Segundo trimestre

Amanhã entramos na 13a semana de gravidez. Muita coisa aconteceu desde o último post e a segunda ultra aconteceu no último dia 20. Tem sido difícil encontrar calma interna pra sentar e escrever. Outras coisas, para além da gravidez, aconteceram e me mantiveram ocupada.

O bom de entrar no segundo trimestre é que o medo e o suspense diminuem consideravelmente. As chances de aborto espontâneo são muito menores e alguns dos incômodos do início da gravidez dão uma trégua – dando lugar a outros.

Como escrevi no post anterior, as náuseas têm me acompanhado, mas nas últimas duas semanas elas diminuíram consideravelmente. Minha médica me deu um remédio contra enjôos de viagem. A idéia foi boa, mas o efeito… usei 1 vez. Como instruído na bula, tomei 1 hora antes de sair pro trabalho para que o remédio fizesse efeito na hora certa – e o efeito dura até 24 horas! A viagem pro trabalho seguiu tranquila, mas quando cheguei lá, já estava me sentindo um tanto grogue. Dei aula meio que nas nuvens, mal ouvia os alunos. A viagem de volta foi tranquila, mas lembro pouco dela. Sei que comi duas saladas, mas não sei o que fiz durante o resto da viagem. Talvez tenha dormido? Chegando em casa, fui direto pra cama. Quando acordei, tudo girava. Nunca estive tão tonta na minha vida. Era uma sensação horrenda. Não consegui levantar da cama. Se estivesse bêbada teria sido capaz de levantar da cama. Mas não dessa vez. Passei o resto do dia de cama, e no dia seguinte com uma lombeira braba. O remédio não fez sucesso.

Tinha comprado um chá de gengibre e um remédio natural contra enjôos – extrato de gengibre com vitamina B6. Na quinta-feira, usei o remédio natural. Funcionou muito bem. Ótimo substituto.

Nesse meio tempo a barriga deu um salto. Já está bem visível. As coisas já levam mais tempo do que eu calculo. A simples tarefa de tomar banho antes de sair me cansa tanto que tenho sempre que tirar uns minutos sentada no sofá, respirando devagarinho.

E na sexta-feira nós fomos a segunda ultra. Eu ainda estava no suspense. Será que ainda são dois? Será que está tudo bem com eles? E se está, são uni ou bivitelinos? Eu parei de tomar o multivitamínico. Tudo me dá enjôo, e com esses comprimidos não era diferente. Estava tomando só o ácido fólico. Nada de ômega 3. Não posso dizer que minha alimentação está tão boa quanto esteve quando estava grávida de Matias. Por conta dos enjôos, como o que consigo, e o que desejo.

Grávida de Matias eu só queria coisas salgadas, e especialmente ovo cozido. Dessa vez eu quero tanto doce quanto sal, e isso é complicado. A gravidez gemelar tem maior risco de diabetes e pré-eclâmpsia. Às vezes quero mingau, bolo, sorvete outras vezes quero ovo cozido, cachorro-quente, hambúrguer etc. Confesso que tenho me controlado para não comer tanta porcaria quanto desejo. Mas com os enjôos e o aumento de saliva, comecei a chupar bala de menta, mascar chiclete e já descobri que arrumei um buraco no dente. Essas crianças estão sugando meu cálcio, e a quantidade de açúcar na boca está destruindo um dos meus dentes. Planejando uma visita ao dentista para depois da páscoa. Enfim, espero que nesse segundo trimestre eu possa voltar a comer tão bem quanto comia antes. Eu como porções menores, mas com mais frequência.

Por essas e outras andava meio preocupada com essas crianças. Mas foi bom ir à ultra e vê-los novamente. Então, o que vimos na ultra:

  • Ainda são dois;
  • Eles estão se desenvolvendo bem;
  • Ambos mediam em torno de 5cm;
  • São bivitelinos;
  • São bastante ativos; e
  • Não há nenhum sinal de falha cromossômica em nenhum dos dois.

Também estava um tanto curiosa sobre as possibilidades de parto. Se poderia ter pelo menos o primeiro na banheira, como Matias. Negativo. De acordo com o GO, os médicos preferem ter o máximo de controle possível em partos de gêmeos. Ele também disse que, geralmente, se o primeiro nascer de parto normal, o segundo também nasce de parto normal. Eles não costumam fazer o primeiro de normal e o segundo de cesária por exemplo, até porque, segundo ele, após o nascimento do primeiro, a pélvis fica tão aberta que o próprio médico pode “ir buscar o segundo” com a mão, reposiciona-lo e até puxa-lo pelo pé para ele nascer “com a bunda pra lua”. A julgar pelo parto de Matias, mais uma vez ele me assegurou, tudo indica que teremos mais um parto normal. Mas já me avisou que esse parto vai me parecer mais clínico que o anterior, uma vez que serão pelo menos dois médicos, duas parteiras, duas puericulturistas e mais alguns enfermeiros em espera no corredor caso necessário. Seremos três dessa vez, e duas crianças que podem nascer antes do tempo…

Minha oração é que eles fiquem na barriga o máximo de tempo possível, mas pelo menos até 37 semanas.

Na semana seguinte fui fazer o segundo controle com minha médica de família. Em três semanas ganhei 1 quilo. Fiz exame de urina como de praxe, e encontramos um pouquinho de proteína por isso vou precisar fazer outro em duas semanas. A pressão continua baixa como sempre. E não medimos o fundus porque o padrão é pra o desenvolvimento de gravidez única, não gemelar. Conversamos um bocado, e ela também me avisou que esse parto deve considerar menos as minhas preferências e mais o controle dos médicos. Mas confesso que penso em parir de cócoras! Mesmo sobre a cama Hahahahahahahahaha

Mas bem, vamos às fotos dos mllagrinhos 2 e 3.

Gêmeo 1

Ele está mais baixo. Deve ser o primeiro a nascer e por isso é chamado de Gêmeo 1. A posição da placenta dele em relação à barriga faz com que ele apareça mais escuro no ultrassom.

Gêmeo 2

A placenta do gêmeo 2 está mais alta na barriga, mais próximo do umbigo, então a imagem fica mais clara no ultrassom. Ele deve nascer depois, por isso é chamado Gêmeo 2.

G

Essa é a “parede” entre os dois. O médico conseguiu ver as placentas em posições opostas, e observando a espessura da divisão entre os dois determinou que são bivitelinos.

Agora nos resta saber o sexo dessas crianças. Quando estava grávida de Matias, eu sabia que era menino, mas dessa vez, não faço idéia. As apostas já começaram. Poucos acreditam que sejam dois meninos, e a maioria se divide entre duas meninas e um menino e uma menina.

Eu já estou com as mãos coçando para começar a tricotar pra esses milagrinhos. Mas prefiro saber os sexos antes de investir em lã.

E Matias: Tadinho, ele vem sofrendo por perder terreno. Não mama mais durante a noite, não o carrego mais no colo, evito levanta-lo se estiver de pé e agora já não pode mais dormir em cima de mim. Acho que ele vem sentindo bastante as mudanças. Procuro dar muito carinho e contato quando ele não está muito ocupado brincando. E confesso que a cama compartilhada tem salvo nossa relação. É durante a noite que ele me tem pra ele, às vezes por 10 horas direto. Mas ele está bem. Crescendo e se desenvolvendo. Come que parece um saco sem fundo. Come o tempo todo. Fala pelos cotovelos. Já tem um melhor amigo na creche.

Creche

Matias na creche. Experimentando marshmallow.

E Morten: Esteve internado essa última semana com uma insuficiência renal aguda depois de um episódio de desidratação. Já está melhor e em casa, com a graça de Deus. Matias sentiu muitas saudades do pai nesse período e ontem, depois que ele voltou pra casa, não dormiu durante o dia para brincar e falar com o pai.

Tem mais um monte de coisas pra contar, mas esse post já está bem grande. Vamos aproveitar a páscoa, porque aqui é férias de páscoa!

Boa páscoa!

… E em dose dupla!

Depois do post do dia 6,  trabalhei na segunda, dia 9, e piorei um pouco. Então resolvi tentar uma hora com minha médica de família antes do dia 19. Por sorte ela podia me atender naquela terça-feira mesmo, dia 10. Não fui trabalhar e já fui ao médico com o intuito de pedir licença. Já que estava impossível sair da cama, não ia adiantar me forçar e passar mal o caminho inteiro de ida e volta do trabalho. As náuseas são frustrantes!

Ela se divertiu um pouco e disse que passou por isso também com o segundo filho, então sabia bem do que eu estava falando. Me deu a licença até o início de março, na esperança de eu então estar fora do primeiro trimestre e pronta pra voltar ao trabalho. Fez alguns exames, inclusive de ferro e hemoglobina. Hemoglobina, baixa como sempre, mas ferro dentro do normal. Pude me despedir das doses extras de ferro que me causam prisões de ventre horrendas! Também me deu um encaminhamento para fazer a ultra – muito bom, o que significou não pagar pela ultra, só pelo gel.

No mesmo dia a clínica ginecológica me ligou pra marcar a ultra. Já queriam fazer no dia seguinte, mas como Morten estaria viajando precisamos remarcar pra hoje, dia 17.

A ultra foi marcada na mesma clínica em que fiz o tratamento para ter Matias, o milagrinho número 1. Achei engraçado. O médico seria outro, já que aquele com quem me consultei até 2012 se aposentou. Esse médico é jovem, mas mostra logo que gosta do que faz.

Conversamos um pouquinho. Deixei claro que seria ele quem me provaria que estou mesmo grávida, já que só acredito vendo o milagre na tela. Fizemos a ultra interna por ser de melhor visualização no começo da gravidez.

