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Segundo trimestre

Amanhã entramos na 13a semana de gravidez. Muita coisa aconteceu desde o último post e a segunda ultra aconteceu no último dia 20. Tem sido difícil encontrar calma interna pra sentar e escrever. Outras coisas, para além da gravidez, aconteceram e me mantiveram ocupada.

O bom de entrar no segundo trimestre é que o medo e o suspense diminuem consideravelmente. As chances de aborto espontâneo são muito menores e alguns dos incômodos do início da gravidez dão uma trégua – dando lugar a outros.

Como escrevi no post anterior, as náuseas têm me acompanhado, mas nas últimas duas semanas elas diminuíram consideravelmente. Minha médica me deu um remédio contra enjôos de viagem. A idéia foi boa, mas o efeito… usei 1 vez. Como instruído na bula, tomei 1 hora antes de sair pro trabalho para que o remédio fizesse efeito na hora certa – e o efeito dura até 24 horas! A viagem pro trabalho seguiu tranquila, mas quando cheguei lá, já estava me sentindo um tanto grogue. Dei aula meio que nas nuvens, mal ouvia os alunos. A viagem de volta foi tranquila, mas lembro pouco dela. Sei que comi duas saladas, mas não sei o que fiz durante o resto da viagem. Talvez tenha dormido? Chegando em casa, fui direto pra cama. Quando acordei, tudo girava. Nunca estive tão tonta na minha vida. Era uma sensação horrenda. Não consegui levantar da cama. Se estivesse bêbada teria sido capaz de levantar da cama. Mas não dessa vez. Passei o resto do dia de cama, e no dia seguinte com uma lombeira braba. O remédio não fez sucesso.

Tinha comprado um chá de gengibre e um remédio natural contra enjôos – extrato de gengibre com vitamina B6. Na quinta-feira, usei o remédio natural. Funcionou muito bem. Ótimo substituto.

Nesse meio tempo a barriga deu um salto. Já está bem visível. As coisas já levam mais tempo do que eu calculo. A simples tarefa de tomar banho antes de sair me cansa tanto que tenho sempre que tirar uns minutos sentada no sofá, respirando devagarinho.

E na sexta-feira nós fomos a segunda ultra. Eu ainda estava no suspense. Será que ainda são dois? Será que está tudo bem com eles? E se está, são uni ou bivitelinos? Eu parei de tomar o multivitamínico. Tudo me dá enjôo, e com esses comprimidos não era diferente. Estava tomando só o ácido fólico. Nada de ômega 3. Não posso dizer que minha alimentação está tão boa quanto esteve quando estava grávida de Matias. Por conta dos enjôos, como o que consigo, e o que desejo.

Grávida de Matias eu só queria coisas salgadas, e especialmente ovo cozido. Dessa vez eu quero tanto doce quanto sal, e isso é complicado. A gravidez gemelar tem maior risco de diabetes e pré-eclâmpsia. Às vezes quero mingau, bolo, sorvete outras vezes quero ovo cozido, cachorro-quente, hambúrguer etc. Confesso que tenho me controlado para não comer tanta porcaria quanto desejo. Mas com os enjôos e o aumento de saliva, comecei a chupar bala de menta, mascar chiclete e já descobri que arrumei um buraco no dente. Essas crianças estão sugando meu cálcio, e a quantidade de açúcar na boca está destruindo um dos meus dentes. Planejando uma visita ao dentista para depois da páscoa. Enfim, espero que nesse segundo trimestre eu possa voltar a comer tão bem quanto comia antes. Eu como porções menores, mas com mais frequência.

Por essas e outras andava meio preocupada com essas crianças. Mas foi bom ir à ultra e vê-los novamente. Então, o que vimos na ultra:

  • Ainda são dois;
  • Eles estão se desenvolvendo bem;
  • Ambos mediam em torno de 5cm;
  • São bivitelinos;
  • São bastante ativos; e
  • Não há nenhum sinal de falha cromossômica em nenhum dos dois.

