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O tempo voa – 6 meses

Alexander e Cecilie completaram 6 meses no último dia 15. E nossa, como o tempo passou rápido.

Na verdade nem sei bem o que escrever agora, mas pensei que, seis meses é um marco. Especialmente para a amamentação. Então vamos às divagações.

Consegui amamenta-los exclusivamente, em livre demanda, durante esses seis meses. Eles nasceram um pouco antes do tempo, então o desenvolvimento não está bem de acordo com a idade cronológica.

Alexander ainda está feito macarrão, super mole. Mas começou a virar antes de Cecilie que é um pedacinho de pau desde que saiu da barriga. Ela não ficou muito atrás. Dois dias depois ela também começou a virar. Ele passou a dormir de bruços, e acorda quando não consegue virar. Ela dorme de lado e vira, geralmente, quando está no chão, brincando. No chão, ele prefere se balançar de um lado pro outro. Mas é na cama que eles gostam de fazer estripulias. Ambos já tentam usar as pernas e pés, como se fossem engatinhar.

Mas Alexander ainda está muito mole. E isso me preocupa às vezes. Uma das desvantagens de ter gêmeos é que, mesmo que racionalmente não queiramos compara-los, inconscientemente o fazemos. E a diferença entre os dois é bastante grande. Nasceram com uma diferença de 90g, mas o desenvolvimento e crescimento tem sido bastante diferente.

stickers-michelin.jpgCecilie puxou a família do pai, e Alexander a minha. Nas curvas, ela está acima da média norueguesa, e Alexander muito abaixo – Matias fica em algum lugar entre os dois, mas abaixo da média norueguesa. Ela já pesa pouco mais de 8kg, ele ainda não chegou a 7kg. Eles estiveram doentes. Pegaram uma virosa de Matias. Cecilie tinha febre e eu não percebi. Ela continuou brincando como de costume. Alexander ficou super mal. Teve muita febre. Ficou afônico. O vírus se espalhou para os ouvidos e ele teve otite viral e a otite rendeu uma otorréia doida.  Só amanhã terminamos o tratamento da otorréia. Graças a Deus, ele deixou de mamar por um período curto e depois voltou a mamar como de costume. Mas perdeu peso por conta da febre. Cecilie segue engordando. Parece o boneco da Michelin.

A diferença de peso não é alarmante. Acho que a moleza do corpo dele me incomoda mais. Já estivemos com a fisioterapeuta duas vezes e de acordo com ela, ele está se desenvolvendo normalmente, no tempo dele. Antes, quando o colocava de barriga para baixo, ele virava um arco. Ficava com as mãos e pés no ar, arqueando as costas. E chorava muito. Agora ele mesmo vira e já brinca de barriga para baixo. Mas reclama quando não consegue desvirar. Já tenta se movimentar com a ajuda das pernas e dos pés, como se fosse engatinhar e tal. Escrevendo isso agora, noto que a diferença nem é tão grande assim. Neuras da maternidade.

Ter um bebê doente já é ruim em si, mas pior que isso foi não ver Alexander sorrir por dias a fio. Dizem que uma mãe está sempre tão feliz quanto o filho mais triste. Isso nunca fez tanto sentido pra mim como durante essas semanas. Brincava com Matias e Cecilie, mas por dentro estava tão silenciosa quanto Alexander. Não ver o sorriso, não ouvir os barulhinhos dele… Foi doloroso. Esse foi meu termômetro. Enquanto ele não volta a sorrir, ele não está bem. E eles me fazem rir. Como me fazem rir.

Cecilie parece um sol quando ri. E ela ri o tempo todo. Quando acordo, sou presenteada com aquele sorriso largo e sincero. Desses que escapolem pelos olhos dela e enchem os meus. Quando ela vê Matias de manhã, derrama o mesmo sorriso para ele. E gargalha quando brincam. Alexander gosta de rir alto. Gosta de cócegas. Action. Ele ri gostoso. Faz os barulhinhos mais gostosos. Balbucia muito. Acho que esses dois me farão rir com gosto, muito, mas muito gosto. E já o fazem.

12832348_1529410737361928_6380072557004094298_nMas, diferentes de Matias, são reservados. Matias é super social. Se jogava no colo de estranhos, ou melhor, estranhas. Sempre sorriu para todo mundo. Hoje conversa com estranhos, ou melhor, estranhas, no ônibus, no ponto, na rua. Alexander e Cecilie ficam em silêncio. Observam. Não riem, não fazem barulho. E, com gêmeos, vira e mexe me pego na situação de um dos dois estar chorando no carrinho e um estranho, ou melhor, estranha, se oferecer para segurar. Toda vez que isso acontece e alguém segura Cecilie, eu pago o pato. Ela fica quieta no colo da estranha, mas logo que volta para o meu, chora como se brigasse comigo por deixar alguém estranho segura-la. Quando um estranho segura Alexander, ele geralmente não pára de chorar, e ainda chora mais.

Quando recebemos visitas, também ficam bastante quietos. Nossa última experiência foi no sábado. Recebemos amigos para jantar. Casa cheia. Mais ou menos na hora de coloca-los na cama. Cecilie foi em alguns colos, mas sempre quieta. Nada de sorrisos. Alexander parecia estar “aguentando” aquilo tudo, esperando que acabasse pra vida voltar ao normal. Ficou bastante quieto. Fez uns barulhinhos enquanto um outro bebê começou a mexer na perna dele. Dormiram. Alexander acordou um pouco mais tarde, como de costume, e participou de algumas brincadeiras com os outros bebês e Matias, mas no colo do pai. Observando.

Meu sogro comentou numa das últimas vezes que esteve aqui, que não vê Cecilie sorrir. Alexander gargalha quando minha sogra o pega. Ela não precisa fazer absolutamente nada, e ele já gargalha. Meu sogro não tem a mesma sorte. Mas Cecilie é a mais séria. Ela simplesmente não sorri. Encara as pessoas, mas não sorri mesmo. E na verdade, eu já sabia que eles não seriam “dados” como Matias. E acho até bom. Sempre tenho medo de que  Matias seja levado por um estranho, ou melhor, uma estranha. Com esses dois tudo fica mais simples, hehehehehehehe. Mas agora estou pensando em criar coragem, e na próxima vez que um estranho, ou melhor, estranha, se oferecer para “ajudar” e segurar um dos bebês, vou ser sincera. “Obrigada, mas, não, obrigada!”

Observo que, com gêmeos, em muitas situações, as ajudas, de modo geral, me causam mais problemas. Eles já estão acostumados a esperar. E, geralmente, quando um chora, o outro para e se acalma ouvindo o choro, até que o choro se transforme em barulhinhos ou cesse. Hoje Cecilie chorou um pouco no carrinho enquanto estava na cidade. Alexander estava quieto, ouvindo. Já dentro do ônibus, tirei Cecilie do carrinho para que ela parasse de chorar. Ela parou, mas Alexander começou a chorar imediatamente. Eles não se vêem no carrinho, mas se acalmam com os barulhinhos do outro. Se estiverem perto um do outro, eles se consolam. Hoje de manhã Alexander acordou chorando. Cecilie imediatamente segurou a mão dele e ele parou de chorar, e eu pude cochilar mais um pouquinho 🙂 .

Ah, e sobre a introdução alimentar… eles ainda não estão prontos. Não estão interessados em comida, e o reflexo de cuspir ainda é muito forte, especialmente em Alexander. Tentamos no domingo. Nada feito. Quero fazer o BLW com eles também. Só a idéia de enfiar colheres de comida goela abaixo em dois bebês já me estressa. Não há nada mais relax do que BLW. Foi assim com Matias, e assim será com eles. [Falei do BLW nesse post]. Tentaremos de novo na próxima semana.

E para comemorar os seis meses, aqui vão fotos dos bebês.

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Um abraço.

O ciúme do irmão mais velho

E vamos falar do elefante no meio da sala. Vamos falar de Matias e a reação dele com a chegada dos irmãos.

