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15.09.15 – O segundo grande evento

A anunciação

Fomos para o controle com a médica e, por intervenção divina, a médica que me atendeu foi a mesma de quem já falei no VLOG. Uma senhora, experiente, chefe etc. Ela fez as novas medidas dos bebês. Alexander estava 15% menor e Cecilie 16%. Tudo completamente normal. Ambos seguindo sua curva de crescimento individual. Ela concordou comigo que o melhor é mesmo que os bebês fiquem na barriga tanto quanto possível, e que eu não precisaria de epidural, a menos que fosse necessário. Concordamos também que o ideal seria que o parto iniciasse por si só, contei que já havia entrado nos pródromos e ela então marcou a indução para o dia em que completaríamos 39 semanas. Eu estava disposta a aceitar a semana 38, mas ela também queria me dar tempo suficiente para entrar em trabalho de parto naturalmente. Ao final do controle, depois de sanar todas as nossas dúvidas, jogar por terra a idéia tosca de indução na semana 37, e dissolver toda nossa preocupação quanto ao crescimento dos bebês, ela disse: você vai parir como uma deusa!

14.09.15

Fui para mais um controle com a parteira. Fui direto para a sala de CTG. Duas parteiras tentando encontrar e separar os batimentos cardíacos dos dois. No processo, constatou-se que minhas contrações estavam bastante regulares e um tanto fortes. A parteira sugeriu que eu ficasse no hospital por mais umas horas para ver se entraria mesmo em trabalho de parto. Morten estava em Stavanger, eu precisava fazer janta para Matias, meu sogro ia busca-lo na creche dali duas horas. Achei melhor vir para casa. Não acreditei que aquelas contrações fossem fortes o suficiente.

Vim para casa e não consegui fazer a janta. Sugeri de última hora ir jantar na casa dos meus sogros. Fui com Matias para lá. As contrações não cessavam, nem ficavam mais espaçadas. Pensei em vir para casa, tomar um banho e ver como elas se comportariam. Minha sogra checou os horários dos trens e vôos de Stavanger para Kristiansand. Vim embora para casa com Matias. Estranhamente, ele estava tão cansado que adormeceu sobre o puff da sala com o pão na boca.

Comecei a contar o tempo das contrações. Elas vinham com intervalos de 3 a 4 minutos e duravam 1 minuto e meio. Eu não conseguia fazer mais nada, mas ainda queria o banho. Liguei para o hospital. A parteira do outro lado da linha disse que fosse para lá. Não tinha feito a mala, estava sozinha com Matias – que adormecera na sala, e eu não sabia como conseguiria leva-lo para cama – tinha que pedir a Morten que viesse o mais rápido possível. Ele comprou a passagem de avião. Tudo muito apertado. Tinha pouco tempo para ir pro hotel, juntar as coisas e ir pro aeroporto.

A parteira pediu que eu não tomasse banho em casa, mas que o fizesse no hospital. Liguei pro meu sogro para que ele ficasse com Matias. Fui fazer a mala. Matias não acordava nem a porrete. O coloquei no colo, subi as escadas e o coloquei na nossa cama. Sussurrei que o avô viria ficar com ele, que a mamãe ia pro hospital, mas ele não ficaria sozinho. Ele continuou dormindo.

Pedi o táxi. Meu sogro chegou, mais nervoso que eu. O táxi demorou, chovia. Quando avistei o táxi, lembrei-me que Morten estava com meu cartão. Não tinha dinheiro comigo. Como ia pagar pela corrida? Perguntei ao motorista se era possível pagar por fatura, ou que ele voltasse ao hospital em três horas, quando Morten já teria chegado com meu cartão. Meu sogro só resmungava com o motorista e dizia que eu estava parindo e que ele tinha que me levar pro hospital. Nada me parecia tão precipitado, mas já havia entendido que todos ao meu redor estavam muito mais ansiosos que eu. Parecia que eu estava a ponto de parir ali mesmo, antes de entrar no carro. O motorista só mandou que eu entrasse no carro e disse que depois resolveríamos. Assinei um termo de compromisso de que pagaria pela corrida mais tarde e deixei meus dados com o motorista.

Chegando no hospital, fui para o quarto. Estava com 3 cm de dilatação. Fui posta no CTG de novo. Um médico veio fazer uma ultra para determinar a posição dos bebês e ajudar a parteira com o CTG que mais uma vez coincidia. As contrações se mantiveram. Morten chegou. Por volta da meia-noite cheguei a 4 cm de dilatação. Os dois médicos do plantão vieram me visitar e falar um pouco sobre o que aconteceria. “É, esse parto acontece ainda essa madrugada”, disse o obstetra chefe. Começamos a nos preparar. E, enfim, pude tomar uma ducha. A água quente aliviava as dores das contrações. Aliviava tanto, que tudo parou.

As contrações continuavam fortes, mas se tornaram mais espaçadas e irregulares.

Era notória a ansiedade das parteiras que torciam e faziam o que podiam para que o parto acontecesse durante aquele plantão. O plantão noturno acabou, novas parteiras e novos médicos chegaram, e eu ainda estava lá, emperrada nos 4 cm.

