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Indução do parto? – 36 semanas

Hoje completamos 36 semanas. Mais uma semana para então descruzar as pernas sem medo. Uma semana para aceitar de braços abertos as mudanças que se precipitam. Uma semana para ir do choro noturno de uma criança para o de três. Uma semana para ver meu mundo posto de ponta à cabeça num piscar de olhos.

As tão esperadas 37 semanas batem à minha porta. Meu corpo já dá sinais de que se prepara para mais este grande evento. E eu me preparo mental e espiritualmente para o parto de Alexander e Cecilie. Alexander está encaixado em posição cefálica e Cecilie ainda curte a liberdade do ventre, mas também em posição quase que totalmente cefálica.

Noto uma certa ansiedade daqueles a minha volta. Da família e dos médicos. Não tanto a minha. Já chegamos até aqui, agora é aguardar o tempo certo. Que tudo aconteça naturalmente. Que eles possam vir ao mundo quando estiverem prontos. A enxurrada de hormônios já altera meu corpo. Intestino solto, contrações constantes, regulares e não doloridas.

feminino_luarMinha alma parece estar sentada sob a luz do luar, sem pressa, sem medo, sem ânsia. Ela descansa e se prepara. Que venham, venham quando maduros e com saúde.

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O controle de 36 semanas

Hoje fizemos mais um controle extra com a médica. Ela não mediu as crianças. Achou melhor deixar para medir na próxima quarta-feira. Mas hoje ela falou em induzir o parto. Algo que não me agrada. A indução desencadeia uma série de outras intervenções desnecessárias. Deixei bem claro que a indução só me interessa se for baseada em necessidade clínica. Desejo que o parto se inicie por si só e quero evitar o uso de medicação contra dor.

Ela pediu para fazer um exame de toque para saber como o colo do útero está e, se eu assim permitisse e desejasse, ela faria um descolamento de membranas. Segundo ela, o procedimento só funcionaria se eu já estivesse pronta para parir, caso contrário, nada aconteceria. Acabo de ler um pouco sobre o procedimento em si, e bem, não me parece que hoje o procedimento me tenha causado prejuízo. Até agora as contrações continuam iguais.

Estou com 2cm de dilatação e muitas contrações regulares, mas que não se desenvolvem para o trabalho de parto. Depois que ela fez o toque, perguntou se poderia fazer o descolamento. Li que muitas mulheres sentem fortes dores durante esse procedimento. Eu não senti nada além de um incômodo. Ela me pediu que avisasse caso eu sentisse dor. Quando o incômodo poderia ter se tornado dor, avisei, e ela imediatamente parou o procedimento. Avisou que eu sangraria um pouco e poderia ter um certo desconforto nas horas seguintes.

Já disse aqui que o parto dos meus sonhos foi o de Matias, e que permitiria um controle dos médicos nesse, já que são gêmeos e isso causa muita ansiedade nas pessoas, e mesmo nos médicos. Mas eu ainda acredito que o parto iniciado e desenvolvido naturalmente com o mínimo possível de intervenção é o melhor. Meu corpo está pronto pro evento e os bebês também devem estar. Não vale a pena, nem é bom antecipar as coisas.

Também já disse que desde a semana 34 eles poderiam nascer – desde que entre em trabalho de parto naturalmente. Hoje penso que podem nascer a qualquer momento. Hoje, amanhã, daqui 3 ou 10 dias. Estou mentalmente preparada.   Mas desejo que eles também o estejam. E sinto que este é um evento iminente. Entendo ser melhor induzir o parto mecanicamente com o descolamento das membranas do que induzi-lo com ocitocina sintética que gera um monte de outros problemas por bloquear minha produção natural de ocitocina.

E ela falou numa possível indução com ocitocina na próxima semana. Marcou o próximo controle médico para a quarta-feira e combinamos que, se clinicamente necessário, induzimos na quinta-feira. Caso os bebês estejam tão bem quanto hoje, marcaremos controles posteriores e esperaremos que os bebês decidam quando virão ao mundo.

