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“Como tirar o bebê da cama dos pais” – 30 semanas

Antes de entrar no assunto do título, preciso atualizá-los sobre o canal cervical. No post anterior falei do episódio do encurtamento cervical brusco que sofri na semana 27. Quando voltei ao hospital para o controle do dia 13, depois de dias de molho na cama, constatamos que o canal cervical tinha AUMENTADO! Estava em 2,9 cm. Pudemos relaxar. E essa consulta com ultrassonografia contou com a presença de Matias. Pela primeira vez pudemos tê-lo na sala durante o controle. Acho que foi bom pra ele. Ele está mais consciente de que há dois bebês na barriga, e que um é Alexander e outro é Cecilie. Fiquei bastante contente por ele ter visto os irmãozinhos.

Bom, mas esse controle foi dia 13. Dois dias depois da mudança. É, a mudança. No dia 11 nós nos mudamos. Finalmente saímos do apErtamento estudantil e viemos para uma casa de verdade, com ar e forma de lar. Foi bastante complicado não fazer nada enquanto Morten, sozinho, empacotava tudo o que podia. Tivemos muita ajuda dos irmãos e dos pais dele. E eu, que definitivamente não nasci pra ser rainha, tive que lidar com a frustração de não poder ajudar ou fazer as coisas do meu jeito. É complicado entrar na casa nova, com as suas coisas encaixotadas e ensacadas e não conseguir achar sequer a faca de pão. Ao mesmo tempo, a gravidez me limitava a ficar sentada na poltrona que foi montada na noite anterior à mudança e me locomover até o banheiro, no andar de cima. Também dava para apontar e dizer pra onde as coisas iriam. Mas foi bastante frustrante. Mas preciso dizer que tenho um marido e tanto. Se desdobrou ao longo da mudança entre empacotar, trabalhar, fazer a mudança, colocar as coisas no lugar e olhar Matias enquanto eu ficava sentada na poltrona me lamuriando. Sou bastante sortuda!

E nessa de mudar, Matias ganhou o quarto dele. Então, vamos ao assunto do título. Título este retirado daqui. Já vou avisando: eu não li o artigo. Li algumas linhas só pra ter certeza de que diz aquilo que imagino que diga, mas como não concordo com o conteúdo e não apenas “tirei Matias da nossa cama”, e minha intenção é contar nossa experiência particular, não me interessa muito o que ele diz. Só peguei o título porque ele é “catchy” mesmo. [Mas se entrou aqui buscando um passo-a-passo para tirar seu filho da sua cama, clique no link do artigo, depois volte aqui, acabe de ler o post e decida qual está mais de acordo com suas necessidades].

O sono de Matias

Co-sleepingBom, se você acompanha o blog, já leu diversas vezes que fazemos a criação com apego, baseada na Teoria do Vínculo. Matias, desde o nascimento mostrou uma preferência por dormir com a gente. Já no hospital ele não gostava de dormir no bercinho. Eu lembro de olhar em volta e ver todos os outros bebês satisfeitos dormindo o sono dos justos nos bercinhos na cantina, pelos corredores… mas Matias, não. Ele queria colo, contato, presença. Logo na primeira noite, dormi sentada na cadeira de amamentação porque ele não aceitava voltar pro berço depois de mamar. Na manhã seguinte, perguntei à uma das enfermeiras se isso era normal, e como eu poderia lidar com isso da melhor maneira possível. Eu queria dormir na cama. A resposta dela foi simples e clara: “Não se pode mimar demais um bebê! Se ele quer dormir com você, que durma. Imagine se ele vai querer dormir sozinho numa cama fria, de plástico, depois de ter passado 9 meses dentro de você?” A partir da noite seguinte Matias dormiu entre Morten e eu, ainda na maternidade.

Em casa, no apErtamento, nós tínhamos comprado um bercinho pra ele, preparado tudo para ele dormir ao lado da nossa cama. Aqui a recomendação é que o bebê durma no quarto dos pais até completar pelo menos 1 ano. Acho que já a partir da primeira noite em casa mantivemos Matias na cama com a gente. Ele mamava bem, eu não precisava levantar, era tudo muito mais cômodo. E Matias quase não chorava. Logo ele aprendeu a achar o peito sozinho e mamava durante a noite sem me acordar.

Lá pelo quarto ou quinto mês entrei numa dessas nóias de “treinar o bebê”. Depois de duas ou três semanas de muito choro, meu e dele, muita insegurança, inconsistência – porque aquilo que estava fazendo ia contra todo meu instinto materno -, jogamos a toalha e resolvemos fazer aquilo que funcionava melhor pra nós. O berço virou depósito e Matias voltou a dormir com a gente, na nossa cama. Essa história você encontra melhor contada neste post e neste post.

E assim foi… até que engravidei dos gêmeos. Depois de 12 semanas, quando o risco de aborto diminuiu consideravelmente, comecei a pensar no desafio logístico de ter três crianças naquele apErtamento e mais a minha mãe de visita – ou qualquer visita. Teríamos que passar Matias para o quarto que então era o escritório de Morten. E minha mãe dormiria… hum… na minúscula sala? Minha cabeça deu um nó. Morten logo se mostrou resistente a abrir mão do escritório dele, e não estava satisfeito com a idéia de tirar Matias da nossa cama. Fui amadurecendo a idéia. Ouvindo comentários da minha mãe e recebendo anúncios de imóveis da minha sogra… até que resolvi que visitaríamos potenciais imóveis para alugar.

Não tínhamos nenhum problema em ter Matias na nossa cama. Ele dormia bem. Estava sempre seguro e contente na nossa cama. O berço dele foi doado antes de ele completar 1 ano, e no lugar pusemos uma cama de solteiro que fazia com que nossa cama fosse de parede à parede, sem risco de queda ou acidentes.

Ah, e não, ter Matias na nossa cama não atrapalhou nossa vida sexual – veja você que estou grávida de novo! Ter os filhos na cama dos pais só é um problema para a vida sexual do casal se eles SÓ fazem sexo na cama. Nós somos jovens, o apErtamento, apesar das proporções inadequadas, tinha vários cantos para encontros furtivos. E também há que se considerar que a libido de uma mulher que deu a luz há pouco e amamenta não é bem a de um animal selvagem no cio. A atividade diminui um pouco, e de acordo com Laura Gutman, o puerpério não dura somente 6 semanas, mas vai pelo menos até os dois anos do bebê – e a julgar por minha experiência, concordo com ela. Só me senti “eu” novamente por volta dos dois anos de Matias. E aí minha libido voltou melhor do que nunca… e não demorou muito até que engravidasse de novo! Tolinha, eu!

E assim tivemos Matias em nossa cama com sucesso por mais de 2 anos. Quando decidimos que nos mudaríamos mesmo, começamos a conversar com ele sobre ter o próprio quarto, a própria cama. Eu mostrava as caminhas da IKEA e ele adorava ver. Por algumas semanas, até a mudança, ele só falava no quarto dele. Estava ansioso. Eu ainda estava ansiosa, claro. Nunca se sabe. A idéia de ter o próprio quarto pode ser mais amigável do que a realidade de ter o próprio quarto. Pra mim era importante que o quarto dele estivesse pronto para uso a partir da primeira noite na casa nova. A transição seria geral. Nova casa, quarto novo.