“É imprescindível ensinar nossos filhos a oferecer, a cuidar dos demais de acordo com as capacidades de cada um (…). Quando compreende que tem algo a oferecer, se transforma em uma criança feliz (…). O nascimento de um bebê permite aos adultos exercer a tarefa de fortalecer a irmandade, colocando os irmãos maiores no lugar destacado que ocupam na visão dos menores. Esse lugar preferencial é, em geral, de admiração (…). Em vez de procurar sempre o que a criança quer receber, saturando-a com presentes e atendendo a qualquer pedido desmedido, devemos coloca-la em posição de oferecer (…).
Laura Gutman em A maternidade e o encontro com a própria sombra, p. 215

Bom, como contei no relato do parto, naquela fatídica noite Matias adormeceu sobre o puff da sala com o pão na boca. O avô veio ficar com ele que dormiu bem. Na noite seguinte os avós preferiram leva-lo para a casa deles em vez de ficarem aqui. Foi a primeira vez que ele dormiu sozinho, sem um de nós dois. Parece que tudo correu bem, exceto pelo fato de ele ter “expulsado” a avó do próprio quarto.

Logo no dia seguinte ao parto ele pôde nos visitar no hospital. Confesso que não lembro bem como foi isso. Mas lembro que não houve nada negativo em relação aos irmãos. Ele estava curioso e, se me lembro bem, segurou até um dos dois no colo.

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Viajando com o papai. Soube mais tarde que ele não estava acreditando em algo que o pai contou, por isso essa expressão incrédula.

Eu tinha lido algumas coisas sobre “como contornar o ciúme” e tal, mas sabia que teríamos que observar as reações dele para agir da melhor maneira. Ele já vinha perdendo terreno desde a gravidez. Participar das ultras, poder sentir os bebês chutando na minha barriga foram formas gentis de introduzir os bebês à realidade dele antes do parto. Depois de um tempo ele falava para minha barriga “Ei! Vocês não podem ficar chutando a barriga da minha mãe, não! Isso dói!”

Eu não sabia bem o que esperar, e não tinha condições de me ocupar muito dele nas primeiras semanas.  Morten era pai e mãe dele. E já próximo ao parto, Morten já era o porto seguro dele. Já chamava pelo pai quando acordava no meio da noite e já tinha aceitado que eu não o poria na cama como antes. Algumas vezes não aceitou meu consolo. E depois das duas primeiras semanas livres de Morten que voltou ao trabalho, eu voltei a ficar sozinha com as crianças e minha mãe. A partir daí Matias começou a reaver um pouco do território perdido. Eu voltei a coloca-lo na cama, mesmo que correndo no começo.

As mães costumam funcionar com sentimento de culpa, então retêm o filho mais velho em casa para que não se sinta deslocado, ou não pense que não o ama tanto como antes. O fato é que a criança fica horas esperando que a mãe acabe de amamentar, que coloque o bebê para dormir, que tome banho porque ainda está de camisola… E, quando mal começaram a compartilhar o lanche, o bebê volta a acordar! A mãe tem a sensação de ter cuidado do filho que ficou em casa, mas para a criança teria sido mais proveitoso sair para passear com a avó e voltar depois para se relacionar durante um tempo curto, mas produtivo, com uma mãe mais aliviada.
Ibid., p. 216.

Logo nas primeiras semanas ouvimos algumas vezes ele afirmar que queria “ir morar com os avós”. Quando voltava de lá, chorava. Não queria vir pra casa. Ficava chateado com as visitas que o esqueciam e só tinham olhos pros bebês. Em algumas ocasiões tomei os bebês das visitas para amamenta-los para que elas não tivessem outra opção além de dar atenção para ele. É interessante observar como bebês são ímãs. Eles atraem as atenções mesmo daqueles informados, dos que planejam dividir a atenção entre todas as crianças.

Apesar do ciúme, Matias nunca demonstrou sentimentos negativos ou fez algo maldoso com os bebês. As reações eram [e são] sempre direcionadas a nós. Na reunião na creche nos perguntaram se ele estava reagindo negativamente em casa, porque na creche ele era o irmão mais velho orgulhoso. Contava, cheio de orgulho, que tinha gêmeos. E isso eu observei na primeira vez que o levei a creche com os bebês. Quando chegamos na creche, ele ia andando na minha frente, apontando pros bebês no wrap, e anunciando à todos que passavam pela gente “Olha! Esses são os MEUS gêmeos!” Outra vez fui busca-lo e os bebês estavam no carrinho que ficou do lado de fora. A primeira coisa que ele me perguntou foi “Mãe, cadê meus gêmeos?”

Na verdade eu tentei fazer com que ele se sentisse parte “do grupo dos adultos”. Ele nos ajudaria a cuidar dos gêmeos. Nossa retórica era a de que ele agora era um rapazinho e ia ensinar as coisas aos gêmeos. E isso de ser “um rapazinho” foi usado em situações positivas e negativas. Desde a mudança ele tem o próprio quarto e dormiu lá uma noite inteira algumas vezes, mas com a proximidade do parto, voltou a vir para nossa cama durante a noite. Ele tinha começado a se interessar pelo desfralde. Mas desde o parto tem sido um passo a frente, dois atrás. Mesmo na creche soube que as tentativas têm sido frustradas ultimamente. Voltamos à estaca zero quanto ao desfralde. Uma vez eu disse que Alexander o ensinaria a usar o vaso. Ele rapidamente disse “Não! Sou eu quem vai ensinar as coisas, eu sou o irmão mais velho!” Quanto ao quarto, ele adormece lá, mas ainda vem pra nossa cama em algum momento durante a noite.

A rotina de dormir sofreu alterações. Quando eu estou sozinha com os três, a rotina é enxugada ao máximo. Troco fralda/dou banho, escovo os dentes, dou fluor, leio um livro, faço uma oração com ele e deixo o quarto enquanto ele ainda está acordado. No começo ele pedia para continuar lendo um livro, cantava e falava sozinho até adormecer. Agora ele adormece minutos depois de eu sair. Às vezes ele pede logo pra ir pra minha cama e dormir no meu quarto, com Cecilie e Alexander. Mas de modo geral, fica lá até que acorde no meio da noite. Já com o pai ele ficou mais exigente. O pai muitas vezes adormecia antes dele, cansado de esperar que ele dormisse. As coisas ficaram tão mais complicadas que agora Morten também sai do quarto enquanto ele está acordado. Mas somos diferentes também, e isso faz com que ele use estratégias diferentes com cada um. Eu sou mais dura. Se digo “não”, é “não”. Morten diz “não” e o “não” pode virar um “talvez”, ou mesmo um “sim” se ele pedir muito [:-p].

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Contando uma história pros irmãos.

Hoje ele se movimenta entre os times. Às vezes está no nosso time. Às vezes se isola. Às vezes monta seu próprio time com os gêmeos, e esse é o mais complicado, engraçado e bonito de se ver. Quando eu peço à ele que olhe os gêmeos pra eu ir ao banheiro, perco os gêmeos quando volto. Se um dos dois começa a chorar eu não posso tirar o bebê de perto dele, porque “ele está cuidando dos gêmeos”. Às vezes ele entabula uma conversa com os bebês… conta o que fez na creche, pergunta se eles querem brincar com Lego… eu me divirto. E agora, se Cecilie começa a chorar enquanto ele os olha, é comum ouvi-lo dizer “Cecilie, shhh! Pare de chorar! Não fique triste! Shhh!” E se eu pergunto da cozinha se tudo vai bem, ele responde rápido que “sim”, mas que “Cecilie estava meio triste e que ele já a consolou”.

De modo geral o ciúme apareceu e aparece em diferentes trajes, mas nada que não seja contornável. E a cada dia que passa, as coisas melhoram um pouco mais. É muito legal vê-lo preocupado com os irmãos. Ouvi-lo, todo animado, dar bom-dia para Cecilie e Alexander assim que acorda. Às vezes ele os acorda para brincar com eles – mesmo no meio da noite. Vira e mexe quer coloca-los no colo. Especialmente Cecilie… aliás, Cecilie. Está sendo interessante ver os três homens da casa voltados para ela o tempo todo. Mas ela será assunto para um dos próximos posts!

Indução do parto? – 36 semanas

Hoje completamos 36 semanas. Mais uma semana para então descruzar as pernas sem medo. Uma semana para aceitar de braços abertos as mudanças que se precipitam. Uma semana para ir do choro noturno de uma criança para o de três. Uma semana para ver meu mundo posto de ponta à cabeça num piscar de olhos.

As tão esperadas 37 semanas batem à minha porta. Meu corpo já dá sinais de que se prepara para mais este grande evento. E eu me preparo mental e espiritualmente para o parto de Alexander e Cecilie. Alexander está encaixado em posição cefálica e Cecilie ainda curte a liberdade do ventre, mas também em posição quase que totalmente cefálica.

