terrible twos”. A partir dos 18 meses, as crianças entram num estágio de desenvolvimento caracterizado por mudanças de humor, explosões de raiva e frustração (ou tantrum no inglês) e aumento no uso da palavra “não”. Nesse período, elas começam a se descobrir como “o outro” e não mais uma parte da mamãe. A busca pela independência entra em conflito com a grande necessidade de ajuda dos pais. Essa fase acontece para todas as crianças, variando em intensidade de acordo com a personalidade da criança e o método disciplinar adotado pelos pais. Nunca havia ouvido falar nisso, até sair do Brasil.

Junto com a mudança no comportamento de Matias vieram as más sensações sobre a minha própria infância. Dizem que se tornar mãe/pai é reviver sua própria infância. Me vejo em diversos momentos revivendo a minha. Especialmente quanto ao uso da violência. No meio de uma explosão de raiva e frustração, Matias pode se tornar quase impossível de lidar [Parece que acontece o mesmo que num ataque de pânico: o lobo frontal se desliga e o resto do cérebro são como fogo e gasolina, até que tudo se acabe]. No começo eu notava que essas situações despertavam em mim uma vontade enorme de bater nele. Com a graça de Deus (não o da Bíblia, que me garantiria o “direito” de violar o corpo dele), resisti bravamente. Mas percebi que deveria estar mais consciente de mim mesma nessas situações. Mesmo as pessoas que nunca levaram uma surra quando crianças podem perder a paciência e se ver batendo nos filhos durante essa fase. Não sei se há diferença neste impulso, mas pessoalmente, tive que reviver as sensações do passado para não repetí-las no presente.

Hoje Matias continua no meio desse turbilhão, e me vejo entrando e saindo dessas situações com mais desenvoltura. Não sou perfeita. Fico frustrada, especialmente quando as explosões acontecem no meio da noite após um sonho ruim, às vezes eu preciso de um “time-out”, mas esses têm se tornado menos necessários com o passar do tempo e o aumento da aceitação e entendimento do que esta acontecendo com ele. A informação e a reflexão sempre me foram boas aliadas. Geralmente quando minha paciência está curta, a de Morten está sobrando e vice-versa. Quando estou sozinha com ele, as explosões são menos frequentes, mas eu preciso estar mais alerta e ter uma dose a mais de paciência. Isso não acontece na creche. Acontece em casa e às vezes na casa dos avós se ele estiver muito excitado com uma brincadeira e a gente vier embora por exemplo. Aconteceu no mercado uma vez.

Para além da fase, ele tem perdido terreno por conta da nova gravidez. Tirei a amamentação noturna, logo depois o leite secou, não pode mais dormir em cima de mim, não o carrego mais no colo nem no canguru, quase não o levo nem busco na creche… é muita perda para um menininho só. É natural que ele também reaja a essas mudanças.  Mas para garantir que a chegada de Alexander e Cecilie não se torne ainda mais complicada para ele, vamos ao nosso psicólogo familiar em breve. Quero saber o que ainda está por vir, e como lidar com tudo isso da melhor maneira possível.

Quando conversei com minha sogra sobre essas coisas, ela sorriu e disse: agora é que você está sendo posta à prova!

Tenho buscado usar a Disciplina Positiva mais ativamente e lido mais sobre a “Comunicação não violenta”. Minha mãe diz que os filhos devem buscar ser melhores pais que os pais foram. Assim vou trilhando meu caminho. Mas ter que aprender novas formas de educar enquanto se educa, estando inserida em uma outra cultura é bastante desafiador e estimulante. Reviver o passado pode ser doloroso, mas também é libertador. Há pouco conversava com minha mãe e descobri que ela reage ao comportamento de Matias da mesma maneira que eu reagi ao comportamento das minhas sobrinhas 6 anos atrás. É o choque cultural nu e cru. É a colisão entre as criações pacífica e violenta. Assim como eu tinha, ela deve ter um zilhão de idéias de como fazer com que ele “pare de fazer pirraça”. Pude me ouvir nos comentários dela, e foi interessante. Já caminhei uma boa milha pra longe do controle exercido pela palmada. A gente precisa encontrar a melhor maneira de gerenciar a vida que tem. E a minha vida hoje é completamente diferente daquela que eu um dia imaginei que seria. E naquela versão, eu estaria pondo em prática muito do que ela imagina ser uma ótima saída. São linhas de reflexão interessantes. Mas a minha vida é outra. O país em que vivo é outro. A cultura em que estou inserida hoje é outra.