15.09.15

Em cada plantão eu tinha uma parteira dedicada. Ela não atendia a mais ninguém, só a mim. A parteira que chegou pela manhã me colocou amarrada ao CTG, sem muita chance de pausa. Perguntei quem era o obstetra chefe daquele plantão. Era ela, a mesma que tinha feito meu último controle. “Nascendo neste plantão, fico tranquila”, pensei com meus botões. Mas a médica nem teve chance de me ver. A dilatação estava estacionada em 4 cm. Nada acontecia. Mas as contrações continuavam. O catéter da epidural foi posto no lugar às 11h45 e um teste foi feito. Minha perna direita ficou dormente e eu fiquei um pouco “aluada”. E passamos por mais uma troca de plantão.

Por volta das 15h30 conhecemos Ranghild. Minha nova parteira dedicada. Pedi que me tirasse do CTG. Eu precisava trabalhar com a dor, e amarrada na cama estava muito complicado. Queria andar, estar livre pra deixar que meu corpo ditasse suas regras. Ranghild me deu uma pausa pra ir ao banheiro e me movimentar um pouco. Mas eu desejava fugir das amarras da cama até o parto. Ela queria fazer uma leitura aceitável do CTG antes de me deixar livre. Me ofereceu bola, “prekestolen”, banho… mas ela, como as anteriores, não conseguia separar os batimentos cardíacos dos bebês e logo, os 20 minutos esperados presa ao CTG, tornaram-se  2 horas de monitoramento.

Com o aumento da intensidade das contrações, e o aumento da minha frustração por não poder trabalhar com a dor, entrei triunfante no segundo estágio da dor do parto: a raiva. De repente me vi com as dores do parto, amarrada à máquina, sem absoluta possibilidade de lidar com a dor de forma alternativa. Minha vontade era de bater na parteira e no meu marido, quebrar as janelas no soco. E eu dizia isso! Alto. Muitas vezes. Lembro de ouvir a parteira dizer: “Nossa, tô até com medo. Não vou chegar perto de você, não.” E riam.

A realidade bateu à minha porta, nua e crua. Mandei chamar o anestesista. A tão desdenhada epidural agora se fazia necessária. Eu não tinha condições de enfrentar as crescentes dores sem alternativa de alívio. O anestesista veio logo, mas, na minha cabeça, esperei por uma eternidade. Morten fazia massagens na minha lombar, o que me garantia alívio imediato, mas ele também ficava cansado, e minha vontade de bater em qualquer um deles aumentava cada vez que ele parava ou mudava a força ou o local da massagem.

O anestesista chegou, todo sorridente. Se apresentou e perguntou: “Tudo bem com você?” Minha dor respondeu: “Tudo ótimo! Tudo maravilhoso, não tá vendo?” Depois dos comentários que eu não ouvi, ele continuou o interrogatório. “Você é saudável? Tem alguma alergia?” Minha impaciência respondeu em voz alta: “Sou saudável, sim, exceto por essa loucura que acompanha a dor!” Na minha cabeça eu já tinha repetido, no mínimo umas três vezes: “Cala a boca e me dá logo essa epidural!” Eram pouco mais de 18h.

Ranghild tentava, sem sucesso, separar as leituras do CTG dos bebês. Chamou então o médico de plantão para que fizesse uma ultrassonografia. Eram 19h30. Essa ultrassonografia não só mostrou que os dois estavam bem, mas também que Cecilie tinha mudado de posição. Ela, que tinha estado em posição cefálica por semanas, havia virado. Estava na transversal, com o bumbum mais baixo que a cabeça. Tudo indicava que o parto dela seria pélvico. Ao mesmo tempo, observamos que a posição de Alexander, muito baixa na minha pélvis, dificultava mante-lo no CTG por cima da barriga.

Resolvemos então estourar a bolsa para que pudéssemos monitora-lo pela cabeça. Eram 20h. Um cabo com uma agulha na ponta foi inserido na cabeça dele. Assim não havia dúvida de seus batimentos cardíacos e sabíamos que aquele encontrado por cima da barriga era de Cecilie. Ainda assim pudemos observar que os batimentos estavam mesmo muito próximos. Ainda estava com 4 cm de dilatação. Alexander continuava encaixado e pronto para nascer. O líquido amniótico estava limpo.

Depois de estourar a bolsa o trabalho de parto voltou a ficar regular. As contrações ficaram mais frequentes, 4 a cada 10 minutos com duração de 60 segundos cada. O efeito da epidural era interessante. Eu não sentia a dor das contrações, mas sentia que iam e vinham. Agradecia a Deus e ao mundo pela epidural. Amarrada aos cintos do CTG, e com o fio na cabecinha de Alexander, minhas opções de movimentação eram bastante limitadas.

Pensava comigo que eu tinha aceito esse parto clinico. Tinha feito as pazes com aquilo que não poderia controlar. Mas estava contente de sentir o trabalho de parto, apesar da epidural e de todo o ambiente controlado e estéril ao meu redor. Faria o melhor possível com as opções que tinha. Não gostaria de deixar aquele quarto com meus filhos nos braços me sentindo roubada. O parto era dos meus filhos e eu ainda era a protagonista. Sentia meu corpo trabalhar. Acompanhava seu ritmo. Comecei a sentir pressão na pélvis.