Mas sinto que podem nascer até antes mesmo de quarta-feira.

Um abraço.

Encurtamento do canal cervical – 27 semanas

Estamos a 27 semanas e essa semana experienciei algo um tanto assustador: o encurtamento do canal cervical.

Não sei bem o que causou o encurtamento, mas tenho algumas hipóteses. Na quarta-feira passei o dia fora, passeando com minha sogra. Andei bastante e terminamos o dia na casa de praia. O dia foi longo. Também, não me lembro se na quarta ou quinta, resolvi lavar os bicos dos seios que estavam bastante feios, já que desde o início da gravidez eles têm estado tão sensíveis que não aguento nem mexer. Lembro que durante o banho, o toque me causou uma série de contrações.

Mas na quinta-feira, por volta do meio dia, as contrações eram tantas que não aguentava ficar sentada ou de pé. Fui pra cama e dormi entre as 14h e 18 horas. Quando acordei, as contrações tinham diminuído bastante. Ontem, sexta-feira, o mesmo voltou a acontecer. Contrações ritmadas com 1 minuto de duração e 8 – 10 minutos de intervalo. Resolvi ligar pro hospital para saber “qual era o limite para eu entrar em contato e de repente ir até lá”. A parteira enviou um táxi de imediato e disse que, em casos de gêmeos, não há limite. Qualquer atividade ritmada deve ser observada de perto para saber se está afetando o canal cervical.

E neste caso afetou. Logo que cheguei fui atendida pela ginecologista de plantão, e ela chamou a chefe para confirmar as observações dela. O canal cervical, que tinha 4 cm na semana 24, agora tem 2,8 cm. Além disso, a placenta de Alexander tinha descido até o canal cervical, e parecia um bico de passarinho. A questão então era saber se as contrações ainda estavam influenciando o canal cervical. Fui internada imediatamente. Achei que fosse esperar algumas horas, checar de novo e ser mandada pra casa. Eu, inocente, não sabia de nada!

Me deram uma cama na área de parto, depois me transferiram para um quarto na unidade pré-natal da maternidade e lá fiquei. E fiquei. Uma enfermeira checou minha pressão, fez exame de urina, ouviu os bebês com o doppler. E só. Me deram lanche, janta, ceia. E me deixaram lá. Ouvindo os recém-nascidos chorar por suas mães, enquanto eu pedia à Deus pra que os meus ficassem mais umas 10 semanas na minha barriga.

Se o canal cervical continuasse diminuindo, e atingisse 2,5 cm, me dariam corticóide para amadurecer os pulmões de Alexander e Cecilie e me dariam outros remédios para parar o trabalho de parto. Mas para decidir isso, eu precisava de mais um exame. O dia acabou.

Antes de dormir tive mais uma hora de contrações ritmadas que cessaram depois que tomei 6 copos d’água de uma vez e me deitei do lado esquerdo. Adormeci pouco depois de 2h da manhã.

Acordei pouco antes das 7h da manhã e pensei, um médico deve aparecer logo. Antes ou logo depois do café. Levantei, tomei banho, esperei a hora do café. Nenhum médico apareceu antes do café. Perguntei a uma das enfermeiras quando um médico apareceria. “Lá pelas 9h, mas se tiver muita coisa na unidade de parto, pode demorar um pouco mais”. Ok. Tomei meu café e voltei pro quarto. Fiquei lendo. Não demorou muito e uma enfermeira dinamarquesa muito simpática veio ouvir os bebês. Tudo certo com eles. Perguntei pelo médico. Ainda não tinha vindo pra unidade pré-natal. Mas eu era a única na unidade esperando pelo médico, então, logo que ele chegasse eu seria atendida.