E o “filho do meu desejo”, meu primeiro milagre, não diferente de 99% das crianças do mundo, vai ter o meu melhor. Sempre. Mesmo que o meu melhor pareça insuficiente naquele momento. Assim é cada mãe. Assim foi a minha, assim é a sua e assim você, futura mamãe, será. A gente faz o que pode, com as ferramentas que tem. Dizem que com a maternidade nasce a culpa, mas nasce também uma nova e melhor filha, uma mulher mais forte, mais amorosa, mais abnegada e completamente apaixonada por sua prole.

Dica: Quando vir pais sendo postos à prova no mercado, no shopping ou numa festa, que não usam de violência na criação dos filhos, não os julgue. Saiba que o comportamento da criança, entendido e aceito pelos pais ou não, já é suficiente para constrange-los. Eles não precisam ser censurados. Dê um sorriso ou aceno com a cabeça em tom de apoio, porque você certamente já passou ou vai passar por isso – ou pelo menos já fez coisas do tipo com seus pais. Criança que se joga no chão, grita, chora e faz escândalo não é necessariamente mimada, mas está passando por um desenvolvimento complexo e profundo. Ela sofre. Os pais sofrem. As crianças entre 1 e 4 anos são as mais conhecidas por fazer esse tipo de coisa, mas as explosões podem acontecer em qualquer idade. Aos 2 anos a criança ainda não consegue expressar verbalmente tudo o que gostaria, o que causa frustração, ao passo que o cérebro ainda não está maduro o suficiente para suportar sentimentos de frustração e raiva – causando as explosões. Aos 3 anos eles se tornam mais desafiadores porque querem mais autonomia. Aos 4 as coisas devem piorar um pouco porque eles melhoram a comunicação e a linha de raciocínio e negociação é mais complicada. Mais tarde eles ficam como nós, que ainda que tenhamos aprendido a lidar com os sentimentos negativos, às vezes precisamos socar uma parede!

E aqui vão as fotos comparativas da semana 20.

comparando semana 20 2

Comparando III – 20 semanas

Retratação: Não é a intenção deste post denunciar atos ou denegrir pessoas. Também não é a intenção deste post ditar como outros devem criar ou deveriam ter criado seus filhos. Não desejo censurar ou julgar a ninguém por suas escolhas de vida. O que escrevo aqui exprime minha própria experiência de eventos do passado. Essa interpretação é altamente subjetiva e pessoal. Não é objetivo do post ou do blog polemizar, mas tão somente expressar um processo pelo qual ainda estou passando. Desde já me desculpo se este post lhe causa desconforto.

E os milagrinhos são…

Um menino e uma menina!

Parabéns à todos que deram seus palpites no Facebook e acertaram. Obrigada pelos chutes!

Desculpem a demora na resposta. Mas do hospital, fomos direto à creche buscar Matias para irmos jantar na casa dos meus sogros. Voltando pra casa, liguei pra minha mãe, coloquei Matias na cama e só agora consegui falar com meu pai. Eles sempre ficam sabendo em primeira mão. 🙂

Bom, quanto a ultra. Essa foi a “super-ultra”. Chamo ela assim porque é a única ultrassonografia que o governo dá durante a gravidez. Ela acontece entre a 18a e a 19a semana e nela a gente descobre o sexo – se assim desejar -, faz uma análise detalhada do bebê, e determina a data prevista do parto oficial. [ADENDO] Nossa data prevista de parto foi corrigida em três dias, para 4 de outubro. [FIM DO ADENDO] Essa ultra acontece no hospital onde a gente deve ter o bebê, e assim eles já mantém todas as informações sobre a mãe e os bebês antecipadamente para se preparar.

Como estamos esperando dois bebês, essa ultra foi bastante especial e mais demorada, já que analisamos os dois. Não é uma ultrassonografia super avançada como as que se fazem no Brasil. Nada de 3D ou 4D. É um aparelho comum. Tudo em preto e branco. Para ver alguma coisa em 3D ou 4D, a gente precisa ir a uma das clínicas particulares e desembolsar um dinheirinho. Eu sempre acho que a ultra comum é suficiente, então nunca paguei por uma 3D.