Como disse antes, estive bastante ambivalente quanto a essa gravidez. Contente, mas insegura quanto ao momento. Tinha imaginado um 2015 de ação e muito trabalho, mas estando grávida, tudo anda mais devagar. E Matias tem notado que eu não tenho conseguido brincar com ele como de costume. Que fico cuidando pra que ele não pule em cima de mim ou chute minha barriga. Ontem ele esteve bem tranquilo. Topou assistir TV, comer, brincar, tudo sentadinho no meu colo. Foi bem legal.

Ontem escrevi em meu mural do facebook um status sobre as náuseas e como elas só melhoram enquanto eu durmo ou como. Recebi muitos comentários de amigos queridos, claro. Mas um deles eu só li hoje de manhã, pouco antes de ir pra ultra. A mãe de uma amiga disse que “eu deveria desejar essa gravidez para que as náuseas passassem”. Parece óbvio que uma gravidez deva ser desejada, mas a ambivalência também existe em mim – ou existia. “Não é que eu não deseje a gravidez, eu não desejo as náuseas”, concluí com meus botões. Mas realmente ainda não tinha conseguido sorrir livremente pensando na gravidez. Pensar nela, me fazia lembrar a divisão da atenção, menos tempo para Matias, que isso pode ser complicado pra ele… e ainda tinham as náuseas me tirando de jogo!

Bom, assim que o médico colocou o bastão em mim e a imagem apareceu na tela meus olhos ficaram marejados. Logo pudemos ver não um, mas dois, dois, dois, eu disse dois, bebês! “Isso explica tanto mal-estar”, disse o médico.

Tvilingene

Bom, estamos a 7 semanas e 2 dias. Ainda não é possível dizer se são gêmeos idênticos ou não, mas são dois sacos vitelinos, o que é bom. Ao que tudo indica a gravidez vai bem e eles se desenvolvem bem. Pudemos ver os coraçõezinhos batendo. Ainda existem os tenebrosos 5% de chance de aborto espontâneo, mas torcemos para que tudo corra bem, e eles continuem a se desenvolver sem problema algum.

A data prevista do parto por enquanto é 5 de outubro, mas os partos de gêmeos costumam acontecer 3 semanas antes em 70% dos casos, de acordo com o médico. Por enquanto, esperamos uma gravidez normal, tranquila, com parto natural, como o de Matias.

Estamos surpresos, sorridentes, alegres e ao mesmo tempo nos perguntando “Como é que vai ser isso? De repente 3?”

Mas com a graça de Deus, essas crianças serão tão abençoadas quanto Matias, que vai dar um ótimo irmão mais velho.

Eduardo que sempre diz que são dois, acertou dessa vez. E agora já podem começar o bolão. Quero ver acertar o sexo dos dois!

A próxima ultra é daqui 5 semanas, e vou ter direito a muitas outras por serem gêmeos. Eles monitoram a gravidez de gêmeos de perto. Melhor assim.

Até a próxima!

E o milagre se repete

Em julho de 2014 meu ciclo menstrual retornou. À época eu fiquei bastante animada. Pensei que meu corpo já estava pronto pra mais uma gravidez etc. Como nem tudo é como a gente imagina e deseja, eu logo caí na real. Ainda amamentando era natural que demorasse um pouco. Mas li um estudo que dizia que era normal que uma nova gravidez acontecesse em até 7 meses após a volta da menstruação.

Matias ainda mama em livre demanda como disse no post anterior. Isso fez com que meus ciclos fossem irregulares. Um durou até 45 dias. Desencanei.

Mas por muitas vezes me questionei se gostaria mesmo de ter mais um filho. Morten estava satisfeito com Matias, eu também. Não seria preciso dividir os recursos e a presença. Nenhum outro parto pode ser mais maravilhoso que o de Matias, que foi o parto dos meus sonhos. E cada gravidez é uma, nunca se sabe como será a próxima. Por outro lado, venho de família grande, e acho bom ter com quem compartilhar as memórias da infância, os momentos mais íntimos que não se dividem nem com os primos. E Matias é libriano. Librianos andam em pares, adoram companhia, e são bastante ligados à família.

Como precisamos de ajuda pra ter Matias, não achei que seria fácil engravidar de novo, e achei que teria que buscar ajuda novamente se quisesse muito ter outro. Fui deixando as coisas acontecerem. Fui deixando o tempo passar.

Mas desde novembro notei uma mudança na libido. Esteve mais alta do que em qualquer outro tempo que me lembre. Pensei que meu corpo estava dando um “jump-start”, retornando às origens, sem a interferência de anticoncepcionais – os quais não voltarei a tomar, nunca mais.

E há duas semanas fiquei “resfriada”, garganta arranhando, um gosto amargo na boca, bastante indisposta. Não fui trabalhar a primeira semana toda. Dei aulas via internet. Mas conseguia levantar para levar Matias à creche e busca-lo. Comecei a notar um certo incômodo durante a amamentação. Já essa semana as coisas pioraram. Fui trabalhar na segunda. Dormi no caminho de volta, o que é incomum, e me senti ainda pior. Não fui trabalhar na terça, e por sorte meus alunos tinham uma programação universitária na escola; na quarta Matias ficou ainda mais resfriado do que já estava, e ficou em casa comigo. Nessa mesma quarta eu resolvi tirar a “prova dos 9” pra descobrir o que poderia estar acontecendo, e fiz o teste de gravidez logo que levantei. O positivo foi imediato e forte.

Já marquei a consulta de controle com minha médica de família para o dia 19, e queremos fazer uma ultrassonografia para saber, afinal, pra quando esse bebê é. O último ciclo marcado no meu calendário teve início dia 30 de novembro, o que nos coloca a pouco mais de 9 semanas, mas não consigo me recordar se houve mais uma em dezembro, o que nos colocaria a 6 semanas.

Meu cansaço desesperador pode estar associado à anemia leve, e espero que isso se resolva logo com minhas doses cavalares de ferro diária. Só agora comecei a tomar todas as vitaminas de que preciso. E não está sendo fácil amamentar ao mesmo tempo. Agora já me surgem questões quanto ao desmame, por exemplo.

De qualquer modo, ainda é cedo e muita coisa ainda pode acontecer. Eu ainda não estou me sentindo tão bem pra curtir a gravidez. Mas estou torcendo pra que eu melhore logo e possa ter um olhar mais positivo sobre essa gravidez. Por enquanto só penso que seria ótimo dormir direto até setembro.

Mas isso logo passa. Se me lembro bem, o segundo trimestre é um show!

Ainda não sei se vou tirar fotos toda semana como fiz com Matias, mas vou vir contar minhas agruras e alegrias sempre que tiver algo pra contar.

2 anos!

Tanta coisa aconteceu ao longo dos últimos 365 dias. Comum a todos os dias é meu sentimento de gratidão à Deus por ter me presenteado com a responsabilidade de guiar Matias enquanto ele precisar. Ter o prazer de gerar um filho não nos é garantido. Receber a graça de poder aprender a amar uma pessoa pra além de nós mesmos é uma dádiva. Poder dividir essa experiência com outra pessoa também não é via de regra. Mas agradeço à Deus por ter me confiado Matias e ter escolhido Morten para dividir comigo essa caminhada de aprendizado.

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Bom, Matias é, como toda criança, especial. Apesar de ser menino, é bastante detalhista e observador. É falante. Fala, fala e fala! E eu fico babando, observando o desenvolvimento dele: de sílabas, para palavras e agora frases – em português e norueguês. Adora cantarolar, gosta que a gente leia historinhas pra ele antes de dormir – e às vezes no meio do dia também. É fascinado por tudo o que tem roda. Carrinhos, tratores, trens, ônibus. Gosta de Lego e coisas de encaixar. Desenvolveu logo a coordenação motora fina. Deu os primeiros passos na véspera do ano novo, com 1 ano e dois meses. Desde então não pára. Corre o tempo todo! E eu tenho que correr junto, claro. Gosta de assistir a “O bombeiro Sam”, canta a musiquinha e tudo, “Pocoyo”, “O jardim dos sonhos” e “Raa Raa, o leão barulhento”. Ai, ele está uma gracinha, só vendo mesmo. Eu poderia escrever um testamento sobre cada detalhe, mas é melhor me controlar. Então, vamos por partes.

Brasil

Matias e o primo na casa da vovó.

Matias e o primo na casa da vovó.

Estivemos no Brasil entre julho e agosto para exibir o rebento. Foram 3 semanas corridas, intensas, às vezes estressantes, mas muito gostosas. Matias pôde rever os avós brasileiros, rever e conhecer os tios e conhecer o único primo brasileiro. E conhecer o restante da família, claro. Meus primos, meus meio-irmãos, meus tios e tias, alguns amigos etc. Matias adorou os churrascos. Arroz e feijão. Fazer bagunça com a vovó, visitar o vovô, brincar com o primo, andar de ônibus e trem – que pra ele é um evento social, foi à praia. Nós tivemos alguma dificuldade com o fuso, e em manter a rotina dele. Foi bastante doloroso pra mim. No Brasil tudo acontece à noite. Festas de crianças podem começar às 19 horas. As festas da minha família só esquentam mesmo lá pelas 21 horas, quando não lá pelas 23 horas. Mas Matias vai pra cama cedo. Quando dorme às 21 horas eu já me descabelei toda. Geralmente, entre 19 e 20 horas Matias já está na cama. Difícil conciliar. E tudo no Brasil é longe também. Às vezes tínhamos que ir embora bem cedo pra chegar a tempo de coloca-lo na cama e evitar uma crise de choro por exaustão. Levamos a cadeirinha do carro daqui, levamos também o carrinho safado de viagem – que não foi usado nem 1 vez. Matias só queria andar, e na maioria das vezes o canguru era mais prático que o carrinho.