Continuei no quarto, esperando. Às vezes andava pelo corredor, ou ia assistir um pouco de TV na outra sala. Às 10h30min a enfermeira simpática voltou. Disse que tinha falado com a médica para saber qual seria o procedimento comigo. Eu voltaria para a unidade de parto para fazer uma nova ultrassonografia e, a depender do que víssemos, decidiríamos um plano de ação. “Daqui a pouco eu venho te buscar”, disse a enfermeira simpática.

Eu, prontamente, juntei meus paninhos de bunda e me preparei pra nova ultrassonografia e pra receber alta. Afinal, nenhuma das contrações que tinha sentido me pareciam com “contrações verdadeiras”, apesar de terem afetado o canal cervical. Não tinha dor, não tinha sangramento, a bolsa não se rompeu. Nada. Eram só essas contrações comuns de treinamento que acontecem durante toda a gravidez. Só que, de vez em quando, ritmadas demais pro meu gosto.

Foram 15 minutos, meia-hora, 45 minutos, 1 hora e nada da enfermeira simpática vir me buscar. Sentei no corredor. Não via nem ouvia nada além dos bebês chorando e seus pais desajeitados com vergonha de pedir ajuda às enfermeiras. Depois de 1h e meia, voltei pro quarto e toquei o alarme. A enfermeira simpática veio e dessa vez disse que ia ligar pessoalmente para a médica, e que, se preciso fosse, ia busca-la.

A essa altura, eu já tinha dito que ia fugir do hospital. Já é frustrante estar em casa de licença, no hospital é ainda pior!

Uns 15 minutos depois ela finalmente veio me buscar pra fazer a nova ultrassonografia. A ginecologista de plantão explicou então que, se o canal cervical não tivesse se alterado, eu Receberia alta. Mas… se tivesse diminuído, eu ficaria internada e um plano seria traçado com o chefe de plantão. Ela explicou também que a razão da demora era que nesses casos, eles costumam fazer um exame do líquido aminiótico, e esse exame só pode ser repetido 24 horas depois. No meu caso, como ainda não estava em 2,5 cm, eles decidiram não fazer esse exame, mas observar o desenvolvimento do canal por um período de 24 horas.

Ela começou a ultrassonografia, e eu curiosa, já fui perguntando se o canal tinha diminuído ou não. Ela disse que, a julgar pelo que ela estava vendo, o canal continuava em 2,8 cm, bem fechado e a placenta de Alexander tinha voltado a posição normal. Não tinha mais bico nenhum. [Yeyyy!!!] Chamou o chefe e ele veio quase que por teletransporte. Um médico alto, mas de fala mansa.

Sentou pertinho de mim e, depois de se apresentar, e observar a imagem do ultrassom, começou a conversar baixinho comigo: “Em gravidez gemelar, 4 coisas são importantes: 1) se os bebês dividem ou não a placenta; 2) como o canal cervical está; 3) se os bebês estão crescendo normalmente; e mais importante 4) como você está. Você está bem em 3 dos 4 itens. Nós, homens ginecologistas obstetras, gostamos e achamos importante explicar porquê observar o canal cervical é tão importante.” Nessa hora eu ri por dentro. “Nós, homens ginecologistas obstetras”. Ele discorreu sobre a importância de eu ligar nesses casos, disse que eu não devo ter medo de ligar e o quão feliz ele estava por ver que eu liguei. Bom, eu bem sei que em gravidez de gêmeos a diferença entre ligar ou não pode se traduzir num parto prematuro desnecessário. Liguei mesmo, apesar de não achar que fosse parir naquele momento – só não achei que fosse ficar de molho e sem informação por tanto tempo. “Não pense que nós não nos importamos. Você é importante pra mim” (Como assim, Bial?). Depois que ele saiu, a enfermeira disse: “Todo mundo adora participar quando são gêmeos ou mais. Até os chefes. Eles largam tudo e vem mesmo!” Bom pra nós.