Também por ser uma gravidez gemelar, eu tenho um acompanhamento mais detalhado, com muitas ultrassonografias. Essa já foi a terceira e daqui pra frente, a frequência vai aumentar. Primeiro, uma a cada duas semanas e depois toda semana.

Pelo que vimos hoje, os dois estão se desenvolvendo perfeitamente, e a diferença de tamanho hoje é bastante pequena. O menino é um pouquinho maior que a menina – o que é esperado -, mas ela é mais longa. O chamado Gêmeo 1 é o menino, que está mais perto da “porta de saída”, e o Gêmeo 2 é a menina, que está mais ao alto na barriga. Ambos são bastante ativos, mas sinto a menina o tempo todo porque ela está mais perto da minha pele. O menino está atrás da placenta, por isso só o sinto quando os movimentos são para o lado, para cima ou em direção à minha bexiga.

As placentas estão bem posicionadas, não bloqueando a saída para o parto. De acordo com a ginecologista, se eu entrar em trabalho de parto antes da semana 34, eles tentam parar o processo. Se o trabalho de parto se iniciar depois da semana 34, eles deixam nascer sem problemas. Idealmente, eles devem ficar aconchegados na barriga até pelo menos a semana 36.

Ao que tudo indica, o parto será normal, mas ainda é cedo para dizer. Tudo pode mudar a qualquer momento. Durante a ultra, a menina estava na transversal e virou de cabeça pra baixo, ficando com o rosto virado pro bumbum do menino. Eles ainda estão pequenos e têm muito espaço para se movimentar, mas parecem gostar do contato entre eles. Tenho a sensação de que a menina é mais ativa que o menino, mas é difícil dizer, já que ele está atrás da placenta dele.

Por aqui, como já disse durante a gestação de Matias, o parto normal é regra, mesmo que a criança esteja sentada. Se o menino estiver com a cabeça encaixada na pélvis, é parto normal, independente da posição da menina. A Noruega é um dos poucos países que realizam partos vaginais de bebês que estão sentados. A cesária só acontece mesmo com indicação clínica. O bom do parto normal é sair do hospital como a Duquesa Kate Middleton: andando, linda, e de salto. Com cara de cansada, claro, mas pronta pra outra. É meu desejo ter outro parto normal. Não vai poder ser na água, como o de Matias, mas normal.

Os nomes…

Agora entramos na fase de escolher nomes, e mais especificamente nome de menino. O nome da menina foi na verdade escolhido antes de Morten e eu nos casarmos (Imaginem!). Desde que engravidamos de Matias e não sabíamos que era um menino que venho reagindo ao nome que escolhemos. Naquele momento o escolhemos por ser um nome que funcionava tanto no Brasil quanto na Noruega, e é bonito. Mas depois disso, quando o nome se tornou realmente uma possibilidade, fui buscar o significado… e não gostei. O nome da menina deve ser Cecilia ou Cecilie – ainda não decidimos se a ou e soam melhor no final. Mas o nome significa “cega” ou “caolha”. Também foi o nome de uma santa… mas o significado me incomoda um pouco. Pensamos que um segundo nome pode aliviar isso, mas ainda não falamos mais sobre isso. Morten é louco por esse nome desde que o escolhemos, fez até música para a potencial Cecilia/Cecilie dele. Então, bem, deverá ser uma das duas variantes mesmo. Que com ela nasça um novo significado pro nome.

Quanto ao menino… ainda não consideramos. Falamos um pouco sobre isso ontem, mas só surgiram nomes bizarros em tom de piada. Agora temos que levar o negócio a sério. Acho que vai rolar o esquema de “eu escrevo meus preferidos, você escreve os seus, e depois a gente cruza as listas”. Eu sempre sonhei com Samuel, mas não funciona bem em Norueguês. Enfim, o nome desse menino vai ser um acordão mesmo.

A ginecologista também deixou bem claro que é hora de parar de trabalhar! E finalmente já posso começar a tricotar pra essas crianças! Yeay!

E vamos às fotos da ultra!

Menino semana 19

O menino. Semana 19. – “Documentos” e perfil.

Cecilia semana 19

Cecilia/Cecilie. Semana 19. – Perfil.