A razão da minha ansiedade não era tanto por ele de repente não aceitar dormir sozinho, mas de que isso o assustasse ou o fizesse sentir inseguro. Muitas coisas mudaram para ele esse ano. Aliás, ele está passando por uma enxurrada de mudanças que são inevitáveis e eu fico apreensiva sobre o quanto ele vai tolerar. Tive que fazer o desmame noturno de repente, logo o leite mudou do gosto por conta da gravidez, e por volta do quarto mês o leite secou. De repente ele não é mais o centro das nossas conversas, mas mais outras duas crianças, eu parei de carregá-lo no canguru, parei de levantá-lo, colo só no sofá e ele tem que subir sozinho etc. Ele viajou com o pai para experimentar dormir sem mim… são muitas perdas, tantas que não receberia mal a situação se ele não aceitasse o quarto dele tão rápido.

Mas para minha surpresa, Matias está radiante com o quarto dele. Mostra para todas as visitas. Tem a cama, o armário, a estante com os livros dele e um banquinho onde eu sento e espero que ele adormeça. Claro que isso não é conto de fadas! Ele não apagou lá e surgiu no dia seguinte, todo serelepe. Ele voltou a acordar e me chamar, pelo menos 1 vez depois de meia-noite. Às vezes diz que quer dormir com a gente, mas sempre muda de idéia antes de subir na nossa cama. Pra nós foi muito importante deixar claro para ele que ele poderia vir pra nossa cama quando quisesse. Ele disse pra Morten, num dos primeiros dias, que dormiria no quarto dele, mas que teria que chorar por dez noites antes de se acostumar. Ele não acorda chorando a menos que esteja tendo um sonho ruim. De modo geral, quando acorda e me chama, só precisa me ver para voltar a dormir. Acho que, desde a mudança, houveram apenas duas noites em que ele veio pra nossa cama por volta das duas da manhã. Da primeira vez eu o trouxe sem que ele pedisse porque eu estava muito cansada, ele estava muito acordado e eu não queria ficar sentada no banquinho muito tempo. Na segunda vez, que foi ontem, ele estava acordado mesmo e não conseguia adormecer de novo. Eu não aguentava mais esperar e o trouxe para nossa cama.

O fato de eu estar grávida, e com a barriga tão grande, tem dificultado bastante minha perseverança. Eu até quero esperar, mas isso significa ter dores durante todo o dia seguinte. Morten tem assumido a maior parte da rotina noturna dele. Escovar os dentes, trocar a fralda, ler um ou dois livros e só então eu venho pro quarto dele, para sentar no banquinho e esperar que ele adormeça. O que tem levado de 5 a 15 minutos – antes podia levar até 2 horas. De modo geral, Matias não pede pra vir pra nossa cama no meio da noite. Ele prefere adormecer de novo na cama dele, sozinho.

O único problema que estamos tendo… desde a mudança, Matias começou a acordar às 6 da manhã!!! Credo! Ele vai pra cama mais cedo, e até ordena o pai a dar a ceia pra ele antes de ir dormir quando nota que já é hora de ir dormir, mas começou a acordar super cedo! Antes, quando dormia com a gente, ele ia pra cama um pouquinho mais tarde, mas dormia às vezes até 9h30 da manhã. Me parece que ele agora associou nossa cama à brincadeira, e a dele ao sono. Quando eu o trago pra nossa cama, depois das 6 da manhã, na esperança de que ele durma mais, ele fica quieto por uns 15 minutos, antes de começar a gargalhar e tentar acordar o pai para vir pra sala brincar. Mas posso dizer que, desde o dia 11 de julho, Matias dorme no quarto dele, sem estresse. Acho que eu sofri mais com a mudança. Dormi mal nas primeiras duas noites. Ficava pensando “e se…”

Talvez a pergunta correta fosse: quando tirar o bebê da cama dos pais? E a resposta: quando vocês estiverem prontos.

Resumindo, acredito que, desde que a criança se sinta segura em relação aos pais, ela não vai “exigir” dormir com os pais. De modo geral, a criança que o faz pode ser insegura do vínculo, pode ter sido privada do contato muito cedo e depois passa muito tempo tentando recuperar o tempo perdido, ou simplesmente gosta de estar perto das pessoas que mais ama nesse mundo. Outras simplesmente se resignam. No fim das contas são os pais que decidem. Decida pelo que é melhor para você e pro seu bebê, mas cuide para que as necessidades de contato estejam sendo supridas.

A gente costuma achar um absurdo que as crianças queiram e exijam contato com os pais o tempo todo, mas como adultos, a gente passa o resto da vida buscando um outro par de pés pra nos esquentar nas noites frias… O ser humano tem como necessidade básica o vínculo, e quando bebês esse vínculo é melhor expresso através do contato físico. O contato físico libera ocitocina, o hormônio do amor. E não só por seu bebê, mas também por seu parceiro – muito abraço, beijo, mãos dadas ajudam a manter o sentimento bem nutrido -. Não tenha medo de trazer seu bebê para sua cama. Ocupe-se de fazê-lo de forma segura, mas deleite-se no seu bebê e da presença dele. Pense que, quando ele pede colo, contato, pra dormir junto, ele está declarando que é em você que ele confia para protege-lo num momento tão vulnerável. Que você é a pessoa favorita dele nesse mundão de Deus. Curta essas noites de muito aconchego. Esse tempo passa muito rápido.

Amanhã vou publicar uma “guideline” no menu do blog para se fazer cama compartilhada com segurança.

E aqui vão as fotos [não editadas] da barriga da semana 30. Mas hoje já estamos na semana 31. Caminhando lentamente para as 37 semanas.

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Um abraço!

Criação com Apego, Círculo da Segurança e Disciplina Positiva – I

No post anterior falei da minha reflexão pessoal sobre minha infância e a infância das crianças norueguesas – Matias incluído. Mencionei a Disciplina Positiva en passant, e agora resolvi escrever esse post com as principais características da DP, antes de retomar os posts sobre a gravidez e os gêmeos.

Sei que o post anterior foi bastante lido – ou pelo menos visitado -, mas sei também que ele pode causar um certo questionamento e desconforto no leitor. Diante da aprovação da Lei da Palmada brasileira ano passado e das discussões que tenho visto no meu facebook sobre isso, pensei que seria interessante falar um pouco das alternativas à palmada difundidas na Noruega desde 1981, quando a Lei da Palmada foi aprovada aqui.

Nós estivemos no Centro de Família conversando com nosso psicólogo sobre Matias, sobre a fase em que ele está agora, e a dinâmica familiar com a chegada de Alexander e Cecilie. Depois de pouco mais de uma hora de conversa e explicações cientificas, pudemos confirmar que estamos no caminho certo, apesar de muitas vezes parecer que estamos perdidos na selva. Também vou compartilhar aqui no blog algumas das informações e dicas dadas pelo psicólogo.