Brincando com o trem que ganhou do Vovô Chico.

Brincando com o trem que ganhou do Vovô Chico.

Creche

Brincando no ginásio com o grupo da creche.

Brincando no ginásio com o grupo da creche.

Matias trocou de creche esse ano. No ano passado ele frequentou uma Creche Familiar, com 8 crianças. A creche ficava perto do meu trabalho. Ao final do ano já estava ficando complicado viajar com Matias. Depois que começou a andar, ficar sentado por mais de 20 minutos era bastante desafiador. Com a graça de Deus, conseguimos vaga na creche da universidade que fica entre a nossa casa e o ponto de ônibus. Show! Essa creche tem mais de 100 crianças! Mas o grupo de Matias tem 21 crianças e fica dividido em dois, sendo o grupo dele o menor, com 8 crianças. A creche é bem legal e eles seguem a Teoria do Apego! Amei! Quando chegamos do Brasil, fomos direto pra adaptação na creche. Por sorte eu fui convocada para a greve de professores e deu pra acompanhar as primeiras 3 semanas dele na creche. Matias se adaptou bem, mas relutou em dormir na creche. Ao final de 4 semanas eu estava quase voando no pescoço dos assistentes por isso. Matias não dormia na creche e chegava em casa uma pilha. Como Morten viaja toda semana, eu fico muito sozinha com Matias. Eu não estava aguentando! Mal conseguia fazer janta, e quando fazia era com Matias no meu colo. Foi super cansativo. A solução foi começar a acorda-lo às 6 da manhã pra garantir que a soneca se tornasse irresistível na creche. Desde então, Matias dorme que é uma beleza e é outra criança quando chega em casa.

Amamentação

Matias ainda mama! Yes! E pensar que meu tímido plano era amamentar por 6 meses. A OMS recomenda amamentação em livre demanda até pelo menos 2 anos, mais se possível. Isso eu consegui! Matias fica bem sem mamar durante o dia, enquanto está na creche. Come tudo o que dão lá. Ele mama no caminho pra casa, se eu for busca-lo, ou quando chega em casa nos dias que Morten vai busca-lo. Depois mama pra dormir, e algumas poucas vezes, ou talvez uma vez, durante a noite (eu não sei ao certo quantas vezes ele mama durante a noite porque ele não me acorda). Ou seja, livre demanda pura. Ele esteve resfriado duas vezes seguidas essas últimas semanas, e foi bom saber que ele pelo menos estava mamando, porque não tinha apetite pra mais nada. Por enquanto o plano é o desmame natural. Ele ainda não reflete sobre mamar. Então não vejo razão para desmama-lo, nem pra falar sobre isso ainda. Ele nem se importa de mamar na creche, com outras crianças maiores olhando. Ainda diz pra eles: “Não, é meu!”

Cama compartilhada

Ainda em vigor no nosso pequeno reino. Em time que está ganhando não se mexe. Matias dorme bem, nós dormimos bem. Matias está bem apegado e seguro de si. Nós estamos seguros e satisfeitos com a nossa escolha. O pessoal na creche perguntava se Matias não usa chupeta, se não tem um ursinho ou algo que o valha pra ajuda-lo a dormir. Eles sempre ficavam admirados com a resposta. Não, Matias não usa “props” pra dormir. Na creche, eles o colocam na cama, e ele adormece. Sem choro. E se ficar sozinho, dorme ainda mais rápido.

Fralda, desfralde

Matias ainda usa fraldas. E descartáveis por causa da alergia. Matias reagiu mal às de pano e reage mal a qualquer fralda com muito gel, loção, perfume etc. Resumo. Usamos as fraldas mais baratas do mercado. Na creche que ele está, as crianças são incentivadas a usar o vaso. Matias gosta da brincadeira, de jogar papel no vaso e dar descarga. Mas ainda prefere fazer xixi e cocô na fralda. Ele ainda avisa. Antes negava que estivesse fazendo cocô, mas agora já diz que “sim”. Ele gosta de ficar pelado, e ultimamente tem pedido pra ficar pelado um tempo antes de dormir. Ontem ele ficou tanto tempo sem fralda que acabou fazendo xixi na cama enquanto brincava 😦 Enquanto ele não se interessa mesmo por usar o penico e o vaso, vamos deixando ele usar fraldas. Daqui a pouco o inverno está chegando, e aí fica mais difícil fazer o desfralde. Melhor esperar pelo próximo verão.

Alimentação

Matias fez 2 anos anteontem e parece que um botão foi ligado nele. Ele esteve doente, como disse antes, e o apetite desapareceu. Mas desde ontem ele tem comido porções maiores. Ele já pede comida quando está com fome, e o peito se está entediado, triste, com sono, com dor ou depois de ficar muito tempo longe de mim. Durante um período Matias só queria comer cenoura, se negava a comer batata. Agora, não quer cenoura, mas come batata. Adora patê de fígado, carne, milho, ovo e sempre pede arroz e feijão. Mas o campeão: frutas! E pode ser qualquer uma. Ir ao mercado com ele significa comprar alguma fruta, mesmo que a gente já a tenha em casa. A primeira seção, na entrada do mercado, é a de frutas, e Matias começa a gritar: Uva! Banana! Ameixa! Bringebæar! (framboesa) Jordbæar! (morango) Appelsin! (laranja) Blåbær! (mirtilo)… e não tem jeito, sempre tenho que comprar uma fruta que seja. Eu tento evitar que ele coma muita porcaria. Mas é difícil. Porcaria é o que mais se oferece e serve à crianças. Balas, doces, refrigerantes, sorvete, biscoitos etc… Na festinha de aniversário de 2 anos ele pôde tomar “uma dose” de coca-cola com o pai. Às vezes sinto que essa é uma batalha vencida, e não por mim. A pressão é muito grande. Eu chamo Morten de “candy man”. É muita bala de goma, muita coca-cola, muito açúcar, muita batata frita, gordura etc. Ele até que tem conseguido respeitar bastante meu desejo de que Matias não seja imerso nessa dieta de engorda dos infernos que condena crianças à diabetes, obesidade, doenças cardíacas etc. E é importante dizer, não quero que Matias nunca coma essas coisas, mas como dizem, nos primeiros anos de vida a gente define a dieta pro resto da vida. É impossível não comer lixo nessa industrialização global dos alimentos, mas quanto mais consciente ele estiver sobre sua própria dieta, melhor chances ele terá de fazer escolhas mais saudáveis no seu dia-a-dia. Como mãe, me sinto responsável por tomar as melhores decisões por ele até que ele possa decidir por si só. Mas acredito na decisão informada. Não acredito que o tornando escravo da gordura e do açúcar seja uma maneira muito inteligente de ensina-lo a comer de forma saudável. Mas, claro, nada disso é simples, e minhas aspirações sobre ter um filho que não torça o nariz para legumes não estão garantidas de se concretizarem.

Expectativas

Mais um ano começa e espero poder me manter firme no meu desejo de cuidar de Matias, de dar à ele o tempo e o amor necessários pra que ele cresça “em estatura e sabedoria”. É maravilhoso vê-lo se desenvolver, descobrir novas coisas sobre si e sobre o mundo. É bom conhecê-lo melhor a cada dia, porque todo dia uma nova característica da personalidade dele aparece.

Assoprando a velinha. Festinha de 2 anos.

Assoprando a velinha. Festinha de 2 anos.

Comemorando os 2 aninhos completos.

Comemorando os 2 aninhos completos.

365 dias

E Matias completou ontem seus primeiros 365 dias muito bem vividos.

Voltando no tempo, veio à minha memória o dia 11 de outubro de 2012. Eu ainda estava na maternidade e Morten veio em casa comer, tomar banho, pegar umas coisas, e eu fiquei sozinha com Matias no quarto por umas 3 horas. Matias mamou e dormiu o sono dos justos nos meus braços. Naquele momento caíram as lágrimas. Lágrimas de felicidade, de atordoamento, de amor. Eu não sabia exatamente porquê estava chorando, mas ao mesmo tempo aquele choro era aliviante, calmante e me aqueceu por dentro. Aqui chamam isso de “lágrimas de maternidade”.

Enquanto relembrava aquele momento, hoje, um ano depois, revivi as sensações que me inundaram naquele dia. O melhor desses últimos 365 dias passaram feito filme diante dos meus olhos. O momento do parto, a primeira vez que ele deitou sobre o meu seio nu, o primeiro choro, as mãos e pés enrugados, as primeiras semanas em casa, o primeiro passeio de carrinho, as trocas de fralda, as golfadas, as noites mal-dormidas, o primeiro sorriso, a primeira viagem, a segunda, a terceira… o primeiro tombo, a carinha de felicidade ao acordar, as gargalhadas, os chorinhos, enfim… uma infinidade de momentos que não gostaria de esquecer nunca.

Minha vida mudou, eu mudei, nós mudamos. Tudo por causa de uma pessoinha que, quando nasceu, cabia em uma gaveta. Antes vivíamos pra nós, agora vivemos pra ele. No ensaio e erro, descobrimos Matias e nos redescobrimos. Eu me descobri uma mamãe-urso, e também uma mártir, capaz de sacrificar tudo por ele. Minha “maternagem” pode beirar as raias da loucura. Tudo para que ele seja feliz.

Todos esses sentimentos em ebulição ao mesmo tempo me fizeram pensar muito em Deus. Deus como Pai, e o pouco de divindade que as mães carregam consigo. Eu sou humana e amo meu filho com tamanha intensidade. Minha imaginação não chega nem a 0,000000000000001% do que será o amor de Deus pela gente. Ele É o amor. Se Ele nos ama o tanto que eu amo Matias, nós somos uns sortudos! Mas Ele nos ama mais, muito, muito, muito mais! A diferença é que Deus também é pura sabedoria.