Comparando II – semana 16-17

Estamos a 16 semanas e 6 dias. Completamos 17 semanas amanhã. Estamos no limbo. Entre o nada e os chutes intensos. Entre o não saber e a ultra que deve revelar os sexos dos bebês – liberando a besta compradeira adormecida em mim.

Já sinto os chutinhos, mas são leves e ainda não dá pra separar um bebê do outro. Só sinto os chutes e movimentos em lugares diferentes. E a intensidade e frequência aumentaram um pouco ontem. Não faço idéia da posição que eles estejam na barriga. A próxima ultra vai ser mesmo reveladora. A espera é maçante.

Passei um dia com uma amiga que também está grávida de gêmeos. Foi bem legal… ela está no sétimo mês. Uma tenda, claro! Destino de todas nós, grávidas. É muito bom ter alguém pra compartilhar esse tempo. Ela vai ter um casal. Também são gêmeos fraternos, e a dupla ovulação foi causada pela idade. [Vou escrever uma página aqui no blog só com as explicações por trás da genética ou acaso dos gêmeos.]

[PROPAGANDA GRATUITA] Bom, estivemos em Portugal. Voltamos ontem. Foi uma viagem a trabalho, mas com um pouco de férias incluída. A viagem foi tranquila, afinal viajei de KLM, minha companhia aérea preferida. Ela é mais cara, mas vale cada centavo. Eles têm um cuidado com os passageiros que não encontro em outras companhias – não a estou comparando a Etihad, por exemplo, com a qual nunca viajei. Mas entre as européias, a KLM se destaca. Os cuidados comigo por estar grávida são ainda maiores. Tanto na classe econômica quanto na executiva. Aliás, a classe executiva é uma coisa à parte. Fui de econômica e voltei de executiva. Na volta, não aguentei e tive que perguntar à uma das aeromoças se trabalhar para a KLM é tão prazeiroso quanto viajar com eles. Primeiro ela me perguntou o que eu achava, a julgar pelo que via. “Me parecem bastante felizes”, respondi. Ela disse: “Trabalho na KLM há 33 anos, e não troco por outra”. Antes pensava que aeromoças se aposentavam cedo, que essa era uma carreira como a de modelo, efêmera… não na KLM. A partir de outubro passado, a KLM passou a cobrar pela bagagem de porão dos membros do clube de fidelidade. Uma ninharia, e ainda assim não comprometeu seu serviço em absolutamente nada. Espero que ela continue definindo padrões na Europa, e não baixe o nível para alcançar as demais empresas de baixo-custo e nenhum respeito aos passageiros. Também espero que ela exija uma melhoria nos atendimentos das demais companhias do SkyTeam (AirFrance, Alitalia, Transavia etc) porque essas ainda deixam muito a desejar quanto à qualidade do serviço. Sempre que possível, evito vôos operados pelas empresas parceiras.[FIM DA PROPAGANDA GRATUITA]

Mas não estamos aqui para rasgar ceda. Estamos aqui pra falar dos mllagrinhos…

Durante a semana em Portugal, notei a barriga bastante endurecida. E isso me cansa. Ela fica tensa quando eu estou cansada ou estressada, se exigir demais do meu corpo. As recomendações para grávidas de gêmeos são diferentes daquelas para as demais grávidas. Por serem dois bebês, a quantidade de sangue sendo bambeado pelo coração é muito maior, o que exige que ele trabalhe mais. Essa minha amiga grávida que encontrei, disse que agora, aos sete meses, se exigir demais do corpo, desmaia. Por conta disso, o nosso limite é logo ali adiante. Não dá pra fazer muita coisa. Pra mim, um banho demorado já significa uns 15 minutos estirada no sofá pra recuperar o fôlego e desacelerar os batimentos cardíacos.

Não sei se comentei em algum dos posts anteriores, mas o meu leite secou há duas semanas. Na verdade, foram a consistência e o sabor que mudaram de uma hora para outra e Matias notou. Estava fazendo os 10 segundos de mamada com ele. Quando o gosto mudou ele não aguentou mamar por 7 segundos e largou o peito. Disse que eu tinha que limpar o peito pra o leite voltar a sair. Pediu água pra lavar a boca depois de algumas tentativas frustradas e logo disse: “É bom beber água. Não é bom mamar”. Desde então as mamadas ficaram fisicamente mais doloridas porque só sai um líquido gordo, com sabor de sabão e em pouquíssimas quantidades [Sim, eu provo meu leite com frequência]. Mas Matias é meio brasileiro e não desiste nunca. Continua tentando “achar” o leite. Eu já não ofereço o peito conscientemente e algumas vezes nego. Hoje ele mesmo disse: “Hum, agora peito só mais tarde, quando eu for dormir”. Melhor assim. Queria uma pausa antes de recomeçar a amamentação com os gêmeos.