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O que vem antes da Disciplina Positiva
Nos preocupamos com a “disciplina” quando as crianças demonstram a falta dela

A Disciplina Positiva pode ser posta em prática em qualquer tempo, para crianças de qualquer idade, por pais, professores e educadores. Mas antes de entrarmos na Disciplina Positiva per se, já que este é um blog sobre filhos, preciso falar daquilo que precede a Disciplina Positiva. Preciso falar da “Criação com Apego”, ou “Attachment Parenting” no inglês. Falei brevemente sobre isso aqui.

A Criação com Apego nada mais é do que uma forma de lidar com as crianças caracterizada pela disponibilização dos pais. Não há regras fixas. A única linha de regra é ter disponibilidade para atender as necessidades da criança. Em se tratando de um bebê por exemplo, significa não esperar que ele chore para lhe dar de mamar, mas aprender a ler os sinais que o bebê emite antes do choro (chupa os dedos, abre a boca, procura o seio etc.). O choro é o último recurso dos bebês para comunicar uma necessidade – e isto significa que ele já está tendo uma enxurrada desnecessária de cortisol no sangue. De modo geral, o contato físico é valorizado. O contato pele-a-pele estimula a amamentação, a sensação de segurança e o desenvolvimento do bebê, além de fortalecer os instintos materno e paterno. A Cama Compartilhada, seja ela com todos na mesma cama ou com o bebê num berço no quarto dos pais, auxilia e estimula a amamentação, aguça a “antena” materna e permite melhores noites de sono para a mãe. A amamentação em livre demanda, isto é, dia e noite e sem controle de horário, é recomendada a fim de estabelecer a produção adequada de leite materno. É durante a noite que produzimos mais leite, e é durante a noite que o cérebro recalibra a produção. Estudos comprovam que a mãe que não amamenta durante a noite não fica mais descansada do que aquela que amamenta.

É importante não confundir “necessidades” com “desejos”. Um bebê tem necessidades, uma criança de 2 anos tem necessidades e desejos (“needs” e “wants”, no inglês). As necessidades devem ser sanadas, sempre, para que a criança se sinta segura e conectada ao cuidador.

Algumas palavras sobre amamentação
O aleitamento materno é, talvez, a principal necessidade básica do bebê. Por isso escrevo essas palavras especificamente.

Toda mulher produz leite materno. A menos que a mulher tenha feito uma cirurgia de redução das mamas à moda antiga, isto é, retirando parte dos dutos de leite, toda mulher é, em princípio, capaz de amamentar seu bebê – ou bebês. As que fizeram este tipo de cirurgia podem, ainda assim, amamentar e complementar se os dutos restantes não forem suficientes para produzir a quantidade necessária de leite. Há mulheres que, por questões de saúde, não devem amamentar. Elas fazem uso de remédios não compatíveis com a amamentação, fazem tratamentos incompatíveis, ou precisam ser separadas de seus bebês por diversos motivos. Mas fisiologicamente falando, somos todas capazes de amamentar. De tempos em tempos, o bebê vai exigir mais peito que o normal, por exemplo. Isso significa que ele está passando por um “estirão de crescimento”, não que seu leite seja fraco ou em pouca quantidade. O leite materno é produzido de acordo com a demanda. Quanto mais o bebê mama, mais a mãe produz leite. O bebê vai precisar de mais e mais leite ao longo do seu desenvolvimento, e esses estirões fazem com que as mamas se adequem as necessidades futuras do bebê. Não há maneira de medir quanto leite é produzido pelas mamas. A maior parte da produção acontece durante a mamada. O seio é fábrica de leite, não depósito.

Após o parto normal, o leite materno pode levar de 3 a 5 dias para “descer”. Após uma cesária, comum no Brasil, o leite materno pode demorar um pouco mais para “descer”. O bebê nasce letárgico e tem menos força para sugar. A mãe pode ter passado por anestesia geral e estar impossibilitada de colocar o bebê no seio – nesses casos, é bom que o pai o coloque sobre o peito nu. Via de regra, quanto mais cedo o bebê é posto ao seio, mais rápido a produção se inicia. Quando o bebê, de fralda, é posto sobre o seio nu da mãe,a temperatura corporal da mãe aumenta para acalmar e confortar o bebê ao passo que as quantidades de cortisol da mãe e e do bebê diminuem, e o cérebro envia ordem para que a produção de leite se inicie. A cesária não impede a amamentação. Os benefícios da amamentação no pós-parto são os mesmos para mulheres que passaram por parto normal e cesária. A amamentação faz com que o útero se contraia mais rapidamente, diminuindo os riscos de hemorragia pós-parto, por exemplo. Enquanto o leite não desce, o bebê deve ser posto ao seio para estimular a produção e treinar a postura correta de pega. Inicialmente descem gotas de colostro. Se o bebê é posto ao seio sempre que solicita, a mãe não chega a ver o colostro. O colostro prepara o aparelho digestivo para receber o leite materno. Em caso de prematuros que precisam ficar no hospital, a mãe deve começar a bombear leite assim que possível, de 8 a 12 vezes ao dia, para que a produção se inicie e se estabeleça até que os bebês tenham desenvolvido força mandibular suficiente para mamar diretamente no seio. O leite bombeado pode ser oferecido ao bebê enquanto ele está no hospital. E o colostro deve ser o primeiro a ser oferecido. Esse vídeo do youtube mostra um pouco do que digo aqui (em norueguês, mas as imagens são educativas em si), inclusive a “pegada” correta do seio.

Logo após a saída do hospital, o bebê apresenta perda de peso. De acordo com as orientações norueguesas, durante a primeira semana o bebê deve perder até 10% do peso, e voltar ao peso da data do nascimento em torno do 14o dia de vida. Há bebês que perdem mais. Bebês nascidos por cesária, filhos de mamães de primeira viagem, bebês grandes ou nascidos com baixo Apgar podem demorar mais para recuperar o peso do nascimento.  É importante saber que os bebês nascem com uma reserva de gordura para aguentar os dias que precedem a descida do leite materno.

O bebê amamentado ao seio não tem prisão de ventre, tem menor risco de desenvolver problemas respiratórios, tem um bom desenvolvimento facial, bucal e auditivo, não é comum ter otite, fica menos doente, e quando fica, apresenta melhora rápida não apresentando muita perda de peso durante esses períodos etc. O leite materno contém um antibiótico natural composto especificamente para seu bebê. “Quando as mães beijam as mãozinhas dos seus bebês, elas estão tirando uma amostra das bactérias presentes na pele do bebê, e o leite materno se adequa a essa necessidade específica de combate às doenças a que a criança foi exposta”. [Não preciso dizer mais para que se comprove que sou adepta do aleitamento materno]

Os 7 B’s da Criação com Apego
Não são regras, mas formas de disponibilização dos pais

Conexão Natal, ou “Birth Bonding”: através do parto normal não medicado a conexão pode ser feita imediatamente após o nascimento. Se seu parto foi medicado, ou por cesária, não se preocupe. A conexão é feita através de vários passos e pode ser feita a qualquer momento. E ela será refeita muitas e muitas vezes ao longo das suas vidas.

Amamentação, ou “Breastfeeding”: É o melhor alimento pro seu bebê. Se você leu até aqui, já sabe alguns dos benefícios da amamentação para uma criação apegada.