Também estava um tanto curiosa sobre as possibilidades de parto. Se poderia ter pelo menos o primeiro na banheira, como Matias. Negativo. De acordo com o GO, os médicos preferem ter o máximo de controle possível em partos de gêmeos. Ele também disse que, geralmente, se o primeiro nascer de parto normal, o segundo também nasce de parto normal. Eles não costumam fazer o primeiro de normal e o segundo de cesária por exemplo, até porque, segundo ele, após o nascimento do primeiro, a pélvis fica tão aberta que o próprio médico pode “ir buscar o segundo” com a mão, reposiciona-lo e até puxa-lo pelo pé para ele nascer “com a bunda pra lua”. A julgar pelo parto de Matias, mais uma vez ele me assegurou, tudo indica que teremos mais um parto normal. Mas já me avisou que esse parto vai me parecer mais clínico que o anterior, uma vez que serão pelo menos dois médicos, duas parteiras, duas puericulturistas e mais alguns enfermeiros em espera no corredor caso necessário. Seremos três dessa vez, e duas crianças que podem nascer antes do tempo…

Minha oração é que eles fiquem na barriga o máximo de tempo possível, mas pelo menos até 37 semanas.

Na semana seguinte fui fazer o segundo controle com minha médica de família. Em três semanas ganhei 1 quilo. Fiz exame de urina como de praxe, e encontramos um pouquinho de proteína por isso vou precisar fazer outro em duas semanas. A pressão continua baixa como sempre. E não medimos o fundus porque o padrão é pra o desenvolvimento de gravidez única, não gemelar. Conversamos um bocado, e ela também me avisou que esse parto deve considerar menos as minhas preferências e mais o controle dos médicos. Mas confesso que penso em parir de cócoras! Mesmo sobre a cama Hahahahahahahahaha

Mas bem, vamos às fotos dos mllagrinhos 2 e 3.

Gêmeo 1

Ele está mais baixo. Deve ser o primeiro a nascer e por isso é chamado de Gêmeo 1. A posição da placenta dele em relação à barriga faz com que ele apareça mais escuro no ultrassom.

Gêmeo 2

A placenta do gêmeo 2 está mais alta na barriga, mais próximo do umbigo, então a imagem fica mais clara no ultrassom. Ele deve nascer depois, por isso é chamado Gêmeo 2.

G

Essa é a “parede” entre os dois. O médico conseguiu ver as placentas em posições opostas, e observando a espessura da divisão entre os dois determinou que são bivitelinos.

Agora nos resta saber o sexo dessas crianças. Quando estava grávida de Matias, eu sabia que era menino, mas dessa vez, não faço idéia. As apostas já começaram. Poucos acreditam que sejam dois meninos, e a maioria se divide entre duas meninas e um menino e uma menina.

Eu já estou com as mãos coçando para começar a tricotar pra esses milagrinhos. Mas prefiro saber os sexos antes de investir em lã.

E Matias: Tadinho, ele vem sofrendo por perder terreno. Não mama mais durante a noite, não o carrego mais no colo, evito levanta-lo se estiver de pé e agora já não pode mais dormir em cima de mim. Acho que ele vem sentindo bastante as mudanças. Procuro dar muito carinho e contato quando ele não está muito ocupado brincando. E confesso que a cama compartilhada tem salvo nossa relação. É durante a noite que ele me tem pra ele, às vezes por 10 horas direto. Mas ele está bem. Crescendo e se desenvolvendo. Come que parece um saco sem fundo. Come o tempo todo. Fala pelos cotovelos. Já tem um melhor amigo na creche.

Creche

Matias na creche. Experimentando marshmallow.

E Morten: Esteve internado essa última semana com uma insuficiência renal aguda depois de um episódio de desidratação. Já está melhor e em casa, com a graça de Deus. Matias sentiu muitas saudades do pai nesse período e ontem, depois que ele voltou pra casa, não dormiu durante o dia para brincar e falar com o pai.

Tem mais um monte de coisas pra contar, mas esse post já está bem grande. Vamos aproveitar a páscoa, porque aqui é férias de páscoa!

Boa páscoa!

… E em dose dupla!

Depois do post do dia 6,  trabalhei na segunda, dia 9, e piorei um pouco. Então resolvi tentar uma hora com minha médica de família antes do dia 19. Por sorte ela podia me atender naquela terça-feira mesmo, dia 10. Não fui trabalhar e já fui ao médico com o intuito de pedir licença. Já que estava impossível sair da cama, não ia adiantar me forçar e passar mal o caminho inteiro de ida e volta do trabalho. As náuseas são frustrantes!