Noto uma certa ansiedade daqueles a minha volta. Da família e dos médicos. Não tanto a minha. Já chegamos até aqui, agora é aguardar o tempo certo. Que tudo aconteça naturalmente. Que eles possam vir ao mundo quando estiverem prontos. A enxurrada de hormônios já altera meu corpo. Intestino solto, contrações constantes, regulares e não doloridas.

feminino_luarMinha alma parece estar sentada sob a luz do luar, sem pressa, sem medo, sem ânsia. Ela descansa e se prepara. Que venham, venham quando maduros e com saúde.

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O controle de 36 semanas

Hoje fizemos mais um controle extra com a médica. Ela não mediu as crianças. Achou melhor deixar para medir na próxima quarta-feira. Mas hoje ela falou em induzir o parto. Algo que não me agrada. A indução desencadeia uma série de outras intervenções desnecessárias. Deixei bem claro que a indução só me interessa se for baseada em necessidade clínica. Desejo que o parto se inicie por si só e quero evitar o uso de medicação contra dor.

Ela pediu para fazer um exame de toque para saber como o colo do útero está e, se eu assim permitisse e desejasse, ela faria um descolamento de membranas. Segundo ela, o procedimento só funcionaria se eu já estivesse pronta para parir, caso contrário, nada aconteceria. Acabo de ler um pouco sobre o procedimento em si, e bem, não me parece que hoje o procedimento me tenha causado prejuízo. Até agora as contrações continuam iguais.

Estou com 2cm de dilatação e muitas contrações regulares, mas que não se desenvolvem para o trabalho de parto. Depois que ela fez o toque, perguntou se poderia fazer o descolamento. Li que muitas mulheres sentem fortes dores durante esse procedimento. Eu não senti nada além de um incômodo. Ela me pediu que avisasse caso eu sentisse dor. Quando o incômodo poderia ter se tornado dor, avisei, e ela imediatamente parou o procedimento. Avisou que eu sangraria um pouco e poderia ter um certo desconforto nas horas seguintes.

Já disse aqui que o parto dos meus sonhos foi o de Matias, e que permitiria um controle dos médicos nesse, já que são gêmeos e isso causa muita ansiedade nas pessoas, e mesmo nos médicos. Mas eu ainda acredito que o parto iniciado e desenvolvido naturalmente com o mínimo possível de intervenção é o melhor. Meu corpo está pronto pro evento e os bebês também devem estar. Não vale a pena, nem é bom antecipar as coisas.

Também já disse que desde a semana 34 eles poderiam nascer – desde que entre em trabalho de parto naturalmente. Hoje penso que podem nascer a qualquer momento. Hoje, amanhã, daqui 3 ou 10 dias. Estou mentalmente preparada.   Mas desejo que eles também o estejam. E sinto que este é um evento iminente. Entendo ser melhor induzir o parto mecanicamente com o descolamento das membranas do que induzi-lo com ocitocina sintética que gera um monte de outros problemas por bloquear minha produção natural de ocitocina.

E ela falou numa possível indução com ocitocina na próxima semana. Marcou o próximo controle médico para a quarta-feira e combinamos que, se clinicamente necessário, induzimos na quinta-feira. Caso os bebês estejam tão bem quanto hoje, marcaremos controles posteriores e esperaremos que os bebês decidam quando virão ao mundo.

Mas sinto que podem nascer até antes mesmo de quarta-feira.

Um abraço.

35 semanas – Barriga e VLOG #1

Como prometido no post anterior, abaixo estão um vídeo com as acrobacias de Alexander e Cecilie e uma atualização sobre a gravidez. A atualização veio em forma de VLOG dessa vez.

Sei que muitos gostam de ler meus textos, mas às vezes é complicado sentar e colocar todas as idéias que tenho na tela. Então, dessa vez, resolvi “inovar” e fazer um vídeo.

Uma das diferenças entre escrever e falar, no meu caso, está na verborragia oral. Já é complicado me controlar quando escrevo, falando eu pareço uma foz. Matias tem mesmo a quem puxar. Tendo em vista minha total falta de controle oral, o vídeo original, na íntegra, tem 42 minutos de duração (!!!). Depois de assisti-lo, resolvi fazer uma edição mais curta, e essa tem 20 minutos. Essa versão, editada, é a que está publicada abaixo. Também vou deixar o link para o vídeo na íntegra para os curiosos e/ou masoquistas. Apesar do cansaço, espero que minha voz seja, pelo menos, agradável aos ouvidos, e meu sorriso amigável aos olhos 🙂

O VLOG foi gravado na última quinta-feira, dia 27. Dia em que estive no hospital para o controle da semana 35. O vídeo da barriga é uma coleção de vídeos que fiz com o computador, iPod e iPad ao longo das últimas semanas. Mas com todo o trabalho de edição no Mac – algo novo pra mim – e a sorte de ter tido minha linha telefônica cortada por um trator na sexta-feira, só hoje consegui publicar os dois vídeos em alta qualidade no Youtube. O VLOG integral está em baixa qualidade e não devo enviar uma nova versão até que minha internet esteja restabelecida. Nesse momento estou “roubando” o sinal de alguém da vizinhança e a conexão é bastante ruim.

Bom, assistam aos vídeos abaixo e depois dêem suas opiniões sobre o que acham melhor, VLOG ou texto, ou as duas coisas. É claro que, com dois bebês nos braços e mais Matias me dando 100 motivos para infartos por dia, vou precisar rever minhas publicações, a periodicidade e o formato que melhor se adequar à rotina.

Para os familiares deve ser bom me ver falando e ver a barriga, já que não fomos ao Brasil durante a gravidez dessa vez. Curtam e matem as saudades!

Então, vamos aos vídeos!!!

O vídeo na íntegra está disponível no canal do Youtube, https://youtu.be/kzC5leHHOVM.

ATUALIZAÇÃO: O berço já está no lugar, e as roupinhas lavadas! Yeay!

Um abraço e até o próximo post!

Como estamos? – Fotos

Não falo diretamente da gravidez e dos gêmeos desde o dia 8 de maio. Então aqui vai um update com fotos da barriga e da ultra na semana 24 .

Estamos a 26 semanas, e minha barriga parece que vai explodir. Meu umbigo já está liso, imagine! Na gravidez de Matias isso só aconteceu próximo as 40 semanas. Às vezes me pergunto quão elástica minha pele é para aguentar mais 11-12 semanas de crescimento da barriga, e daqui pra frente em alta velocidade.

O músculo abdominal luta bastante. E eu sofro com a tensão do músculo abdominal contra a tensão do útero que só cresce. É bastante desconfortável. Há dias que preciso voltar pra cama pra esperar a batalha terminar. Mas perco muito dos meus dias nesse negócio.

As noites de sono têm sido curtas. Cecílie não dorme antes de 1h da manhã e não acorda antes do meio dia, mas Matias tem levantado entre 6h30 e 7h30 da manhã. Se Morten estiver viajando, eu tenho que estar disponível pro ritmo dos 3. Não adianta muito tentar ir pra cama cedo com Matias, Cecílie e Alexander não me deixam dormir. É muita atividade! Alexander fica mais tranquilo enquanto Cecilie dorme no começo da manhã, mas soca minha bexiga o tempo inteiro. Ele chuta a cabeça dela, e ela não pára. É uma delícia sentir os dois, mas ao mesmo tempo avassalador. E é uma sensação única.

Matias e nosso bbhugme

Matias e nosso bbhugme

[PROPAGANDA GRATUITA] Meu tempo na cama tem sido salvo por um travesseiro tipo linguiça que comprei. O Bbhugme. Ele foi desenvolvido por quiropráticas que têm trabalhado com grávidas por muitos anos. Quando eu estava grávida de Matias, tive que fazer fisioterapia por causa das dores na bacia, que estava mole por causa da enxurrada de hormônios. Me parece que esse tipo de dor é mais comum em países frios. Dessa vez, resolvi me prevenir e comprei esse travesseirão. Até agora não tive essas dores, e durmo muito bem agarrada nele. É claro que há noites em que ele é tomado de mim.