Colo, ou “Babywearing”: carregar o filho no colo é uma prática comum em todo o mundo. Carregar seu bebê num sling ou canguru o ajuda a se adaptar a vida fora do ventre, ao passo que o acalma e dá segurança. Se seu bebê é prematuro, os slings e wraps são ótimas opções.

Cama Compartilhada, ou “Bedding close to baby”: a Cama Compartilhada promove a conexão, estimula a amamentação, melhora a qualidade do sono da mãe e do bebê, diminui a ansiedade de separação, e o bebê aprende, através da segurança, a adormecer e permanecer dormindo [no tempo dele]. Lembre-se que Cama Compartilhada significa dividir o mesmo quarto, não necessariamente a mesma cama. Para dividir a mesma cama, medidas de segurança devem ser tomadas.

O valor comunicativo do choro, ou “Belief in the language value of your baby’s cry”: os bebês choram como medida de sobrevivência. Eles não têm outra forma de comunicar o que sentem, pensam ou precisam. Responder ao choro do seu filho transmite segurança. Logo a gente diferencia o choro de fome do de sono, por exemplo.

Cuidado com os treinadores de bebês, ou “Beware of baby trainers”: deixar seu bebê “chorar para aprender” é desnecessário. Cada criança tem seu tempo. O filho da vizinha pode já dormir a noite toda, enquanto seu filho ainda acorda a cada 3 horas. Ter um bebê que dorme a noite toda não é prova de competência parental. [Importante: a regra é não dormir a noite toda, a exceção é dormir a noite toda.]

Equilíbrio, ou “Balance”: não negligencie o resto da família. É fácil ser consumida pelas necessidades do bebê, mas como pais, ainda precisamos atender ao restante da família. A esposa ao marido, o marido a esposa e aos demais filhos. Compartilhando a cama e carregando o bebê num sling pode facilitar que se atendam as necessidades de toda a família.

Você precisa seguir todos esses B’s para criar seu filho com apego? Claro que não! Criar filhos não é ciência, mas experiência. Um conjunto de experiências adquiridas ao longo de muitos, muitos dias bons, e alguns maus. Faça uso daquilo que funciona na sua realidade visando a harmonia familiar e o desenvolvimento do seu bebê!

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No próximo post eu vou falar do “Círculo da Segurança”, e se o post não ficar muito longo, entro na Disciplina Positiva.

Para saber mais sobre a Criação com Apego, visite:

http://www.attachmentparenting.org/portuguese

http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2012/08/criacao-com-apego-verdades-mentiras.html

http://indiretasmaternas.com.br/gente-que-esclarece/gente-toma-iniciativa-paternidade-ativa/

http://www.attachmentparenting.org [em inglês]

Até a próxima!

“Terrible twos” – sendo posta à prova

Nunca imaginei minha vida adulta sem filhos. Pensava que, mesmo solteira, teria pelo menos um filho. A falta da presença e do apoio de um marido não me impediriam de experienciar a maternidade. Eu seria mãe. Ponto.

Depois de casada e com tudo no lugar, descobri que ser mãe não seria tão simples como “ter uma noite apenas” e engravidar, como aconteceu com muitas das meninas que conhecia. Nosso caminho seria longo. Matias é chamado de “milagrinho” por mim aqui no blog. Na Noruega ele é o que chamam “ønskebarn”, ou “criança do desejo”. Ønskebarna são todas as crianças não concebidas naturalmente, mas com algum tipo de ajuda. Ønskebarna são concebidas através de estímulo hormonal, fertilização in vitro, adoção ou barriga de aluguel. Nós não fomos tão longe, mas o processo entre o natural e o estímulo hormonal se arrastou por quatro anos. Eu tinha acabado de completar 30 anos quando engravidei, e já estava meio no Brasil, meio na Europa desde os vinte e cinco anos. Posso dizer que fui ter filhos “com a cabeça sobre os ombros”, tendo ponderado e amadurecido a idéia.

Quando vim para a Noruega, lembro de observar avidamente a criação e o comportamento das minhas sobrinhas norueguesas. Minha idéia sempre foi aprender o máximo possível e conjugar o melhor da Noruega ao melhor do Brasil. Lembro que o comportamento das crianças e as atitudes da minha cunhada me causavam estranhamento. As crianças gritavam, jogavam as coisas, e os pais me pareciam apáticos. Muito distantes dos padrões brasileiros aos quais eu estava acostumada. Eu já sabia que aqui a Lei da Palmada está em vigor desde 1981. Outras formas de criação são aplicadas. O que não significa que não hajam famílias norueguesas que usem a violência como método – mas estes costumam ter problemas de natureza psicológica e, mais tarde, legais, perdendo a guarda dos filhos.

Tudo o que lembrava sobre criação envolvia a violência e o medo perpetrados pela palmada, o cinto, a vara, o chinelo, o grito, a ameaça e os abusos verbal e psicológico. Claro que até aquele momento, nada disso tinha esses nomes quase criminosos. Tudo fazia parte da criação licenciada pela Bíblia, o lugar comum, a prática corrente.

Lembro também que, mesmo quando criança, eu me questionava sobre esses métodos. Incomodavam-me os abusos que as outras crianças sofriam, entre si e partindo de adultos. Não gostava [e não gosto] de ver adultos fazendo crianças chorar por diversão. E eu era uma criança. Acho que fazia o que podia para me proteger desse tipo de situação, e certamente não consegui fugir de todos. Mas o sofrimento dos outros me marcaram mais do que os meus, dos quais não me lembro.

Diferente de muitos dos lares da vizinhança, em que o pai trabalhava fora e era “o general” no fim do dia, no meu minha mãe era “a general”. Era ela quem chegava em casa no fim do dia, encontrava os vizinhos fazendo fila para derramar suas reclamações do dia, e nos corrigia quando julgava necessário. Meu pai sempre foi contra o uso da violência na nossa criação, e era ele quem passava a maior parte do tempo com a gente durante o dia – e me defendia quando achava que a punição era desnecessária.

Durante os anos de desenvolvimento, apanhei com e sem motivo, o que fez com que eu logo entendesse que nem sempre a razão da “correção” estava em mim, mas nas frustrações pessoais do adulto, que eram derramadas sobre mim. Ainda hoje lembro, como cenas de cinema em 3D, alguns exemplos disso. Me marcaram mais as violências indevidas sofridas e presenciadas dentro de casa, do que aquelas sofridas na rua.

Já adulta, sabia bem que criaria filhos seguindo o exemplo do meu pai. Sem violência. E na Noruega essa é a lei. Todo e qualquer tipo de violência contra a criança é proibido. Depois que nascem, elas têm tanto direito à proteção do estado quanto um cidadão adulto. Da mesma forma que o governo me protege de mim mesma impondo impostos absurdos sobre o álcool e o tabaco, o governo também protege meu filho de mim se eu representar perigo à ele. Simples assim. As crianças também têm cidadania. Um resultado do individualismo ocidental.

Com o passar dos anos e meu mergulho na sociedade norueguesa, as tentativas de reflexão acerca de mim, da minha cultura e mentalidade contraposta aos valores noruegueses, foram fundamentando minhas próprias idéias e entendimento do que melhor funciona em nossa pequena família multicultural. O fato de aqui as crianças não serem amedrontadas e reprimidas através da violência e da busca por cidadãos críticos desde o berço me fizeram desejar ainda mais um outro mundo, mais pacífico, menos traumatizado e menos violento dentro do meu lar.

