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Criação com Apego, Círculo da Segurança e Disciplina Positiva – I

No post anterior falei da minha reflexão pessoal sobre minha infância e a infância das crianças norueguesas – Matias incluído. Mencionei a Disciplina Positiva en passant, e agora resolvi escrever esse post com as principais características da DP, antes de retomar os posts sobre a gravidez e os gêmeos.

Sei que o post anterior foi bastante lido – ou pelo menos visitado -, mas sei também que ele pode causar um certo questionamento e desconforto no leitor. Diante da aprovação da Lei da Palmada brasileira ano passado e das discussões que tenho visto no meu facebook sobre isso, pensei que seria interessante falar um pouco das alternativas à palmada difundidas na Noruega desde 1981, quando a Lei da Palmada foi aprovada aqui.

Nós estivemos no Centro de Família conversando com nosso psicólogo sobre Matias, sobre a fase em que ele está agora, e a dinâmica familiar com a chegada de Alexander e Cecilie. Depois de pouco mais de uma hora de conversa e explicações cientificas, pudemos confirmar que estamos no caminho certo, apesar de muitas vezes parecer que estamos perdidos na selva. Também vou compartilhar aqui no blog algumas das informações e dicas dadas pelo psicólogo.

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O que vem antes da Disciplina Positiva
Nos preocupamos com a “disciplina” quando as crianças demonstram a falta dela

A Disciplina Positiva pode ser posta em prática em qualquer tempo, para crianças de qualquer idade, por pais, professores e educadores. Mas antes de entrarmos na Disciplina Positiva per se, já que este é um blog sobre filhos, preciso falar daquilo que precede a Disciplina Positiva. Preciso falar da “Criação com Apego”, ou “Attachment Parenting” no inglês. Falei brevemente sobre isso aqui.

A Criação com Apego nada mais é do que uma forma de lidar com as crianças caracterizada pela disponibilização dos pais. Não há regras fixas. A única linha de regra é ter disponibilidade para atender as necessidades da criança. Em se tratando de um bebê por exemplo, significa não esperar que ele chore para lhe dar de mamar, mas aprender a ler os sinais que o bebê emite antes do choro (chupa os dedos, abre a boca, procura o seio etc.). O choro é o último recurso dos bebês para comunicar uma necessidade – e isto significa que ele já está tendo uma enxurrada desnecessária de cortisol no sangue. De modo geral, o contato físico é valorizado. O contato pele-a-pele estimula a amamentação, a sensação de segurança e o desenvolvimento do bebê, além de fortalecer os instintos materno e paterno. A Cama Compartilhada, seja ela com todos na mesma cama ou com o bebê num berço no quarto dos pais, auxilia e estimula a amamentação, aguça a “antena” materna e permite melhores noites de sono para a mãe. A amamentação em livre demanda, isto é, dia e noite e sem controle de horário, é recomendada a fim de estabelecer a produção adequada de leite materno. É durante a noite que produzimos mais leite, e é durante a noite que o cérebro recalibra a produção. Estudos comprovam que a mãe que não amamenta durante a noite não fica mais descansada do que aquela que amamenta.

É importante não confundir “necessidades” com “desejos”. Um bebê tem necessidades, uma criança de 2 anos tem necessidades e desejos (“needs” e “wants”, no inglês). As necessidades devem ser sanadas, sempre, para que a criança se sinta segura e conectada ao cuidador.

Algumas palavras sobre amamentação
O aleitamento materno é, talvez, a principal necessidade básica do bebê. Por isso escrevo essas palavras especificamente.

Toda mulher produz leite materno. A menos que a mulher tenha feito uma cirurgia de redução das mamas à moda antiga, isto é, retirando parte dos dutos de leite, toda mulher é, em princípio, capaz de amamentar seu bebê – ou bebês. As que fizeram este tipo de cirurgia podem, ainda assim, amamentar e complementar se os dutos restantes não forem suficientes para produzir a quantidade necessária de leite. Há mulheres que, por questões de saúde, não devem amamentar. Elas fazem uso de remédios não compatíveis com a amamentação, fazem tratamentos incompatíveis, ou precisam ser separadas de seus bebês por diversos motivos. Mas fisiologicamente falando, somos todas capazes de amamentar. De tempos em tempos, o bebê vai exigir mais peito que o normal, por exemplo. Isso significa que ele está passando por um “estirão de crescimento”, não que seu leite seja fraco ou em pouca quantidade. O leite materno é produzido de acordo com a demanda. Quanto mais o bebê mama, mais a mãe produz leite. O bebê vai precisar de mais e mais leite ao longo do seu desenvolvimento, e esses estirões fazem com que as mamas se adequem as necessidades futuras do bebê. Não há maneira de medir quanto leite é produzido pelas mamas. A maior parte da produção acontece durante a mamada. O seio é fábrica de leite, não depósito.