E minha oração hoje é que eu seja sábia. Sábia pra amar. Sábia pra dar à Matias aquilo que ele precisa, para respeitá-lo, para instruí-lo, para fazer dele um homem bom, generoso, tolerante, amável e que busque a sabedoria.

Difícil verbalizar todos os sentimentos e esperanças para o futuro que transbordam meu coração. Melhor ir pras fotos, elas falam mais alto e melhor que eu.

*Desculpe pelo vídeo que não está tão bem editado quanto eu gostaria, meu computador deu pau e eu perdi o projeto.

Tabu, criação com apego, volta ao trabalho – 9 meses

Matias completou 9 meses no último dia 10 e muita coisa aconteceu desde os dois últimos posts. Antes de entrar nos assuntos do título, um resumão:

Amamentação: Matias ainda mama e em livre demanda! Nada de mamadeira, nada de Nan e cia. Já come papas doces e salgadas e adora beber água, especialmente em copo aberto. Mas o leite materno ainda perfaz a maior parte da alimentação dele.

O corpo: a barriga, pelo jeito, ficou maior do que era e não vai diminuir mais. Mas já não me importo mais com isso. Passo a maior parte do tempo vestida mesmo!

Fralda: Matias passou a usar fraldas descartáveis. Infelizmente a assadura era causada pelo contato com urina e só desapareceu depois que passamos a usar fraldas descartáveis, recomendação da minha médica de família. Matias faz muito, muito xixi! Nunca mais ficou assado, mas fica com coceira por causa do gel absorvente se eu não puser uma gase entre a fralda e a pele dele.

Carrinho: 100% satisfeita com nosso carrinho. Já viajamos algumas vezes com ele. Infelizmente as companhias aéreas não têm muito cuidado com os carrinhos e o nosso já se perdeu duas vezes durante a viagem. Agora compramos um carrinho guarda-chuva safado pra ser destruído em viagens.

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O post anterior, que foi publicado com atraso de 4 meses, fala das minhas aventuras e desventuras pra colocar Matias pra dormir. Estava implementando o programa da Dana Obleman, mas nosso problema era colocar Matias na cama no início da noite. Ele tirava ótimas sonecas e adormecia sozinho no berço durante a noite, mas uma noite chorou por 3 horas, on and off, antes de dormir no início da noite – comigo ao lado.
O programa (The sleep sense program) é lógico e baseado em ciência. Faz sentido! O que é positivo, apesar de muitas vezes ir contra meu instinto materno. E eu estava satisfeita com os resultados, exceto a luta para colocá-lo na cama no início da noite. Por conta disso, decidimos alterar um pouco o programa e fazer algo que funcionasse para Matias.

Ciência x instinto

Infelizmente muitos dos “conselhos” que se ouvem hoje, de familiares à médicos, excluem o instinto. É complicado pra uma mãe de primeira viagem não seguir um conselho dado por um médico, conselho esse que muitas vezes é baseado numa ciência antiquada, ou mesmo nas crendices do arco da velha. A mãe de primeira viagem não reconhece seu instinto maternal e, muitas vezes tem esse instinto aleijado já de início por um parto cirúrgico.

Desde minha gravidez, tenho meu instinto como meu primeiro norte. Os médicos podem dizer o que quiserem, baseados nas mais variadas experiências de milhares de mulheres. Essas experiências não são minhas e os filhos não são o meu. Norteada pelo instinto tive o parto que desejei e, desnorteada por alguns momentos depois do nascimento de Matias, entrei na nóia dos treinamentos de bebês.

Como primeiro passo em direção à uma rotina que se adaptasse a nós e a Matias, resolvemos que ele adormeceria na nossa cama e ficaria lá até que nós fôssemos pra cama, quando o colocaríamos no berço. Logo Matias ficou doente e não o colocamos no berço. Essa foi minha primeira noite muito bem dormida desde que matias tinha 1 mês e meio quando o passei para o berço. A noite seguinte me deu a sensação de liberdade! Me libertei da insegurança de mãe de primeira viagem.

Tabu

Ainda hoje ouço a voz da minha mãe dizendo: não o coloque pra dormir na sua cama em hipótese alguma! Desculpe, mãe, mas meu instinto me diz pra fazer exatamente isso. Graças à Deus vim parar num país onde se prega que um bebê NUNCA pode ser mimado, que o bebê deve dormir no mesmo quarto que os pais até completar um ano, e que, se possível, pode-se dividir a cama com o bebê, desde que se sigam instruções de segurança.

Dividir a cama com o filho é um tabu. Muitas mães o fazem, mas não falam. Têm medo da reação das pessoas. O sistema individualista atual vigente em muitas culturas exige que a criança se torne independente o quanto antes, a começar por dormir sozinha, longe dos pais. Esse sistema é contrário à nossa biologia, e porque não dizer, uma violência contra a criança.

Os seres humanos nascem ainda incompletos, e simplesmente porque não há como um bebê nascer totalmente formado sem matar a mãe. Somos pequenos, a passagem é pequena demais. Nascemos antes de estarmos totalmente formados, indefesos e incapazes. Se houvesse espaço suficiente, um bebê poderia permanecer na barriga da mãe até que se completassem 12 meses de gestação. Já pensou?! Mas a natureza é perfeita! Aos 9 meses damos a luz seres que ainda precisam do aconchego materno por pelo menos mais três meses. Isto significa pelo menos três meses no colo, com contato físico 24/7, alimentação em livre demanda etc. Tudo como se o bebê ainda estivesse na barriga da mãe.

Mas depois desses três meses uma outra parte do desenvolvimento começa a despontar, a psiquê. O bebê começa a alinhar seu “eu” com o da mãe. Os ciclos de sono se alinham, ele responde mais claramente à energia da mãe, se excitada, se irritada, se calma, se amorosa. O bebê absorve todo esse conhecimento através da mãe (e do pai também). Assim se lapida um novo ser humano em termos psicológicos. É sabido que a falta de contato físico com os pais gera psicopatas, pessoas incapazes de sentir empatia pelos outros.

Criação com apego

Durante essa jornada em busca do melhor para Matias e pra nossa pequena família, lembramos que o psicólogo do Centro de Família mencionou diversas vezes a “teoria do apego” e a “criação com apego” (attachment parenting). Ele desenhou diversas vezes no quadro a base e o mundo em volta. Falou sobre segurança na base, e curiosidade sobre o mundo em volta. Resolvi buscar informações específicas sobre isso.

Esses seriam os pais alternativos: carregam os filhos feito canguru o dia inteiro, dividem a cama, promovem a amamentação em detrimento dos substitutos, não usam violência na educação dos filhos, retardam a entrada na creche/escola etc. Ôpa! Descobri que esses somos nós!

A criação com apego não tem regras, mas é extremamente instintiva e intuitiva. Ela não é permissiva nem autoritária, mas autoritativa. Quer dizer, a criança não pode tudo, nem deixa de poder “só porque eu disse que não”. Ela envolve o respeito pela criança como pessoa que sente, que pensa, que faz, envolve um relacionamento pais-filho tão estreito que mecanismos de inibição do mal-comportamento e apreciação do bom comportamento são específicos para cada criança. Trocando em miúdos, são pais que explicam o porquê das coisas. Infância sem “por quês” vira quartel.

Nos descobrimos adeptos inconscientes do estilo de criação. Joguei o programa da Dana no lixo, Matias dorme com a gente, ele está sempre no canguru, já tínhamos feito o “bonding” quando matias nasceu (e minha proibição às visitas ajudou muito), Matias só recebeu e recebe leite materno, voltei a atender imediatamente ao choro dele (nada de deixar ele chorando até dormir), e de quebra, desde que Matias voltou a dormir com a gente, eu consegui reorganizar minha vida. Ficou muito mais fácil cuidar de mim, de Morten e da casa enquanto cuido de Matias. Matias acorda entre uma e duas vezes depois que nós vamos pra cama, e na maioria das vezes eu nem vejo. Ele acorda, mama e volta a dormir sem chorar ou me acordar. Tenho tido ótimas noites de sono (e isso é crucial para uma bipolar).

Volta ao trabalho

Mas, como nem tudo é perfeito, Matias vai precisar ir pra creche a partir do mês que vem. Meu instinto materno me diz pra ficar em casa até ele completar 3 anos, mas infelizmente preciso trabalhar. Ao que tudo indica vamos conseguir vaga na cidade onde vou trabalhar e isso é ótimo. Vou estar perto caso ele precise de mim, e vamos ficar menos horas longe um do outro. O apego já foi estabelecido, agora é trabalhar para mantê-lo apesar da distância física.

Agora surgem novos desafios. Adaptação dele na creche e minha adaptação às horas sem ele. Até hoje o máximo de horas que fiquei longe dele foram 4 horas. E foram terríveis. Estava fazendo prova e só pensava nele, se ele estava bem, se estava com fome, se tinha dormido, se Morten tinha lembrado de trocar a fralda etc. Não preciso dizer que me dei mal nas provas! E agora ele vai estar sozinho com estranhos. Vou me roer por dentro, mas tenho que aceitar e me acostumar. E não tem jeito: nenhuma mãe confia que qualquer outra pessoa possa cuidar bem do filho dela. Não há ninguém nesse mundo melhor que eu pra ler Matias e dar o que ele precisa. Mas a vida é assim, e eu não vou ficar pra semente. Mais cedo ou mais tarde esse processo vai acontecer – preferia que fosse tarde, bem tarde. Estou me empenhando em ser a base, o porto seguro pra que ele possa começar a bater suas asinhas pra cada vez mais longe, mas sempre encontrar o caminho de volta.