Cheguei aos 10 cm de dilatação às 22h15min. Às 22h30min Ranghild ligou para a equipe. Logo o quarto, que era menor do que aquele em que Matias nasceu, se encheu de gente. Duas médicas, pediatras, enfermeiras. Éramos ao todo 8 pessoas no quartinho, e mais duas a caminho. As médicas eu já conhecia dos controles. Uma tinha feito meu check-up na semana 27, quando o canal cervical diminuiu, e a outra era uma nerd, super ocupada com a ciência e em fazer tudo perfeito. O plantão de Ranghild já estava se encerrando, mas ela ficou.

E de repente, para minha surpresa, senti vontade de empurrar.

Tinha em minha cabeça as imagens dos filmes e seriados em que, durante o parto com epidural, a mulher não sabe quando deve empurrar e precisa confiar nos aparelhos para empurrar na hora certa. Este não era meu caso. Não sentia dor, mas a vontade de empurrar estava lá.

Muitas instruções. Ultrassonografia constante. Foi confirmado que Cecilie estava pélvica e as médicas então nos explicaram o que aconteceria com ela. Alexander estava pronto pra nascer, de cabeça. Mas Cecilie teria o cordão umbilical pressionado entre o pescoço e a abertura vaginal, o que faria com que ela ficasse sem oxigênio por um curto momento. Manobras específicas seriam feitas para a retirada da cabeça que é a maior circunferência a passar pelo canal vaginal durante o parto, e por isso ela nasceria “mole, tonta, talvez até desmaiada” foram as palavras da médica. Pronto. Já sabia o que esperar.

Às 23h comecei a empurrar. Alexander veio ao mundo como esperado. De cabeça. Tudo tranquilo. Lembro de ouvir todos falando, e as vozes ficando cada vez mais distantes. Eu fechava os olhos e me concentrava em fazer o que meu corpo mandava. Todos falavam ao mesmo tempo. Enquanto eu empurrava Alexander para fora de mim, a médica nerd acompanhava Cecilie com o aparelho de ultra-som. Eu não dava um pio. Só avisava “vou empurrar”, e elas diziam “empurre sempre que der vontade”. E eu empurrava. Tomava ar, e empurrava mais.

Às 23h11min nasceu Alexander. As contrações cessaram.

Não tive tempo de vê-lo. Morten logo o teve nos braços. Eles foram para outra sala com ele enquanto as médicas e parteiras ainda observavam Cecilie. As médicas falavam entre si, e lembro de ouvi-las dizer que esperariam que ela viesse naturalmente, que não a “buscariam”. As idas e vindas do aparelho de ultra-som sobre a minha barriga continuavam. Morten voltou com Alexander, e o tive nos braços pela primeira vez. Logo observei que a respiração dele estava curta, superficial. Chamei Morten de volta para que o levasse ao pediatra imediatamente. Nesse meio tempo, os batimentos de Cecilie começaram a cair. Alexander saiu da sala novamente nos braços do pai e eu voltei a observar o que acontecia a meu redor.

A médica estava de pé, na minha frente e olhava minhas entranhas como quem assiste TV. E conversava com a outra médica. “Sim, estou vendo o pé dela. Ela já está descendo. Tenho que esperar o quadril.” Voltei a sentir vontade de empurrar. “Pode empurrar se tiver vontade”, disse ela. Ranghild permaneceu ao meu lado o tempo todo. Instruindo-me a só ouvir a médica que estivesse entre as minhas pernas e ninguém mais. Mas eu ouvia a todos, e respondia à todos. Cecilie desceu e ela finalmente pôde segura-la pelo quadril. Me fechei dentro de mim mesma mais uma vez. Silêncio dentro de mim, caos do lado de fora. Empurrava. Respirava, Empurrava. Vi os movimentos específicos que a médica fazia para tirar a cabecinha de Cecilie de dentro de mim. Até que saiu.

Às 23h32min nasceu Cecilie. De bumbum pra lua. Mole. Branca. Mole, muito mole.

Foi logo levada para a sala onde Alexander estava. A correria para cuidar de mim permaneceu. Mais uma parteira chegou. A preocupação era de que eu não sangrasse muito. Logo iniciaram ocitocina na minha veia. As placentas foram expulsas. Coladas uma à outra. A nova parteira decidiu me dar “uns pontinhos estéticos”, ela disse. Não houve laceração alguma. Os bebês voltaram. Foram postos simultaneamente em meus seios para mamar. Ofereci o seio aos dois que sugavam com uma voracidade de criança grande.

No dia seguinte ouvi que Alexander estava mesmo com a respiração superficial, mas que, assim que Cecilie entrou no quarto, todos os sinais vitais dele se estabilizaram imediatamente. A pediatra se disse espantada, porque lhe pareceu que ele sabia que ela precisaria dos aparelhos mais que ele e lhe deu o lugar na mesa de ressuscitamento. De acordo com Morten, Cecilie logo ficou corada e acordou. Não saíram do primeiro passo no processo de ressuscitamento – que é praxe em caso de parto pélvico.