E aí Matias entrou na fase do chamado “terrible twos”. A partir dos 18 meses, as crianças entram num estágio de desenvolvimento caracterizado por mudanças de humor, explosões de raiva e frustração (ou tantrum no inglês) e aumento no uso da palavra “não”. Nesse período, elas começam a se descobrir como “o outro” e não mais uma parte da mamãe. A busca pela independência entra em conflito com a grande necessidade de ajuda dos pais. Essa fase acontece para todas as crianças, variando em intensidade de acordo com a personalidade da criança e o método disciplinar adotado pelos pais. Nunca havia ouvido falar nisso, até sair do Brasil.

Junto com a mudança no comportamento de Matias vieram as más sensações sobre a minha própria infância. Dizem que se tornar mãe/pai é reviver sua própria infância. Me vejo em diversos momentos revivendo a minha. Especialmente quanto ao uso da violência. No meio de uma explosão de raiva e frustração, Matias pode se tornar quase impossível de lidar [Parece que acontece o mesmo que num ataque de pânico: o lobo frontal se desliga e o resto do cérebro são como fogo e gasolina, até que tudo se acabe]. No começo eu notava que essas situações despertavam em mim uma vontade enorme de bater nele. Com a graça de Deus (não o da Bíblia, que me garantiria o “direito” de violar o corpo dele), resisti bravamente. Mas percebi que deveria estar mais consciente de mim mesma nessas situações. Mesmo as pessoas que nunca levaram uma surra quando crianças podem perder a paciência e se ver batendo nos filhos durante essa fase. Não sei se há diferença neste impulso, mas pessoalmente, tive que reviver as sensações do passado para não repetí-las no presente.

Hoje Matias continua no meio desse turbilhão, e me vejo entrando e saindo dessas situações com mais desenvoltura. Não sou perfeita. Fico frustrada, especialmente quando as explosões acontecem no meio da noite após um sonho ruim, às vezes eu preciso de um “time-out”, mas esses têm se tornado menos necessários com o passar do tempo e o aumento da aceitação e entendimento do que esta acontecendo com ele. A informação e a reflexão sempre me foram boas aliadas. Geralmente quando minha paciência está curta, a de Morten está sobrando e vice-versa. Quando estou sozinha com ele, as explosões são menos frequentes, mas eu preciso estar mais alerta e ter uma dose a mais de paciência. Isso não acontece na creche. Acontece em casa e às vezes na casa dos avós se ele estiver muito excitado com uma brincadeira e a gente vier embora por exemplo. Aconteceu no mercado uma vez.

Para além da fase, ele tem perdido terreno por conta da nova gravidez. Tirei a amamentação noturna, logo depois o leite secou, não pode mais dormir em cima de mim, não o carrego mais no colo nem no canguru, quase não o levo nem busco na creche… é muita perda para um menininho só. É natural que ele também reaja a essas mudanças.  Mas para garantir que a chegada de Alexander e Cecilie não se torne ainda mais complicada para ele, vamos ao nosso psicólogo familiar em breve. Quero saber o que ainda está por vir, e como lidar com tudo isso da melhor maneira possível.

Quando conversei com minha sogra sobre essas coisas, ela sorriu e disse: agora é que você está sendo posta à prova!

Tenho buscado usar a Disciplina Positiva mais ativamente e lido mais sobre a “Comunicação não violenta”. Minha mãe diz que os filhos devem buscar ser melhores pais que os pais foram. Assim vou trilhando meu caminho. Mas ter que aprender novas formas de educar enquanto se educa, estando inserida em uma outra cultura é bastante desafiador e estimulante. Reviver o passado pode ser doloroso, mas também é libertador. Há pouco conversava com minha mãe e descobri que ela reage ao comportamento de Matias da mesma maneira que eu reagi ao comportamento das minhas sobrinhas 6 anos atrás. É o choque cultural nu e cru. É a colisão entre as criações pacífica e violenta. Assim como eu tinha, ela deve ter um zilhão de idéias de como fazer com que ele “pare de fazer pirraça”. Pude me ouvir nos comentários dela, e foi interessante. Já caminhei uma boa milha pra longe do controle exercido pela palmada. A gente precisa encontrar a melhor maneira de gerenciar a vida que tem. E a minha vida hoje é completamente diferente daquela que eu um dia imaginei que seria. E naquela versão, eu estaria pondo em prática muito do que ela imagina ser uma ótima saída. São linhas de reflexão interessantes. Mas a minha vida é outra. O país em que vivo é outro. A cultura em que estou inserida hoje é outra.

E o “filho do meu desejo”, meu primeiro milagre, não diferente de 99% das crianças do mundo, vai ter o meu melhor. Sempre. Mesmo que o meu melhor pareça insuficiente naquele momento. Assim é cada mãe. Assim foi a minha, assim é a sua e assim você, futura mamãe, será. A gente faz o que pode, com as ferramentas que tem. Dizem que com a maternidade nasce a culpa, mas nasce também uma nova e melhor filha, uma mulher mais forte, mais amorosa, mais abnegada e completamente apaixonada por sua prole.

Dica: Quando vir pais sendo postos à prova no mercado, no shopping ou numa festa, que não usam de violência na criação dos filhos, não os julgue. Saiba que o comportamento da criança, entendido e aceito pelos pais ou não, já é suficiente para constrange-los. Eles não precisam ser censurados. Dê um sorriso ou aceno com a cabeça em tom de apoio, porque você certamente já passou ou vai passar por isso – ou pelo menos já fez coisas do tipo com seus pais. Criança que se joga no chão, grita, chora e faz escândalo não é necessariamente mimada, mas está passando por um desenvolvimento complexo e profundo. Ela sofre. Os pais sofrem. As crianças entre 1 e 4 anos são as mais conhecidas por fazer esse tipo de coisa, mas as explosões podem acontecer em qualquer idade. Aos 2 anos a criança ainda não consegue expressar verbalmente tudo o que gostaria, o que causa frustração, ao passo que o cérebro ainda não está maduro o suficiente para suportar sentimentos de frustração e raiva – causando as explosões. Aos 3 anos eles se tornam mais desafiadores porque querem mais autonomia. Aos 4 as coisas devem piorar um pouco porque eles melhoram a comunicação e a linha de raciocínio e negociação é mais complicada. Mais tarde eles ficam como nós, que ainda que tenhamos aprendido a lidar com os sentimentos negativos, às vezes precisamos socar uma parede!

E aqui vão as fotos comparativas da semana 20.

comparando semana 20 2

Comparando III – 20 semanas

Retratação: Não é a intenção deste post denunciar atos ou denegrir pessoas. Também não é a intenção deste post ditar como outros devem criar ou deveriam ter criado seus filhos. Não desejo censurar ou julgar a ninguém por suas escolhas de vida. O que escrevo aqui exprime minha própria experiência de eventos do passado. Essa interpretação é altamente subjetiva e pessoal. Não é objetivo do post ou do blog polemizar, mas tão somente expressar um processo pelo qual ainda estou passando. Desde já me desculpo se este post lhe causa desconforto.