O difícil

Entender por quê as pessoas acham que filhos são um estorvo! As pessoas falam como se Matias fosse uma pedra no meu/nosso caminho. Matias foi, além de planejado, desejado. Eu prefiro carregar Matias no canguru, empurrar o carrinho e colocar minhas sacolas no carrinho. É mil vezes mais gostoso (e mais ergonômico também) ter ele coladinho em mim do que um monte de sacolas com coisas dentro. Às vezes não consigo tomar banho antes de colocá-lo na cama, mas fico toda contente de ter passado o dia brincando com ele, mesmo suja! Ah, e ele dorme com a gente, né. Cama compartilhada não serve para os casais que SÓ fazem sexo na cama. Nem nisso ele atrapalha a gente.

Na verdade eu não preciso entender porquê as pessoas acham isso, só preciso que elas parem de presumir que Matias é uma inconveniência pra nós.

Minhas expectativas

Me aperfeiçoar como mãe a cada dia. Porque Matias cresce e muda um pouquinho a cada dia. Todo dia tenho algo novo a aprender sobre ele.

Matias - 9 meses

Matias – 9 meses

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PS.: Importante dizer que cada mãe é uma mãe. Só você sabe o que é melhor pra você e pro seu bebê. As razões para a escolha de cesárea, Nan, colocar a criança em seu próprio quarto etc são inúmeras e não me competem. Dou graças à Deus porque tenho tido a oportunidade de fazer as coisas como desejo. O importante é que você esteja satisfeita com a solução que melhor funcionar pra você! :-p

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Para mais informações sobre Criação com apego, visite: Ask Dr. Sears (em inglês), o blog da Cientista que virou mãe (em português) e Evolutionary Parenting (em inglês).

Matias e o sono – 5 meses

:::::: Esse post foi escrito há 4 meses, no meio de uma turbulência. Meu posicionamento sobre tudo o que está escrito aqui mudou radicalmente. Por favor, leia o próximo post pra saber do resultado!!! ::::::

Matias completou 5 meses ontem. Uhuuuu!!!

Muita água já passou por baixo da ponte. Vou falar do que tem acontecido ultimamente.

Um dos erros que cometi, mas não me arrependo, foi o de deixá-lo adormecer enquanto mamava. No começo foi super simples fazer Matias dormir: era só pendurá-lo no peito e deixar que ele adormecesse depois de ter mamado o suficiente. Durante a noite fazia a mesma coisa. Ele acordava chorando, eu rapidamente o pegava do berço, dava de mamar e o deixava dormir em meus braços. Aí era só colocá-lo de volta no berço. Esse é o erro mais gostoso de se cometer com um bebê. E não me arrependo exatamente porque curti muito esse tempo. Eu sei, você deve estar se perguntando: mas errado por quê?

Porque a criança fica dependente do seio pra dormir – assim como da chupeta. Eu só descobri isso há duas semanas. Quando o gostoso virou um problemão.

Por conta dos altos índices de morte súbita do recém-nascido, a Noruega recomenda que o bebê durma no quarto dos pais até que ele complete 1 ano – além de dormir de barriga pra cima. Matias dorme no berço dele, ao lado da nossa cama. Matias dormiu na nossa cama até completar 1 mês e meio de vida. Desde que nasceu ele não aceitava dormir sozinho. As enfermeiras disseram: “Ah, isso é normal! Essa cama é fria. É claro que ele prefere dormir com você. Mas não se preocupe! É impossível mimar demais um recém-nascido!” – confesso que adorei ouvir isso. “Nunca vou poder mimar demais o meu bebê!” (Enquanto ele for recém-nascido!!!)

Era muito mais fácil pra mim deixar Matias dormir com a gente. Eu estava de resguardo, então nada de ação no quarto enquanto ele dormia; era muito mais simples amamentar sem ter que levantar no meio da noite, e muitas vezes eu nem precisava acordar. Matias acordava, virava, mamava e voltava a dormir. O inconveniente é que a gente desenvolve uma espécie de “radar”. A gente sabe exatamente onde e como o bebê está dormindo, o que significa que por muitas noites eu dormi na mesma posição por 3 horas, sem me mexer. E Matias gostava de dormir sempre encostado em mim de alguma forma. Foi um tempo mais delicioso que doloroso, posso dizer. Mas ainda assim, doloroso. Dividir a cama com ele se tornou complicado com o fim do resguardo.

Morten viajou a trabalho e eu decidi que usaria aquelas noites pra passar Matias pro bercinho dele. E assim o fiz. Na primeira noite fiquei sentada na cama, ao lado do berço até que ele dormisse. Matias chorou por 10 minutos antes de adormecer no berço. Na segunda noite, chorou por 5 minutos. E na terceira noite não deu um pio. Continuou dormindo depois de mamar. Quando Morten voltou, Matias já tinha aceito o berço como cama dele.

Matias não seguia uma regra pra tirar sonecas durante o dia. Ele dormia quando dava, ou quando estivesse cansado o suficiente. Mas eu pensava: dormir é natural. Se ele estiver cansado, vai dormir de qualquer forma. No carrinho, no colo, no sofá, no berço. E ele tirava uma e algumas poucas vezes duas sonecas durante o dia. Ele podia tirar um cochilo de 2 ou 3 horas no carrinho enquanto estávamos na cidade. Depois de um tempo percebi que Matias sempre estava resmungando depois de 17:30h. Ele ficava choramingando, e a gente ficava segurando ele feito uma batata quente. Aí decidi que às 17h ele tomaria banho e às 18h já podia estar na cama pra dormir. Às vezes ele começava a chorar enquanto tomava banho, exausto.

Eu não queria uma rotina muito fixa porque a gente sempre sai, vai jantar na casa dos pais de Morten e tal. Mas não deu. Tive que terminar o dia às 17h pra evitar que Matias ficasse exausto e não conseguisse dormir. A estratégia funcionou até certo ponto. E a família vivia inventando moda e formas de fazer com que a gente ficasse mais um pouquinho. Tempo suficiente pra deixar Matias exausto e eu maluca porque não conseguia fazê-lo dormir.

Morten ficou uma semana fora, Matias teve gases, e logo depois meu pai e meu irmão chegaram de visita. Alí as coisas já tinham desandando e eu nem tinha percebido. Toda noite era uma luta colocar Matias pra dormir. Ainda mais com visita. Matias estava constantemente exausto! Nós não percebemos. Ele acordava com frequência e era difícil colocá-lo pra dormir de novo. Enfim… as visitas foram embora e nós não conseguimos voltar à “rotina” de antes. Uns dias depois Matias acordou nada mais nada menos que cinco vezes durante a noite. Na noite seguinte, acordou OITO vezes! Aí eu joguei a toalha.

Como já contei por aqui, sou bipolar. Noites mal-dormidas dá pra solucionar com sonecas durante o dia, mas noites não-dormidas não se recuperam nem com um dia inteiro na cama. Dava vontade de chorar, de fugir. Não de Matias, mas das noites em claro. Queria piscar os olhos e me ver num mundo perfeito, onde Matias adormeceria sem ajuda e dormiria a noite inteira. Sonho! Pra um bipolar as noites em claro e a falta de rotina são os ingredientes necessários para o desastre! Minha psiquiatra pegou isso no ar. Me aconselhou a exigir menos de mim e a considerar parar os estudos de novo. Não parei os estudos, mas parei de ir as aulas. Estudo em casa e vou fazer as provas.

A noite seguinte àquela em que Matias acordou oito vezes, eu iniciei uma campanha pra fazer Matias dormir mais horas e a só acordar pra mamar. Depois de algumas leituras na net, e outras leituras e releituras de Matias descobri que ele tinha me feito de chupeta!

Depois dos três meses a criança começa a dormir como um adulto, e como um adulto, acorda um monte de vezes durante a noite. A diferença é que a gente volta a dormir e nem lembra que acordou. Os bebês sortudos aprendem rápido a voltar a dormir sozinhos e com apenas algumas semanas já são capazes de dormir a noite inteira (mais de 5 horas), mas a grande maioria, Matias incluído, precisa aprender a voltar a dormir sozinho. Aí estava o meu problema. Matias tinha associado o peito ao sono. Assim, toda vez que acordava, me chamava pra “colocar a chupeta de volta na boca dele”, isto é, meu peito. Por isso acordava tantas vezes.

Li uma penca de artigos e fóruns na net enquanto colocava Matias pra dormir. Não queria deixá-lo dormir chorando, por isso nas primeiras noites eu fiquei com ele até ele adormecer depois de muito chorar. Mas aqui abro um parêntesis enorme:

(Acho que já comentei o episódio em que ficamos de babá dos filhos de um casal de amigos, e eles nos disseram para deixar a filha mais nova chorar até dormir. Ficamos horrorizados e com dor no coração por deixá-la chorar. Jurei pra mim mesma que jamais faria aquilo com meu filho. A dor era muito grande, e nem era minha filha.
Hoje tenho um respeito enorme por pais exaustos que decidem deixar seus tesouros chorar até dormir. Não concordo, acho uma maldade, mas entendo completamente e já deixei Matias chorar até dormir! Aceitei que o choro é a única forma de protesto que os bebês conhecem. E, claro, eles vão protestar se de repente a rotina for modificada. Sou contra sair do quarto e deixar a criança chorando sozinha. Faço um meio termo. Uso o método “leave and check” – sair e checar. Eu faço a rotina pra dormir, o coloco no berço, ouvimos uma música e eu saio do quarto. Volto a cada 15 minutos até que ele durma. Tentei voltar a cada cinco e a cada 10 minutos, mas a cada cinco ele não tem tempo pra adormecer, a cada 10 eu entrava quando ele começava a dormir e aí acordava de novo. 15 minutos acabou sendo o ideal pra nós. Isso não significa que ele não chore. Ele chora por um período de tempo mais curto e aprende a adormecer sozinho. Usei o método algumas poucas vezes, depois que dava vontade de chorar junto com ele enquanto ficava sentada ao lado dele.)

