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Indução do parto? – 36 semanas

Hoje completamos 36 semanas. Mais uma semana para então descruzar as pernas sem medo. Uma semana para aceitar de braços abertos as mudanças que se precipitam. Uma semana para ir do choro noturno de uma criança para o de três. Uma semana para ver meu mundo posto de ponta à cabeça num piscar de olhos.

As tão esperadas 37 semanas batem à minha porta. Meu corpo já dá sinais de que se prepara para mais este grande evento. E eu me preparo mental e espiritualmente para o parto de Alexander e Cecilie. Alexander está encaixado em posição cefálica e Cecilie ainda curte a liberdade do ventre, mas também em posição quase que totalmente cefálica.

Noto uma certa ansiedade daqueles a minha volta. Da família e dos médicos. Não tanto a minha. Já chegamos até aqui, agora é aguardar o tempo certo. Que tudo aconteça naturalmente. Que eles possam vir ao mundo quando estiverem prontos. A enxurrada de hormônios já altera meu corpo. Intestino solto, contrações constantes, regulares e não doloridas.

feminino_luarMinha alma parece estar sentada sob a luz do luar, sem pressa, sem medo, sem ânsia. Ela descansa e se prepara. Que venham, venham quando maduros e com saúde.

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O controle de 36 semanas

Hoje fizemos mais um controle extra com a médica. Ela não mediu as crianças. Achou melhor deixar para medir na próxima quarta-feira. Mas hoje ela falou em induzir o parto. Algo que não me agrada. A indução desencadeia uma série de outras intervenções desnecessárias. Deixei bem claro que a indução só me interessa se for baseada em necessidade clínica. Desejo que o parto se inicie por si só e quero evitar o uso de medicação contra dor.

Ela pediu para fazer um exame de toque para saber como o colo do útero está e, se eu assim permitisse e desejasse, ela faria um descolamento de membranas. Segundo ela, o procedimento só funcionaria se eu já estivesse pronta para parir, caso contrário, nada aconteceria. Acabo de ler um pouco sobre o procedimento em si, e bem, não me parece que hoje o procedimento me tenha causado prejuízo. Até agora as contrações continuam iguais.

Estou com 2cm de dilatação e muitas contrações regulares, mas que não se desenvolvem para o trabalho de parto. Depois que ela fez o toque, perguntou se poderia fazer o descolamento. Li que muitas mulheres sentem fortes dores durante esse procedimento. Eu não senti nada além de um incômodo. Ela me pediu que avisasse caso eu sentisse dor. Quando o incômodo poderia ter se tornado dor, avisei, e ela imediatamente parou o procedimento. Avisou que eu sangraria um pouco e poderia ter um certo desconforto nas horas seguintes.

Já disse aqui que o parto dos meus sonhos foi o de Matias, e que permitiria um controle dos médicos nesse, já que são gêmeos e isso causa muita ansiedade nas pessoas, e mesmo nos médicos. Mas eu ainda acredito que o parto iniciado e desenvolvido naturalmente com o mínimo possível de intervenção é o melhor. Meu corpo está pronto pro evento e os bebês também devem estar. Não vale a pena, nem é bom antecipar as coisas.

Também já disse que desde a semana 34 eles poderiam nascer – desde que entre em trabalho de parto naturalmente. Hoje penso que podem nascer a qualquer momento. Hoje, amanhã, daqui 3 ou 10 dias. Estou mentalmente preparada.   Mas desejo que eles também o estejam. E sinto que este é um evento iminente. Entendo ser melhor induzir o parto mecanicamente com o descolamento das membranas do que induzi-lo com ocitocina sintética que gera um monte de outros problemas por bloquear minha produção natural de ocitocina.

E ela falou numa possível indução com ocitocina na próxima semana. Marcou o próximo controle médico para a quarta-feira e combinamos que, se clinicamente necessário, induzimos na quinta-feira. Caso os bebês estejam tão bem quanto hoje, marcaremos controles posteriores e esperaremos que os bebês decidam quando virão ao mundo.

Mas sinto que podem nascer até antes mesmo de quarta-feira.

Um abraço.

Como engravidar de gêmeos

Desde que descobrimos que esperávamos gêmeos e passamos a contar para as pessoas, ouvi muitas pessoas, entre homens e mulheres, dizerem que adorariam ter gêmeos, ou que sempre sonharam em ter gêmeos.