2 anos!

Tanta coisa aconteceu ao longo dos últimos 365 dias. Comum a todos os dias é meu sentimento de gratidão à Deus por ter me presenteado com a responsabilidade de guiar Matias enquanto ele precisar. Ter o prazer de gerar um filho não nos é garantido. Receber a graça de poder aprender a amar uma pessoa pra além de nós mesmos é uma dádiva. Poder dividir essa experiência com outra pessoa também não é via de regra. Mas agradeço à Deus por ter me confiado Matias e ter escolhido Morten para dividir comigo essa caminhada de aprendizado.

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Bom, Matias é, como toda criança, especial. Apesar de ser menino, é bastante detalhista e observador. É falante. Fala, fala e fala! E eu fico babando, observando o desenvolvimento dele: de sílabas, para palavras e agora frases – em português e norueguês. Adora cantarolar, gosta que a gente leia historinhas pra ele antes de dormir – e às vezes no meio do dia também. É fascinado por tudo o que tem roda. Carrinhos, tratores, trens, ônibus. Gosta de Lego e coisas de encaixar. Desenvolveu logo a coordenação motora fina. Deu os primeiros passos na véspera do ano novo, com 1 ano e dois meses. Desde então não pára. Corre o tempo todo! E eu tenho que correr junto, claro. Gosta de assistir a “O bombeiro Sam”, canta a musiquinha e tudo, “Pocoyo”, “O jardim dos sonhos” e “Raa Raa, o leão barulhento”. Ai, ele está uma gracinha, só vendo mesmo. Eu poderia escrever um testamento sobre cada detalhe, mas é melhor me controlar. Então, vamos por partes.

Brasil

Matias e o primo na casa da vovó.

Matias e o primo na casa da vovó.

Estivemos no Brasil entre julho e agosto para exibir o rebento. Foram 3 semanas corridas, intensas, às vezes estressantes, mas muito gostosas. Matias pôde rever os avós brasileiros, rever e conhecer os tios e conhecer o único primo brasileiro. E conhecer o restante da família, claro. Meus primos, meus meio-irmãos, meus tios e tias, alguns amigos etc. Matias adorou os churrascos. Arroz e feijão. Fazer bagunça com a vovó, visitar o vovô, brincar com o primo, andar de ônibus e trem – que pra ele é um evento social, foi à praia. Nós tivemos alguma dificuldade com o fuso, e em manter a rotina dele. Foi bastante doloroso pra mim. No Brasil tudo acontece à noite. Festas de crianças podem começar às 19 horas. As festas da minha família só esquentam mesmo lá pelas 21 horas, quando não lá pelas 23 horas. Mas Matias vai pra cama cedo. Quando dorme às 21 horas eu já me descabelei toda. Geralmente, entre 19 e 20 horas Matias já está na cama. Difícil conciliar. E tudo no Brasil é longe também. Às vezes tínhamos que ir embora bem cedo pra chegar a tempo de coloca-lo na cama e evitar uma crise de choro por exaustão. Levamos a cadeirinha do carro daqui, levamos também o carrinho safado de viagem – que não foi usado nem 1 vez. Matias só queria andar, e na maioria das vezes o canguru era mais prático que o carrinho.

Brincando com o trem que ganhou do Vovô Chico.

Brincando com o trem que ganhou do Vovô Chico.

Creche

Brincando no ginásio com o grupo da creche.

Brincando no ginásio com o grupo da creche.

Matias trocou de creche esse ano. No ano passado ele frequentou uma Creche Familiar, com 8 crianças. A creche ficava perto do meu trabalho. Ao final do ano já estava ficando complicado viajar com Matias. Depois que começou a andar, ficar sentado por mais de 20 minutos era bastante desafiador. Com a graça de Deus, conseguimos vaga na creche da universidade que fica entre a nossa casa e o ponto de ônibus. Show! Essa creche tem mais de 100 crianças! Mas o grupo de Matias tem 21 crianças e fica dividido em dois, sendo o grupo dele o menor, com 8 crianças. A creche é bem legal e eles seguem a Teoria do Apego! Amei! Quando chegamos do Brasil, fomos direto pra adaptação na creche. Por sorte eu fui convocada para a greve de professores e deu pra acompanhar as primeiras 3 semanas dele na creche. Matias se adaptou bem, mas relutou em dormir na creche. Ao final de 4 semanas eu estava quase voando no pescoço dos assistentes por isso. Matias não dormia na creche e chegava em casa uma pilha. Como Morten viaja toda semana, eu fico muito sozinha com Matias. Eu não estava aguentando! Mal conseguia fazer janta, e quando fazia era com Matias no meu colo. Foi super cansativo. A solução foi começar a acorda-lo às 6 da manhã pra garantir que a soneca se tornasse irresistível na creche. Desde então, Matias dorme que é uma beleza e é outra criança quando chega em casa.

Amamentação

Matias ainda mama! Yes! E pensar que meu tímido plano era amamentar por 6 meses. A OMS recomenda amamentação em livre demanda até pelo menos 2 anos, mais se possível. Isso eu consegui! Matias fica bem sem mamar durante o dia, enquanto está na creche. Come tudo o que dão lá. Ele mama no caminho pra casa, se eu for busca-lo, ou quando chega em casa nos dias que Morten vai busca-lo. Depois mama pra dormir, e algumas poucas vezes, ou talvez uma vez, durante a noite (eu não sei ao certo quantas vezes ele mama durante a noite porque ele não me acorda). Ou seja, livre demanda pura. Ele esteve resfriado duas vezes seguidas essas últimas semanas, e foi bom saber que ele pelo menos estava mamando, porque não tinha apetite pra mais nada. Por enquanto o plano é o desmame natural. Ele ainda não reflete sobre mamar. Então não vejo razão para desmama-lo, nem pra falar sobre isso ainda. Ele nem se importa de mamar na creche, com outras crianças maiores olhando. Ainda diz pra eles: “Não, é meu!”

Cama compartilhada

Ainda em vigor no nosso pequeno reino. Em time que está ganhando não se mexe. Matias dorme bem, nós dormimos bem. Matias está bem apegado e seguro de si. Nós estamos seguros e satisfeitos com a nossa escolha. O pessoal na creche perguntava se Matias não usa chupeta, se não tem um ursinho ou algo que o valha pra ajuda-lo a dormir. Eles sempre ficavam admirados com a resposta. Não, Matias não usa “props” pra dormir. Na creche, eles o colocam na cama, e ele adormece. Sem choro. E se ficar sozinho, dorme ainda mais rápido.

Fralda, desfralde

Matias ainda usa fraldas. E descartáveis por causa da alergia. Matias reagiu mal às de pano e reage mal a qualquer fralda com muito gel, loção, perfume etc. Resumo. Usamos as fraldas mais baratas do mercado. Na creche que ele está, as crianças são incentivadas a usar o vaso. Matias gosta da brincadeira, de jogar papel no vaso e dar descarga. Mas ainda prefere fazer xixi e cocô na fralda. Ele ainda avisa. Antes negava que estivesse fazendo cocô, mas agora já diz que “sim”. Ele gosta de ficar pelado, e ultimamente tem pedido pra ficar pelado um tempo antes de dormir. Ontem ele ficou tanto tempo sem fralda que acabou fazendo xixi na cama enquanto brincava 😦 Enquanto ele não se interessa mesmo por usar o penico e o vaso, vamos deixando ele usar fraldas. Daqui a pouco o inverno está chegando, e aí fica mais difícil fazer o desfralde. Melhor esperar pelo próximo verão.