Enfim, encontrei um livro chamado “The sleep sense program” (Programa de sono sensato) e resolvi usá-lo como base pra minha estratégia a partir da noite seguinte. Esses livros não só falam de métodos pra fazer seu filho dormir a noite inteira, mas destacam a importância da soneca.

Descobri que Matias estava constantemente exausto porque dormia pouco. Ele deveria dormir entre 14 e 15 horas por dia. Acho que ele estava se virando com as poucas horas de sono que conseguia. Algo entre 9 e 12 horas diárias de sono. Ontem estava olhando fotos dele e observei que em muitas ele está com cara de cansado, tadinho. De repente tudo fez sentido. A gente tende a achar que quanto mais tempo a criança fica acordada, mais fácil pra dormir à noite. Mas a verdade é que o contrário é verdadeiro. Quanto mais tempo acordado, mais difícil dormir. Um bebê entre 3 e 6 meses, como Matias, aguenta ficar acordado até 2 horas por vez. Ou seja, ele precisa cochilar a cada 2 horas. E deve dormir no mínimo 1 hora pra perfazer um ciclo de sono e recarregar as energias.

Estamos no regime há quase duas semanas e toda vez que passamos da hora com ele é tiro e queda, Matias não consegue dormir, fica irritado, choraminga, grita descontroladamente, o corpinho fica eletrizado e a gente fica doido! É um sistema muito louco esse. Quanto mais cansado, mais cortisol é liberado no sangue. O cortisol é o hormônio do estresse que também é liberado em situações de perigo ou quando o bebê chora. Ou seja, a pressão do sono libera cortisol, que por sua vez o impede de dormir porque ativa o estado de alerta do corpo, a irritação o faz chorar, o que faz com que mais cortisol seja liberado. É um ciclo vicioso, cortisol que libera mais cortisol e impede que o sono se instale. Por isso a criança chora até dormir de exaustão. O corpinho simplesmente desliga!

Esses livros ensinam a descobrir a “janela do sono” do bebê. Não tem nada mais lindo do que ver Matias adormecendo quando a janela chega. Ele vai ficando quieto, os olhos começam a se fechar devagarinho até que ele é levado pro mundinho dos sonhos dele. É muito legal. Mas por enquanto isso funciona bem pras sonecas dele e no meio da noite, mas fica complicado no início da noite. Ele geralmente não quer dormir, mas está cansado. E aí ou sento com ele no quarto de duas à quatro horas até que ele durma, ou faço o “leave and check” e ele dorme em menos de uma hora depois de chorar um pouco.

Minha inconsistência já fez com que ele voltasse a acordar um monte de vezes durante a noite e agora voltamos ao “leave and check” e pretendo continuar no método até que Matias aprenda a adormecer sem lutar tanto contra o sono e ser levado pelo cortisol. De qualquer modo, ele já dorme até 4 horas sem me acordar, e só me acorda pra mamar.

:::::: Esse post foi escrito há 4 meses, no meio de uma turbulência. Meu posicionamento sobre tudo o que está escrito aqui mudou radicalmente. Por favor, leia o próximo post pra saber do resultado!!! ::::::

12 semanas – update

Ontem Matias completou 12 semanas, e dia 10 de janeiro ele completa 3 meses.

O resguardo

As primeiras seis semanas de resguardo foram cansativas e às vezes entediantes. Não podia sair muito, carregar peso, arrumar a casa, enfim, o resguardo normal para uma brasileira. Digo “para uma brasileira” porque o resguardo não é tão parado para as norueguêsas. Elas pegam leve, mas não deixam de fazer as coisas. Pra mim, sendo brasileira, filha da minha mãe e neta de D. Filhinha rezadeira, o resguardo é importante e deve ser respeitado. O único dia em que saí um pouco do resguardo, paguei caro. Meu corpo parecia que ia se desfazer, meus ossos se esfarelar. Depois disso fiquei pianinha.

A amamentação

Não tive grandes problemas. No começo fiquei dolorida e com um dos mamilos rachados, mas graças à Deus por Lansinoh! Passei num dia, no outro o mamilo já estava completamente restaurado. Tive episódios de “vazamento”, e às vezes ainda acontece se não observar qual seio ofereço. Mas os mamilos estão muito mais resistentes e há muito que não sinto dor ou ardência no início da amamentação. De quebra arrumei seios enormes e lindos! Enormes pra mim que sou/era A-cup.

O corpo

Bom, como escrevi num dos últimos posts antes do parto, arrumei umas estrias em torno do umbigo. E elas ainda estão por aqui. Minha barriga já voltou pro lugar e está firme, mas ainda resta um pouco de “pele” próximo ao umbigo que está demorando um pouquinho pra “assentar”. O resto do corpo não mudou muito durante a gravidez e está como antes. No início eu fiquei meio triste e com um pouco de vergonha das estrias, mas hoje me olho no espelho e vejo o corpo de uma mulher, não mais o de uma menina. Acho que o fato de os seios estarem maiores ajuda bastante nessa nova forma de me ver. Às vezes consigo sentir orgulho das estrias e do significado delas. Graças à Deus Morten não se importa e Matias está aqui pra me lembrar, a cada segundo, que cada estria valeu a pena!

Fraldas

Matias usou fraldas descartáveis nos dois dias em que estivemos no hospital depois do parto, mas assim que viemos pra casa passamos para as fraldas de pano. Ele era tão pequeno que tudo parecia engoli-lo. Hoje mantemos as fraldas de pano e agora estou tentando achar uma que sirva para uso noturno. Por agora troco a fralda dele antes da mamada da meia-noite e antes da mamada das 6 da manhã – às vezes antes se necessário. Uso as de bambu que são mais absorventes. Durante o dia uso as fraldas de antigamente, e às vezes umas costuradas que ganhamos. Essa semana tenho esquentado meu crânio com uma assadura que Matias arrumou. Não sei ao certo se é assadura, eczema ou dermatite seborréica. Amanhã vou saber com a enfermeira. De qualquer forma, já comprei o arsenal de pomadas e cremes. Já comecei a usar uma contra assadura/eczema. A assadura melhorou um pouco, mas ainda está lá. Vamos ver o que a enfermeira recomenda.

Carrinho

Desde o dia primeiro de dezembro tem nevado bastante e dei graças à Deus pelo carrinho com rodas de aro 16. Não fiquei presa na neve em nenhum momento, mesmo quando fui deixada num ponto de ônibus onde a neve não tinha sido retirada. Yes!

O difícil

As pessoas. Como as pessoas são difíceis! Um dos conselhos que ouvi das parteiras durante toda a gravidez foi: limite as visitas logo após o parto! E como cordeiro eu segui o conselho, e não me arrependo nem por um segundo! Foi o melhor que fiz. Proibi visitas da família e disse aos amigos que avisaria quando estivesse pronta pra receber visitas. Estamos a 12 semanas e poucos vieram de visita. Encontro muitos pela cidade, por acaso. Mas a família não ficou nenhum pouco feliz com a proibição, e em alguns momentos forçou uma ou outra visita surpresa (>:-/) e eu fui certamente percebida como um monstrinho que queria Matias só pra si. Repito: Não me arrependo! As poucas vezes que recebemos visitas entronas (que vieram sem ser convidadas) meu humor virou 180 graus, e as poucas vezes que topamos ir jantar na casa de familiares, Matias virou 180 graus! Nas duas situações eu sofri! Não queria visitas porque no começo eu andava de pijamas o dia inteiro, com os seios de fora, tomava banho quando dava, comia se Matias deixasse etc. A última coisa que precisava era visitas! Relutei (e ainda reluto) em ir jantar na casa de familiares porque Matias não dormia. Não dormia durante a visita – poque todo mundo queria vê-lo acordado -, e não dormia quando chegávamos em casa – porque ficava exausto e não conseguia achar paz pra dormir. Dizer que Matias não dormia é o mesmo que dizer que EU não dormia! E ainda não durmo se ele não dorme.

Enquanto eu estava grávida, eu estava saudável, não precisava de muito cuidado, e todo mundo me tratava como um vaso de porcelana. Mas depois do parto eu fiquei extremamente vulnerável, e ao mesmo tempo todo mundo me esqueceu e só via Matias. (In)Felizmente Matias depende de mim para comer, então tudo tem que ser ajustado à ele e à mim. A última coisa com que me preocupo é a necessidade que as pessoas têm de vê-lo, de colocá-lo no colo. Se isso vai atrapalhar a noite de sono dele por exemplo, negativo! As pessoas que chupem essa manga!

Matias com 6 semanas: “Ah, mas ele precisa me conhecer!” – Nos primeiros três meses a criança não se interessa por mais ninguém além dos pais.

Ah, mas eu quero conhecê-lo!” – Tudo o que Matias fazia era dormir e mamar. Se estivesse acordado e não estivesse mamando, estava chorando atrás de peito. Dá pra conhecer alguém assim? É, os três primeiros meses são entediantes! Mas é um tempo para a pequena família se ajustar e se conhecer. E só! O resto que se contente com a espera até que estejamos prontos pra socializar.

Difícil também ouvir “conselhos” e “dicas” do arco da velha e sentir que as pessoas esperam que você faça exatamente como elas dizem, afinal elas viveram mais e já tiveram 2, 3, 6, 10 filhos.