Mas ele está bem. Às vezes a gente tem problemas pra fazê-lo comer comida. Tem dias em que ele só quer porcaria e se nega a comer a janta. Mas isso dura pouco e acho que tem mais a ver com a fase do que com os hábitos alimentares dele. Matias é bom de garfo. Na creche dizem que ele é um dos menores do grupo, mas o que mais come. Quando chega em casa, só quer comer até ir dormir. A gente precisa controlar melhor os horários. Se deixar ele mastiga o tempo todo. E na verdade, come de tudo. E gosta muito de feijão com arroz, macarrão, patê de fígado, fígado frito, frutas etc. Os legumes têm dias definidos, por assim dizer. Tem dia que só quer cenoura, no outro só batata, no outro brócolis e assim por diante.

Em Portugal ele dançou forró e lutou capoeira. Adorou! Já estou até vendo Matias daqui alguns anos fazendo essas coisas.

Matias no forró

Matias (e Morten) aprendendo os paços básicos do forró universitário com o professor Pablo Dias, em Lisboa.

Matias na Capoeira

Matias (e Morten) aprendendo Capoeira com o grupo Nova Aliança, em Lisboa.

Ele fala pelos cotovelos, como já disse. Diferencia norueguês de inglês, e às vezes chama português de inglês. E é um galã de mão cheia. Andava atrás das minhas alunas em Portugal. À mesa, durante o jantar numa churrascaria, ele pôde tomar um golinho de coca-cola do pai. Minhas alunas estavam sentadas do outro lado da mesa, e ele me solta: “Damas! Estou bebendo coca-cola!”

Com essa encerramos a conversa e vamos às fotos comparativas.

comparando 16-17

Comparando II

Comparando – semana 14

Como a curiosidade em saber a diferença no crescimento da barriga entre uma gravidez única e uma gemelar é grande, este post é para comparar.

Achei uma foto da minha barriga, da gravidez de Matias, a 14 semanas e 6 dias, ou seja, quase 15 semanas, e resolvi comparar com a barriga dos gêmeos hoje, que estão completando exatas 14 semanas. Dá medo imaginar as proporções da minha barriga a 30 semanas, quando dizem que estarei do tamanho que estava quando Matias nasceu (!!!).

Já estou pensando em comparar o tamanho de hoje com as semanas seguintes para saber em que passo esse negócio cresce. Mas acho que vou resistir a tentação por enquanto.

De novidade desde o último post é que comecei a sentir os movimentos do gêmeo 2 – que está mais próximo do meu umbigo. Como essa é a segunda gravidez, dá pra saber a diferença entre um bebê e os movimentos intestinais sem problemas. Mas não é sempre que sinto o milagrinho 3. Tenho que estar deitada, quietinha, o que não acontece com frequência.

No mais, tudo na mesma. Uns sangramentos nasais aqui, umas insônias ali, uma preguiça sem fim, um pouco de dificuldade de concentração, menos enjôo, mas muita saliva, gases etc.

É frustrante a falta de informação disponível sobre gestação gemelar e tudo o que ela acarreta. Estou esperando um livro que comprei da La Leche League sobre amamentação e cuidado de gêmeos. A informação é minha melhor maneira de preparação.

Para as futuras mamães de gêmeos que tropeçarem por aqui e estão se perguntando como fazer pra amamentar duas crianças, sugiro entrar no grupo “Falando de Amamentação Gemelar” no Facebook. Muita informação boa e científica disponível lá. E muitos relatos de outras mamães que passaram pelas mesmas coisas. Muito apoio e encorajamento.

Num dos próximos posts devo falar sobre meus planos para a amamentação dos meus gêmeos.

Mas, chega de balela, e vamos às fotos comparativas!

semana 14 - compara

Comparando – semana 14 // Morten, cadê o carrinho de mão???