Eu ainda fui perseguida pela parteira do plantão por algumas horas para garantir que eu não apresentaria hemorragia. Eu só queria me trancar num quarto com meus filhos e dormir. Dormir. Dormir.

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Como eles não esperaram a vovó chegar para nascer, não tiramos muitas fotos do evento.

Um abraço.

E os milagrinhos são…

Um menino e uma menina!

Parabéns à todos que deram seus palpites no Facebook e acertaram. Obrigada pelos chutes!

Desculpem a demora na resposta. Mas do hospital, fomos direto à creche buscar Matias para irmos jantar na casa dos meus sogros. Voltando pra casa, liguei pra minha mãe, coloquei Matias na cama e só agora consegui falar com meu pai. Eles sempre ficam sabendo em primeira mão. 🙂

Bom, quanto a ultra. Essa foi a “super-ultra”. Chamo ela assim porque é a única ultrassonografia que o governo dá durante a gravidez. Ela acontece entre a 18a e a 19a semana e nela a gente descobre o sexo – se assim desejar -, faz uma análise detalhada do bebê, e determina a data prevista do parto oficial. [ADENDO] Nossa data prevista de parto foi corrigida em três dias, para 4 de outubro. [FIM DO ADENDO] Essa ultra acontece no hospital onde a gente deve ter o bebê, e assim eles já mantém todas as informações sobre a mãe e os bebês antecipadamente para se preparar.

Como estamos esperando dois bebês, essa ultra foi bastante especial e mais demorada, já que analisamos os dois. Não é uma ultrassonografia super avançada como as que se fazem no Brasil. Nada de 3D ou 4D. É um aparelho comum. Tudo em preto e branco. Para ver alguma coisa em 3D ou 4D, a gente precisa ir a uma das clínicas particulares e desembolsar um dinheirinho. Eu sempre acho que a ultra comum é suficiente, então nunca paguei por uma 3D.

Também por ser uma gravidez gemelar, eu tenho um acompanhamento mais detalhado, com muitas ultrassonografias. Essa já foi a terceira e daqui pra frente, a frequência vai aumentar. Primeiro, uma a cada duas semanas e depois toda semana.

Pelo que vimos hoje, os dois estão se desenvolvendo perfeitamente, e a diferença de tamanho hoje é bastante pequena. O menino é um pouquinho maior que a menina – o que é esperado -, mas ela é mais longa. O chamado Gêmeo 1 é o menino, que está mais perto da “porta de saída”, e o Gêmeo 2 é a menina, que está mais ao alto na barriga. Ambos são bastante ativos, mas sinto a menina o tempo todo porque ela está mais perto da minha pele. O menino está atrás da placenta, por isso só o sinto quando os movimentos são para o lado, para cima ou em direção à minha bexiga.

As placentas estão bem posicionadas, não bloqueando a saída para o parto. De acordo com a ginecologista, se eu entrar em trabalho de parto antes da semana 34, eles tentam parar o processo. Se o trabalho de parto se iniciar depois da semana 34, eles deixam nascer sem problemas. Idealmente, eles devem ficar aconchegados na barriga até pelo menos a semana 36.

Ao que tudo indica, o parto será normal, mas ainda é cedo para dizer. Tudo pode mudar a qualquer momento. Durante a ultra, a menina estava na transversal e virou de cabeça pra baixo, ficando com o rosto virado pro bumbum do menino. Eles ainda estão pequenos e têm muito espaço para se movimentar, mas parecem gostar do contato entre eles. Tenho a sensação de que a menina é mais ativa que o menino, mas é difícil dizer, já que ele está atrás da placenta dele.

Por aqui, como já disse durante a gestação de Matias, o parto normal é regra, mesmo que a criança esteja sentada. Se o menino estiver com a cabeça encaixada na pélvis, é parto normal, independente da posição da menina. A Noruega é um dos poucos países que realizam partos vaginais de bebês que estão sentados. A cesária só acontece mesmo com indicação clínica. O bom do parto normal é sair do hospital como a Duquesa Kate Middleton: andando, linda, e de salto. Com cara de cansada, claro, mas pronta pra outra. É meu desejo ter outro parto normal. Não vai poder ser na água, como o de Matias, mas normal.

Os nomes…

Agora entramos na fase de escolher nomes, e mais especificamente nome de menino. O nome da menina foi na verdade escolhido antes de Morten e eu nos casarmos (Imaginem!). Desde que engravidamos de Matias e não sabíamos que era um menino que venho reagindo ao nome que escolhemos. Naquele momento o escolhemos por ser um nome que funcionava tanto no Brasil quanto na Noruega, e é bonito. Mas depois disso, quando o nome se tornou realmente uma possibilidade, fui buscar o significado… e não gostei. O nome da menina deve ser Cecilia ou Cecilie – ainda não decidimos se a ou e soam melhor no final. Mas o nome significa “cega” ou “caolha”. Também foi o nome de uma santa… mas o significado me incomoda um pouco. Pensamos que um segundo nome pode aliviar isso, mas ainda não falamos mais sobre isso. Morten é louco por esse nome desde que o escolhemos, fez até música para a potencial Cecilia/Cecilie dele. Então, bem, deverá ser uma das duas variantes mesmo. Que com ela nasça um novo significado pro nome.