Então ele confirmou o que a outra médica viu, e querem manter controles mais rígidos do meu canal cervical. Dia 13 eu volto e vamos ver como as coisas estão. Contei que vou me mudar daqui uma semana. “É, você vai se mudar, mas não vai mudar nada! Não vai carregar nada, não vai mover nada! A menos que você queira que esse bebês nasçam antes da hora.”

Assim, a principal “prescrição” que recebi foi: Sossegue o facho!

E no meio disso tudo, Morten e Matias estão na Dinamarca. Voltam hoje à noite. Imagine eu parir prematuros antes de eles voltarem, sozinha? Durante essas quase 24 horas internada, sem internet, sem bateria no celular, num quarto estéril, eu comecei a planejar como seriam os dias com duas crianças prematuras na UTI-neonatal, sem previsão imediata de vinda pra casa. Encontrar uma bomba hospitalar para alugar, bombear leite pelo menos 10 vezes ao dia, visitar os bebês, cuidar de Matias…

Cheguei à conclusão de que o melhor é mesmo sossegar o facho!

E vamos às fotos!

Alexander e Cecilie - 27 semanas

Comparando II – semana 16-17

Estamos a 16 semanas e 6 dias. Completamos 17 semanas amanhã. Estamos no limbo. Entre o nada e os chutes intensos. Entre o não saber e a ultra que deve revelar os sexos dos bebês – liberando a besta compradeira adormecida em mim.

Já sinto os chutinhos, mas são leves e ainda não dá pra separar um bebê do outro. Só sinto os chutes e movimentos em lugares diferentes. E a intensidade e frequência aumentaram um pouco ontem. Não faço idéia da posição que eles estejam na barriga. A próxima ultra vai ser mesmo reveladora. A espera é maçante.

Passei um dia com uma amiga que também está grávida de gêmeos. Foi bem legal… ela está no sétimo mês. Uma tenda, claro! Destino de todas nós, grávidas. É muito bom ter alguém pra compartilhar esse tempo. Ela vai ter um casal. Também são gêmeos fraternos, e a dupla ovulação foi causada pela idade. [Vou escrever uma página aqui no blog só com as explicações por trás da genética ou acaso dos gêmeos.]

[PROPAGANDA GRATUITA] Bom, estivemos em Portugal. Voltamos ontem. Foi uma viagem a trabalho, mas com um pouco de férias incluída. A viagem foi tranquila, afinal viajei de KLM, minha companhia aérea preferida. Ela é mais cara, mas vale cada centavo. Eles têm um cuidado com os passageiros que não encontro em outras companhias – não a estou comparando a Etihad, por exemplo, com a qual nunca viajei. Mas entre as européias, a KLM se destaca. Os cuidados comigo por estar grávida são ainda maiores. Tanto na classe econômica quanto na executiva. Aliás, a classe executiva é uma coisa à parte. Fui de econômica e voltei de executiva. Na volta, não aguentei e tive que perguntar à uma das aeromoças se trabalhar para a KLM é tão prazeiroso quanto viajar com eles. Primeiro ela me perguntou o que eu achava, a julgar pelo que via. “Me parecem bastante felizes”, respondi. Ela disse: “Trabalho na KLM há 33 anos, e não troco por outra”. Antes pensava que aeromoças se aposentavam cedo, que essa era uma carreira como a de modelo, efêmera… não na KLM. A partir de outubro passado, a KLM passou a cobrar pela bagagem de porão dos membros do clube de fidelidade. Uma ninharia, e ainda assim não comprometeu seu serviço em absolutamente nada. Espero que ela continue definindo padrões na Europa, e não baixe o nível para alcançar as demais empresas de baixo-custo e nenhum respeito aos passageiros. Também espero que ela exija uma melhoria nos atendimentos das demais companhias do SkyTeam (AirFrance, Alitalia, Transavia etc) porque essas ainda deixam muito a desejar quanto à qualidade do serviço. Sempre que possível, evito vôos operados pelas empresas parceiras.[FIM DA PROPAGANDA GRATUITA]