Amarrado

Amarrado para a amamentação

Matias diz que o travesseiro é dele, e aí eu perco a vez em algumas noites. Durante o dia, quando Morten está sozinho na cama, o travesseiro é dele. Mas esse travesseiro é muito gostoso. Se estende desde meu calcanhar, passa por baixo da minha barriga, entre meus braços até chegar embaixo da minha cabeça, formando um longo travesseiro. E eu ainda posso decidir se quero mais longo ou mais curto, dependendo do que vou fazer com ele. Ele é macio, mas firme. Dá até pra dormir de barriga pra baixo com ele. E depois que Alexander e Cecilie nascerem, vou usa-lo para amamentar os dois ao mesmo tempo. E ele já vai comigo pra maternidade. Infelizmente me parece que ele só está disponível pra compra na Noruega 😦 Quem sabe num futuro próximo ele não fica disponível em outros países? Esse eu recomendo. [FIM DA PROPAGANDA GRATUITA]

Nesse período em que só postei sobre outras coisas que não nós, algumas coisas aconteceram. Desde de 12 semanas, quando comecei a pensar nas praticalidades de de repente ter 3 crianças em um apErtamento, me preocupo com o espaço. Minha mãe vem pro nascimento dos bebês e íamos transferir Matias pro outro quarto, o que causaria um efeito dominó. O outro quarto tem sido usado como escritório por Morten e como quarto de hóspedes quando temos visitas. Morten não queria transferir Matias pra lá porque ia perder o escritório e nós perderíamos o quarto de hóspedes. Esse apartamento é de pouco mais de 40 m2 mal planejados, então tudo tem estado bem apertado. Esse é um apartamento para estudantes, não para uma família.

Eu já estava com a cabeça fervendo sobre a possibilidade de se mudar, minha mãe veio com umas conversas sobre isso, e a pressão da sogra era tão sutil quanto mandar anúncios de imóveis pra gente alugar ou comprar. Bom, comprar está fora de cogitação porque não sabemos se Morten vai conseguir trabalho aqui ou em outra cidade – e, pra dizer a verdade, nenhum de nós sonha ficar em Kristiansand -, ao mesmo tempo que não temos salário fixo pra garantir um empréstimo decente. Nosso sonho mesmo é comprar um terreno grande, ou uma fazenda desativada e construir uma casa passiva. Mas isso exige que tanto eu quanto ele tenhamos empregos fixos com 100% do salário para garantir um empréstimo que seja alto o suficiente. Ainda não estamos nesse patamar. Estamos construindo nosso castelo tijolo por tijolo.

Então estamos alugando outro lugar. Nos mudamos no mês que vem para uma casa que é três vezes maior que esse apartamento, e tem três quartos. Assim, mantemos o escritório/quarto de hóspedes, damos um quarto pra Matias – que está super contente com a idéia de ter o quarto dele – e temos o nosso, com espaço suficiente para nós e os gêmeos. Sim, vamos fazer cama compartilhada de novo. Essa vai ser a primeira vez que vamos morar em uma casa aqui. Desde que nos casamos, moramos em apartamentos em todos os lugares, exceto no Brasil. A experiência de dividir as paredes com outros tem sido um tanto traumática para mim. Vai ser ótimo não ouvir os vizinhos! E nem me preocupar que eles ouçam crianças gritando, cantando, chorando, enfim, sendo crianças e “atrapalhando” a paz dos outros.

Também nessa de pensar nas praticalidades, pensei nos três primeiros dias na maternidade. Matias não pode dormir no hospital com a gente. Então comecei a me preocupar com essas noites sem a mamãe. Não queria que ele tivesse que, de repente, dormir sozinho porque eu estaria ocupada com os outros dois. Seria o mesmo que o abandonar pra cuidar dos bebês. E Matias dorme comigo desde o nascimento. Então pensei que precisamos acostuma-lo a dormir com o pai, sem mim. Assim, durante esses dias na maternidade, ele pode vir pra casa dormir com o pai, e voltar pro hospital durante o dia se quiserem. Os avós já se ofereceram para ficar com ele nesses primeiros dias. Mas Matias não dorme nem com o pai sem chorar, vai dormir bem com os avós que acham que chorar é super normal e não faz mal? Não preciso dizer que tenho sérias reservas quanto a isso. Mas isso é papo pra outro post.

Por isso, no último domingo, Matias foi dormir sozinho com o pai num hotel. Ele acordou uma vez, chorou, disse que queria vir embora, mas adormeceu no colo do pai outra vez. Pela primeira vez em 3 anos, 6 meses e 21 dias Matias dormiu longe de mim. Claro que eu sofri mais. Não consegui dormir antes de 3h da manhã. Ele estava bem no dia seguinte, e foi direto pra creche. Não o notei mais agarrado em mim depois disso, mas está mais ressabiado e ocupado em saber que eu estou por perto. Na próxima semana ele vai pra Dinamarca com o pai, e ficam 5 noites. Essa vai ser a maior prova, pros três.

Também nesse tempo, fizemos mais uma ultra no hospital, na semana 24. E dessa vez ganhamos fotos em 3D e 4D. Foi muito legal vê-los fazendo a maior bagunça na minha barriga. Tudo vai bem com eles. Estão crescendo normalmente, dentro da normalidade para gestações únicas. A parteira fez até piada de que eles poderiam nascer em torno de 3Kg cada um. Aff! Vimos todos os órgãos outra vez. Os dois estavam em posição cefálica, por isso Alexander chuta a cabeça de Cecílie, que fez cara feia na foto depois de uma pezada dessas. Bom, eu gosto de escrever, mas vamos às fotos!

Montagem 24 semanas

Foto comparativa – semana 24

Observe o umbigo liso!

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Ultra semana 24 – 2D e 4D

Só eu acho Alexander parecido com Matias nessa ultra 4D? Essa ultra me deixou ainda mais curiosa sobre a aparência dessas crianças. Tudo é possível nessa mistura.

Um abraço e até a próxima!

Como engravidar de gêmeos

Desde que descobrimos que esperávamos gêmeos e passamos a contar para as pessoas, ouvi muitas pessoas, entre homens e mulheres, dizerem que adorariam ter gêmeos, ou que sempre sonharam em ter gêmeos.

No início, quando eu ainda me sentia ambivalente em relação à gravidez e ao fato de serem gêmeos, eu não entendia porquê alguém sonharia com isso. Como alguém poderia desejar o trabalho duplo, a gravidez de risco, as incertezas, a insegurança e a completa sensação de impotência que acompanham uma gravidez múltipla. Tudo me parecia completamente absurdo. Coisa de quem não sabe do está falando.

E ainda me parece. Entendo o desejo de tê-los já na primeira gestação. Pouco se sabe sobre a vida com filhos e os desafios que enfrentamos todos os dias para cria-los. Mas ouvia esse comentário também de pessoas que já tinham filhos, que conhecem bem o caminho das pedras. Esse desejo ainda me parece absurdo. Mas simplesmente porque não o compreendo, e porque a idéia de ter gêmeos me passou pela cabeça uma vez – acabei de descobrir aqui – quando estava grávida de Matias, em tom de piada. Mas a idéia passou como um relâmpago e não deixou marcas em mim. Mas parece que ecoou nos quatro cantos do universo.

Ok, agora muita gente vai pensar que “eu não mereço ter gêmeos” já que nunca os desejei. Devagar com o andor! Filhos são graças recebidas, e não por merecimento ou desejo.

Bom, ter gêmeos é sempre uma surpresa. Mesmo para aqueles que sonharam a vida inteira em tê-los. A surpresa não é maior para os que nunca imaginaram passar por isso. Ela é menor para aqueles que, de alguma forma, manipularam a ovulação e sabiam do risco aumentado de ter gêmeos. Mas uma gravidez gemelar sempre é uma surpresa. Nós nunca estamos prevenidos quando ela acontece. Essa é a natureza gemelar. Uma surpresa.

Algumas pessoas sabem que precisamos de ajuda para ter Matias, e logo assumem que fizemos o mesmo para engravidar dessa vez. Surpreendem-se ao ouvir que, dessa vez, tudo aconteceu naturalmente.

Mas afinal, quais as chances de se ter gêmeos? É possível “fazer alguma coisa” para engravidar de gêmeos? Alguma simpatia? Mandinga? Chá da vovó? Posição específica de coito? Remédio? Comida?

A resposta honesta e científica é “não”.

Mas, então, como isso acontece?

Primeiro temos que entender que a ciência ainda não desvendou todos os mistérios sobre os gêmeos. Por hoje, usam-se gêmeos em pesquisas comparativas majoritariamente direcionadas ao restante da sociedade.