No início, quando eu ainda me sentia ambivalente em relação à gravidez e ao fato de serem gêmeos, eu não entendia porquê alguém sonharia com isso. Como alguém poderia desejar o trabalho duplo, a gravidez de risco, as incertezas, a insegurança e a completa sensação de impotência que acompanham uma gravidez múltipla. Tudo me parecia completamente absurdo. Coisa de quem não sabe do está falando.

E ainda me parece. Entendo o desejo de tê-los já na primeira gestação. Pouco se sabe sobre a vida com filhos e os desafios que enfrentamos todos os dias para cria-los. Mas ouvia esse comentário também de pessoas que já tinham filhos, que conhecem bem o caminho das pedras. Esse desejo ainda me parece absurdo. Mas simplesmente porque não o compreendo, e porque a idéia de ter gêmeos me passou pela cabeça uma vez – acabei de descobrir aqui – quando estava grávida de Matias, em tom de piada. Mas a idéia passou como um relâmpago e não deixou marcas em mim. Mas parece que ecoou nos quatro cantos do universo.

Ok, agora muita gente vai pensar que “eu não mereço ter gêmeos” já que nunca os desejei. Devagar com o andor! Filhos são graças recebidas, e não por merecimento ou desejo.

Bom, ter gêmeos é sempre uma surpresa. Mesmo para aqueles que sonharam a vida inteira em tê-los. A surpresa não é maior para os que nunca imaginaram passar por isso. Ela é menor para aqueles que, de alguma forma, manipularam a ovulação e sabiam do risco aumentado de ter gêmeos. Mas uma gravidez gemelar sempre é uma surpresa. Nós nunca estamos prevenidos quando ela acontece. Essa é a natureza gemelar. Uma surpresa.

Algumas pessoas sabem que precisamos de ajuda para ter Matias, e logo assumem que fizemos o mesmo para engravidar dessa vez. Surpreendem-se ao ouvir que, dessa vez, tudo aconteceu naturalmente.

Mas afinal, quais as chances de se ter gêmeos? É possível “fazer alguma coisa” para engravidar de gêmeos? Alguma simpatia? Mandinga? Chá da vovó? Posição específica de coito? Remédio? Comida?

A resposta honesta e científica é “não”.

Mas, então, como isso acontece?

Primeiro temos que entender que a ciência ainda não desvendou todos os mistérios sobre os gêmeos. Por hoje, usam-se gêmeos em pesquisas comparativas majoritariamente direcionadas ao restante da sociedade.

Sabemos que há dois tipos de gêmeos: os univitelinos – também chamados de idênticos -, e os bivitelinos.

Os univitelinos

Fonte: http://www.learnlearn.net

Placentas, membranas – dias da divisão

As gestações gemelares univitelinas acontecem em todo o mundo em igual proporção. São gestações que acontecem de modo natural e perfazem 1 em cada 3 gestações gemelares. São raras as vezes em que resultam de reprodução assistida.
Elas são o resultado do encontro entre 1 espermatozóide e um óvulo que se divide em dois até o 13dia após a fecundação. Gêmeos univitelinos têm a mesma herança genética, o mesmo sexo e se parecem muito, sendo chamados de idênticos, mas têm arcada dentária e digitais diferentes.
O dia da divisão do óvulo determina quantas membranas serão compartilhadas pelos bebês e quantas placentas se desenvolverão. Isso define um maior ou menor risco durante a gestação. Quando a divisão acontece depois do 13dia, dá se o fenômeno dos chamados gêmeos siameses.
Apesar de terem a mesma herança genética, os gêmeos univitelinos podem apresentar algumas diferenças que ocorrem após a divisão do óvulo. Quanto mais cedo a divisão acontece, maiores são as diferenças entre os bebês, e vive-versa. Por isso há pares de gêmeos em que um apresenta uma marca de nascença que o outro não tem.
Univitelinos podem ser “cópia” ou “espelho” um do outro. 80% são cópia, e 20% são espelho. Os gêmeos espelho são aqueles em que um é destro e o outro canhoto. Em casos extremos, os órgãos podem apresentar-se espelhados. Um tem o coração do lado centro-esquerdo e o outro o tem do lado centro-direito.