Mas não estamos aqui para rasgar ceda. Estamos aqui pra falar dos mllagrinhos…

Durante a semana em Portugal, notei a barriga bastante endurecida. E isso me cansa. Ela fica tensa quando eu estou cansada ou estressada, se exigir demais do meu corpo. As recomendações para grávidas de gêmeos são diferentes daquelas para as demais grávidas. Por serem dois bebês, a quantidade de sangue sendo bambeado pelo coração é muito maior, o que exige que ele trabalhe mais. Essa minha amiga grávida que encontrei, disse que agora, aos sete meses, se exigir demais do corpo, desmaia. Por conta disso, o nosso limite é logo ali adiante. Não dá pra fazer muita coisa. Pra mim, um banho demorado já significa uns 15 minutos estirada no sofá pra recuperar o fôlego e desacelerar os batimentos cardíacos.

Não sei se comentei em algum dos posts anteriores, mas o meu leite secou há duas semanas. Na verdade, foram a consistência e o sabor que mudaram de uma hora para outra e Matias notou. Estava fazendo os 10 segundos de mamada com ele. Quando o gosto mudou ele não aguentou mamar por 7 segundos e largou o peito. Disse que eu tinha que limpar o peito pra o leite voltar a sair. Pediu água pra lavar a boca depois de algumas tentativas frustradas e logo disse: “É bom beber água. Não é bom mamar”. Desde então as mamadas ficaram fisicamente mais doloridas porque só sai um líquido gordo, com sabor de sabão e em pouquíssimas quantidades [Sim, eu provo meu leite com frequência]. Mas Matias é meio brasileiro e não desiste nunca. Continua tentando “achar” o leite. Eu já não ofereço o peito conscientemente e algumas vezes nego. Hoje ele mesmo disse: “Hum, agora peito só mais tarde, quando eu for dormir”. Melhor assim. Queria uma pausa antes de recomeçar a amamentação com os gêmeos.

Mas ele está bem. Às vezes a gente tem problemas pra fazê-lo comer comida. Tem dias em que ele só quer porcaria e se nega a comer a janta. Mas isso dura pouco e acho que tem mais a ver com a fase do que com os hábitos alimentares dele. Matias é bom de garfo. Na creche dizem que ele é um dos menores do grupo, mas o que mais come. Quando chega em casa, só quer comer até ir dormir. A gente precisa controlar melhor os horários. Se deixar ele mastiga o tempo todo. E na verdade, come de tudo. E gosta muito de feijão com arroz, macarrão, patê de fígado, fígado frito, frutas etc. Os legumes têm dias definidos, por assim dizer. Tem dia que só quer cenoura, no outro só batata, no outro brócolis e assim por diante.

Em Portugal ele dançou forró e lutou capoeira. Adorou! Já estou até vendo Matias daqui alguns anos fazendo essas coisas.

Matias no forró

Matias (e Morten) aprendendo os paços básicos do forró universitário com o professor Pablo Dias, em Lisboa.

Matias na Capoeira

Matias (e Morten) aprendendo Capoeira com o grupo Nova Aliança, em Lisboa.

Ele fala pelos cotovelos, como já disse. Diferencia norueguês de inglês, e às vezes chama português de inglês. E é um galã de mão cheia. Andava atrás das minhas alunas em Portugal. À mesa, durante o jantar numa churrascaria, ele pôde tomar um golinho de coca-cola do pai. Minhas alunas estavam sentadas do outro lado da mesa, e ele me solta: “Damas! Estou bebendo coca-cola!”

Com essa encerramos a conversa e vamos às fotos comparativas.

comparando 16-17

Comparando II

Segundo trimestre

Amanhã entramos na 13a semana de gravidez. Muita coisa aconteceu desde o último post e a segunda ultra aconteceu no último dia 20. Tem sido difícil encontrar calma interna pra sentar e escrever. Outras coisas, para além da gravidez, aconteceram e me mantiveram ocupada.