Sabemos que há dois tipos de gêmeos: os univitelinos – também chamados de idênticos -, e os bivitelinos.

Os univitelinos

Fonte: http://www.learnlearn.net

Placentas, membranas – dias da divisão

As gestações gemelares univitelinas acontecem em todo o mundo em igual proporção. São gestações que acontecem de modo natural e perfazem 1 em cada 3 gestações gemelares. São raras as vezes em que resultam de reprodução assistida.
Elas são o resultado do encontro entre 1 espermatozóide e um óvulo que se divide em dois até o 13dia após a fecundação. Gêmeos univitelinos têm a mesma herança genética, o mesmo sexo e se parecem muito, sendo chamados de idênticos, mas têm arcada dentária e digitais diferentes.
O dia da divisão do óvulo determina quantas membranas serão compartilhadas pelos bebês e quantas placentas se desenvolverão. Isso define um maior ou menor risco durante a gestação. Quando a divisão acontece depois do 13dia, dá se o fenômeno dos chamados gêmeos siameses.
Apesar de terem a mesma herança genética, os gêmeos univitelinos podem apresentar algumas diferenças que ocorrem após a divisão do óvulo. Quanto mais cedo a divisão acontece, maiores são as diferenças entre os bebês, e vive-versa. Por isso há pares de gêmeos em que um apresenta uma marca de nascença que o outro não tem.
Univitelinos podem ser “cópia” ou “espelho” um do outro. 80% são cópia, e 20% são espelho. Os gêmeos espelho são aqueles em que um é destro e o outro canhoto. Em casos extremos, os órgãos podem apresentar-se espelhados. Um tem o coração do lado centro-esquerdo e o outro o tem do lado centro-direito.

Os bivitelinos

Fonte: ib.usp.br

Bivitelinos

As gestações gemelares bivitelinas são hereditárias, decorrentes da idade, ou da reprodução assistida. Pelo método natural, a mulher precisa liberar dois óvulos num mesmo ciclo, e ter ambos fecundados por dois espermatozóides diferentes.
Os bebês são tão diferentes quanto dois irmãos nascidos em tempos diferentes, isto é, compartilham de 50% da herança genética. São dois filhos que por acaso são gerados simultaneamente.
Eles podem ser do mesmo sexo ou sexos diferentes.
Duas em cada três gestações gemelares são bivitelinas, e metade é de sexos diferentes enquanto a outra metade têm o mesmo sexo.
A maioria das concepções gemelares atingidas por reprodução assistida é bivitelina. Isso acontece porque os métodos de reprodução assistida envolvem o estímulo da ovulação, e/ou a introdução de dois óvulos fecundados no útero da mulher.
Bivitelinos podem ter pais diferentes.
A gravidez gemelar bivitelina apresenta o menor risco de complicação uma vez que os bebês não dividem membranas nem placenta.

Quais as suas chances?

Uma em cada 8 gestações inicia-se como gemelar, mas somente cada terceira dessas termina com parto gemelar porque um ou os dois bebês morrem antes de 12 semanas. Hoje, com o advento da ultrassonografia, as gestações gemelares podem ser descobertas logo no início, para, mais tarde, tornarem-se gestações únicas. Esse fenômeno é chamado de ” síndrome do gêmeo desaparecido”. A maioria de nós nunca descobre uma gravidez gemelar que passa por essa síndrome. Especula-se que as pessoas canhotas são “gêmeas-espelho”, mas seu gêmeo oposto “desapareceu” no início da gestação.

As chances de conceber univitelinos é quase igual para todas, por isso o número de gestações univitelinas tem se mantido constante através do tempo. Essa gestação não é afetada pela hereditariedade, idade, peso ou outro fator externo. É uma obra do acaso, ou “Jesuiscidência”, se assim preferir. Algumas pesquisas mostram que você pode ter maior chance de ter univitelinos se você for univitelina, mas como univitelina, suas chances de ter bivitelinos são as mesmas que as das demais mulheres – a menos que se enquadre nos grupos de risco aumentado para bivitelinos.

As chances de conceber bivitelinos depende da hereditariedade, idade, grupo étnico, número de gestações anteriores ou gestações gemelares anteriores e eventual reprodução assistida. De modo geral, podemos dizer que quanto mais velha a mulher é, maiores as chances de uma gravidez gemelar. Entre os 35 e os 40 anos, a ovulação é perturbada pelas alterações hormonais da menopausa, causando ovulações duplas. As mulheres em uma família que tem histórico de bivitelinos, têm maiores chances de ter gestações bivitelinas. Se você é bivitelina ou tem bivitelinos na família, tem 5% de chance de ter bivitelinos. Se você já teve bivitelinos na gestação anterior, na próxima tem 10% de chance de ter bivitelinos outra vez.

Tanto homens quanto mulheres podem carregar os genes da dupla ovulação, mas a gemelaridade bivitelina só se concretiza através das mulheres, ou seja, seu marido pode passar o gene para sua filha, mas ele não pode fazer com que você tenha gêmeos bivitelinos por ter bivitelinos na família dele. Nesses casos, diz-se que a gemelaridade pulou uma geração. O gene passado adiante é o da dupla ovulação. Também há casos de famílias que têm gêmeos por gerações seguidas, assim como há casos em que apenas um par de bivitelinos nasce na família, e, sendo assim, não se pode dizer que a família tenha predisposição a gemelaridade. As chances de ter bivitelinos também pode ser influenciada pela altura e peso da mulher. Estudos recentes têm mostrado que quanto mais alta e corpulenta a mulher, maiores as chances de ter bivitelinos. Mas nenhuma dessas mulheres estava acima do peso, já que a obesidade diminui as chances de concepção, seja de 1 ou múltiplos.

As chances de conceber univitelinos não é afetada pela etnicidade, mas as chances de conceber bivitelinos, sim. Mulheres afrodescendentes têm maior chance de ter bivitelinos, asiáticas têm menor chance e as européias estão num meio termo. Na Nigeria, cada 22parto é de gêmeos; Na Noruega, cada 80parto é de gêmeos; no Japão, cada 150parto é de gêmeos; e na China apenas cada 300parto é de gêmeos.

Quanto as nigerianas, diz-se que a ingestão regular de inhame causou a alteração da genética, dando início às duplas ovulações em massa. Lembre-se que a maior parte dos escravos que desembarcaram no Brasil são de origem iorubá, originários da Nigéria. Se você é brasileira e afrodescendente, pode estar carregando o gene da dupla ovulação sem saber. Mas isso não significa que você, necessariamente, terá gêmeos.

Esses números e estatísticas mostram também que não basta ter dupla ovulação ou se encaixar em todos os requisitos para que se concebam gêmeos. O fato de termos 1 gêmeo para cada oitava pessoa que encontramos na rua, mas seus pares nunca terem “vingado”, nos mostra que há algo para além da probabilidade. Um estudo recente diz que as mães de gêmeos concebidos naturalmente têm saúde acima da média, mais robusta, mantém a fertilidade por mais tempo  e vivem mais, sendo chamadas de “super-mães” (artigo em inglês disponível aqui). Tenho minhas reservas pessoais a esse estudo. Eu, por exemplo, estou e sempre estive abaixo do peso por deficiência proteico-calórica, apesar de quase não ficar doente e não me faltarem nutrientes. Difícil argumentar que tenha uma saúde mais robusta que a de muitas outras mulheres. E no entanto estou gestando gêmeos.

Mas há que se entender que a ciência sozinha não abarca o milagre da vida e da morte. Em nós há, sim, um componente que a ciência ainda não conseguiu duplicar. Duplicamos tecidos, mas como duplicar a nossa essência? Aquilo que faz de você, você?

Se você buscar no google “dicas para engravidar de gêmeos”, vai encontrar muita coisa. Mas a maioria está relacionada a hereditariedade. E a única gestação gemelar passível de manipulação é a bivitelina. Se você não tem problemas para engravidar, não se aventure na reprodução assistida com o intuito de ter uma gravidez gemelar. Se seu corpo não o fizer por si só, melhor respeita-lo. Acredito que a concepção e gestação de filhos seja algo com que não devamos brincar. Uma coisa é pedir ajuda para conceber, outra bem diferente é “escolher” o tipo de concepção. Nessa parte, ainda tão alheia à nós e a nossa ciência, melhor deixar as coisas nas mãos de Deus, da natureza, ou do acaso, a depender de sua crença.