Quanto ao menino… ainda não consideramos. Falamos um pouco sobre isso ontem, mas só surgiram nomes bizarros em tom de piada. Agora temos que levar o negócio a sério. Acho que vai rolar o esquema de “eu escrevo meus preferidos, você escreve os seus, e depois a gente cruza as listas”. Eu sempre sonhei com Samuel, mas não funciona bem em Norueguês. Enfim, o nome desse menino vai ser um acordão mesmo.

A ginecologista também deixou bem claro que é hora de parar de trabalhar! E finalmente já posso começar a tricotar pra essas crianças! Yeay!

E vamos às fotos da ultra!

Menino semana 19

O menino. Semana 19. – “Documentos” e perfil.

Cecilia semana 19

Cecilia/Cecilie. Semana 19. – Perfil.

Segundo trimestre

Amanhã entramos na 13a semana de gravidez. Muita coisa aconteceu desde o último post e a segunda ultra aconteceu no último dia 20. Tem sido difícil encontrar calma interna pra sentar e escrever. Outras coisas, para além da gravidez, aconteceram e me mantiveram ocupada.

O bom de entrar no segundo trimestre é que o medo e o suspense diminuem consideravelmente. As chances de aborto espontâneo são muito menores e alguns dos incômodos do início da gravidez dão uma trégua – dando lugar a outros.

Como escrevi no post anterior, as náuseas têm me acompanhado, mas nas últimas duas semanas elas diminuíram consideravelmente. Minha médica me deu um remédio contra enjôos de viagem. A idéia foi boa, mas o efeito… usei 1 vez. Como instruído na bula, tomei 1 hora antes de sair pro trabalho para que o remédio fizesse efeito na hora certa – e o efeito dura até 24 horas! A viagem pro trabalho seguiu tranquila, mas quando cheguei lá, já estava me sentindo um tanto grogue. Dei aula meio que nas nuvens, mal ouvia os alunos. A viagem de volta foi tranquila, mas lembro pouco dela. Sei que comi duas saladas, mas não sei o que fiz durante o resto da viagem. Talvez tenha dormido? Chegando em casa, fui direto pra cama. Quando acordei, tudo girava. Nunca estive tão tonta na minha vida. Era uma sensação horrenda. Não consegui levantar da cama. Se estivesse bêbada teria sido capaz de levantar da cama. Mas não dessa vez. Passei o resto do dia de cama, e no dia seguinte com uma lombeira braba. O remédio não fez sucesso.

Tinha comprado um chá de gengibre e um remédio natural contra enjôos – extrato de gengibre com vitamina B6. Na quinta-feira, usei o remédio natural. Funcionou muito bem. Ótimo substituto.

Nesse meio tempo a barriga deu um salto. Já está bem visível. As coisas já levam mais tempo do que eu calculo. A simples tarefa de tomar banho antes de sair me cansa tanto que tenho sempre que tirar uns minutos sentada no sofá, respirando devagarinho.

E na sexta-feira nós fomos a segunda ultra. Eu ainda estava no suspense. Será que ainda são dois? Será que está tudo bem com eles? E se está, são uni ou bivitelinos? Eu parei de tomar o multivitamínico. Tudo me dá enjôo, e com esses comprimidos não era diferente. Estava tomando só o ácido fólico. Nada de ômega 3. Não posso dizer que minha alimentação está tão boa quanto esteve quando estava grávida de Matias. Por conta dos enjôos, como o que consigo, e o que desejo.

Grávida de Matias eu só queria coisas salgadas, e especialmente ovo cozido. Dessa vez eu quero tanto doce quanto sal, e isso é complicado. A gravidez gemelar tem maior risco de diabetes e pré-eclâmpsia. Às vezes quero mingau, bolo, sorvete outras vezes quero ovo cozido, cachorro-quente, hambúrguer etc. Confesso que tenho me controlado para não comer tanta porcaria quanto desejo. Mas com os enjôos e o aumento de saliva, comecei a chupar bala de menta, mascar chiclete e já descobri que arrumei um buraco no dente. Essas crianças estão sugando meu cálcio, e a quantidade de açúcar na boca está destruindo um dos meus dentes. Planejando uma visita ao dentista para depois da páscoa. Enfim, espero que nesse segundo trimestre eu possa voltar a comer tão bem quanto comia antes. Eu como porções menores, mas com mais frequência.

Por essas e outras andava meio preocupada com essas crianças. Mas foi bom ir à ultra e vê-los novamente. Então, o que vimos na ultra:

  • Ainda são dois;
  • Eles estão se desenvolvendo bem;
  • Ambos mediam em torno de 5cm;
  • São bivitelinos;
  • São bastante ativos; e
  • Não há nenhum sinal de falha cromossômica em nenhum dos dois.

