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34 semanas

Chegamos a semana 34 hoje! Mais 4 semanas e Matias pode vir ao mundo quando quiser. Melhor que ele espere pelo menos mais essas 4 semanas.

Estive com a minha médica para o controle de rotina e tudo corre bem. No dia anterior à consulta, eu senti Matias “descer”. Ele já estava com a cabecinha pra baixo, mas naquele dia ele “desceu”. Foi como se ele escorregasse. De repente eu pude respirar melhor, ele já não chutava minhas costelas e os movimentos das pernas dele ficaram mais próximos do meu umbigo. Minha médica confirmou na consulta. Agora a medida do fundus está abaixo do normal porque ele está com a cabecinha dentro da minha pélvis. Ele não bóia na água, agora está apoiado no útero. E isso dói! Desde ontem que sinto os ligamentos se esticarem quando ele mexe os ombros ou os bracinhos… é uma dorzinha chaaaata… só passa quando eu deito de lado, porque aí a cama dá suporte à barriga.

Recebi o resultado dos exames que a parteira pediu. Ambos negativos. Fiquei surpresa em saber que nunca tive toxoplasmose, apesar de ter comido terra e ter tido tantos gatos por perto durante a infância.

Matias está sempre muito ativo durante o dia. Muitas vezes me pergunto se ele dorme durante o dia. Se mexe o tempo todo – pra não falar do soluço quase constante. Especialmente quando Morten vem conversar comigo. Durante à noite eu levanto pra ir ao banheiro várias vezes, ele nem “tchum”, fica quietinho. Mas assim que percebe que eu estou acordando, a festa começa. Às vezes ele me acorda. De qualquer forma, nunca me deixa dormir muito além das 9 da manhã. Só tomo café sem cafeína desde janeiro e coca-cola está quase fora do meu cardápio. Anteontem eu tomei dois copos de coca-cola no jantar. Matias perdeu a linha! Foi à loucura! Minha barriga parecia que ia se soltar do meu corpo e ter vida própria. Ele ficou super agitado, levou pouco mais de 1 hora pra se acalmar de novo. Coca-cola, agora, só em doses  homeopáticas.

Fomos à mais uma ultra, no final da semana 32. Queríamos ter feito uma 3D, mas foi impossível conseguir um horário no único lugar que oferece 3D aqui em Kristiansand. Então fizemos uma comum só pra saber se tudo ia bem com ele. Mas ele já está tão grande que o vimos por partes. Primeiro a cabeça, depois o coraçãozinho, a barriguinha e a ginecologista quis confirmar o sexo, então tirou uma foto dos “documentos” dele. A consulta foi às 8:30h da manhã. Matias dormia… ela bem que tentou acordar ele, mas ele nem deu bola, abriu um pouquinho os olhinhos, fechou e continuou dormindo. Acordou pouco depois que a ultra terminou, aí, sim, o dia começou pra ele. Maior atividade na minha barriga. Não tem nada melhor que sentir ele se mexendo o tempo todo. Às vezes é incômodo, mas sempre fico com um sorrisinho satisfeito no rosto.

Semana passada estive no Curso de Amamentação. Foi interessante e informativo. Muito legal ver que os nenéns, quando colocados no colo da mãe logo após o parto, instintivamente procuram [e acham!] o seio pra mamar. Muitas vezes sem abrir os olhinhos. Aqui eles incentivam o contato da pele, colocar o bebê só de fralda sobre o colo desnudo pra acalmar e controlar a temperatura corporal do bebê. Achei um barato.

Estivemos em mais duas consultas no centro de família. Foi muito legal. A Assistente social e o psicólogo já chegaram à conclusão de que nossas consultas são mais pra “conscientização”. Pra gente entender como é a nossa dinâmica durante um conflito e como a gente pode melhorá-la, especialmente depois que Matias nascer. Bateu uma pontinha de orgulho quando o psicólogo disse: “é, pelo que eu estou vendo vocês se conhecem bem, são pessoas razoáveis e refletidas. Só precisam de conscientização mesmo.” Agora entramos na parte teórica do conflito. Muita coisa interessante pra aprender. A gente ainda não teve a chance de testar as alternativas que ele deu. Estamos esperando o próximo conflito rs… Terapia familiar é bom, e a gente não precisa estar em crise pra começar. No nosso caso está sendo enriquecedor aprender sobre a psicologia humana, como a gente funciona sozinho e junto, e como nos ajustar pra dar um bom exemplo pra Matias. Não precisa ser perfeito, mas bom o suficiente pra ele também usar mais tarde. Eu estou satisfeita, e acredito que Morten também.

Também recebi pelo correio umas fraldas que comprei. Lindas! O berço já está no lugar, o armário também, o carrinho já foi montado e a secadora já está no lugar e funcionando. Já dei uma de “estofadora” essa semana. Nós “herdamos” uma espuma que é usada pra trocar fraldas, mas a capa estava rasgada, então lembrei do meu pai e, como já tenho minha máquina de costura, comecei a caça por informações sobre material, preços, onde comprar etc. Em uma noite cortei e costurei uma nova capa “a là Ruca”. Ficou bem legal. A capa é florida, mas não acho que Matias vá se importar muito com isso. Não achei nada mais “masculino” na cidade, ia precisar ir longe pra encontrar algo melhor. Kristiansand é uma cidade linda, mas deixa muito a desejar em certos pontos.

No mais, tudo vai bem. Durmo bem, apesar de ir ao banheiro várias vezes, como bem, a pressão continua baixa como sempre, cheguei ao marco histórico dos 60 kg  [10 kg só de barriga, claro] e me distraio com o tricô. Morten canta pra ele quase todas as noites antes de a gente dormir.