Os bivitelinos

Fonte: ib.usp.br

Bivitelinos

As gestações gemelares bivitelinas são hereditárias, decorrentes da idade, ou da reprodução assistida. Pelo método natural, a mulher precisa liberar dois óvulos num mesmo ciclo, e ter ambos fecundados por dois espermatozóides diferentes.
Os bebês são tão diferentes quanto dois irmãos nascidos em tempos diferentes, isto é, compartilham de 50% da herança genética. São dois filhos que por acaso são gerados simultaneamente.
Eles podem ser do mesmo sexo ou sexos diferentes.
Duas em cada três gestações gemelares são bivitelinas, e metade é de sexos diferentes enquanto a outra metade têm o mesmo sexo.
A maioria das concepções gemelares atingidas por reprodução assistida é bivitelina. Isso acontece porque os métodos de reprodução assistida envolvem o estímulo da ovulação, e/ou a introdução de dois óvulos fecundados no útero da mulher.
Bivitelinos podem ter pais diferentes.
A gravidez gemelar bivitelina apresenta o menor risco de complicação uma vez que os bebês não dividem membranas nem placenta.

Quais as suas chances?

Uma em cada 8 gestações inicia-se como gemelar, mas somente cada terceira dessas termina com parto gemelar porque um ou os dois bebês morrem antes de 12 semanas. Hoje, com o advento da ultrassonografia, as gestações gemelares podem ser descobertas logo no início, para, mais tarde, tornarem-se gestações únicas. Esse fenômeno é chamado de ” síndrome do gêmeo desaparecido”. A maioria de nós nunca descobre uma gravidez gemelar que passa por essa síndrome. Especula-se que as pessoas canhotas são “gêmeas-espelho”, mas seu gêmeo oposto “desapareceu” no início da gestação.

As chances de conceber univitelinos é quase igual para todas, por isso o número de gestações univitelinas tem se mantido constante através do tempo. Essa gestação não é afetada pela hereditariedade, idade, peso ou outro fator externo. É uma obra do acaso, ou “Jesuiscidência”, se assim preferir. Algumas pesquisas mostram que você pode ter maior chance de ter univitelinos se você for univitelina, mas como univitelina, suas chances de ter bivitelinos são as mesmas que as das demais mulheres – a menos que se enquadre nos grupos de risco aumentado para bivitelinos.

As chances de conceber bivitelinos depende da hereditariedade, idade, grupo étnico, número de gestações anteriores ou gestações gemelares anteriores e eventual reprodução assistida. De modo geral, podemos dizer que quanto mais velha a mulher é, maiores as chances de uma gravidez gemelar. Entre os 35 e os 40 anos, a ovulação é perturbada pelas alterações hormonais da menopausa, causando ovulações duplas. As mulheres em uma família que tem histórico de bivitelinos, têm maiores chances de ter gestações bivitelinas. Se você é bivitelina ou tem bivitelinos na família, tem 5% de chance de ter bivitelinos. Se você já teve bivitelinos na gestação anterior, na próxima tem 10% de chance de ter bivitelinos outra vez.

Tanto homens quanto mulheres podem carregar os genes da dupla ovulação, mas a gemelaridade bivitelina só se concretiza através das mulheres, ou seja, seu marido pode passar o gene para sua filha, mas ele não pode fazer com que você tenha gêmeos bivitelinos por ter bivitelinos na família dele. Nesses casos, diz-se que a gemelaridade pulou uma geração. O gene passado adiante é o da dupla ovulação. Também há casos de famílias que têm gêmeos por gerações seguidas, assim como há casos em que apenas um par de bivitelinos nasce na família, e, sendo assim, não se pode dizer que a família tenha predisposição a gemelaridade. As chances de ter bivitelinos também pode ser influenciada pela altura e peso da mulher. Estudos recentes têm mostrado que quanto mais alta e corpulenta a mulher, maiores as chances de ter bivitelinos. Mas nenhuma dessas mulheres estava acima do peso, já que a obesidade diminui as chances de concepção, seja de 1 ou múltiplos.

As chances de conceber univitelinos não é afetada pela etnicidade, mas as chances de conceber bivitelinos, sim. Mulheres afrodescendentes têm maior chance de ter bivitelinos, asiáticas têm menor chance e as européias estão num meio termo. Na Nigeria, cada 22parto é de gêmeos; Na Noruega, cada 80parto é de gêmeos; no Japão, cada 150parto é de gêmeos; e na China apenas cada 300parto é de gêmeos.

Quanto as nigerianas, diz-se que a ingestão regular de inhame causou a alteração da genética, dando início às duplas ovulações em massa. Lembre-se que a maior parte dos escravos que desembarcaram no Brasil são de origem iorubá, originários da Nigéria. Se você é brasileira e afrodescendente, pode estar carregando o gene da dupla ovulação sem saber. Mas isso não significa que você, necessariamente, terá gêmeos.