Ela se divertiu um pouco e disse que passou por isso também com o segundo filho, então sabia bem do que eu estava falando. Me deu a licença até o início de março, na esperança de eu então estar fora do primeiro trimestre e pronta pra voltar ao trabalho. Fez alguns exames, inclusive de ferro e hemoglobina. Hemoglobina, baixa como sempre, mas ferro dentro do normal. Pude me despedir das doses extras de ferro que me causam prisões de ventre horrendas! Também me deu um encaminhamento para fazer a ultra – muito bom, o que significou não pagar pela ultra, só pelo gel.

No mesmo dia a clínica ginecológica me ligou pra marcar a ultra. Já queriam fazer no dia seguinte, mas como Morten estaria viajando precisamos remarcar pra hoje, dia 17.

A ultra foi marcada na mesma clínica em que fiz o tratamento para ter Matias, o milagrinho número 1. Achei engraçado. O médico seria outro, já que aquele com quem me consultei até 2012 se aposentou. Esse médico é jovem, mas mostra logo que gosta do que faz.

Conversamos um pouquinho. Deixei claro que seria ele quem me provaria que estou mesmo grávida, já que só acredito vendo o milagre na tela. Fizemos a ultra interna por ser de melhor visualização no começo da gravidez.

Como disse antes, estive bastante ambivalente quanto a essa gravidez. Contente, mas insegura quanto ao momento. Tinha imaginado um 2015 de ação e muito trabalho, mas estando grávida, tudo anda mais devagar. E Matias tem notado que eu não tenho conseguido brincar com ele como de costume. Que fico cuidando pra que ele não pule em cima de mim ou chute minha barriga. Ontem ele esteve bem tranquilo. Topou assistir TV, comer, brincar, tudo sentadinho no meu colo. Foi bem legal.

Ontem escrevi em meu mural do facebook um status sobre as náuseas e como elas só melhoram enquanto eu durmo ou como. Recebi muitos comentários de amigos queridos, claro. Mas um deles eu só li hoje de manhã, pouco antes de ir pra ultra. A mãe de uma amiga disse que “eu deveria desejar essa gravidez para que as náuseas passassem”. Parece óbvio que uma gravidez deva ser desejada, mas a ambivalência também existe em mim – ou existia. “Não é que eu não deseje a gravidez, eu não desejo as náuseas”, concluí com meus botões. Mas realmente ainda não tinha conseguido sorrir livremente pensando na gravidez. Pensar nela, me fazia lembrar a divisão da atenção, menos tempo para Matias, que isso pode ser complicado pra ele… e ainda tinham as náuseas me tirando de jogo!

Bom, assim que o médico colocou o bastão em mim e a imagem apareceu na tela meus olhos ficaram marejados. Logo pudemos ver não um, mas dois, dois, dois, eu disse dois, bebês! “Isso explica tanto mal-estar”, disse o médico.

Tvilingene

Bom, estamos a 7 semanas e 2 dias. Ainda não é possível dizer se são gêmeos idênticos ou não, mas são dois sacos vitelinos, o que é bom. Ao que tudo indica a gravidez vai bem e eles se desenvolvem bem. Pudemos ver os coraçõezinhos batendo. Ainda existem os tenebrosos 5% de chance de aborto espontâneo, mas torcemos para que tudo corra bem, e eles continuem a se desenvolver sem problema algum.

A data prevista do parto por enquanto é 5 de outubro, mas os partos de gêmeos costumam acontecer 3 semanas antes em 70% dos casos, de acordo com o médico. Por enquanto, esperamos uma gravidez normal, tranquila, com parto natural, como o de Matias.

Estamos surpresos, sorridentes, alegres e ao mesmo tempo nos perguntando “Como é que vai ser isso? De repente 3?”

Mas com a graça de Deus, essas crianças serão tão abençoadas quanto Matias, que vai dar um ótimo irmão mais velho.

Eduardo que sempre diz que são dois, acertou dessa vez. E agora já podem começar o bolão. Quero ver acertar o sexo dos dois!

A próxima ultra é daqui 5 semanas, e vou ter direito a muitas outras por serem gêmeos. Eles monitoram a gravidez de gêmeos de perto. Melhor assim.

Até a próxima!