Fonte: Grønning, Joan Tønder (2008) Boken om tvillinger 0-10 år – Myter og virkelighet om graviditet, fødsel og tvillingforholdet. 1.utg. Danmark: Forlaget TekstXpressen.

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Não esqueci do post anterior. Ainda estou me aprofundando no Círculo da Segurança, por isso não quero escrever qualquer coisa sobre isso.

No meio dessa semana volto para publicar fotos comparativas da semana 24 e fotos da última ultra que fizemos. Tenham paciência comigo!

Um abraço!

E os milagrinhos são…

Um menino e uma menina!

Parabéns à todos que deram seus palpites no Facebook e acertaram. Obrigada pelos chutes!

Desculpem a demora na resposta. Mas do hospital, fomos direto à creche buscar Matias para irmos jantar na casa dos meus sogros. Voltando pra casa, liguei pra minha mãe, coloquei Matias na cama e só agora consegui falar com meu pai. Eles sempre ficam sabendo em primeira mão. 🙂

Bom, quanto a ultra. Essa foi a “super-ultra”. Chamo ela assim porque é a única ultrassonografia que o governo dá durante a gravidez. Ela acontece entre a 18a e a 19a semana e nela a gente descobre o sexo – se assim desejar -, faz uma análise detalhada do bebê, e determina a data prevista do parto oficial. [ADENDO] Nossa data prevista de parto foi corrigida em três dias, para 4 de outubro. [FIM DO ADENDO] Essa ultra acontece no hospital onde a gente deve ter o bebê, e assim eles já mantém todas as informações sobre a mãe e os bebês antecipadamente para se preparar.

Como estamos esperando dois bebês, essa ultra foi bastante especial e mais demorada, já que analisamos os dois. Não é uma ultrassonografia super avançada como as que se fazem no Brasil. Nada de 3D ou 4D. É um aparelho comum. Tudo em preto e branco. Para ver alguma coisa em 3D ou 4D, a gente precisa ir a uma das clínicas particulares e desembolsar um dinheirinho. Eu sempre acho que a ultra comum é suficiente, então nunca paguei por uma 3D.

Também por ser uma gravidez gemelar, eu tenho um acompanhamento mais detalhado, com muitas ultrassonografias. Essa já foi a terceira e daqui pra frente, a frequência vai aumentar. Primeiro, uma a cada duas semanas e depois toda semana.

Pelo que vimos hoje, os dois estão se desenvolvendo perfeitamente, e a diferença de tamanho hoje é bastante pequena. O menino é um pouquinho maior que a menina – o que é esperado -, mas ela é mais longa. O chamado Gêmeo 1 é o menino, que está mais perto da “porta de saída”, e o Gêmeo 2 é a menina, que está mais ao alto na barriga. Ambos são bastante ativos, mas sinto a menina o tempo todo porque ela está mais perto da minha pele. O menino está atrás da placenta, por isso só o sinto quando os movimentos são para o lado, para cima ou em direção à minha bexiga.

As placentas estão bem posicionadas, não bloqueando a saída para o parto. De acordo com a ginecologista, se eu entrar em trabalho de parto antes da semana 34, eles tentam parar o processo. Se o trabalho de parto se iniciar depois da semana 34, eles deixam nascer sem problemas. Idealmente, eles devem ficar aconchegados na barriga até pelo menos a semana 36.

Ao que tudo indica, o parto será normal, mas ainda é cedo para dizer. Tudo pode mudar a qualquer momento. Durante a ultra, a menina estava na transversal e virou de cabeça pra baixo, ficando com o rosto virado pro bumbum do menino. Eles ainda estão pequenos e têm muito espaço para se movimentar, mas parecem gostar do contato entre eles. Tenho a sensação de que a menina é mais ativa que o menino, mas é difícil dizer, já que ele está atrás da placenta dele.

Por aqui, como já disse durante a gestação de Matias, o parto normal é regra, mesmo que a criança esteja sentada. Se o menino estiver com a cabeça encaixada na pélvis, é parto normal, independente da posição da menina. A Noruega é um dos poucos países que realizam partos vaginais de bebês que estão sentados. A cesária só acontece mesmo com indicação clínica. O bom do parto normal é sair do hospital como a Duquesa Kate Middleton: andando, linda, e de salto. Com cara de cansada, claro, mas pronta pra outra. É meu desejo ter outro parto normal. Não vai poder ser na água, como o de Matias, mas normal.

Os nomes…

Agora entramos na fase de escolher nomes, e mais especificamente nome de menino. O nome da menina foi na verdade escolhido antes de Morten e eu nos casarmos (Imaginem!). Desde que engravidamos de Matias e não sabíamos que era um menino que venho reagindo ao nome que escolhemos. Naquele momento o escolhemos por ser um nome que funcionava tanto no Brasil quanto na Noruega, e é bonito. Mas depois disso, quando o nome se tornou realmente uma possibilidade, fui buscar o significado… e não gostei. O nome da menina deve ser Cecilia ou Cecilie – ainda não decidimos se a ou e soam melhor no final. Mas o nome significa “cega” ou “caolha”. Também foi o nome de uma santa… mas o significado me incomoda um pouco. Pensamos que um segundo nome pode aliviar isso, mas ainda não falamos mais sobre isso. Morten é louco por esse nome desde que o escolhemos, fez até música para a potencial Cecilia/Cecilie dele. Então, bem, deverá ser uma das duas variantes mesmo. Que com ela nasça um novo significado pro nome.

Quanto ao menino… ainda não consideramos. Falamos um pouco sobre isso ontem, mas só surgiram nomes bizarros em tom de piada. Agora temos que levar o negócio a sério. Acho que vai rolar o esquema de “eu escrevo meus preferidos, você escreve os seus, e depois a gente cruza as listas”. Eu sempre sonhei com Samuel, mas não funciona bem em Norueguês. Enfim, o nome desse menino vai ser um acordão mesmo.

A ginecologista também deixou bem claro que é hora de parar de trabalhar! E finalmente já posso começar a tricotar pra essas crianças! Yeay!

E vamos às fotos da ultra!

Menino semana 19

O menino. Semana 19. – “Documentos” e perfil.

Cecilia semana 19

Cecilia/Cecilie. Semana 19. – Perfil.

Comparando II – semana 16-17

Estamos a 16 semanas e 6 dias. Completamos 17 semanas amanhã. Estamos no limbo. Entre o nada e os chutes intensos. Entre o não saber e a ultra que deve revelar os sexos dos bebês – liberando a besta compradeira adormecida em mim.

Já sinto os chutinhos, mas são leves e ainda não dá pra separar um bebê do outro. Só sinto os chutes e movimentos em lugares diferentes. E a intensidade e frequência aumentaram um pouco ontem. Não faço idéia da posição que eles estejam na barriga. A próxima ultra vai ser mesmo reveladora. A espera é maçante.

Passei um dia com uma amiga que também está grávida de gêmeos. Foi bem legal… ela está no sétimo mês. Uma tenda, claro! Destino de todas nós, grávidas. É muito bom ter alguém pra compartilhar esse tempo. Ela vai ter um casal. Também são gêmeos fraternos, e a dupla ovulação foi causada pela idade. [Vou escrever uma página aqui no blog só com as explicações por trás da genética ou acaso dos gêmeos.]