Esses números e estatísticas mostram também que não basta ter dupla ovulação ou se encaixar em todos os requisitos para que se concebam gêmeos. O fato de termos 1 gêmeo para cada oitava pessoa que encontramos na rua, mas seus pares nunca terem “vingado”, nos mostra que há algo para além da probabilidade. Um estudo recente diz que as mães de gêmeos concebidos naturalmente têm saúde acima da média, mais robusta, mantém a fertilidade por mais tempo  e vivem mais, sendo chamadas de “super-mães” (artigo em inglês disponível aqui). Tenho minhas reservas pessoais a esse estudo. Eu, por exemplo, estou e sempre estive abaixo do peso por deficiência proteico-calórica, apesar de quase não ficar doente e não me faltarem nutrientes. Difícil argumentar que tenha uma saúde mais robusta que a de muitas outras mulheres. E no entanto estou gestando gêmeos.

Mas há que se entender que a ciência sozinha não abarca o milagre da vida e da morte. Em nós há, sim, um componente que a ciência ainda não conseguiu duplicar. Duplicamos tecidos, mas como duplicar a nossa essência? Aquilo que faz de você, você?

Se você buscar no google “dicas para engravidar de gêmeos”, vai encontrar muita coisa. Mas a maioria está relacionada a hereditariedade. E a única gestação gemelar passível de manipulação é a bivitelina. Se você não tem problemas para engravidar, não se aventure na reprodução assistida com o intuito de ter uma gravidez gemelar. Se seu corpo não o fizer por si só, melhor respeita-lo. Acredito que a concepção e gestação de filhos seja algo com que não devamos brincar. Uma coisa é pedir ajuda para conceber, outra bem diferente é “escolher” o tipo de concepção. Nessa parte, ainda tão alheia à nós e a nossa ciência, melhor deixar as coisas nas mãos de Deus, da natureza, ou do acaso, a depender de sua crença.

Fonte: Grønning, Joan Tønder (2008) Boken om tvillinger 0-10 år – Myter og virkelighet om graviditet, fødsel og tvillingforholdet. 1.utg. Danmark: Forlaget TekstXpressen.

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Não esqueci do post anterior. Ainda estou me aprofundando no Círculo da Segurança, por isso não quero escrever qualquer coisa sobre isso.

No meio dessa semana volto para publicar fotos comparativas da semana 24 e fotos da última ultra que fizemos. Tenham paciência comigo!

Um abraço!

Comparando II – semana 16-17

Estamos a 16 semanas e 6 dias. Completamos 17 semanas amanhã. Estamos no limbo. Entre o nada e os chutes intensos. Entre o não saber e a ultra que deve revelar os sexos dos bebês – liberando a besta compradeira adormecida em mim.

Já sinto os chutinhos, mas são leves e ainda não dá pra separar um bebê do outro. Só sinto os chutes e movimentos em lugares diferentes. E a intensidade e frequência aumentaram um pouco ontem. Não faço idéia da posição que eles estejam na barriga. A próxima ultra vai ser mesmo reveladora. A espera é maçante.

Passei um dia com uma amiga que também está grávida de gêmeos. Foi bem legal… ela está no sétimo mês. Uma tenda, claro! Destino de todas nós, grávidas. É muito bom ter alguém pra compartilhar esse tempo. Ela vai ter um casal. Também são gêmeos fraternos, e a dupla ovulação foi causada pela idade. [Vou escrever uma página aqui no blog só com as explicações por trás da genética ou acaso dos gêmeos.]

[PROPAGANDA GRATUITA] Bom, estivemos em Portugal. Voltamos ontem. Foi uma viagem a trabalho, mas com um pouco de férias incluída. A viagem foi tranquila, afinal viajei de KLM, minha companhia aérea preferida. Ela é mais cara, mas vale cada centavo. Eles têm um cuidado com os passageiros que não encontro em outras companhias – não a estou comparando a Etihad, por exemplo, com a qual nunca viajei. Mas entre as européias, a KLM se destaca. Os cuidados comigo por estar grávida são ainda maiores. Tanto na classe econômica quanto na executiva. Aliás, a classe executiva é uma coisa à parte. Fui de econômica e voltei de executiva. Na volta, não aguentei e tive que perguntar à uma das aeromoças se trabalhar para a KLM é tão prazeiroso quanto viajar com eles. Primeiro ela me perguntou o que eu achava, a julgar pelo que via. “Me parecem bastante felizes”, respondi. Ela disse: “Trabalho na KLM há 33 anos, e não troco por outra”. Antes pensava que aeromoças se aposentavam cedo, que essa era uma carreira como a de modelo, efêmera… não na KLM. A partir de outubro passado, a KLM passou a cobrar pela bagagem de porão dos membros do clube de fidelidade. Uma ninharia, e ainda assim não comprometeu seu serviço em absolutamente nada. Espero que ela continue definindo padrões na Europa, e não baixe o nível para alcançar as demais empresas de baixo-custo e nenhum respeito aos passageiros. Também espero que ela exija uma melhoria nos atendimentos das demais companhias do SkyTeam (AirFrance, Alitalia, Transavia etc) porque essas ainda deixam muito a desejar quanto à qualidade do serviço. Sempre que possível, evito vôos operados pelas empresas parceiras.[FIM DA PROPAGANDA GRATUITA]