Após o parto normal, o leite materno pode levar de 3 a 5 dias para “descer”. Após uma cesária, comum no Brasil, o leite materno pode demorar um pouco mais para “descer”. O bebê nasce letárgico e tem menos força para sugar. A mãe pode ter passado por anestesia geral e estar impossibilitada de colocar o bebê no seio – nesses casos, é bom que o pai o coloque sobre o peito nu. Via de regra, quanto mais cedo o bebê é posto ao seio, mais rápido a produção se inicia. Quando o bebê, de fralda, é posto sobre o seio nu da mãe,a temperatura corporal da mãe aumenta para acalmar e confortar o bebê ao passo que as quantidades de cortisol da mãe e e do bebê diminuem, e o cérebro envia ordem para que a produção de leite se inicie. A cesária não impede a amamentação. Os benefícios da amamentação no pós-parto são os mesmos para mulheres que passaram por parto normal e cesária. A amamentação faz com que o útero se contraia mais rapidamente, diminuindo os riscos de hemorragia pós-parto, por exemplo. Enquanto o leite não desce, o bebê deve ser posto ao seio para estimular a produção e treinar a postura correta de pega. Inicialmente descem gotas de colostro. Se o bebê é posto ao seio sempre que solicita, a mãe não chega a ver o colostro. O colostro prepara o aparelho digestivo para receber o leite materno. Em caso de prematuros que precisam ficar no hospital, a mãe deve começar a bombear leite assim que possível, de 8 a 12 vezes ao dia, para que a produção se inicie e se estabeleça até que os bebês tenham desenvolvido força mandibular suficiente para mamar diretamente no seio. O leite bombeado pode ser oferecido ao bebê enquanto ele está no hospital. E o colostro deve ser o primeiro a ser oferecido. Esse vídeo do youtube mostra um pouco do que digo aqui (em norueguês, mas as imagens são educativas em si), inclusive a “pegada” correta do seio.

Logo após a saída do hospital, o bebê apresenta perda de peso. De acordo com as orientações norueguesas, durante a primeira semana o bebê deve perder até 10% do peso, e voltar ao peso da data do nascimento em torno do 14o dia de vida. Há bebês que perdem mais. Bebês nascidos por cesária, filhos de mamães de primeira viagem, bebês grandes ou nascidos com baixo Apgar podem demorar mais para recuperar o peso do nascimento.  É importante saber que os bebês nascem com uma reserva de gordura para aguentar os dias que precedem a descida do leite materno.

O bebê amamentado ao seio não tem prisão de ventre, tem menor risco de desenvolver problemas respiratórios, tem um bom desenvolvimento facial, bucal e auditivo, não é comum ter otite, fica menos doente, e quando fica, apresenta melhora rápida não apresentando muita perda de peso durante esses períodos etc. O leite materno contém um antibiótico natural composto especificamente para seu bebê. “Quando as mães beijam as mãozinhas dos seus bebês, elas estão tirando uma amostra das bactérias presentes na pele do bebê, e o leite materno se adequa a essa necessidade específica de combate às doenças a que a criança foi exposta”. [Não preciso dizer mais para que se comprove que sou adepta do aleitamento materno]

Os 7 B’s da Criação com Apego
Não são regras, mas formas de disponibilização dos pais

Conexão Natal, ou “Birth Bonding”: através do parto normal não medicado a conexão pode ser feita imediatamente após o nascimento. Se seu parto foi medicado, ou por cesária, não se preocupe. A conexão é feita através de vários passos e pode ser feita a qualquer momento. E ela será refeita muitas e muitas vezes ao longo das suas vidas.

Amamentação, ou “Breastfeeding”: É o melhor alimento pro seu bebê. Se você leu até aqui, já sabe alguns dos benefícios da amamentação para uma criação apegada.

Colo, ou “Babywearing”: carregar o filho no colo é uma prática comum em todo o mundo. Carregar seu bebê num sling ou canguru o ajuda a se adaptar a vida fora do ventre, ao passo que o acalma e dá segurança. Se seu bebê é prematuro, os slings e wraps são ótimas opções.