[PROPAGANDA GRATUITA] Bom, estivemos em Portugal. Voltamos ontem. Foi uma viagem a trabalho, mas com um pouco de férias incluída. A viagem foi tranquila, afinal viajei de KLM, minha companhia aérea preferida. Ela é mais cara, mas vale cada centavo. Eles têm um cuidado com os passageiros que não encontro em outras companhias – não a estou comparando a Etihad, por exemplo, com a qual nunca viajei. Mas entre as européias, a KLM se destaca. Os cuidados comigo por estar grávida são ainda maiores. Tanto na classe econômica quanto na executiva. Aliás, a classe executiva é uma coisa à parte. Fui de econômica e voltei de executiva. Na volta, não aguentei e tive que perguntar à uma das aeromoças se trabalhar para a KLM é tão prazeiroso quanto viajar com eles. Primeiro ela me perguntou o que eu achava, a julgar pelo que via. “Me parecem bastante felizes”, respondi. Ela disse: “Trabalho na KLM há 33 anos, e não troco por outra”. Antes pensava que aeromoças se aposentavam cedo, que essa era uma carreira como a de modelo, efêmera… não na KLM. A partir de outubro passado, a KLM passou a cobrar pela bagagem de porão dos membros do clube de fidelidade. Uma ninharia, e ainda assim não comprometeu seu serviço em absolutamente nada. Espero que ela continue definindo padrões na Europa, e não baixe o nível para alcançar as demais empresas de baixo-custo e nenhum respeito aos passageiros. Também espero que ela exija uma melhoria nos atendimentos das demais companhias do SkyTeam (AirFrance, Alitalia, Transavia etc) porque essas ainda deixam muito a desejar quanto à qualidade do serviço. Sempre que possível, evito vôos operados pelas empresas parceiras.[FIM DA PROPAGANDA GRATUITA]

Mas não estamos aqui para rasgar ceda. Estamos aqui pra falar dos mllagrinhos…

Durante a semana em Portugal, notei a barriga bastante endurecida. E isso me cansa. Ela fica tensa quando eu estou cansada ou estressada, se exigir demais do meu corpo. As recomendações para grávidas de gêmeos são diferentes daquelas para as demais grávidas. Por serem dois bebês, a quantidade de sangue sendo bambeado pelo coração é muito maior, o que exige que ele trabalhe mais. Essa minha amiga grávida que encontrei, disse que agora, aos sete meses, se exigir demais do corpo, desmaia. Por conta disso, o nosso limite é logo ali adiante. Não dá pra fazer muita coisa. Pra mim, um banho demorado já significa uns 15 minutos estirada no sofá pra recuperar o fôlego e desacelerar os batimentos cardíacos.

Não sei se comentei em algum dos posts anteriores, mas o meu leite secou há duas semanas. Na verdade, foram a consistência e o sabor que mudaram de uma hora para outra e Matias notou. Estava fazendo os 10 segundos de mamada com ele. Quando o gosto mudou ele não aguentou mamar por 7 segundos e largou o peito. Disse que eu tinha que limpar o peito pra o leite voltar a sair. Pediu água pra lavar a boca depois de algumas tentativas frustradas e logo disse: “É bom beber água. Não é bom mamar”. Desde então as mamadas ficaram fisicamente mais doloridas porque só sai um líquido gordo, com sabor de sabão e em pouquíssimas quantidades [Sim, eu provo meu leite com frequência]. Mas Matias é meio brasileiro e não desiste nunca. Continua tentando “achar” o leite. Eu já não ofereço o peito conscientemente e algumas vezes nego. Hoje ele mesmo disse: “Hum, agora peito só mais tarde, quando eu for dormir”. Melhor assim. Queria uma pausa antes de recomeçar a amamentação com os gêmeos.

Mas ele está bem. Às vezes a gente tem problemas pra fazê-lo comer comida. Tem dias em que ele só quer porcaria e se nega a comer a janta. Mas isso dura pouco e acho que tem mais a ver com a fase do que com os hábitos alimentares dele. Matias é bom de garfo. Na creche dizem que ele é um dos menores do grupo, mas o que mais come. Quando chega em casa, só quer comer até ir dormir. A gente precisa controlar melhor os horários. Se deixar ele mastiga o tempo todo. E na verdade, come de tudo. E gosta muito de feijão com arroz, macarrão, patê de fígado, fígado frito, frutas etc. Os legumes têm dias definidos, por assim dizer. Tem dia que só quer cenoura, no outro só batata, no outro brócolis e assim por diante.

Em Portugal ele dançou forró e lutou capoeira. Adorou! Já estou até vendo Matias daqui alguns anos fazendo essas coisas.

Matias no forró

Matias (e Morten) aprendendo os paços básicos do forró universitário com o professor Pablo Dias, em Lisboa.

Matias na Capoeira

Matias (e Morten) aprendendo Capoeira com o grupo Nova Aliança, em Lisboa.

Ele fala pelos cotovelos, como já disse. Diferencia norueguês de inglês, e às vezes chama português de inglês. E é um galã de mão cheia. Andava atrás das minhas alunas em Portugal. À mesa, durante o jantar numa churrascaria, ele pôde tomar um golinho de coca-cola do pai. Minhas alunas estavam sentadas do outro lado da mesa, e ele me solta: “Damas! Estou bebendo coca-cola!”

Com essa encerramos a conversa e vamos às fotos comparativas.

comparando 16-17

Comparando II

Segundo trimestre

Amanhã entramos na 13a semana de gravidez. Muita coisa aconteceu desde o último post e a segunda ultra aconteceu no último dia 20. Tem sido difícil encontrar calma interna pra sentar e escrever. Outras coisas, para além da gravidez, aconteceram e me mantiveram ocupada.

O bom de entrar no segundo trimestre é que o medo e o suspense diminuem consideravelmente. As chances de aborto espontâneo são muito menores e alguns dos incômodos do início da gravidez dão uma trégua – dando lugar a outros.

Como escrevi no post anterior, as náuseas têm me acompanhado, mas nas últimas duas semanas elas diminuíram consideravelmente. Minha médica me deu um remédio contra enjôos de viagem. A idéia foi boa, mas o efeito… usei 1 vez. Como instruído na bula, tomei 1 hora antes de sair pro trabalho para que o remédio fizesse efeito na hora certa – e o efeito dura até 24 horas! A viagem pro trabalho seguiu tranquila, mas quando cheguei lá, já estava me sentindo um tanto grogue. Dei aula meio que nas nuvens, mal ouvia os alunos. A viagem de volta foi tranquila, mas lembro pouco dela. Sei que comi duas saladas, mas não sei o que fiz durante o resto da viagem. Talvez tenha dormido? Chegando em casa, fui direto pra cama. Quando acordei, tudo girava. Nunca estive tão tonta na minha vida. Era uma sensação horrenda. Não consegui levantar da cama. Se estivesse bêbada teria sido capaz de levantar da cama. Mas não dessa vez. Passei o resto do dia de cama, e no dia seguinte com uma lombeira braba. O remédio não fez sucesso.

Tinha comprado um chá de gengibre e um remédio natural contra enjôos – extrato de gengibre com vitamina B6. Na quinta-feira, usei o remédio natural. Funcionou muito bem. Ótimo substituto.

Nesse meio tempo a barriga deu um salto. Já está bem visível. As coisas já levam mais tempo do que eu calculo. A simples tarefa de tomar banho antes de sair me cansa tanto que tenho sempre que tirar uns minutos sentada no sofá, respirando devagarinho.

E na sexta-feira nós fomos a segunda ultra. Eu ainda estava no suspense. Será que ainda são dois? Será que está tudo bem com eles? E se está, são uni ou bivitelinos? Eu parei de tomar o multivitamínico. Tudo me dá enjôo, e com esses comprimidos não era diferente. Estava tomando só o ácido fólico. Nada de ômega 3. Não posso dizer que minha alimentação está tão boa quanto esteve quando estava grávida de Matias. Por conta dos enjôos, como o que consigo, e o que desejo.

Grávida de Matias eu só queria coisas salgadas, e especialmente ovo cozido. Dessa vez eu quero tanto doce quanto sal, e isso é complicado. A gravidez gemelar tem maior risco de diabetes e pré-eclâmpsia. Às vezes quero mingau, bolo, sorvete outras vezes quero ovo cozido, cachorro-quente, hambúrguer etc. Confesso que tenho me controlado para não comer tanta porcaria quanto desejo. Mas com os enjôos e o aumento de saliva, comecei a chupar bala de menta, mascar chiclete e já descobri que arrumei um buraco no dente. Essas crianças estão sugando meu cálcio, e a quantidade de açúcar na boca está destruindo um dos meus dentes. Planejando uma visita ao dentista para depois da páscoa. Enfim, espero que nesse segundo trimestre eu possa voltar a comer tão bem quanto comia antes. Eu como porções menores, mas com mais frequência.

Por essas e outras andava meio preocupada com essas crianças. Mas foi bom ir à ultra e vê-los novamente. Então, o que vimos na ultra:

  • Ainda são dois;
  • Eles estão se desenvolvendo bem;
  • Ambos mediam em torno de 5cm;
  • São bivitelinos;
  • São bastante ativos; e
  • Não há nenhum sinal de falha cromossômica em nenhum dos dois.