Mas não estamos aqui para rasgar ceda. Estamos aqui pra falar dos mllagrinhos…

Durante a semana em Portugal, notei a barriga bastante endurecida. E isso me cansa. Ela fica tensa quando eu estou cansada ou estressada, se exigir demais do meu corpo. As recomendações para grávidas de gêmeos são diferentes daquelas para as demais grávidas. Por serem dois bebês, a quantidade de sangue sendo bambeado pelo coração é muito maior, o que exige que ele trabalhe mais. Essa minha amiga grávida que encontrei, disse que agora, aos sete meses, se exigir demais do corpo, desmaia. Por conta disso, o nosso limite é logo ali adiante. Não dá pra fazer muita coisa. Pra mim, um banho demorado já significa uns 15 minutos estirada no sofá pra recuperar o fôlego e desacelerar os batimentos cardíacos.

Não sei se comentei em algum dos posts anteriores, mas o meu leite secou há duas semanas. Na verdade, foram a consistência e o sabor que mudaram de uma hora para outra e Matias notou. Estava fazendo os 10 segundos de mamada com ele. Quando o gosto mudou ele não aguentou mamar por 7 segundos e largou o peito. Disse que eu tinha que limpar o peito pra o leite voltar a sair. Pediu água pra lavar a boca depois de algumas tentativas frustradas e logo disse: “É bom beber água. Não é bom mamar”. Desde então as mamadas ficaram fisicamente mais doloridas porque só sai um líquido gordo, com sabor de sabão e em pouquíssimas quantidades [Sim, eu provo meu leite com frequência]. Mas Matias é meio brasileiro e não desiste nunca. Continua tentando “achar” o leite. Eu já não ofereço o peito conscientemente e algumas vezes nego. Hoje ele mesmo disse: “Hum, agora peito só mais tarde, quando eu for dormir”. Melhor assim. Queria uma pausa antes de recomeçar a amamentação com os gêmeos.

Mas ele está bem. Às vezes a gente tem problemas pra fazê-lo comer comida. Tem dias em que ele só quer porcaria e se nega a comer a janta. Mas isso dura pouco e acho que tem mais a ver com a fase do que com os hábitos alimentares dele. Matias é bom de garfo. Na creche dizem que ele é um dos menores do grupo, mas o que mais come. Quando chega em casa, só quer comer até ir dormir. A gente precisa controlar melhor os horários. Se deixar ele mastiga o tempo todo. E na verdade, come de tudo. E gosta muito de feijão com arroz, macarrão, patê de fígado, fígado frito, frutas etc. Os legumes têm dias definidos, por assim dizer. Tem dia que só quer cenoura, no outro só batata, no outro brócolis e assim por diante.

Em Portugal ele dançou forró e lutou capoeira. Adorou! Já estou até vendo Matias daqui alguns anos fazendo essas coisas.

Matias no forró

Matias (e Morten) aprendendo os paços básicos do forró universitário com o professor Pablo Dias, em Lisboa.

Matias na Capoeira

Matias (e Morten) aprendendo Capoeira com o grupo Nova Aliança, em Lisboa.

Ele fala pelos cotovelos, como já disse. Diferencia norueguês de inglês, e às vezes chama português de inglês. E é um galã de mão cheia. Andava atrás das minhas alunas em Portugal. À mesa, durante o jantar numa churrascaria, ele pôde tomar um golinho de coca-cola do pai. Minhas alunas estavam sentadas do outro lado da mesa, e ele me solta: “Damas! Estou bebendo coca-cola!”

Com essa encerramos a conversa e vamos às fotos comparativas.

comparando 16-17

Comparando II