Alimentação

Matias fez 2 anos anteontem e parece que um botão foi ligado nele. Ele esteve doente, como disse antes, e o apetite desapareceu. Mas desde ontem ele tem comido porções maiores. Ele já pede comida quando está com fome, e o peito se está entediado, triste, com sono, com dor ou depois de ficar muito tempo longe de mim. Durante um período Matias só queria comer cenoura, se negava a comer batata. Agora, não quer cenoura, mas come batata. Adora patê de fígado, carne, milho, ovo e sempre pede arroz e feijão. Mas o campeão: frutas! E pode ser qualquer uma. Ir ao mercado com ele significa comprar alguma fruta, mesmo que a gente já a tenha em casa. A primeira seção, na entrada do mercado, é a de frutas, e Matias começa a gritar: Uva! Banana! Ameixa! Bringebæar! (framboesa) Jordbæar! (morango) Appelsin! (laranja) Blåbær! (mirtilo)… e não tem jeito, sempre tenho que comprar uma fruta que seja. Eu tento evitar que ele coma muita porcaria. Mas é difícil. Porcaria é o que mais se oferece e serve à crianças. Balas, doces, refrigerantes, sorvete, biscoitos etc… Na festinha de aniversário de 2 anos ele pôde tomar “uma dose” de coca-cola com o pai. Às vezes sinto que essa é uma batalha vencida, e não por mim. A pressão é muito grande. Eu chamo Morten de “candy man”. É muita bala de goma, muita coca-cola, muito açúcar, muita batata frita, gordura etc. Ele até que tem conseguido respeitar bastante meu desejo de que Matias não seja imerso nessa dieta de engorda dos infernos que condena crianças à diabetes, obesidade, doenças cardíacas etc. E é importante dizer, não quero que Matias nunca coma essas coisas, mas como dizem, nos primeiros anos de vida a gente define a dieta pro resto da vida. É impossível não comer lixo nessa industrialização global dos alimentos, mas quanto mais consciente ele estiver sobre sua própria dieta, melhor chances ele terá de fazer escolhas mais saudáveis no seu dia-a-dia. Como mãe, me sinto responsável por tomar as melhores decisões por ele até que ele possa decidir por si só. Mas acredito na decisão informada. Não acredito que o tornando escravo da gordura e do açúcar seja uma maneira muito inteligente de ensina-lo a comer de forma saudável. Mas, claro, nada disso é simples, e minhas aspirações sobre ter um filho que não torça o nariz para legumes não estão garantidas de se concretizarem.

Expectativas

Mais um ano começa e espero poder me manter firme no meu desejo de cuidar de Matias, de dar à ele o tempo e o amor necessários pra que ele cresça “em estatura e sabedoria”. É maravilhoso vê-lo se desenvolver, descobrir novas coisas sobre si e sobre o mundo. É bom conhecê-lo melhor a cada dia, porque todo dia uma nova característica da personalidade dele aparece.

Assoprando a velinha. Festinha de 2 anos.

Assoprando a velinha. Festinha de 2 anos.

Comemorando os 2 aninhos completos.

Comemorando os 2 aninhos completos.

Tabu, criação com apego, volta ao trabalho – 9 meses

Matias completou 9 meses no último dia 10 e muita coisa aconteceu desde os dois últimos posts. Antes de entrar nos assuntos do título, um resumão:

Amamentação: Matias ainda mama e em livre demanda! Nada de mamadeira, nada de Nan e cia. Já come papas doces e salgadas e adora beber água, especialmente em copo aberto. Mas o leite materno ainda perfaz a maior parte da alimentação dele.

O corpo: a barriga, pelo jeito, ficou maior do que era e não vai diminuir mais. Mas já não me importo mais com isso. Passo a maior parte do tempo vestida mesmo!

Fralda: Matias passou a usar fraldas descartáveis. Infelizmente a assadura era causada pelo contato com urina e só desapareceu depois que passamos a usar fraldas descartáveis, recomendação da minha médica de família. Matias faz muito, muito xixi! Nunca mais ficou assado, mas fica com coceira por causa do gel absorvente se eu não puser uma gase entre a fralda e a pele dele.

Carrinho: 100% satisfeita com nosso carrinho. Já viajamos algumas vezes com ele. Infelizmente as companhias aéreas não têm muito cuidado com os carrinhos e o nosso já se perdeu duas vezes durante a viagem. Agora compramos um carrinho guarda-chuva safado pra ser destruído em viagens.

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O post anterior, que foi publicado com atraso de 4 meses, fala das minhas aventuras e desventuras pra colocar Matias pra dormir. Estava implementando o programa da Dana Obleman, mas nosso problema era colocar Matias na cama no início da noite. Ele tirava ótimas sonecas e adormecia sozinho no berço durante a noite, mas uma noite chorou por 3 horas, on and off, antes de dormir no início da noite – comigo ao lado.
O programa (The sleep sense program) é lógico e baseado em ciência. Faz sentido! O que é positivo, apesar de muitas vezes ir contra meu instinto materno. E eu estava satisfeita com os resultados, exceto a luta para colocá-lo na cama no início da noite. Por conta disso, decidimos alterar um pouco o programa e fazer algo que funcionasse para Matias.

Ciência x instinto

Infelizmente muitos dos “conselhos” que se ouvem hoje, de familiares à médicos, excluem o instinto. É complicado pra uma mãe de primeira viagem não seguir um conselho dado por um médico, conselho esse que muitas vezes é baseado numa ciência antiquada, ou mesmo nas crendices do arco da velha. A mãe de primeira viagem não reconhece seu instinto maternal e, muitas vezes tem esse instinto aleijado já de início por um parto cirúrgico.

Desde minha gravidez, tenho meu instinto como meu primeiro norte. Os médicos podem dizer o que quiserem, baseados nas mais variadas experiências de milhares de mulheres. Essas experiências não são minhas e os filhos não são o meu. Norteada pelo instinto tive o parto que desejei e, desnorteada por alguns momentos depois do nascimento de Matias, entrei na nóia dos treinamentos de bebês.

Como primeiro passo em direção à uma rotina que se adaptasse a nós e a Matias, resolvemos que ele adormeceria na nossa cama e ficaria lá até que nós fôssemos pra cama, quando o colocaríamos no berço. Logo Matias ficou doente e não o colocamos no berço. Essa foi minha primeira noite muito bem dormida desde que matias tinha 1 mês e meio quando o passei para o berço. A noite seguinte me deu a sensação de liberdade! Me libertei da insegurança de mãe de primeira viagem.