O bom de entrar no segundo trimestre é que o medo e o suspense diminuem consideravelmente. As chances de aborto espontâneo são muito menores e alguns dos incômodos do início da gravidez dão uma trégua – dando lugar a outros.

Como escrevi no post anterior, as náuseas têm me acompanhado, mas nas últimas duas semanas elas diminuíram consideravelmente. Minha médica me deu um remédio contra enjôos de viagem. A idéia foi boa, mas o efeito… usei 1 vez. Como instruído na bula, tomei 1 hora antes de sair pro trabalho para que o remédio fizesse efeito na hora certa – e o efeito dura até 24 horas! A viagem pro trabalho seguiu tranquila, mas quando cheguei lá, já estava me sentindo um tanto grogue. Dei aula meio que nas nuvens, mal ouvia os alunos. A viagem de volta foi tranquila, mas lembro pouco dela. Sei que comi duas saladas, mas não sei o que fiz durante o resto da viagem. Talvez tenha dormido? Chegando em casa, fui direto pra cama. Quando acordei, tudo girava. Nunca estive tão tonta na minha vida. Era uma sensação horrenda. Não consegui levantar da cama. Se estivesse bêbada teria sido capaz de levantar da cama. Mas não dessa vez. Passei o resto do dia de cama, e no dia seguinte com uma lombeira braba. O remédio não fez sucesso.

Tinha comprado um chá de gengibre e um remédio natural contra enjôos – extrato de gengibre com vitamina B6. Na quinta-feira, usei o remédio natural. Funcionou muito bem. Ótimo substituto.

Nesse meio tempo a barriga deu um salto. Já está bem visível. As coisas já levam mais tempo do que eu calculo. A simples tarefa de tomar banho antes de sair me cansa tanto que tenho sempre que tirar uns minutos sentada no sofá, respirando devagarinho.

E na sexta-feira nós fomos a segunda ultra. Eu ainda estava no suspense. Será que ainda são dois? Será que está tudo bem com eles? E se está, são uni ou bivitelinos? Eu parei de tomar o multivitamínico. Tudo me dá enjôo, e com esses comprimidos não era diferente. Estava tomando só o ácido fólico. Nada de ômega 3. Não posso dizer que minha alimentação está tão boa quanto esteve quando estava grávida de Matias. Por conta dos enjôos, como o que consigo, e o que desejo.

Grávida de Matias eu só queria coisas salgadas, e especialmente ovo cozido. Dessa vez eu quero tanto doce quanto sal, e isso é complicado. A gravidez gemelar tem maior risco de diabetes e pré-eclâmpsia. Às vezes quero mingau, bolo, sorvete outras vezes quero ovo cozido, cachorro-quente, hambúrguer etc. Confesso que tenho me controlado para não comer tanta porcaria quanto desejo. Mas com os enjôos e o aumento de saliva, comecei a chupar bala de menta, mascar chiclete e já descobri que arrumei um buraco no dente. Essas crianças estão sugando meu cálcio, e a quantidade de açúcar na boca está destruindo um dos meus dentes. Planejando uma visita ao dentista para depois da páscoa. Enfim, espero que nesse segundo trimestre eu possa voltar a comer tão bem quanto comia antes. Eu como porções menores, mas com mais frequência.

Por essas e outras andava meio preocupada com essas crianças. Mas foi bom ir à ultra e vê-los novamente. Então, o que vimos na ultra:

  • Ainda são dois;
  • Eles estão se desenvolvendo bem;
  • Ambos mediam em torno de 5cm;
  • São bivitelinos;
  • São bastante ativos; e
  • Não há nenhum sinal de falha cromossômica em nenhum dos dois.