Você não tem que correr pra dar de mamar. Deixa ele chorar um pouco. Não faz mal!” – Por quê deixar meu filho chorar se sei o que ele quer? E chorar sem necessidade faz mal, sim! Chorar aumenta a pressão arterial e os níveis de hormônios de estresse da criança. Conte-me, como você se sente quando está estressado?

Fralda de pano? Tá maluca?!” – Tem gente que quer o melhor pra si, outros o melhor pro filho, ainda outros o melhor pro planeta, e ainda outros duas das três, ou as três coisas!

Todo mundo tem o reflexo natural de “chacoalhar” a criança assim que a coloca no colo. Eu, não! Matias dorme na cama, no carrinho parado, no sofá e eu nunca fico “balançando” ele – dormindo ou acordado. Até caminho com ele no colo, o que o acalma em alguns momentos, mas o embalo de andar não é o mesmo do “chacoalhar” dos braços. Imagine: um dia passando de colo em colo, sendo chacoalhado com e sem motivo. De repente vem pra casa e a mamãe vai ter que continuar chacoalhando a criança pra ela se acalmar – essa mãe SOU EU, né?! Negativo!

Não descarto todos os conselhos e dicas que ouço, mas também não os engulo sem antes pensar criticamente sobre eles. Faço o possível pra não ser grosseira, mas quando algo passa do meu limite, não hesito em dizê-lo claramente.

Minhas expectativas

Quando estava na faculdade decidi que teria pelo menos 1 filho com ou sem marido (essas coisas que uma mulher pode fazer mesmo sem um homem). Isso foi antes de conhecer Morten. Decidimos que teríamos filhos antes de nos casar.

Nunca passou pela minha cabeça que ter filhos seria fácil. “Ah, sempre que precisar, deixo el@ com a minha mãe.”, Hoje é sábado, quero ir pro Dutão. Vou deixar el@ com a minha mãe.” Não! Se for ter filhos, a responsabilidade é minha. Filho é trabalho 24/7. E desse trabalho não me esquivo de jeito nenhum, nem que me paguem! Esse eu escolhi com o coração.

Me parece que por aqui as pessoas já tem filhos pensando nas possibilidades de se livrar deles. Eles planejam ter filhos até a data limite pra poder mandar a criança pra creche com 1 ano (sempre que ouvia isso achava que era piada. Mas é verdade! Por isso a maternidade estava vazia quando Matias nasceu. Já tinha passado a data limite da creche. A enfermeira responsável por Matias contou que quando trabalhava em Oslo, tinham grávidas que, quando recebiam uma data prevista de parto posterior à data da creche, entravam com processos pra fazer cesária pra garantir a vaga no primeiro ano). Muita gente se muda pra mesma cidade que os avós da criança pra garantir babá grátis (não me entenda mal. Nunca ouvi: nós vamos nos mudar pros avós acompanharem o crescimento do net@. Sempre ouço: lá a gente tem babá!).

Tudo isso pra dizer que meus sogros devem estar frustrados comigo. Primeiro neto homem e já avisei que é improvável que a gente peça que eles olhem Matias antes dos 6 meses. Enquanto ele só mamar no peito, não o deixo. Mais uma vez me transformei no monstrinho que quer Matias só pra si!

Isso também significa que mesmo depois dos 6 meses eu serei muito mais seletiva em relação a babá. Eu decidi ser mãe, e ser mãe inclui ser babá! Esse é meu posicionamento fundamentalista de hoje. Pode mudar. Mas ainda não mudou.

Estou pronta a ficar em casa numa sexta-feira à noite para manter a rotina dele em vez de mandá-lo pra casa dos avós ou quem quer que seja para poder “me divertir” como nos tempos antes dele. Ter filhos é uma nova fase, um novo tempo na minha vida. Já curti todas as sextas-feiras que quis e as que não quis. Agora é tempo de dar-me e doar-me um pouco ao pedacinho de gente que é metade eu, metade Morten. E crianças dormem! Acredite! É fácil arrumar tempo pro marido enquanto a criança está no sétimo sono, de dia ou de noite. Matias não é uma ameaça ao nosso relacionamento a menos que escolhamos e deixemos que ele seja.

Na minha cabeça, avós não são babás. Babás fazem o que a gente manda. Avós são para estragar as crianças, sem minar a autoridade dos pais, claro – o que muitas vezes acontece. Avós dão um doce a mais, o presente que os pais não puderam ou não quiseram dar, e não devem se preocupar com a educação do bacuri. Isto cabe aos pais. Uma babá tem que seguir as regras determinadas pelos pais e não podem dar um doce a mais à pena de perder o cliente. Não misturo as coisas. Se misturar, a babá acaba virando avó e indo consequentemente contra as regras dos pais.

Enfim, meu problema tem sido as pessoas que insistem em colocar suas necessidades antes das do meu filho – e muitas vezes das minhas – em situações em que claramente não deveriam. – Anos de terapia pra mim, porque as pessoas são assim.

Daqui pra frente

Meu pai e Daniel chegam dia 16 pra nos visitar e curtir Matias. Vai ser um tempo bom, tanto pra eles quanto pra nós! Quando se mora tão longe, visitas de convívio intensivo se tornam necessárias. A próxima possibilidade é em 2014, então é melhor aproveitar a visita do avô e do tio pequeno.

Vou continuar escrevendo no blog, afinal muita coisa acontece nas nossas vidas com o desenvolvimento do milagrinho! O próximo post vai ser só sobre Matias, nosso anjinho.

Os 2 (3) descansando depois de brincar.

Os 2 (3) descansando depois de brincar.

Batendo papo com o papai.

Batendo papo com o papai.

10/10/2012 – o grande evento

Já era tarde, o sol de outono avivava as cores das árvores enquanto o vento frio levava suas folhas num romântico bailar. Tinha decidido que naquele domingo faria uma caminhada, sozinha, e tiraria fotos das belezas da vizinhança mais uma vez. Caminhei, caminhei, capturei imagens que já conhecia e muitas outras desconhecidas.

O balançar do meu corpo pesado atraia a atenção dos transeuntes que já estavam fazendo o caminho de volta. Já era tarde. Tarde demais para o início de um passeio no parque, especialmente para aquela pequena menina-mulher que arrastava por entre as trilhas aquele corpo que acabava de adentrar a quadragésima semana de gravidez.

Por entre os caminhos, tropecei em cogumelos selvagens. Estes conheço bem. Há exatamente um ano tinha feito uma caminhada nesse mesmo parque, com uma especialista, em busca dos mesmos cogumelos. Não, não como cogumelos. Sou como o caçador esportivo. Gosto de caçá-los, mas não de comê-los. Tenho a sorte de ter um marido que é louco por essas iguarias que custam uma fortuna no mercado. Assim, salvo minha consciência. Pois pus-me a colhê-los. Não tinha um recipiente apropriado, não estava vestida adequadamente e meu corpo, junto ao bom senso, não me permitiam. Mas não me importei. Pus-me a colhê-los e enfiá-los dentro da bolsa da câmera fotográfica. Voltei para casa contente.

 

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Duas horas mais tarde Morten estava viajando para Stavanger, e eu fiquei em casa. Junto com a minha mãe e a sensação de que algo estava errado, ele não deveria ir, mas… ossos do ofício. Eu ainda não apresentava nenhum sinal de que daria a luz tão cedo, e honestamente, acreditava que teria que esperar pelo menos mais uma semana. Mas estávamos os dois em dúvida e decidimos, mais uma vez, que ele voltaria como pudesse caso o parto se iniciasse. Minha preocupação estava em iniciar o parto no início da noite, quando as possibilidades de volta dele se reduziam a uma viagem de táxi estimada em no mínimo quatro mil coroas.

Durante aquela noite, as contrações ficaram ainda mais fortes, mas nada mais aconteceu. “Ele está te esperando”, escrevi ao futuro papai numa sms na manhã seguinte. Naquele dia, depois de ter enviado a sms, às contrações se juntou um sangramento mais intenso que o anterior. Fui para a cama sentindo uma pressão na parte de baixo da barriga e na pélvis ao passo que as contrações se intensificaram. “Última noite sem mim antes do parto”, escreveu ele numa sms. “Espero que nada aconteça durante a noite, mas gostaria muito que estivesse aqui agora”, respondi. Éram 22:06h.

“Ei, comece a pensar numa forma de vir pra casa”, escrevi às 00:25h depois de pouco mais de duas horas fritando na cama com contrações ainda mais fortes. Aquilo que temia estava acontecendo: Matias vir ao mundo e o pai não estar lá pra ver.

Durante o Curso de Grávidas aprendi que um banho quente ajuda a determinar se o que se sente são “contrações chatas” ou verdadeiras contrações de trabalho de parto. Naquele momento decidi que tomaria um banho e dependendo do tipo de contrações ligaria para o hospital e para o futuro papai, que aquela altura esperava ansioso para saber se poria o pé na estrada ou voltaria a dormir. A ducha rápida foi suficiente para confirmar que estava tendo contrações verdadeiras, e elas ficaram ainda piores.

Ter a minha mãe assim, pertinho, o tempo todo foi uma bênção e um privilégio.

Liguei para o hospital. Uma parteira dinamarquesa atendeu. Depois que passei as informações necessárias e a contagem do tempo das contrações ela disse, com toda a calma do mundo, “Pode vir agora”. Pedi que repetisse. “Pode vir agora pro hospital”. Comecei a fazer a mala. Liguei para meus sogros. E como nesse mundo ainda existe muita gente boa, os donos da casa em que Morten fica hospedado em Stavanger se dispuseram a trazê-lo até aqui. Ao mesmo tempo, minha sogra pôs o pé na estrada para ir buscar o filho no meio da noite. Encontraram-se no meio do caminho. Meu sogro me levou pro hospital junto com minha mãe.