Tabu

Ainda hoje ouço a voz da minha mãe dizendo: não o coloque pra dormir na sua cama em hipótese alguma! Desculpe, mãe, mas meu instinto me diz pra fazer exatamente isso. Graças à Deus vim parar num país onde se prega que um bebê NUNCA pode ser mimado, que o bebê deve dormir no mesmo quarto que os pais até completar um ano, e que, se possível, pode-se dividir a cama com o bebê, desde que se sigam instruções de segurança.

Dividir a cama com o filho é um tabu. Muitas mães o fazem, mas não falam. Têm medo da reação das pessoas. O sistema individualista atual vigente em muitas culturas exige que a criança se torne independente o quanto antes, a começar por dormir sozinha, longe dos pais. Esse sistema é contrário à nossa biologia, e porque não dizer, uma violência contra a criança.

Os seres humanos nascem ainda incompletos, e simplesmente porque não há como um bebê nascer totalmente formado sem matar a mãe. Somos pequenos, a passagem é pequena demais. Nascemos antes de estarmos totalmente formados, indefesos e incapazes. Se houvesse espaço suficiente, um bebê poderia permanecer na barriga da mãe até que se completassem 12 meses de gestação. Já pensou?! Mas a natureza é perfeita! Aos 9 meses damos a luz seres que ainda precisam do aconchego materno por pelo menos mais três meses. Isto significa pelo menos três meses no colo, com contato físico 24/7, alimentação em livre demanda etc. Tudo como se o bebê ainda estivesse na barriga da mãe.

Mas depois desses três meses uma outra parte do desenvolvimento começa a despontar, a psiquê. O bebê começa a alinhar seu “eu” com o da mãe. Os ciclos de sono se alinham, ele responde mais claramente à energia da mãe, se excitada, se irritada, se calma, se amorosa. O bebê absorve todo esse conhecimento através da mãe (e do pai também). Assim se lapida um novo ser humano em termos psicológicos. É sabido que a falta de contato físico com os pais gera psicopatas, pessoas incapazes de sentir empatia pelos outros.

Criação com apego

Durante essa jornada em busca do melhor para Matias e pra nossa pequena família, lembramos que o psicólogo do Centro de Família mencionou diversas vezes a “teoria do apego” e a “criação com apego” (attachment parenting). Ele desenhou diversas vezes no quadro a base e o mundo em volta. Falou sobre segurança na base, e curiosidade sobre o mundo em volta. Resolvi buscar informações específicas sobre isso.

Esses seriam os pais alternativos: carregam os filhos feito canguru o dia inteiro, dividem a cama, promovem a amamentação em detrimento dos substitutos, não usam violência na educação dos filhos, retardam a entrada na creche/escola etc. Ôpa! Descobri que esses somos nós!

A criação com apego não tem regras, mas é extremamente instintiva e intuitiva. Ela não é permissiva nem autoritária, mas autoritativa. Quer dizer, a criança não pode tudo, nem deixa de poder “só porque eu disse que não”. Ela envolve o respeito pela criança como pessoa que sente, que pensa, que faz, envolve um relacionamento pais-filho tão estreito que mecanismos de inibição do mal-comportamento e apreciação do bom comportamento são específicos para cada criança. Trocando em miúdos, são pais que explicam o porquê das coisas. Infância sem “por quês” vira quartel.

Nos descobrimos adeptos inconscientes do estilo de criação. Joguei o programa da Dana no lixo, Matias dorme com a gente, ele está sempre no canguru, já tínhamos feito o “bonding” quando matias nasceu (e minha proibição às visitas ajudou muito), Matias só recebeu e recebe leite materno, voltei a atender imediatamente ao choro dele (nada de deixar ele chorando até dormir), e de quebra, desde que Matias voltou a dormir com a gente, eu consegui reorganizar minha vida. Ficou muito mais fácil cuidar de mim, de Morten e da casa enquanto cuido de Matias. Matias acorda entre uma e duas vezes depois que nós vamos pra cama, e na maioria das vezes eu nem vejo. Ele acorda, mama e volta a dormir sem chorar ou me acordar. Tenho tido ótimas noites de sono (e isso é crucial para uma bipolar).

Volta ao trabalho

Mas, como nem tudo é perfeito, Matias vai precisar ir pra creche a partir do mês que vem. Meu instinto materno me diz pra ficar em casa até ele completar 3 anos, mas infelizmente preciso trabalhar. Ao que tudo indica vamos conseguir vaga na cidade onde vou trabalhar e isso é ótimo. Vou estar perto caso ele precise de mim, e vamos ficar menos horas longe um do outro. O apego já foi estabelecido, agora é trabalhar para mantê-lo apesar da distância física.

Agora surgem novos desafios. Adaptação dele na creche e minha adaptação às horas sem ele. Até hoje o máximo de horas que fiquei longe dele foram 4 horas. E foram terríveis. Estava fazendo prova e só pensava nele, se ele estava bem, se estava com fome, se tinha dormido, se Morten tinha lembrado de trocar a fralda etc. Não preciso dizer que me dei mal nas provas! E agora ele vai estar sozinho com estranhos. Vou me roer por dentro, mas tenho que aceitar e me acostumar. E não tem jeito: nenhuma mãe confia que qualquer outra pessoa possa cuidar bem do filho dela. Não há ninguém nesse mundo melhor que eu pra ler Matias e dar o que ele precisa. Mas a vida é assim, e eu não vou ficar pra semente. Mais cedo ou mais tarde esse processo vai acontecer – preferia que fosse tarde, bem tarde. Estou me empenhando em ser a base, o porto seguro pra que ele possa começar a bater suas asinhas pra cada vez mais longe, mas sempre encontrar o caminho de volta.

O difícil

Entender por quê as pessoas acham que filhos são um estorvo! As pessoas falam como se Matias fosse uma pedra no meu/nosso caminho. Matias foi, além de planejado, desejado. Eu prefiro carregar Matias no canguru, empurrar o carrinho e colocar minhas sacolas no carrinho. É mil vezes mais gostoso (e mais ergonômico também) ter ele coladinho em mim do que um monte de sacolas com coisas dentro. Às vezes não consigo tomar banho antes de colocá-lo na cama, mas fico toda contente de ter passado o dia brincando com ele, mesmo suja! Ah, e ele dorme com a gente, né. Cama compartilhada não serve para os casais que SÓ fazem sexo na cama. Nem nisso ele atrapalha a gente.

Na verdade eu não preciso entender porquê as pessoas acham isso, só preciso que elas parem de presumir que Matias é uma inconveniência pra nós.

Minhas expectativas

Me aperfeiçoar como mãe a cada dia. Porque Matias cresce e muda um pouquinho a cada dia. Todo dia tenho algo novo a aprender sobre ele.

Matias - 9 meses

Matias – 9 meses

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PS.: Importante dizer que cada mãe é uma mãe. Só você sabe o que é melhor pra você e pro seu bebê. As razões para a escolha de cesárea, Nan, colocar a criança em seu próprio quarto etc são inúmeras e não me competem. Dou graças à Deus porque tenho tido a oportunidade de fazer as coisas como desejo. O importante é que você esteja satisfeita com a solução que melhor funcionar pra você! :-p

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Para mais informações sobre Criação com apego, visite: Ask Dr. Sears (em inglês), o blog da Cientista que virou mãe (em português) e Evolutionary Parenting (em inglês).