Cama Compartilhada, ou “Bedding close to baby”: a Cama Compartilhada promove a conexão, estimula a amamentação, melhora a qualidade do sono da mãe e do bebê, diminui a ansiedade de separação, e o bebê aprende, através da segurança, a adormecer e permanecer dormindo [no tempo dele]. Lembre-se que Cama Compartilhada significa dividir o mesmo quarto, não necessariamente a mesma cama. Para dividir a mesma cama, medidas de segurança devem ser tomadas.

O valor comunicativo do choro, ou “Belief in the language value of your baby’s cry”: os bebês choram como medida de sobrevivência. Eles não têm outra forma de comunicar o que sentem, pensam ou precisam. Responder ao choro do seu filho transmite segurança. Logo a gente diferencia o choro de fome do de sono, por exemplo.

Cuidado com os treinadores de bebês, ou “Beware of baby trainers”: deixar seu bebê “chorar para aprender” é desnecessário. Cada criança tem seu tempo. O filho da vizinha pode já dormir a noite toda, enquanto seu filho ainda acorda a cada 3 horas. Ter um bebê que dorme a noite toda não é prova de competência parental. [Importante: a regra é não dormir a noite toda, a exceção é dormir a noite toda.]

Equilíbrio, ou “Balance”: não negligencie o resto da família. É fácil ser consumida pelas necessidades do bebê, mas como pais, ainda precisamos atender ao restante da família. A esposa ao marido, o marido a esposa e aos demais filhos. Compartilhando a cama e carregando o bebê num sling pode facilitar que se atendam as necessidades de toda a família.

Você precisa seguir todos esses B’s para criar seu filho com apego? Claro que não! Criar filhos não é ciência, mas experiência. Um conjunto de experiências adquiridas ao longo de muitos, muitos dias bons, e alguns maus. Faça uso daquilo que funciona na sua realidade visando a harmonia familiar e o desenvolvimento do seu bebê!

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No próximo post eu vou falar do “Círculo da Segurança”, e se o post não ficar muito longo, entro na Disciplina Positiva.

Para saber mais sobre a Criação com Apego, visite:

http://www.attachmentparenting.org/portuguese

http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2012/08/criacao-com-apego-verdades-mentiras.html

http://indiretasmaternas.com.br/gente-que-esclarece/gente-toma-iniciativa-paternidade-ativa/

http://www.attachmentparenting.org [em inglês]

Até a próxima!

Tabu, criação com apego, volta ao trabalho – 9 meses

Matias completou 9 meses no último dia 10 e muita coisa aconteceu desde os dois últimos posts. Antes de entrar nos assuntos do título, um resumão:

Amamentação: Matias ainda mama e em livre demanda! Nada de mamadeira, nada de Nan e cia. Já come papas doces e salgadas e adora beber água, especialmente em copo aberto. Mas o leite materno ainda perfaz a maior parte da alimentação dele.

O corpo: a barriga, pelo jeito, ficou maior do que era e não vai diminuir mais. Mas já não me importo mais com isso. Passo a maior parte do tempo vestida mesmo!

Fralda: Matias passou a usar fraldas descartáveis. Infelizmente a assadura era causada pelo contato com urina e só desapareceu depois que passamos a usar fraldas descartáveis, recomendação da minha médica de família. Matias faz muito, muito xixi! Nunca mais ficou assado, mas fica com coceira por causa do gel absorvente se eu não puser uma gase entre a fralda e a pele dele.

Carrinho: 100% satisfeita com nosso carrinho. Já viajamos algumas vezes com ele. Infelizmente as companhias aéreas não têm muito cuidado com os carrinhos e o nosso já se perdeu duas vezes durante a viagem. Agora compramos um carrinho guarda-chuva safado pra ser destruído em viagens.

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O post anterior, que foi publicado com atraso de 4 meses, fala das minhas aventuras e desventuras pra colocar Matias pra dormir. Estava implementando o programa da Dana Obleman, mas nosso problema era colocar Matias na cama no início da noite. Ele tirava ótimas sonecas e adormecia sozinho no berço durante a noite, mas uma noite chorou por 3 horas, on and off, antes de dormir no início da noite – comigo ao lado.
O programa (The sleep sense program) é lógico e baseado em ciência. Faz sentido! O que é positivo, apesar de muitas vezes ir contra meu instinto materno. E eu estava satisfeita com os resultados, exceto a luta para colocá-lo na cama no início da noite. Por conta disso, decidimos alterar um pouco o programa e fazer algo que funcionasse para Matias.