Vamos participar de um congresso de linguística na Dinamarca no início de setembro. Dedos [e pernas] cruzados pra Matias não nascer no barco. Pode nascer na Dinamarca, no barco, não!

E vamos às fotos!

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É ele!

Como previsto e esperado por muitos, nosso primeiro milagrinho é Matias. O menininho mais lindo do pedaço!

Fizemos a ultra no último dia 15. Não tive nem tempo de me preparar para ouvir qual o sexo do milagrinho. Mal a parteira colocou o aparelho sobre a minha barriga e olhou pra tela, já soltou um “é um menino”. Foi tudo tão rápido que eu fiquei meio espantada e pedi pra “ver melhor”.  Eu sou meio Tomé pra algumas ou muitas coisas. Só acredito vendo. A parteira não poupou esforços, entrou por baixo do milagrinho e ainda bateu uma foto pra comprovar. Melhor que narrar o inenarrável é colocar aqui o vídeo que fizemos.

Meus olhos sempre ficam marejados quando vejo ele cheio de vida, fugindo do ultrassom, se mexendo o tempo todo. Vejo e revejo o vídeo, não preciso de mais nada pra ficar com cara de abobalhada, com um sorrisinho leve na boca. Estamos a 20 semanas e 1 dia agora, no meio do caminho, e a cada dia minha curiosidade aumenta. A cada movimento na minha barriga, cada chute, cada soco, cada cabeçada, cada bundada. Tudo isso me acalma, mas me deixa mais curiosa, com mais vontade de colocar ele no colo. Ver que traços ele tem. Segundo a parteira, os lábios e o nariz são provavelmente meus. Herdei os lábios do meu pai, e o nariz da minha mãe. Um pouquinho de cada um… Já disse pra Morten que Matias pode herdar as pernas dele porque são lindas!

Durante a ultra, Morten observou que ele fazia um movimento com os braços que eu faço desde que me lembro. Talvez essa seja minha primeira lembrança: deitada na cama, tomando Neston na mamadeira, com um dos braços pro alto, segurando meu “paninho” e me ninando… faço isso até hoje quando penso que Morten não está vendo – mas pelo jeito Morten vê tudo. Espero que Matias tenha mais coisas do pai, afinal, a mãe todo mundo sabe quem é… rs.

E o nome, bom, Matias Laurits da Silva-Tønnessen. Tanto eu quanto Morten gostamos do nome Matias (não só a gente, Matias é o terceiro nome mais usado na Noruega atualmente) e gostei mais ainda quando vi o significado “presente de Deus”. O nome soa bem tanto em português quanto norueguês. Optamos por não usar “h” – “Mathias” é mais comum aqui. Laurits vem na verdade de uma história um tanto curiosa.

Morten era muito próximo do avô materno, Jens Laurits Seip, e escreveu a biografia dele. O avô nunca usou o nome Laurits, somente L., exceto em uma ocasião: enquanto esteve preso em Sachsenhausen durante a segunda guerra mundial. Ele escrevia cartas para a esposa, avó de Morten, mas muita coisa era censurada pelos alemães. Para contar como andava a saúde dele sem ser censurado, eles inventaram um sobrinho que se chamava Laurits, e se referiam à ele como “pequeno Laurits”. Assim, ele perguntava como andava a saúde do pequeno Laurits, ela respondia, e ele confirmava, ou corrigia a informação sobre a saúde dele. Essas cartas não foram censuradas e Morten as guarda num arquivo. Uma ironia quanto ao “pequeno Laurits” é que o avô de Morten tinha 1,96cm de altura, e de pequeno não tinha nada.

Bom, o avô de Morten faleceu poucos dias depois que nos conhecemos, e Morten não teve a chance de contar à ele sobre mim. A biografia foi publicada pouco depois da morte dele e eu ouvi essa história algumas vezes. Em norueguês, pequeno Laurits é “lille Laurits” e eu sempre gostei da sonoridade do conjunto. Depois que definimos o nome, descobrimos que o avô do pai de Morten também se chamava Laurits, mas ele morreu quando o pai de Morten tinha 1 ano de idade. Acho que ele era padre, ou coisa assim. O sobrenome será o meu. Uma combinação do sobrenome mais comum no Brasil com o sobrenome mais comum do sul da Noruega. Tem sempre mais um Tønnessen na minha turma da faculdade.

Segundo a minha mãe, o melhor é escolher o nome depois de olhar a criança, mas no nosso caso fica complicado. Imagine que escolhemos o nome de menina antes mesmo de casar, e começamos a discutir o de menino quando engravidei. Aqui na Noruega o governo dá um nome pra criança que ainda não tiver sido nomeada pelos pais até os 6 meses de idade. Deus me livre ter essa pressão: 6 meses pra entrar num acordo com Morten, ou ver meu filho receber um nome qualquer dado pelo estado. Já decidimos! hehehehehe

Também na semana passada fomos à primeira “conversa” no centro de família. Começou estranho, ficou interessante e depois extremamente desconfortável – pra mim pelo menos. Naquele dia decidi que não voltaria mais lá, mas hoje já não tenho certeza… a próxima “conversa” ficou marcada para o dia 1 de junho. Estou pensando, ponderando… relutante, mas ao mesmo tempo tentando me abrir pra me permitir ser comida viva. Se é por uma boa causa… se é pelos homens da minha vida… Vamos ver.

Amanhã temos mais uma consulta com a nossa parteira e no dia 25, consulta com minha médica. São tantas consultas que eu até esqueço, e às vezes marco coisas que coincidem… Topei trabalhar amanhã, mas consegui que minha chefe-interina me deixasse sair mais cedo pra ir ver a parteira. Na quarta minha fisioterapia já foi pro brejo. Vou trabalhar também.

Enfim, Matias se desenvolve e cresce, e a vida segue. Então, vamos às fotos!