A maternidade estava vazia. Um silêncio mortal em lugar do barulho natal. Uma parteira dormia e a outra vagava pelo corredor a minha espera. Evie é o nome dela. Fizemos o primeiro contato e ela pôde checar a dilatação. Dois centimetros. Apenas dois centimetros. Ótimo. O pai tem tempo de chegar. E chegou. As 06h da manhã. Eu já tinha sido acomodada, junto com minha mãe, no maior e único quarto com banheira da maternidade. Sem conseguir dormir, eu aguardava o próximo controle ou que a bolsa arrebentasse. Evie se despediu e deixou que as parteiras do plantão seguinte fizessem o segundo controle. “Volto para o próximo plantão noturno, mas espero que você já tenha dado a luz até lá”, disse ela antes de desaparecer atrás da porta.

Segundo controle: dois centímetros. Dois centímetros! Tanta dor, tanto tempo, e dois centímetros! Matias não saiu do lugar. Comecei a pensar que eles talvez me mandassem de volta pra casa e eu perdesse a oportunidade de dar a luz na banheira, como gostaria. Não. Me deixaram lá. Estudantes vinham para me examinar, me davam comida. Eu passeava quando dava, as contrações diminuíram um pouco a intensidade. Passeava pelo hospital e esperava por um novo controle. Estava com medo de nada acontecer. Não aceitei nada além de paracetamol para as dores iniciais.

Terceiro controle: dois centímetros. Dois centímetros!!! Comecei a pensar em juntar meus paninhos de bunda e vir embora pra casa. Estava ficando com a consciência pesada por ocupar o quarto que certamente também era desejado por outras. Mais uma troca de plantonistas. A partir dali as contrações retomaram a intensidade e comecei a usar o que achava ser gás.

Quarto controle: três centímetros. Três. A parteira descobriu que eu só estava recebendo oxigênio pela máscara. Corrigiu. Éram pouco mais de 20h. “Desde já, desculpe pelo que posso vir a dizer”, eu disse. As contrações ficavam cada vez mais intensas e o gás não resolvia muita coisa, só me deixava meio alta depois do pico de dor. Checávamos os batimentos de Matias que estavam sempre normais. Sem sinal de estresse. Troca de plantonistas. Evie voltou pouco antes das 23h.

Quinto controle: cinco centímetros. Cinco! Finalmente entramos na fase ativa do trabalho de parto. Depois de 24 horas na fase latente. A fase latente passa despercebida para muita gente. A bolsa só costuma se romper na fase ativa ou na passagem de uma para a outra, e na fase ativa as contrações são sempre “notórias”. Entrei na fase ativa às 23h do dia 09 de outubro. Perguntei à Evie quanto tempo ainda demoraria para o parto. Depois de 24 horas pra chegar a cinco centímetros, tinha medo de enfrentar outras 24 pra chegar aos tão esperados dez centímetros de dilatação. “A gente calcula 1 hora para cada centímetro e mais 1 hora empurrando”, respondeu ela. Seis horas?! Mais seis horas eu teria que esperar.

Meu maior problema não era mais a dor, mas o cansaço. Desisti do gás à 1h da manhã, e naquele controle estava com oito centímetros de dilatação. Então pedi para entrar na banheira. Evie me deu um clister para eu esvaziar o intestino. Me preparei, ela encheu a banheira com água em torno de 37 graus, fizemos mais um controle que mostrou que eu já estava com nove centímetros de dilatação. Às 02h da manhã entrei na banheira.

Estava com muito, muito sono. Entre uma contração e outra, eu dormia. Literalmente. Dormia. Evie começou a discorrer, sentada ao lado da banheira, sobre como é bom que a criança nasça ainda envolta na bolsa. Que isto significa sorte para o bebê etc. Depois de 20 minutos na banheira, esperando que a bolsa se rompesse e depois de ouvir a conversa dela, perguntei se poderíamos furar a bolsa. “Você quer acelerar um pouco o processo? Tudo bem.” Ás 02:25h ela furou a bolsa. Não doeu e pudemos ver que o líquido aminiótico estava limpo. Matias não estava estressado. Sinal verde para ele nascer direto na água.

Ás 02:48h comecei a ter vontade de empurrar. Ás 02:50h Evie constatou em mais um controle que eu estava com 10 centímetros de dilatação e a cabeça de Matias já estava na pélvis.

Às 03:25h tive Matias pela primeira vez em meus braços.

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Posso dizer que as primeiras 24 horas foram longas e doloridas, as últimas 4 foram excitantes, doloridas, deliciosas e surpreendentes.

Empurrar uma criança pra fora do seu corpo não é bem seu trabalho. O corpo o empurra, você só precisa relaxar e deixar a natureza seguir seu curso. Confesso que lembro “da parte de empurrar” já com saudades. Durante esses 37 minutos descobri uma força que se esconde no meu corpo, uma força que nunca imaginei que tivesse, uma força que tive o prazer de descobrir trazendo ao mundo meu primeiro filho.

Foram 37 minutos que me fizeram sentir invencível!

40 semanas

Hoje completamos 40 semanas de espera.

Como se sabe, não há “sinal” de que o neném vai nascer ou coisa do gênero. O parto simplesmente acontece. Antes dizia que Matias ia decidir quando nascer, hoje digo que meu corpo vai decidir quando expulsá-lo.

Essa semana, na volta de Stavanger, tive um tipo de contração que aqui se chama “contração chata”, “chata” porque ela é chata mesmo. Ela é mais forte que a falsa contração, dá cólicas, dores nas costas e não desaparece se eu mudar de posição, mas é irregular e não evolui para as verdadeiras contrações a menos que esteja na hora. Foi super incômodo. Elas começaram pouco antes de a gente chegar em Kristiansand, pouco depois das 22h, e duraram até às 01:30h da manhã. Matias não gostou, acho que ficou um pouco estressado. A cada contração era como se ele lutasse contra as paredes do útero que o pressionavam pra baixo. Era uma guerra dentro de mim e eu não podia fazer nada, só fechar os olhos e respirar. Em um momento achei que Matias fosse nascer mesmo. Foi o ápice das contrações, mas aí elas começaram a diminuir a intensidade e o intervalo entre uma e outra. Desde então tenho falsas contrações constantemente. Acordo todas as noites por causa delas e levo 1 hora pra conseguir dormir outra vez. Elas me cansam durante o dia. O coração é um músculo que se contrai para gerar energia, o útero consome energia para se contrair. E essas contrações acontecem a cada 15-20 minutos e duram até 90 segundos. Fico exaurida no final do dia.

Essa semana também observei o aparecimento de estrias em torno do meu umbigo. Tudo o que podia fazer pra evitar, eu fiz. Mas aqui estão elas, bem no finalzinho da gravidez. Espero esquecer completamente delas no momento em que olhar pra Matias pela primeira vez. E que, como diz o texto que publiquei num outro post, elas sejam motivo de orgulho.

Essa semana também fomos ao Curso de Grávidas. Estávamos com medo que Matias nascesse antes do curso rs, mas ele continua aconchegado na minha barriga. Dizem que ele agora não tem espaço pra se mexer, então deve se mexer pouco. Ele mexe menos, mas é definitivamente bastante ativo apesar da falta de espaço. Ele estica as pernas o tempo todo, o que faz com que minha barriga tome uma forma meio estranha com a bundinha de um lado e os pezinhos do outro. O mais estranho é sentir os ombros, bracinhos e cabeça se mexendo perto da virilha rs… Estou dividida: uma parte de mim quer ter ele nos braços ontem, a outra já está sentindo saudades dele na barriga.

Bom, agora o calendário está assim:

  • Se Matias não nascer até terça-feira: tenho controle com minha médica que vai marcar meu controle no hospital.
  • Se Matias não nascer até o dia 17: vou para o controle no hospital que vai decidir se e quando vamos induzir o parto.
  • Se Matias não nascer até o dia 20: dia 21 é a última data para a indução do parto.

Considerando que dia 21 é um domingo e nem todos os hospitais induzem o parto no fim de semana, pode ser que induzam na sexta-feira, dia 19, ou na segunda, dia 22. Mas tudo tem um grande SE. Eu gostaria que o parto começasse por si só, mas essas coisas estão fora do meu controle. Apesar de tudo, percebo que as pessoas ao meu redor estão mais ansiosas que eu. Eu ainda não fiz a malinha, não comprei a lâmpada pra o berço, não comprei o troço de pendurar o mosquiteiro sobre o berço e hoje percebi que não temos coberturas suficientes para as fraldas…

Morten esteve doente e ainda não está 100%, mas está melhor. Fui à Stavanger com ele essa semana até pra acalmá-lo caso Matias nascesse. Como não aconteceu, hoje ele viaja de novo, mas não vamos junto e estamos preparados pro caso de ele precisar voltar de repente, mas essa situação não ajuda. Deixa ele mais estressado e eu fico com o coração apertadinho. Já pensou, Matias nasce e ele não está aqui pra ver?! Deus nos livre!

Outra situação complicada: Matias nascer dia 21. Minha mãe volta pro Brasil dia 23, e depois do parto a gente fica no hospital de 2 a 3 dias. Os avós só podem visitar a gente no hospital uma vez ao dia por 1 hora. Tadinha, vir até aqui, eu fazer questão que ela esteja aqui, e ela não ter tempo de curtir o neto? Deus nos livre! Vou precisar fazer o maior auê pra conseguir que ela fique com a gente no hospital depois do parto, já estou até vendo.

E por enquanto no bolão, Fight aposta no dia 13 e Daniel no dia 12. E você?