Ciência x instinto

Infelizmente muitos dos “conselhos” que se ouvem hoje, de familiares à médicos, excluem o instinto. É complicado pra uma mãe de primeira viagem não seguir um conselho dado por um médico, conselho esse que muitas vezes é baseado numa ciência antiquada, ou mesmo nas crendices do arco da velha. A mãe de primeira viagem não reconhece seu instinto maternal e, muitas vezes tem esse instinto aleijado já de início por um parto cirúrgico.

Desde minha gravidez, tenho meu instinto como meu primeiro norte. Os médicos podem dizer o que quiserem, baseados nas mais variadas experiências de milhares de mulheres. Essas experiências não são minhas e os filhos não são o meu. Norteada pelo instinto tive o parto que desejei e, desnorteada por alguns momentos depois do nascimento de Matias, entrei na nóia dos treinamentos de bebês.

Como primeiro passo em direção à uma rotina que se adaptasse a nós e a Matias, resolvemos que ele adormeceria na nossa cama e ficaria lá até que nós fôssemos pra cama, quando o colocaríamos no berço. Logo Matias ficou doente e não o colocamos no berço. Essa foi minha primeira noite muito bem dormida desde que matias tinha 1 mês e meio quando o passei para o berço. A noite seguinte me deu a sensação de liberdade! Me libertei da insegurança de mãe de primeira viagem.

Tabu

Ainda hoje ouço a voz da minha mãe dizendo: não o coloque pra dormir na sua cama em hipótese alguma! Desculpe, mãe, mas meu instinto me diz pra fazer exatamente isso. Graças à Deus vim parar num país onde se prega que um bebê NUNCA pode ser mimado, que o bebê deve dormir no mesmo quarto que os pais até completar um ano, e que, se possível, pode-se dividir a cama com o bebê, desde que se sigam instruções de segurança.

Dividir a cama com o filho é um tabu. Muitas mães o fazem, mas não falam. Têm medo da reação das pessoas. O sistema individualista atual vigente em muitas culturas exige que a criança se torne independente o quanto antes, a começar por dormir sozinha, longe dos pais. Esse sistema é contrário à nossa biologia, e porque não dizer, uma violência contra a criança.

Os seres humanos nascem ainda incompletos, e simplesmente porque não há como um bebê nascer totalmente formado sem matar a mãe. Somos pequenos, a passagem é pequena demais. Nascemos antes de estarmos totalmente formados, indefesos e incapazes. Se houvesse espaço suficiente, um bebê poderia permanecer na barriga da mãe até que se completassem 12 meses de gestação. Já pensou?! Mas a natureza é perfeita! Aos 9 meses damos a luz seres que ainda precisam do aconchego materno por pelo menos mais três meses. Isto significa pelo menos três meses no colo, com contato físico 24/7, alimentação em livre demanda etc. Tudo como se o bebê ainda estivesse na barriga da mãe.

Mas depois desses três meses uma outra parte do desenvolvimento começa a despontar, a psiquê. O bebê começa a alinhar seu “eu” com o da mãe. Os ciclos de sono se alinham, ele responde mais claramente à energia da mãe, se excitada, se irritada, se calma, se amorosa. O bebê absorve todo esse conhecimento através da mãe (e do pai também). Assim se lapida um novo ser humano em termos psicológicos. É sabido que a falta de contato físico com os pais gera psicopatas, pessoas incapazes de sentir empatia pelos outros.

Criação com apego

Durante essa jornada em busca do melhor para Matias e pra nossa pequena família, lembramos que o psicólogo do Centro de Família mencionou diversas vezes a “teoria do apego” e a “criação com apego” (attachment parenting). Ele desenhou diversas vezes no quadro a base e o mundo em volta. Falou sobre segurança na base, e curiosidade sobre o mundo em volta. Resolvi buscar informações específicas sobre isso.

Esses seriam os pais alternativos: carregam os filhos feito canguru o dia inteiro, dividem a cama, promovem a amamentação em detrimento dos substitutos, não usam violência na educação dos filhos, retardam a entrada na creche/escola etc. Ôpa! Descobri que esses somos nós!