Também estava um tanto curiosa sobre as possibilidades de parto. Se poderia ter pelo menos o primeiro na banheira, como Matias. Negativo. De acordo com o GO, os médicos preferem ter o máximo de controle possível em partos de gêmeos. Ele também disse que, geralmente, se o primeiro nascer de parto normal, o segundo também nasce de parto normal. Eles não costumam fazer o primeiro de normal e o segundo de cesária por exemplo, até porque, segundo ele, após o nascimento do primeiro, a pélvis fica tão aberta que o próprio médico pode “ir buscar o segundo” com a mão, reposiciona-lo e até puxa-lo pelo pé para ele nascer “com a bunda pra lua”. A julgar pelo parto de Matias, mais uma vez ele me assegurou, tudo indica que teremos mais um parto normal. Mas já me avisou que esse parto vai me parecer mais clínico que o anterior, uma vez que serão pelo menos dois médicos, duas parteiras, duas puericulturistas e mais alguns enfermeiros em espera no corredor caso necessário. Seremos três dessa vez, e duas crianças que podem nascer antes do tempo…

Minha oração é que eles fiquem na barriga o máximo de tempo possível, mas pelo menos até 37 semanas.

Na semana seguinte fui fazer o segundo controle com minha médica de família. Em três semanas ganhei 1 quilo. Fiz exame de urina como de praxe, e encontramos um pouquinho de proteína por isso vou precisar fazer outro em duas semanas. A pressão continua baixa como sempre. E não medimos o fundus porque o padrão é pra o desenvolvimento de gravidez única, não gemelar. Conversamos um bocado, e ela também me avisou que esse parto deve considerar menos as minhas preferências e mais o controle dos médicos. Mas confesso que penso em parir de cócoras! Mesmo sobre a cama Hahahahahahahahaha

Mas bem, vamos às fotos dos mllagrinhos 2 e 3.

Gêmeo 1

Ele está mais baixo. Deve ser o primeiro a nascer e por isso é chamado de Gêmeo 1. A posição da placenta dele em relação à barriga faz com que ele apareça mais escuro no ultrassom.

Gêmeo 2

A placenta do gêmeo 2 está mais alta na barriga, mais próximo do umbigo, então a imagem fica mais clara no ultrassom. Ele deve nascer depois, por isso é chamado Gêmeo 2.

G

Essa é a “parede” entre os dois. O médico conseguiu ver as placentas em posições opostas, e observando a espessura da divisão entre os dois determinou que são bivitelinos.

Agora nos resta saber o sexo dessas crianças. Quando estava grávida de Matias, eu sabia que era menino, mas dessa vez, não faço idéia. As apostas já começaram. Poucos acreditam que sejam dois meninos, e a maioria se divide entre duas meninas e um menino e uma menina.

Eu já estou com as mãos coçando para começar a tricotar pra esses milagrinhos. Mas prefiro saber os sexos antes de investir em lã.

E Matias: Tadinho, ele vem sofrendo por perder terreno. Não mama mais durante a noite, não o carrego mais no colo, evito levanta-lo se estiver de pé e agora já não pode mais dormir em cima de mim. Acho que ele vem sentindo bastante as mudanças. Procuro dar muito carinho e contato quando ele não está muito ocupado brincando. E confesso que a cama compartilhada tem salvo nossa relação. É durante a noite que ele me tem pra ele, às vezes por 10 horas direto. Mas ele está bem. Crescendo e se desenvolvendo. Come que parece um saco sem fundo. Come o tempo todo. Fala pelos cotovelos. Já tem um melhor amigo na creche.

Creche

Matias na creche. Experimentando marshmallow.

E Morten: Esteve internado essa última semana com uma insuficiência renal aguda depois de um episódio de desidratação. Já está melhor e em casa, com a graça de Deus. Matias sentiu muitas saudades do pai nesse período e ontem, depois que ele voltou pra casa, não dormiu durante o dia para brincar e falar com o pai.

Tem mais um monte de coisas pra contar, mas esse post já está bem grande. Vamos aproveitar a páscoa, porque aqui é férias de páscoa!

Boa páscoa!