Também estava um tanto curiosa sobre as possibilidades de parto. Se poderia ter pelo menos o primeiro na banheira, como Matias. Negativo. De acordo com o GO, os médicos preferem ter o máximo de controle possível em partos de gêmeos. Ele também disse que, geralmente, se o primeiro nascer de parto normal, o segundo também nasce de parto normal. Eles não costumam fazer o primeiro de normal e o segundo de cesária por exemplo, até porque, segundo ele, após o nascimento do primeiro, a pélvis fica tão aberta que o próprio médico pode “ir buscar o segundo” com a mão, reposiciona-lo e até puxa-lo pelo pé para ele nascer “com a bunda pra lua”. A julgar pelo parto de Matias, mais uma vez ele me assegurou, tudo indica que teremos mais um parto normal. Mas já me avisou que esse parto vai me parecer mais clínico que o anterior, uma vez que serão pelo menos dois médicos, duas parteiras, duas puericulturistas e mais alguns enfermeiros em espera no corredor caso necessário. Seremos três dessa vez, e duas crianças que podem nascer antes do tempo…

Minha oração é que eles fiquem na barriga o máximo de tempo possível, mas pelo menos até 37 semanas.

Na semana seguinte fui fazer o segundo controle com minha médica de família. Em três semanas ganhei 1 quilo. Fiz exame de urina como de praxe, e encontramos um pouquinho de proteína por isso vou precisar fazer outro em duas semanas. A pressão continua baixa como sempre. E não medimos o fundus porque o padrão é pra o desenvolvimento de gravidez única, não gemelar. Conversamos um bocado, e ela também me avisou que esse parto deve considerar menos as minhas preferências e mais o controle dos médicos. Mas confesso que penso em parir de cócoras! Mesmo sobre a cama Hahahahahahahahaha

Mas bem, vamos às fotos dos mllagrinhos 2 e 3.

Gêmeo 1

Ele está mais baixo. Deve ser o primeiro a nascer e por isso é chamado de Gêmeo 1. A posição da placenta dele em relação à barriga faz com que ele apareça mais escuro no ultrassom.

Gêmeo 2

A placenta do gêmeo 2 está mais alta na barriga, mais próximo do umbigo, então a imagem fica mais clara no ultrassom. Ele deve nascer depois, por isso é chamado Gêmeo 2.

G

Essa é a “parede” entre os dois. O médico conseguiu ver as placentas em posições opostas, e observando a espessura da divisão entre os dois determinou que são bivitelinos.

Agora nos resta saber o sexo dessas crianças. Quando estava grávida de Matias, eu sabia que era menino, mas dessa vez, não faço idéia. As apostas já começaram. Poucos acreditam que sejam dois meninos, e a maioria se divide entre duas meninas e um menino e uma menina.

Eu já estou com as mãos coçando para começar a tricotar pra esses milagrinhos. Mas prefiro saber os sexos antes de investir em lã.

E Matias: Tadinho, ele vem sofrendo por perder terreno. Não mama mais durante a noite, não o carrego mais no colo, evito levanta-lo se estiver de pé e agora já não pode mais dormir em cima de mim. Acho que ele vem sentindo bastante as mudanças. Procuro dar muito carinho e contato quando ele não está muito ocupado brincando. E confesso que a cama compartilhada tem salvo nossa relação. É durante a noite que ele me tem pra ele, às vezes por 10 horas direto. Mas ele está bem. Crescendo e se desenvolvendo. Come que parece um saco sem fundo. Come o tempo todo. Fala pelos cotovelos. Já tem um melhor amigo na creche.

Creche

Matias na creche. Experimentando marshmallow.

E Morten: Esteve internado essa última semana com uma insuficiência renal aguda depois de um episódio de desidratação. Já está melhor e em casa, com a graça de Deus. Matias sentiu muitas saudades do pai nesse período e ontem, depois que ele voltou pra casa, não dormiu durante o dia para brincar e falar com o pai.

Tem mais um monte de coisas pra contar, mas esse post já está bem grande. Vamos aproveitar a páscoa, porque aqui é férias de páscoa!

Boa páscoa!

10/10/2012 – o grande evento

Já era tarde, o sol de outono avivava as cores das árvores enquanto o vento frio levava suas folhas num romântico bailar. Tinha decidido que naquele domingo faria uma caminhada, sozinha, e tiraria fotos das belezas da vizinhança mais uma vez. Caminhei, caminhei, capturei imagens que já conhecia e muitas outras desconhecidas.

O balançar do meu corpo pesado atraia a atenção dos transeuntes que já estavam fazendo o caminho de volta. Já era tarde. Tarde demais para o início de um passeio no parque, especialmente para aquela pequena menina-mulher que arrastava por entre as trilhas aquele corpo que acabava de adentrar a quadragésima semana de gravidez.