A criação com apego não tem regras, mas é extremamente instintiva e intuitiva. Ela não é permissiva nem autoritária, mas autoritativa. Quer dizer, a criança não pode tudo, nem deixa de poder “só porque eu disse que não”. Ela envolve o respeito pela criança como pessoa que sente, que pensa, que faz, envolve um relacionamento pais-filho tão estreito que mecanismos de inibição do mal-comportamento e apreciação do bom comportamento são específicos para cada criança. Trocando em miúdos, são pais que explicam o porquê das coisas. Infância sem “por quês” vira quartel.

Nos descobrimos adeptos inconscientes do estilo de criação. Joguei o programa da Dana no lixo, Matias dorme com a gente, ele está sempre no canguru, já tínhamos feito o “bonding” quando matias nasceu (e minha proibição às visitas ajudou muito), Matias só recebeu e recebe leite materno, voltei a atender imediatamente ao choro dele (nada de deixar ele chorando até dormir), e de quebra, desde que Matias voltou a dormir com a gente, eu consegui reorganizar minha vida. Ficou muito mais fácil cuidar de mim, de Morten e da casa enquanto cuido de Matias. Matias acorda entre uma e duas vezes depois que nós vamos pra cama, e na maioria das vezes eu nem vejo. Ele acorda, mama e volta a dormir sem chorar ou me acordar. Tenho tido ótimas noites de sono (e isso é crucial para uma bipolar).

Volta ao trabalho

Mas, como nem tudo é perfeito, Matias vai precisar ir pra creche a partir do mês que vem. Meu instinto materno me diz pra ficar em casa até ele completar 3 anos, mas infelizmente preciso trabalhar. Ao que tudo indica vamos conseguir vaga na cidade onde vou trabalhar e isso é ótimo. Vou estar perto caso ele precise de mim, e vamos ficar menos horas longe um do outro. O apego já foi estabelecido, agora é trabalhar para mantê-lo apesar da distância física.

Agora surgem novos desafios. Adaptação dele na creche e minha adaptação às horas sem ele. Até hoje o máximo de horas que fiquei longe dele foram 4 horas. E foram terríveis. Estava fazendo prova e só pensava nele, se ele estava bem, se estava com fome, se tinha dormido, se Morten tinha lembrado de trocar a fralda etc. Não preciso dizer que me dei mal nas provas! E agora ele vai estar sozinho com estranhos. Vou me roer por dentro, mas tenho que aceitar e me acostumar. E não tem jeito: nenhuma mãe confia que qualquer outra pessoa possa cuidar bem do filho dela. Não há ninguém nesse mundo melhor que eu pra ler Matias e dar o que ele precisa. Mas a vida é assim, e eu não vou ficar pra semente. Mais cedo ou mais tarde esse processo vai acontecer – preferia que fosse tarde, bem tarde. Estou me empenhando em ser a base, o porto seguro pra que ele possa começar a bater suas asinhas pra cada vez mais longe, mas sempre encontrar o caminho de volta.

O difícil

Entender por quê as pessoas acham que filhos são um estorvo! As pessoas falam como se Matias fosse uma pedra no meu/nosso caminho. Matias foi, além de planejado, desejado. Eu prefiro carregar Matias no canguru, empurrar o carrinho e colocar minhas sacolas no carrinho. É mil vezes mais gostoso (e mais ergonômico também) ter ele coladinho em mim do que um monte de sacolas com coisas dentro. Às vezes não consigo tomar banho antes de colocá-lo na cama, mas fico toda contente de ter passado o dia brincando com ele, mesmo suja! Ah, e ele dorme com a gente, né. Cama compartilhada não serve para os casais que SÓ fazem sexo na cama. Nem nisso ele atrapalha a gente.

Na verdade eu não preciso entender porquê as pessoas acham isso, só preciso que elas parem de presumir que Matias é uma inconveniência pra nós.

Minhas expectativas

Me aperfeiçoar como mãe a cada dia. Porque Matias cresce e muda um pouquinho a cada dia. Todo dia tenho algo novo a aprender sobre ele.

Matias - 9 meses

Matias – 9 meses

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PS.: Importante dizer que cada mãe é uma mãe. Só você sabe o que é melhor pra você e pro seu bebê. As razões para a escolha de cesárea, Nan, colocar a criança em seu próprio quarto etc são inúmeras e não me competem. Dou graças à Deus porque tenho tido a oportunidade de fazer as coisas como desejo. O importante é que você esteja satisfeita com a solução que melhor funcionar pra você! :-p

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Para mais informações sobre Criação com apego, visite: Ask Dr. Sears (em inglês), o blog da Cientista que virou mãe (em português) e Evolutionary Parenting (em inglês).