Também estava um tanto curiosa sobre as possibilidades de parto. Se poderia ter pelo menos o primeiro na banheira, como Matias. Negativo. De acordo com o GO, os médicos preferem ter o máximo de controle possível em partos de gêmeos. Ele também disse que, geralmente, se o primeiro nascer de parto normal, o segundo também nasce de parto normal. Eles não costumam fazer o primeiro de normal e o segundo de cesária por exemplo, até porque, segundo ele, após o nascimento do primeiro, a pélvis fica tão aberta que o próprio médico pode “ir buscar o segundo” com a mão, reposiciona-lo e até puxa-lo pelo pé para ele nascer “com a bunda pra lua”. A julgar pelo parto de Matias, mais uma vez ele me assegurou, tudo indica que teremos mais um parto normal. Mas já me avisou que esse parto vai me parecer mais clínico que o anterior, uma vez que serão pelo menos dois médicos, duas parteiras, duas puericulturistas e mais alguns enfermeiros em espera no corredor caso necessário. Seremos três dessa vez, e duas crianças que podem nascer antes do tempo…

Minha oração é que eles fiquem na barriga o máximo de tempo possível, mas pelo menos até 37 semanas.

Na semana seguinte fui fazer o segundo controle com minha médica de família. Em três semanas ganhei 1 quilo. Fiz exame de urina como de praxe, e encontramos um pouquinho de proteína por isso vou precisar fazer outro em duas semanas. A pressão continua baixa como sempre. E não medimos o fundus porque o padrão é pra o desenvolvimento de gravidez única, não gemelar. Conversamos um bocado, e ela também me avisou que esse parto deve considerar menos as minhas preferências e mais o controle dos médicos. Mas confesso que penso em parir de cócoras! Mesmo sobre a cama Hahahahahahahahaha

Mas bem, vamos às fotos dos mllagrinhos 2 e 3.

Gêmeo 1

Ele está mais baixo. Deve ser o primeiro a nascer e por isso é chamado de Gêmeo 1. A posição da placenta dele em relação à barriga faz com que ele apareça mais escuro no ultrassom.

Gêmeo 2

A placenta do gêmeo 2 está mais alta na barriga, mais próximo do umbigo, então a imagem fica mais clara no ultrassom. Ele deve nascer depois, por isso é chamado Gêmeo 2.

G

Essa é a “parede” entre os dois. O médico conseguiu ver as placentas em posições opostas, e observando a espessura da divisão entre os dois determinou que são bivitelinos.

Agora nos resta saber o sexo dessas crianças. Quando estava grávida de Matias, eu sabia que era menino, mas dessa vez, não faço idéia. As apostas já começaram. Poucos acreditam que sejam dois meninos, e a maioria se divide entre duas meninas e um menino e uma menina.

Eu já estou com as mãos coçando para começar a tricotar pra esses milagrinhos. Mas prefiro saber os sexos antes de investir em lã.

E Matias: Tadinho, ele vem sofrendo por perder terreno. Não mama mais durante a noite, não o carrego mais no colo, evito levanta-lo se estiver de pé e agora já não pode mais dormir em cima de mim. Acho que ele vem sentindo bastante as mudanças. Procuro dar muito carinho e contato quando ele não está muito ocupado brincando. E confesso que a cama compartilhada tem salvo nossa relação. É durante a noite que ele me tem pra ele, às vezes por 10 horas direto. Mas ele está bem. Crescendo e se desenvolvendo. Come que parece um saco sem fundo. Come o tempo todo. Fala pelos cotovelos. Já tem um melhor amigo na creche.

Creche

Matias na creche. Experimentando marshmallow.

E Morten: Esteve internado essa última semana com uma insuficiência renal aguda depois de um episódio de desidratação. Já está melhor e em casa, com a graça de Deus. Matias sentiu muitas saudades do pai nesse período e ontem, depois que ele voltou pra casa, não dormiu durante o dia para brincar e falar com o pai.

Tem mais um monte de coisas pra contar, mas esse post já está bem grande. Vamos aproveitar a páscoa, porque aqui é férias de páscoa!

Boa páscoa!

… E em dose dupla!

Depois do post do dia 6,  trabalhei na segunda, dia 9, e piorei um pouco. Então resolvi tentar uma hora com minha médica de família antes do dia 19. Por sorte ela podia me atender naquela terça-feira mesmo, dia 10. Não fui trabalhar e já fui ao médico com o intuito de pedir licença. Já que estava impossível sair da cama, não ia adiantar me forçar e passar mal o caminho inteiro de ida e volta do trabalho. As náuseas são frustrantes!

Ela se divertiu um pouco e disse que passou por isso também com o segundo filho, então sabia bem do que eu estava falando. Me deu a licença até o início de março, na esperança de eu então estar fora do primeiro trimestre e pronta pra voltar ao trabalho. Fez alguns exames, inclusive de ferro e hemoglobina. Hemoglobina, baixa como sempre, mas ferro dentro do normal. Pude me despedir das doses extras de ferro que me causam prisões de ventre horrendas! Também me deu um encaminhamento para fazer a ultra – muito bom, o que significou não pagar pela ultra, só pelo gel.

No mesmo dia a clínica ginecológica me ligou pra marcar a ultra. Já queriam fazer no dia seguinte, mas como Morten estaria viajando precisamos remarcar pra hoje, dia 17.

A ultra foi marcada na mesma clínica em que fiz o tratamento para ter Matias, o milagrinho número 1. Achei engraçado. O médico seria outro, já que aquele com quem me consultei até 2012 se aposentou. Esse médico é jovem, mas mostra logo que gosta do que faz.

Conversamos um pouquinho. Deixei claro que seria ele quem me provaria que estou mesmo grávida, já que só acredito vendo o milagre na tela. Fizemos a ultra interna por ser de melhor visualização no começo da gravidez.

Como disse antes, estive bastante ambivalente quanto a essa gravidez. Contente, mas insegura quanto ao momento. Tinha imaginado um 2015 de ação e muito trabalho, mas estando grávida, tudo anda mais devagar. E Matias tem notado que eu não tenho conseguido brincar com ele como de costume. Que fico cuidando pra que ele não pule em cima de mim ou chute minha barriga. Ontem ele esteve bem tranquilo. Topou assistir TV, comer, brincar, tudo sentadinho no meu colo. Foi bem legal.

Ontem escrevi em meu mural do facebook um status sobre as náuseas e como elas só melhoram enquanto eu durmo ou como. Recebi muitos comentários de amigos queridos, claro. Mas um deles eu só li hoje de manhã, pouco antes de ir pra ultra. A mãe de uma amiga disse que “eu deveria desejar essa gravidez para que as náuseas passassem”. Parece óbvio que uma gravidez deva ser desejada, mas a ambivalência também existe em mim – ou existia. “Não é que eu não deseje a gravidez, eu não desejo as náuseas”, concluí com meus botões. Mas realmente ainda não tinha conseguido sorrir livremente pensando na gravidez. Pensar nela, me fazia lembrar a divisão da atenção, menos tempo para Matias, que isso pode ser complicado pra ele… e ainda tinham as náuseas me tirando de jogo!

Bom, assim que o médico colocou o bastão em mim e a imagem apareceu na tela meus olhos ficaram marejados. Logo pudemos ver não um, mas dois, dois, dois, eu disse dois, bebês! “Isso explica tanto mal-estar”, disse o médico.

Tvilingene

Bom, estamos a 7 semanas e 2 dias. Ainda não é possível dizer se são gêmeos idênticos ou não, mas são dois sacos vitelinos, o que é bom. Ao que tudo indica a gravidez vai bem e eles se desenvolvem bem. Pudemos ver os coraçõezinhos batendo. Ainda existem os tenebrosos 5% de chance de aborto espontâneo, mas torcemos para que tudo corra bem, e eles continuem a se desenvolver sem problema algum.

A data prevista do parto por enquanto é 5 de outubro, mas os partos de gêmeos costumam acontecer 3 semanas antes em 70% dos casos, de acordo com o médico. Por enquanto, esperamos uma gravidez normal, tranquila, com parto natural, como o de Matias.

Estamos surpresos, sorridentes, alegres e ao mesmo tempo nos perguntando “Como é que vai ser isso? De repente 3?”

Mas com a graça de Deus, essas crianças serão tão abençoadas quanto Matias, que vai dar um ótimo irmão mais velho.

Eduardo que sempre diz que são dois, acertou dessa vez. E agora já podem começar o bolão. Quero ver acertar o sexo dos dois!

A próxima ultra é daqui 5 semanas, e vou ter direito a muitas outras por serem gêmeos. Eles monitoram a gravidez de gêmeos de perto. Melhor assim.

Até a próxima!