Por entre os caminhos, tropecei em cogumelos selvagens. Estes conheço bem. Há exatamente um ano tinha feito uma caminhada nesse mesmo parque, com uma especialista, em busca dos mesmos cogumelos. Não, não como cogumelos. Sou como o caçador esportivo. Gosto de caçá-los, mas não de comê-los. Tenho a sorte de ter um marido que é louco por essas iguarias que custam uma fortuna no mercado. Assim, salvo minha consciência. Pois pus-me a colhê-los. Não tinha um recipiente apropriado, não estava vestida adequadamente e meu corpo, junto ao bom senso, não me permitiam. Mas não me importei. Pus-me a colhê-los e enfiá-los dentro da bolsa da câmera fotográfica. Voltei para casa contente.

 

*******

Duas horas mais tarde Morten estava viajando para Stavanger, e eu fiquei em casa. Junto com a minha mãe e a sensação de que algo estava errado, ele não deveria ir, mas… ossos do ofício. Eu ainda não apresentava nenhum sinal de que daria a luz tão cedo, e honestamente, acreditava que teria que esperar pelo menos mais uma semana. Mas estávamos os dois em dúvida e decidimos, mais uma vez, que ele voltaria como pudesse caso o parto se iniciasse. Minha preocupação estava em iniciar o parto no início da noite, quando as possibilidades de volta dele se reduziam a uma viagem de táxi estimada em no mínimo quatro mil coroas.

Durante aquela noite, as contrações ficaram ainda mais fortes, mas nada mais aconteceu. “Ele está te esperando”, escrevi ao futuro papai numa sms na manhã seguinte. Naquele dia, depois de ter enviado a sms, às contrações se juntou um sangramento mais intenso que o anterior. Fui para a cama sentindo uma pressão na parte de baixo da barriga e na pélvis ao passo que as contrações se intensificaram. “Última noite sem mim antes do parto”, escreveu ele numa sms. “Espero que nada aconteça durante a noite, mas gostaria muito que estivesse aqui agora”, respondi. Éram 22:06h.

“Ei, comece a pensar numa forma de vir pra casa”, escrevi às 00:25h depois de pouco mais de duas horas fritando na cama com contrações ainda mais fortes. Aquilo que temia estava acontecendo: Matias vir ao mundo e o pai não estar lá pra ver.

Durante o Curso de Grávidas aprendi que um banho quente ajuda a determinar se o que se sente são “contrações chatas” ou verdadeiras contrações de trabalho de parto. Naquele momento decidi que tomaria um banho e dependendo do tipo de contrações ligaria para o hospital e para o futuro papai, que aquela altura esperava ansioso para saber se poria o pé na estrada ou voltaria a dormir. A ducha rápida foi suficiente para confirmar que estava tendo contrações verdadeiras, e elas ficaram ainda piores.

Ter a minha mãe assim, pertinho, o tempo todo foi uma bênção e um privilégio.

Liguei para o hospital. Uma parteira dinamarquesa atendeu. Depois que passei as informações necessárias e a contagem do tempo das contrações ela disse, com toda a calma do mundo, “Pode vir agora”. Pedi que repetisse. “Pode vir agora pro hospital”. Comecei a fazer a mala. Liguei para meus sogros. E como nesse mundo ainda existe muita gente boa, os donos da casa em que Morten fica hospedado em Stavanger se dispuseram a trazê-lo até aqui. Ao mesmo tempo, minha sogra pôs o pé na estrada para ir buscar o filho no meio da noite. Encontraram-se no meio do caminho. Meu sogro me levou pro hospital junto com minha mãe.

A maternidade estava vazia. Um silêncio mortal em lugar do barulho natal. Uma parteira dormia e a outra vagava pelo corredor a minha espera. Evie é o nome dela. Fizemos o primeiro contato e ela pôde checar a dilatação. Dois centimetros. Apenas dois centimetros. Ótimo. O pai tem tempo de chegar. E chegou. As 06h da manhã. Eu já tinha sido acomodada, junto com minha mãe, no maior e único quarto com banheira da maternidade. Sem conseguir dormir, eu aguardava o próximo controle ou que a bolsa arrebentasse. Evie se despediu e deixou que as parteiras do plantão seguinte fizessem o segundo controle. “Volto para o próximo plantão noturno, mas espero que você já tenha dado a luz até lá”, disse ela antes de desaparecer atrás da porta.

Segundo controle: dois centímetros. Dois centímetros! Tanta dor, tanto tempo, e dois centímetros! Matias não saiu do lugar. Comecei a pensar que eles talvez me mandassem de volta pra casa e eu perdesse a oportunidade de dar a luz na banheira, como gostaria. Não. Me deixaram lá. Estudantes vinham para me examinar, me davam comida. Eu passeava quando dava, as contrações diminuíram um pouco a intensidade. Passeava pelo hospital e esperava por um novo controle. Estava com medo de nada acontecer. Não aceitei nada além de paracetamol para as dores iniciais.

Terceiro controle: dois centímetros. Dois centímetros!!! Comecei a pensar em juntar meus paninhos de bunda e vir embora pra casa. Estava ficando com a consciência pesada por ocupar o quarto que certamente também era desejado por outras. Mais uma troca de plantonistas. A partir dali as contrações retomaram a intensidade e comecei a usar o que achava ser gás.

Quarto controle: três centímetros. Três. A parteira descobriu que eu só estava recebendo oxigênio pela máscara. Corrigiu. Éram pouco mais de 20h. “Desde já, desculpe pelo que posso vir a dizer”, eu disse. As contrações ficavam cada vez mais intensas e o gás não resolvia muita coisa, só me deixava meio alta depois do pico de dor. Checávamos os batimentos de Matias que estavam sempre normais. Sem sinal de estresse. Troca de plantonistas. Evie voltou pouco antes das 23h.

Quinto controle: cinco centímetros. Cinco! Finalmente entramos na fase ativa do trabalho de parto. Depois de 24 horas na fase latente. A fase latente passa despercebida para muita gente. A bolsa só costuma se romper na fase ativa ou na passagem de uma para a outra, e na fase ativa as contrações são sempre “notórias”. Entrei na fase ativa às 23h do dia 09 de outubro. Perguntei à Evie quanto tempo ainda demoraria para o parto. Depois de 24 horas pra chegar a cinco centímetros, tinha medo de enfrentar outras 24 pra chegar aos tão esperados dez centímetros de dilatação. “A gente calcula 1 hora para cada centímetro e mais 1 hora empurrando”, respondeu ela. Seis horas?! Mais seis horas eu teria que esperar.

Meu maior problema não era mais a dor, mas o cansaço. Desisti do gás à 1h da manhã, e naquele controle estava com oito centímetros de dilatação. Então pedi para entrar na banheira. Evie me deu um clister para eu esvaziar o intestino. Me preparei, ela encheu a banheira com água em torno de 37 graus, fizemos mais um controle que mostrou que eu já estava com nove centímetros de dilatação. Às 02h da manhã entrei na banheira.

Estava com muito, muito sono. Entre uma contração e outra, eu dormia. Literalmente. Dormia. Evie começou a discorrer, sentada ao lado da banheira, sobre como é bom que a criança nasça ainda envolta na bolsa. Que isto significa sorte para o bebê etc. Depois de 20 minutos na banheira, esperando que a bolsa se rompesse e depois de ouvir a conversa dela, perguntei se poderíamos furar a bolsa. “Você quer acelerar um pouco o processo? Tudo bem.” Ás 02:25h ela furou a bolsa. Não doeu e pudemos ver que o líquido aminiótico estava limpo. Matias não estava estressado. Sinal verde para ele nascer direto na água.

Ás 02:48h comecei a ter vontade de empurrar. Ás 02:50h Evie constatou em mais um controle que eu estava com 10 centímetros de dilatação e a cabeça de Matias já estava na pélvis.

Às 03:25h tive Matias pela primeira vez em meus braços.

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Posso dizer que as primeiras 24 horas foram longas e doloridas, as últimas 4 foram excitantes, doloridas, deliciosas e surpreendentes.

Empurrar uma criança pra fora do seu corpo não é bem seu trabalho. O corpo o empurra, você só precisa relaxar e deixar a natureza seguir seu curso. Confesso que lembro “da parte de empurrar” já com saudades. Durante esses 37 minutos descobri uma força que se esconde no meu corpo, uma força que nunca imaginei que tivesse, uma força que tive o prazer de descobrir trazendo ao mundo meu primeiro filho.

Foram 37 minutos que me fizeram sentir invencível!

Parindo na banheira

Foto: Innlandet Sykehus

Ainda não caiu a ficha por aqui, mas ontem li no jornal que no ano passado 48 crianças vieram ao mundo na banheira em Kristiansand. Já comecei a pensar no parto… sem sofrer por antecipação.

Foram ao todo pouco mais de dois mil partos realizados na cidade de Kristiansand em 2011, e 48 deles na banheirinha. Pois é, por aqui alternativas à mesa parecem estar se tornando moda. Me parece que aqui se pode dar a luz quase que em qualquer lugar, desde que seja uma gravidez saudável e que terminará em parto normal assistido por uma parteira. A preferência sempre é pelo parto normal, cesariana só por indicação médica. Nada de medinho de dor… eles preferem usar um copo ou vácuo para ajudar no parto normal a te rasgar toda, te separar do bebê nos primeiros momentos de vida e te proporcionar uma recuperação mais dolorida e prolongada.

Então, a menos que minha médica ou ginecologista decida por cesariana, meu parto será normal. E aí entra a possibilidade de parto na banheira. Há uns critérios para parir na banheira, mas de modo geral, se tudo estiver normal, pode trazer a criança direto pra água, e ela vai chorar assim que emergir da água.

Durante um parto na banheira a mãe pode receber acupuntura e gás, e mais o efeito aliviante da água quente no corpo (em torno de 36 graus), mas nada de analgésicos químicos, e música relaxante, luz de velas perfumadas…

Ainda é cedo. Ainda nem vi com esses olhos que a terra há de comer que o bacuri está aqui mesmo… mas parir na banheira me parece interessante.

E aqui vão as fotos da semana. A primeira é a do lado que parece maior.

6 semanas e 6 dias

E a do lado normal. Tinha enchido a barriga d’água, por isso ela está meio estranha nas fotos.

6 semanas e 6 dias

E segunda-feira é a hora da verdade pra mim!